Teste Triumph Thruxton “R” - Regresso ao passado
A Triumph não tinha a tarefa facilitada quando colocou o projecto de renovar as suas modernas clássicas em cima da bancada.
andardemoto.pt @ 23-9-2016 12:24:42
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Logo na prancha de desenho a fasquia era elevada para conseguir idealizar algo que conseguisse fazer frente à investida da BMW com as suas “R NineT”, da Yamaha com as suas “XSR” e da Ducati com as Scrambler, e ainda destacar-se no meio de toda uma horda de modelos “refabricados” por milhares de pequenos construtores espalhados pelo mundo.
Claro está que, além de tudo isso, a nova Thruxton teria que ser consequente com a anterior geração, e defender os pergaminhos da casa que ainda há bem poucos anos estavam orgulhosamente sós no mercado.
Mas o construtor inglês não se deixou intimidar e o resultado final respondeu à altura e sem qualquer complexo às investidas da concorrência. A Triumph criou uma moto de linhas clássicas e desempenho moderno que não deixa qualquer dúvida que é “The real thing”.
Em termos técnicos, havia necessidade de instalar o radiador de água, um dos males necessários para que o bicilíndrico paralelo cumprisse com as regras da normativa Euro4. A solução encontrada revelou-se bastante discreta, e esconde as tubagens do circuito de refrigeração contribuindo para um aspecto ainda mais limpo e agradável.
Também pormenores como os corpos de injecção, que imitam os velhos carburadores Amal, são o expoente máximo da camuflagem, complementada com outros detalhes deliciosos como a cinta de alumínio escovado que fixa o depósito de combustível, e a tampa do bocal de enchimento do tipo “Monza”, com abertura rápida, ou a mesa de suspensão superior em alumínio polido e de formas arredondadas. Até o painel de instrumentos parece uma obra de relojoaria.
Jantes de 17 polegadas com um pneu traseiro de medida 160 conferem uma grande agilidade, e o facto de terem impressa a insígnia Pirelli Diablo Rosso contribui notavelmente para o desempenho dinâmico ao transmitir uma confiança elevada em curva, e uma grande potência de travagem e aceleração.
Claro que o novo quadro, mais firme, também contribui grandemente para aumentar a estabilidade do conjunto que nesta versão “R” é suportado por umas suspensões “premium” com assinatura Showa na frente e Ohlins na traseira.
Mas nem só do aspecto vive uma moto, e por isso esta nova Thruxton encanta também em andamento. A travagem a cargo da Brembo é irrepreensível e está perfeitamente ao nível do conjunto, permitindo uma grande dosagem da muita potência disponível.
O motor comporta-se como seria de esperar numa moto que, não sendo uma desportiva pura, se presta a momentos de verdadeira pilotagem. Revela-se potente e disponível praticamente a qualquer regime, mas quanto mais rotação, melhor responde e mais encanta. O som emitido pelo sistema de escape é grave e rouco, e viciante quando se enrola punho e nos fascina com a sua sonoridade quase enfeitiçante.
Ao circular em meio urbano, pode-se desfrutar de uma condução tranquila, ajudada por uma embraiagem de accionamento leve, uma caixa de velocidades macia e precisa, e um binário mais do que suficiente para se rolar tranquilamente sem serem necessárias frequentes mudanças de relação.
A par com uma altura do assento reduzida, que facilita a vida a quem tiver uma estatura mais baixa, a boa brecagem é uma preciosa ajuda nas manobras e o ABS juntamente com o controlo de tracção aumentam a confiança mesmo de quem não tiver ainda muita experiência.
A posição de condução é nitidamente desportiva, com os poisa-pés recuados e bastante elevados e o guiador bastante estreito e baixo. Os comandos bem colocados e a iluminação bastante boa completam o rol de predicados.
Galeria de imagens
O controlo de tracção é outra das grandes vantagens que a Thruxton apresenta. Mesmo os Pirelli Diablo Rosso se ressentem da entrega de binário, e a menos que se regule a electrónica para o modo de chuva, tanto o modo desportivo como o modo normal o fazem entrar em serviço variadíssimas vezes.
Claro que os puristas podem ficar chocados. E os que gostam de andar depressa vão ficar encantados.
A posição de condução é ergonómica e consegue proporcionar um bom encaixe, sem forçar demasiado os punhos numa utilização urbana, pois esta Triumph tampouco se inibe de andar na cidade. É bastante ágil, tem relativamente boa brecagem e um assento que, pelo menos durante a primeira hora de condução, não massacra o fundo das costas, e se for a "aviar" uma boa estrada de montanha, então não se dá por nada!
Conclusão:
Esta Triumph Thruxton “R” é a herdeira legítima das cafe racers originais. A Triumph apostou numa imagem cuidada, com muitos pormenores de bom gosto e acabamentos esmerados, e numa completa gama de acessórios de fábrica que permitem torná-la ainda mais exclusiva.
Se pretende uma moto cheia de estilo, mas capaz de dar muito prazer de condução, então esta é uma das motos que vai ter que experimentar.
andardemoto.pt @ 23-9-2016 12:24:42
Clique aqui para ver mais sobre: Triumph - Notícias