Notícias sobre a sinistralidade: Miguel Tiago denuncia dados manipulados
O deputado comunista, bem conhecido pela sua intervenção política em prol do motociclismo, desmascara dados recentemente publicados sobre aumento da sinistralidade no motociclismo.
andardemoto.pt @ 2-11-2017 21:48:19
Os motociclistas portugueses não precisam de pensar muito para perceber que a polémica que recentemente tem vindo a lume sobre o aumento da sinistralidade com veículos de duas rodas é, nitidamente, uma encomenda mediática que serve interesses instalados.
Até porque, aquilo que deveria mesmo ser falado, como soluções concretas e eficazes para reduzir a sinistralidade, são tudo temas de que, e pergunta-se porquê, ninguém fala?
Assuntos como a maior fiscalização policial à condução sobre o efeito de álcool e à utilização de telefones durante a condução, a melhoria do ensino da condução, com novos programas pedagógicos, prática reforçada, inclusivamente com recurso a simuladores, e exames de condução mais exigentes. Isto para não falar na anedota das renovações da carta de condução, das débeis condições das rodovias no que ao piso, de má qualidade e irregular, e da sinalização frequentemente incompreensível e ambígua, diz respeito, e esses sim, são factores determinantes para um aumento da segurança rodoviária.
Mas o deputado motociclista Miguel Tiago, que foi o responsável pela aprovação da “Lei das 125cc”, resolveu tirar as contas a limpo e publicou uma nota, no seu perfil do Facebook, a esclarecer os dados e as intenções por detrás desta “notícia” tão extemporânea que visa apenas usar as vítimas da sinistralidade em duas rodas em prol de causas pouco transparentes.
O texto, cuja versão integral pode ler se clicar aqui, refere especificamente o artigo do JN recentemente publicado que dava conta de que, entre 1 de Janeiro e 30 de Julho, os acidentes de moto atingiram 4927 pessoas. “Um aumento brutal e preocupante”, conforme foi definido pelo presidente da moribunda Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, em declarações ao JN.
Diz o deputado que:
“O JN fez uma notícia, na qual afirma que as vítimas mortais e os feridos graves envolvidos em acidentes com ciclomotores e motociclos vem aumentando. O tom é dramático e chega mesmo a dizer-se que “o número de mortos quase duplicou de 2016 para 2017””.
Analisando os referidos daods do quadro publicado pelo JN para ilustrar a notícia, Miguel Tiago afirma que os números que constam deste quadro publicado no jornal estão manipulados:
“Diz-nos o quadro que, em 2008, morreram 91 pessoas em acidente de motociclos e ciclomotores. Então fui ler o relatório da ANSR de 2008 e eis que afinal o que esse relatório no diz é que em 2008 morreram 62 pessoas em ciclomotores e 102 em motociclos, e diz também que em 2007 morreram 62 em ciclomotores e 142 em motociclos, o que perfaz os totais de ciclomotor+motociclo de 204 em 2007 e de 164 em 2008”.
E continua:“Também 2009 não bate certo: os número da ANSR dizem que morreram 152 pessoas (50 em ciclomotores e 102 em motociclos) e o quadro remete para 94 mortos”. Até fiz o exercício de verificar as mortes a 24H, para o caso de ser o dado que o JN estava a contabilizar. Mas nem assim. Veja-se 2010, o ano em que a lei das 125 produz efeito estatístico relevante com a venda de quase 14 mil motociclos abaixo de 125cc: nesse ano, segundo a ANSR morreram em motociclo e ciclomotor (a 24H) 177 pessoas, 65 em ciclomotores e 112 em motociclos.
Está explicado, nas letras pequenas, que os números se referem aos primeiros sete meses de cada ano. Pronto!
E com essa explicação, explicam que não estão a mentir, apenas a manipular a forma como percepcionamos os números.
Mas mesmo que não fôssemos verificar os números da ANSR (clicar aqui) para detectar a fraude da ANCIA e do JN, reparemos no quadro publicado. O JN diz que os acidentes de moto matam cada vez mais mas o próprio quadro que publica mostra uma estabilização no número de acidentes mortais entre motociclos e ciclomotores.
Apesar de a manipulação gráfica fazer parecer que o ano de 2017 é particularmente mau, se olharmos com atenção verificamos que o primeiro ano do quadro (2008) tem um número de mortes de 91 e que 2009 é o máximo com 94 mortos. Portanto, o ano de 2017 não é sequer o pior dos últimos dez anos.
Do quadro que o JN publica, para mim, só há uma conclusão a retirar: desde a entrada em vigor da lei das 125 há menos acidentes mortais com motos e ciclomotores.”
Conclui que:
"A verdade demonstra que, apesar de o parque circulante ter aumentado em largos milhares, ou seja, apesar de haver muito mais gente a conduzir motos, o número de mortos tem vindo a diminuir consistentemente".
andardemoto.pt @ 2-11-2017 21:48:19
Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews