OPINIÃO

Triumph Thruxton X Yamaha XJR1300

Um dia de passeio aos comandos de duas motos cheias de história.

Testar motos é fácil. Explicar às pessoas o que cada moto realmente pode oferecer é que é difícil. Por vezes, a melhor forma mesmo, é levá-las a dar uma volta. Por isso aproveitámos ir andar com duas motos carismáticas, para levar connosco uma motociclista inexperiente nestas coisas do "Old School".

andardemoto.pt @ 30-7-2015 13:41:00

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Yamaha XJR1300 | Moto | Sport Heritage

Texto: Rogério Carmo    Foto: ToZé Canaveira   Colaboração: Mafalda Cabral



Quando certas motos se cruzam na vida de um jornalista de motociclismo, sobretudo aquelas mais simples e que causam emoções mais puras, aquelas que mexem mais com o coração do que com a razão, torna-se extremamente difícil transmitir sensações e relatar dados específicos.

Descrever a ficha técnica de motos com tão elevado estatuto é quase um sacrilégio. Falar de prestações dinâmicas e de gadgets electrónicos é um contra senso relativamente à própria filosofia destas motos. Mas pior do que isso, é conseguir explicar porque é que certas motos conseguem garantir elevados níveis de prazer de condução, apesar de serem pouco mais do que “velhos modelos” rejuvenescidos.

Até porque é essa mesma sensação, esse “feeling” de descontração que essas motos inspiram, que está na génese da onda revivalista que vivemos nos dias de hoje. É o que faz proliferar “cafe racers” e “scramblers”, e renascer motos que estavam praticamente no lixo, e nascer oficinas especializadas e designers e, ainda que pouco, faz mexer com todo o comércio sob a forma de peças e de equipamento e ainda alguns velhos e raros artifices das mais diversas especialidades. E sobretudo, volta a fazer andar de moto muita gente que já há muito tempo não conseguia encontrar o prazer de sentir o vento no peito.



Talvez por isso seja tão importante dar a oportunidade a pessoas mais afastadas deste mundo, de experimentarem certas motos, diferentes dos compêndios tecnológicos que possuem e habitualmente conduzem, e pedir-hes que abram o espírito, abandonem os preconceitos e apenas desfrutem a estrada. Foi o que fizemos!

Nesta espécie de teste de motos mais do que testadas, levámos connosco alguém que nunca tinha conduzido uma moto deste género. A opinão pode lê-la mais à frente. Entretanto se é daqueles que tampouco alguma vez experimentou uma moto deste tipo, então fique a saber porque o deve fazer. Até porque depois disso, se for o caso, pode dizer mal à vontade pois já fala com conhecimento de causa.

Trazemos aqui dois exemplos desse mundo carregado de nostalgia. Uma “cafe racer” da mais pura linhagem britânica e cujo conceito remonta a momentos altos da história do motociclismo mundial, os anos 60 do século passado, e uma “roadster” que representa o que de mais emblemático o Japão tem para oferecer, com uma “carreira” de vinte anos consecutivos em produção . São elas a Triumph Thruxton 900 e a Yamaha XJR1300.


Triumph Thruxton


A Triumph Thruxton representa a essência do espírito “cafe racer”. O revivalismo dos anos 60 e 70 em Inglaterra, dos tempos em que as motos eram puras, os homens eram duros e as estradas inclementes. Rockabilly, Ton-Up Boys, Ace Café, Jukebox, Boneville são nomes que estão gravados a fogo na génese desta moto.

O seu nome, herdou-o do Thruxton Circuit, um circuito que originalmente era uma pista de aviação da RAF do tempo da IIGG, e que em 1969 representou para a Triumph um pleno no pódio da mais importante corrida para motos da época, a Thruxton 500 uma prova de endurance com 500 milhas (800km).

A primeira versão da Thruxton foi lançada em 2004, construída a partir da base de um outro mito que dá pelo nome de Bonneville e cuja origem remonta ainda mais atrás no tempo, ao ano de 1959, e também ela destilada de outros modelos históricos seus antecessores, como a T110. O seu motor de dois cilindros paralelos era copiado então pela maioria dos construtores europeus, e só a maldição economico/financeira da marca impediu um sucesso ainda maior. 

A Thruxton é basicamente uma desportiva à moda antiga. Não é em vão que a marca a insere na sua gama de clássicas. A sua posição de condução é reactiva, com os poisa pés recuados e os punhos bem baixos e o pequeno apêndice aerodinâmico colocado sobre o farol, juntamente com o assento “solo”, confirmam a predisposição para as estradas de curvas. Os espelhos retrovisores colocados nas extremidades dos punhos completam o cenário nostálgico.

Visto pelos parâmetros actuais, os quase setenta cavalos debitados pelo motor e o disco de travão simples na roda dianteira parecem pouco, mas a Thruxton”, apesar do seu aspecto, é sobretudo uma moto para passear e desfrutar da estrada, da paisagem, dos aromas e do vento no peito, sem grandes pressas mas com muito estilo. E para isso, o que ela oferece é mais do que suficiente. Além do mais tem carácter: Precisa de que se lhe ajuste a entrada de ar para pegar a frio, o tacto dos travões é também ele especial e o som emitido pelo bicilindrico é carismático, rouco e profundo.

E tem raça! Forquilhas de 41 mm asseguram um bom comportamento em curva, e os amortecedores traseiros cromados também contribuem para um bom comportamento em ângulo a alta velocidade. Além disso são reguláveis para melhorar o comportamento com passageiro, ou para se adaptarem melhor ao estilo de condução de cada um. O nível de acabamento geral é elevado.

Para saber o preço e todos os pormenores técnicos da Triumph Thruxton, clique aqui.


Yamaha XJR 1300


A Yamaha XJR celebra o seu 20º aniversário. Desde que a primeira versão saiu para o mercado, nos idos anos 90 do século passado, então com a capacidade do motor tetracilíndrico a registar apenas 1200cc, que esta moto origina paixões e ódios de estimação um pouco por todo o mundo (pode saber mais sobre a linhagem XJR aqui).

A simplicidade e a regularidade do motor são dois fortes atributos que contrapõem a sua pouca apetência para grandes exigências em termos dinâmicos. Talvez por isso, este modelo sempre foi propenso a ser modificado pelos seus proprietários.

Não é em vão que a Yamaha insere a XJR na categoria de Sport Heritage, juntamente com modelos tão míticos como a V-Max. E tampouco é em vão que, para celebrar o 20º aniversário de produção contínua, o departamento de reconstrução da marca, que dá pelo nome de “Yard Built” e que se dedica a incentivar os seus clientes a personalizar as suas motos, tenha “encomendado” versões especiais deste modelo que podem ser adquiridas em “kit” e montadas no “quintal” de cada proprietário. Uma dessas versões, que já mereceu a nossa especial atenção por ser produzida em Portugal pela it roCkS!bikes, dá pelo nome de “Dissident” e é linda de morrer!

Mas a XJR é sobretudo uma moto para passear e, nesse contexto, há poucas tão competentes e charmosas.  As suas linhas esguias e musculadas de conceito minimalista atraem as vistas, e o elevado binário sempre disponível, proporcionado pelo motor que é o tetraciclindirco refrigerado a ar com maior cilindrada do mercado, e a caixa de cinco velocidades, contribuem fortemente para uma condução relaxada.

A pouca altura do assento ao solo favorece as estaturas mais baixas. Os comandos são leves e suaves e a travagem é forte e muito doseável. Claro que a estrela é a suavidade do motor e a contundente resposta ao punho direito. Em termos de equipamento, a XJR recorre ao que de melhor a indústria produz, com destaque para a suspensão traseira onde encontramos dois amortecedores Öhlins.

A Yamaha anuncia-a como “personalizada à nascença”, mas ainda assim disponibiliza uma enorme gama de acessórios oficias que podem tornar a XJR ainda mais exclusiva, isto sem recorrer a soluções mais radicais. Quem quiser também pode optar pela versão “Racer” mais sofisticada, dotada de uma semi-carenagem e uma posição de condução mais desportiva.

Para saber o preço e todos os pormenores técnicos da Yamaha XJR1300, clique aqui.


Conclusão


Em resumo, qualquer uma destas motos garante um elevado prazer de condução e um estilo invejável. A Triumph oferece uma condução mais desportiva e uma imagem mais clássica, enquanto que a Yamaha oferece uma condução mais relaxada e uma imagem mais contemporânea. Mas ambas são perfeitamente capazes de proporcionar momentos inesquecíveis, seja sentado nelas, seja sentado numa boa esplanada a olhar para elas.


2ª parte - Uma novidade antiga


As primeiras impressões que tive da Triumph Thruxton deixaram-me logo encantada!

De linhas simples com pormenores cuidados, uma excelente escolha das cores e estilosa até mais não, são atributos que fazem desta mota um caso sério de amor à primeira vista. Após algumas sugestões e indicações, umas quantas voltas à volta da mota a namorá-la, lá chegou a hora de dar à chave. Sorriso estampado na cara, o destino eleito era ir ver o mar numa esplanada qualquer para os lados da Ericeira, a desfrutar desta “cafe racer”.

Para começar o percurso, os primeiros quilómetros obrigaram-me a um mergulho no trânsito da capital. Apreensiva com o que tinha nas mãos, com o problema de sempre que é o facto de (como a maior parte das mulheres portuguesas)  não ter muita força e ser baixinha, lá me aventuro em direcção ao amontoados de chapa do meio da cidade de Lisboa. 



Foi nestes momentos que a mota ganhou o segundo super ponto a seu favor. Além de nem a Thruxton ter sido pensada com esse propósito, nem eu ser assídua das horas de ponta, o que é verdade é que, devido à confortável posição de condução, à baixa altura do assento e à boa resposta do motor em baixa rotação, tornou-se super confortável  "furar" o trânsito e, em menos de nada e sem dar por isso, já o centro da cidade estava para trás.

E lá continuámos em estrada aberta em direcção ao mar. O dia calhou solarengo mas com (muito) vento a dar uns puxões e a ameaçar que me atirava ao chão, mas ainda assim , a manter as velocidades permitidas por lei, esta Triumph mantém-se muito estável e proporciona uma condução muito agradável.



Cabe agora salientar o terceiro ponto que me impressionou: ao contrário do que imaginei, a facilidade com que ela se presta às curvas, tanto às mais abertas como às mais estreitas e fechadas, tornando-se muitíssimo leve e permitindo manter um bom ritmo  em percursos mais sinuosos. Mesmo para alguém com menos experiência torna-se fácil ganhar alguma confiança. E o à vontade, seja em que tipo de estrada for, é imediato.

E se ao primeiro olhar foi "amor à primeira vista" , depois de passar um dia inteiro em contextos de estrada variados, mantenho a opinião de que esta é sem dúvida uma excelente aquisição para quem quiser desfrutar do prazer da condução, passear em modo confortável... e com muito estilo. 

Saudações em "V" e boas curvas.

Mafalda Cabral

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Yamaha XJR1300 | Moto | Sport Heritage

andardemoto.pt @ 30-7-2015 13:41:00


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