A Cidade e a moto

Se há “ambientes” onde a moto é muito útil, a cidade é provavelmente o de maior destaque. Essa utilidade reflecte-se em economia financeira e de tempo, menor stress, maior pontualidade e aumento na qualidade de vida de quem utiliza e de toda a urbe. No entanto, e para que tudo corra sobre rodas, há que ter alguns cuidados, especialmente em Portugal, onde ainda não há uma cultura generalizada de “Andar de Moto”.

Motociclista experiente @ 4-2-2013 18:05:00

De entre muitos outros, tenhamos atenção a alguns aspectos muito importantes para um dia a dia tranquilo na cidade, utilizando uma moto.


 

Não será de mais repetir que a “condução defensiva” é a melhor forma de evitar sustos e acidentes. Esta ideia aplica-se à condução de qualquer veículo ou andar a pé. É como prevenir doenças em vez de as tratar.

Se estamos “nos primeiros passos a Andar de Moto”, então vamos redobrar os cuidados; se já temos experiência, não facilitemos, porque o excesso de confiança é provavelmente mais perigoso do que a inexperiência. Mas se não entrarmos no “excesso de confiança”, a experiência vai dar-nos uma ajuda muito grande para circularmos tranquilos e em segurança. Com a experiência, aprendemos a conhecer a reacção e comportamentos dos outros motociclistas, automobilistas, taxistas, autocarros, ciclistas e peões. Também aprendemos a conhecer as nossas capacidades de atenção, reacção, concentração e mesmo físicas, assim como as características da nossa moto (quando utilizamos a expressão “moto”, referimo-nos aos vários tipos: com duas rodas, três rodas, scooters...).

Essa experiência, e em muitos casos vale também a adquirida na condução de automóvel, vai mostrar que é prudente ter especial atenção a:

Passadeiras

Quem anda todos os dias na cidade provavelmente já assistiu a situações de paragens bruscas nas passadeiras e quem vem atrás, muitas vezes distraído, não consegue parar e “vai batida”. Para além dos danos materiais, numa moto os danos pessoais podem ser graves. Mas também pode haver danos nos peões, porque podemos ser “empurrados” para a frente. Se houver o cuidado de ir atento e prever uma eventual paragem, temos tempo de avisar a viatura de trás e eventualmente desviar-nos do perigo. A tinta utilizada nas passadeiras também não ajuda a uma paragem brusca.

Autocarros e táxis parados na paragem ou berma

Quando vamos passar junto de um autocarro, táxis ou outro veículo, há que ter atenção a dois aspectos fundamentais.

Um tem a ver com os peões e acontece com autocarros nas paragens. Há peões que saem do autocarro, avançam pela frente deste e “lançam-se” para a estrada/rua, aparecendo de súbito pela frente do autocarro. Por isso convém ir sempre preparado para que isso aconteça. Se assim não for, temos de certeza algo de muito desagradável.

O outro aspecto tem a ver com os veículos. Vamos passar e o autocarro, táxi ou outro qualquer veículo que estava encostado, arrancou sem “dó nem piedade”. Se circularmos em automóvel, “lá vai chapa e um abanão”, se for de moto, “´lá vai chão”, com as desnecessárias consequências. A regra é simples: ir sempre a contar com o “arranque vertiginoso” do veículo parado. Se assim for, a probabilidade de “ir parar ao meio do chão” é mínima porque mantivemos uma distância lateral superior desse veículo e porque vamos preparados para travar, desviar ou acelerar, de forma a evitar o choque.

Semáforos

Relativamente aos semáforos, há que ter um procedimento idêntico às situações anteriores, isto é, antes de passar verificar bem se não vem nenhum veículo que tenha passado no chamado “verde tinto”. Como todos sabemos, há sempre quem passe “a queimar” e uma “pancada” lateral não é com certeza agradável.

Idosos, crianças e outros peões

Na mesma linha das precauções anteriores, há que ter muita atenção aos peões. O seu comportamento é, por vezes, muito imprevisível.


Condutores “suspeitos”

Todos nós já tivemos oportunidade de ver condutores que, se formos com atenção, verificamos que vão distraídos pelos mais variados motivos: falar ao telefone, não sabem por onde ir, etc. Esta situação torna-os imprevisíveis e por isso é importante, mais uma vez “jogar à defesa”. Manter uma maior distância ou, se for a melhor solução, ultrapassar o mais depressa possível.

Circular entre filas de trânsito parado ou quase parado

Convém ter em consideração que o código da estrada não permite circular fora da faixa de rodagem. No entanto, uma das maiores vantagens de Andar de Moto em cidade é conseguir progredir por entre os automóveis quando o trânsito está parado ou em andamento lento. A partir destas premissas, há que ter muita atenção a várias situações. Em primeiro lugar, ter consciência de que se algo correr mal, a probabilidade de a culpa ser nossa perante a lei é muito grande, próxima de 100%. Tendo isto sempre presente, levar-nos-á a evitar problemas, alguns com gravidade.

Muita atenção às intenções dos condutores que circulam ou estão parados à nossa frente. Qualquer espaço vazio, numa das “filas” é apetecido para um automobilista ocupar e ganhar alguns lugares na “fila”. Atenção às portas que se abrem a uma “velocidade estonteante”, nomeadamente do lado do “pendura” que já está próximo do local de trabalho e sai a correr porque já está atrasado, não olhando se vem algum veículo. Esta situação para um motociclista é extremamente gravosa e há que prevenir, dando muita atenção às pessoas que vão dentro da viatura e circulando a baixa velocidade, para evitar o pior. Atenção também a outros motociclistas que podem “aparecer” pela frente de um carro, vindos de outra faixa. Os motociclistas deviam circular todos em “fila”, pelo mesmo trajecto, conseguindo vantagens: os automóveis encostam-se e ficamos com maior espaço de circulação, mas se uns vão por um lado e outros por outro, estamos a dificultar a vida aos automobilistas que têm a boa vontade em facilitar a nossa. Neste caso, os motociclistas menos experientes deviam desviar-se, permitindo a passagem aos mais experientes, não os obrigando a passar para outro lado e causar o efeito atrás referido.

Nada de passar “à vontadinha”, com trânsito parado ou lento, em cruzamentos e entroncamentos, pois pode ser fatal.

Em resumo, vamos usufruir de Andar de Moto, mas sempre com os olhos bem abertos para o que se passa à nossa frente, ao lado e atrás através dos retrovisores. Agradecer a todos os automobilistas, independentemente de serem mais colaborativos ou menos. Nada de “agressividades” e “acelerações”, pois só estamos a “estragar a nossa vida e a dos restantes motociclistas”.

Relativamente à abertura repentina de portas, convém ter atenção também em situações fora de trânsito parado ou lento. Por exemplo, quando há viaturas paradas. A regra é sempre a mesma: muita atenção, reduzir a velocidade e manter maior distância do potencial obstáculo.

Prioridades e motociclismo

Quando circulamos de moto devemos ter sempre presente que mesmo que tenhamos prioridade devemos ter o máximo cuidado. Isto aplica-se também quando conduzimos outro veículo. No entanto, as consequências que um motociclista pode sofrer de um choque provocado por quem não respeitou a prioridade são, na maioria dos casos, de maior gravidade do que quando viajamos de automóvel. As precauções são as mesmas que referimos quando falámos de semáforos, cruzamentos, etc.

A importância de ser visto

A moto, comparada com um automóvel, é um veículo pequeno e desloca-se mais rapidamente do que por vezes temos consciência, especialmente em situações de trânsito lento ou parado. Quem tem experiência de andar de automóvel e de moto, sabe que o chamado “ângulo morto” é causa de muitos “toques” na cidade. Quando se trata de uma moto, quase podíamos dizer que o “ângulo morto aumenta no retrovisor de um automóvel” e o “toque” pode transformar-se num “acidente” com consequências graves. É por isso fundamental evitar o dito ângulo, que se situa em média entre a porta e a roda traseira de um automóvel. É mais seguro circular de forma a termos a certeza que o condutor nos viu e depois ultrapassar rápido e em “linha de segurança”, que é como quem diz afastados do eventual perigo e preparados, como sempre, para um imprevisto.

Motociclista experiente @ 4-2-2013 18:05:00