20.º Portugal de Lés-a-Lés: Aventura terminou em Felgueiras

A ligação entre Lamego e Felgueiras encerrou com chave de ouro a edição comemorativa do 20.º aniversário Portugal de Lés-a-Lés, que decorreu de 30 de Maio a 2 de Junho ao longo de 1160 quilómetros.

andardemoto.pt @ 4-6-2018 12:42:00

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Esta terceira etapa foi considerada por muitos experientes motociclistas uma das mais espectaculares etapas do Portugal de Lés-a-Lés ao longo dos seus 20 anos de existência. Das deslumbrantes visões do Douro vinhateiro ao paladar das cerejas de Resende, do olfacto serrano da serra do Marão ao "tacto" do asfalto no Alvão, ou na audição do silêncio à passagem pelas serranias do Barroso, sempre sob temperaturas amenas e, sobretudo, sem chuva.

Ao longo de todo o percurso montanhoso repleto de estradas fabulosas e paisagens soberbas, a extensa caravana com mais de 2000 participantes percorreu 353 quilómetros de puro prazer mototurístico. Desde a passagem pelas margens do Douro, onde a vinha cede terreno à cereja de Resende, até à subida à Serra do Marão, através da ‘arredondada’ e algo esquecida N15, apreciando ao longe os sinais de modernidade rodoviária, do IP4 e da mais recente A4 e do seu enorme túnel, inaugurado há dois anos. Emoções fortes que foram motivo de conversa na primeira paragem do dia, no Alto do Velão, mesmo antes da entrada na Serra do Alvão, onde o concessionário da BMW nos Carvalhos criou um Oásis que juntou vistas deslumbrantes ao café com natas.


Partindo em direcção a Mondim de Basto, houve tempo para apreciar mais paisagens fabulosas, numa zona menos afectada pelos incêndios e com floresta autóctone. Na descida, os motores das pequenas 50 cc puderam descansar um pouco aproveitando para arrefecer depois de tanto sofrimento nas exigentes subidas. Esta foi também ocasião para Cândido Barbosa – o mais vitorioso ciclista português de sempre e que há 7 anos não perde uma edição do Portugal de Lés-a-Lés– recordar o enorme susto aqui sofrido em 2003, com despiste a grande velocidade na descida da etapa da Volta a Portugal que terminou no Alto da Sr.ª da Graça.

Na imponente e senhorial Casa da Tojeira, construída no séc. XVII bem perto do Arco de Baúlhe, os participantes puderam provar o vinho verde produzido na propriedade de 20 hectares, acompanhando as bifanas servidas pelos Bombeiros Voluntários de Cabeceiras de Basto, e usufruir das massagens do Instituto de Medicina Tradicional que ajudou a minimizar as dores de costas e até algum formigueiro causado por tantas horas de condução.


Este foi um dia pleno de locais pitorescos e fotogénicos, como Pedraça ou Cavez, Vilela ou Meijoadela, Uz ou Moscoso, pequenas aldeias a caminho da Serra do Barroso, que marcaram entrada discreta no concelho de Montalegre, com direito também a visita a Vilarinho Seco, uma das mais altas aldeias de Portugal, na rápida incursão ao concelho de Boticas.

Deslumbramento ao virar de cada curva, como na aproximação a Montalegre, passando bem junto da barragem do Alto Rabagão em momento de enorme descontracção antes do "susto" oferecido pelas bruxas, dráculas e outros seres bizarros do Moto Clube Os Conquistadores. Este foi o mais irreverente e bem-disposto dos 18 controlos, juntamente com os electricistas-sabotadores dos Moto Galos de Barcelos, que haveriam de ser descobertos mais à frente, sem esquecer também as surpresas do MC Albufeira e Motards do Ocidente com os geniais "quadros" pintados na véspera em momentos de animação acrescida, que dão outra vida ao Lés-a-Lés.


A descoberta de paisagens e do património de um Portugal pouco explorado ficou bem patente na abordagem ao único Parque Nacional do país, o da Peneda-Gerês, que deslumbrou a caravana com as suas milhares de curvas. E maravilhou especialmente os 180 motociclistas das mais diversas regiões de Espanha, os oriundos da Rússia, Croácia, Hungria, França, Itália, Irlanda, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Suíça, Chile, Brasil, Estados Unidos e Canadá, no mais internacional pelotão de sempre do Portugal de Lés-a-Lés.

No dia de todas as montanhas, a caravana passou ainda pela serra da Cabreira, na transição de Trás-os-Montes para o Minho, onde, além de mais curvas, existem mais barragens. Como a Guilhofrei, uma das mais antigas do País, construída em 1938 para impulsionar o crescimento da indústria têxtil do Vale do Ave.


O último controlo, às portas do Mosteiro de Pombeiro, inspirou os "monges" sócios do Moto Clube do Porto, único clube totalista com controlos em todos as 20 edições do Lés-a-Lés, a presentearem os 2100 participantes com a última marca na tarjeta que atesta o cumprimento do percurso integral. E com ajuda da "Madre Superiora" e do próprio "Bispo", encorajaram todos para os derradeiros quilómetros da aventura até Felgueiras.

Mal sabiam o que os esperava na Capital do Calçado, onde foram recebidos por uma plateia de milhares de espectadores no centro da cidade, ovacionando todos os participantes, dos mais conhecidos Carmona Rodrigues, ex-presidente da CM de Lisboa, João Oliveira e Miguel Tiago, deputados do PCP, os actores Helena Costa, Vítor Norte e Alexandre da Silva, o ex-ciclista Cândido Barbosa, os autarcas Rogério Bacalhau (Faro) ou Ângelo Moura (Lamego), aos milhares de "anónimos" motociclistas que tornaram este 20.º Portugal de Lés-a-Lés uma grande festa, ao longo dos 1160 quilómetros entre Faro e Felgueiras, com paragens em Portalegre e Lamego.

andardemoto.pt @ 4-6-2018 12:42:00

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