Entrevista Filipe Elias – Regresso à Baja Portalegre com uma Triumph Tiger 900 Rally Pro
Conhecido entusiasta e piloto amador de “offroad”, Filipe Elias estará na próxima Baja Portalegre 500. Novamente aos comandos de uma Triumph de série, os objetivos estão traçados. Estivemos à conversa com o Filipe Elias na Triumph Lisboa. Aqui fica a nossa entrevista exclusiva.
andardemoto.pt @ 3-11-2020 20:00:20 - Texto: Bruno Gomes
Embaixador e conhecido entusiasta da Triumph,
Filipe Elias está de regresso para mais um ano na Baja Portalegre 500. Se em
2019 surpreendeu tudo e todos ao participar com uma Triumph Scrambler 1200 totalmente de série, este ano Filipe Elias troca de máquina e irá competir aos
comandos de uma Tiger 900 Rally Pro na classe Maxi Baja, novamente com a
associação à Triumph Portugal.
Com 48 anos e natural de Coimbra, onde manteve uma ligação
muito forte à conhecida equipa Motogomes, tendo trabalhado com pilotos como
Paulo Gonçalves ou o Sandro, Filipe Elias encara esta participação na
perspetiva do piloto amador.
Tal como há um ano, agora é a vez da versão mais extrema da
trail britânica enfrentar a dureza da Baja Portalegre numa configuração de série. As únicas
modificações realizadas por Filipe Elias e a sua equipa Touratech / Longitude
009 foi trocar os pneus por uns específicos, mais cardados, e adicionar um
conjunto de proteções que garantem que em caso de queda a Tiger 900 Rally Pro
não sofre danos graves.
Para o piloto amador, ligado a muitos eventos e cursos de condução “offroad”
bem conhecidos dos motociclistas portugueses, terminar é o objetivo nesta
edição 2020 da Baja Portalegre. Mas para descobrir ao certo o que Filipe Elias
pensa desta participação, aproveitámos um momento de pausa na preparação para
esta prova, e no espaço da Triumph Lisboa conversámos com este embaixador
Triumph.
No momento em que escrevemos e publicamos este artigo, a
realização da Baja Portalegre 500 está em causa. A Direção-Geral de Saúde
afirma que não irá dar o parecer favorável à realização da prova, mesmo sem
público permitido ao longo da baja. Mas neste momento não existe ainda por
parte do ACP Motorsport qualquer indicação de que a Baja Portalegre 500 não se
realize já no próximo fim de semana, 6 a 8 de novembro.
Caso se confirme a realização da Baja Portalegre 500 como
previsto, Filipe Elias irá fazer uma transmissão por “streaming”, usando uma
“action cam”, permitindo aos fãs acompanhar ao vivo o que acontece no Prólogo.
Fique atento à página da Touratech PT e da Longitude 009 na rede social
Facebook a partir de sexta feira de manhã para mais informações.
Entrevista a Filipe Elias na Baja Portalegre 500 com uma Triumph Tiger 900 Rally Pro
Andar de Moto - O que te leva a regressar à Baja Portalegre 500 este ano?
Filipe
Elias - Portalegre tem uns restaurantes espetaculares à volta e
são sempre quatro ou cinco dias em que não se nega.
AdM-
Portanto é mais pelo ambiente do que pela prova em si.
Filipe
Elias - Sem dúvida nenhuma! Não estou lá para ganhar nada, estou para
acabar. Mas todo aquele ambiente em volta... e tem sempre aquela vantagem das
almoçaradas e umas jantaradas, e depois vamos para a pista e derretemos um
bocadinho, mais umas almoçaradas e uma jantaradas, não te vá dar uma fraqueza.
AdM
- Quantas vezes participaste na Baja?
Filipe
Elias - Participei várias vezes. Terei participado umas seis
vezes de moto grande. Uma ou duas numa moto tipo enduro, uma XR 600, e acho que
cheguei a fazer de Aprilia RX 125. Esta deve ser a sexta vez que faço de moto
grande.
AdM
- O ano passado estiveste com a Scrambler sem modificações. Como foi a
experiência?
Filipe
Elias - O ano passado adorei a experiência. A moto estava
stock, nem escape levou. Apenas afinação de suspensões. Talvez tenha sido a
Baja mais divertida que fiz e que mais gozo me deu.
AdM
- Mas esta Tiger 900 Rally Pro é totalmente diferente da Scrambler. A abordagem
a uma prova como uma baja numa moto destas o que é que implica da tua parte?
Filipe
Elias - A minha abordagem é sempre basicamente a mesma. Vou lá para
me divertir e para terminar. Acima de tudo não me quero aleijar e quero que a moto
fique direita. E penso que uma pessoa só se diverte terminando, só assim é que se sente
realizada. Todas as bajas são diferentes, há sempre condicionantes, com motos
diferentes, e isso é sempre um desafio. E também porque fazer a baja numa moto
com mais de 200 kg o desafio é completamente diferente. Ainda por cima se
pensarmos que vamos ter provavelmente chuva, o que vai complicar as coisas. Já
fiz uma Baja Portalegre com chuva e de moto grande, e os objetivos mudam por completo.
O meu objetivo era fazer a baja só com um depósito, não parava na assistência.
Com uma moto grande com chuva, ao final dos primeiros 10
ou 15 quilómetros o meu objetivo era chegar à primeira assistência. Depois
passou a ser chegar à segunda assistência. Depois terminei, num ano em que
acabou muito pouca gente. Correu muito bem e foi muito engraçado. Este ano
vamos ver. Estou a amar a moto, é muito interessante, muito boa, tem ótimas
suspensões.
AdM - Sabemos que são motos totalmente diferentes, mas já fizeste muitos
quilómetros com a Scrambler e com a Tiger. Quais as diferenças principais que
destacas?
Filipe
Elias - A Scrambler tem um motor que nem é preciso acelerar,
pois tem um binário enorme em baixas. É muito fácil nesse aspeto. Tem uma
suspensão fabulosa, travões fabulosos. É uma moto muito boa nesse aspeto. Em
termos de posição de condução é um registo totalmente diferente. Temos que
habituar um pouco à moto, e tentar perceber como é que a levamos da melhor
maneira. Mas quando conseguimos torna-se extremamente divertida. No ano passado
quando parei com o radiador furado, tinha acabado de passar, sei lá, na hora
anterior devo ter passado umas 15 motos de enduro. Estava a entrar num ritmo
porreiro, a sentir bem com a moto, estava a divertir-me. Este ano com a Tiger,
esta moto tem também muito boas suspensões e o motor é muito giro, não é tão
“offroad” porque é um tricilíndrico, mas eles (Triumph) conseguiram deixar a
moto com bastantes baixas e está muito interessante para o todo-o-terreno. Em
termos de posição de condução é muito melhor.
AdM
- Ajustaste alguma coisa na moto para se adaptar às tuas necessidades?
Filipe
Elias - Tudo o que tem a ver com a minha fisionomia. Mexemos
tudo. Poisa-pés mais largos, guiador noutra posição. Aí nós mexemos em tudo,
mas sempre do que está de origem na moto. É só uma questão de afinação. E
carregamos com proteções, é isso que vai fazer a diferença, principalmente as
proteções que ficam mais baixas e que não interferem tanto no centro de gravidade.
AdM
- E numa moto destas, que hoje em dia tem uma eletrónica tão relevante para a
dinâmica em condução, esta Tiger tem muitas opções. Há sempre o gosto pessoal de
cada um. Qual é o teu gosto pessoal e ao nível da eletrónica o que achas que te
vai ajudar mais?
Filipe
Elias - Eu normalmente uso bastante a eletrónica. Para já
porque fisicamente não sou propriamente um atleta (risos), e nestas coisas
poupa-nos bastante o físico quando andamos numa moto em que sabemos que ela
controla muita coisa por nós. Isto se a eletrónica for boa. Ñormalmente no Prólogo faço praticamente com tudo desligado, e a moto acaba
por entregar muito mais potência na roda traseira. E coloco no modo “full
power” que é usado para estrada. E na corrida em si, nas especiais, aí coloco a
entrega de potência em modo “offroad” mas coloco o controlo de tração em desligado. Mas com chuva ainda vamos ter de perceber como tudo vai funcionar.
AdM
- Tendo em conta todos estes fatores e mesmo a possibilidade de chuva, para além
do resultado que é terminar, tens alguma fasquia em termos de posicionamento?
Filipe
Elias - É assim, a Baja Portalegre, e então para este tipo de
motos, tem uma coisa que é brutal. Que é aquilo que nós com a equipa Touratech
tentamos incentivar. É o melhor sítio que temos para andar depressa. É uma
pista fechada, com toda a segurança, indicações de todos os perigos, equipa
médica, com tudo o que podemos ter para andar depressa e em segurança. Porque
às vezes sem ser num registo de baja apanhamos alguns sustos, e não faz
sentido. Ali conseguimos mesmo desfrutar, sabemos que está tudo indicado,
funciona tudo. Basicamente é essa satisfação que me leva lá, o poder andar
depressa, divertir-me, e passar um bom bocado. Chegar ao fim, passar o pórtico.
AdM
- A tua ligação à Triumph é conhecida. Para ti o que significa poder competir
na Baja Portalegre com uma Triumph de origem? Para além do aspeto pessoal que é
para ti participar na prova, é a possibilidade de mostrar ao público em geral
as capacidades destas motos?
Filipe
Elias - Eu penso que isso também é importante. Esta não é,
definitivamente, a moto ideal para fazer a Baja. Será um desafio extra. Agora
para mim é uma moto em que eu ando todos os dias, em eventos que fazemos,
viagens de aventura, e isto acaba por ser um desafio para mim tentar perceber
até onde é que ela me consegue levar, ou até onde eu a consigo levar a ela.
Provavelmente serei eu que vou vacilar primeiro. Mas basicamente tem a ver com
mostrar o que ela é capaz. Esta moto é uma moto em que eu acredito muito. Os
quilómetros que eu já fiz não foram poucos, e leva-me a acreditar mesmo nela. O
motor está um espetáculo! Eu não sou um amante de três cilindros, gosto muito
mais dos dois cilindros. Mas o trabalho que a Triumph conseguiu fazer neste
motor foi surpreendente porque parece mesmo o dois cilindros em V, que é, se
calhar, o motor que eu mais gosto. Sem perder depois o resto que o três
cilindros tem. Eu acho que isso nesta moto é brutal. Provavelmente naquelas
retas em que podemos rolar a 180 km/h será benéfico este motor, ser mais solto,
o facto deles terem conseguido colocar uma entrega de potência tão em baixo e
linear faz com que nas zonas mais rebuscadas permita fazer o percurso sem
grandes stresses. Mas o resultado não é de todo o meu objetivo. Chegar ao fim
sim. Acima de tudo chegar ao fim direitinho, e com a moto direita.
AdM
- Ainda por cima num ano especial, com tantas mudanças a acontecerem na nossa
sociedade...
Filipe
Elias - Sim, é um ano muito difícil. Quero desde já dar os
parabéns ao ACP Motorsport e a toda a sua equipa por conseguir colocar todo
este evento de pé. É de louvar. Mesmo porque não é fácil. Não nos podemos
queixar de todas estas restrições, até porque são elas que fazem com que seja
possível realizar a prova neste momento. Mas vou sentir a falta do público como
é lógico, mas são as regras e são para o bem de todos, e vai ter de ser assim.
andardemoto.pt @ 3-11-2020 20:00:20 - Texto: Bruno Gomes
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