As autoridades e as motos

Lisboa ocupa actualmente o 44º lugar das cidades com maior qualidade de vida, segundo o estudo da Mercer, que avaliou 221 cidades do mundo. Apesar de ainda faltar um longo caminho a percorrer neste ranking, é evidente que estamos no bom caminho. Este resultado tem por base a análise de vários critérios, entre os quais o trânsito. 

O crescente aumento do número de motociclos a circular na área metropolitana da capital portuguesa resultará em fluidez de trânsito, e numa maior disponibilidade de estacionamento na cidade, é a convicção de Armindo Teixeira, Subcomissário da Polícia de Segurança Pública (PSP), a exercer funções de comandante de Esquadra de Motociclistas da Divisão de Trânsito, desde 2006.

andardemoto.pt @ 27-12-2012 00:00:00

As principais funções deste departamento estão inseridas na missão geral da PSP, destacando-se:

- Prevenção da sinistralidade rodoviária;

- Regularização e fiscalização de trânsito;

- Combate aos crimes rodoviários;

- Participação de acidentes de viação e correspondente inquérito;

- Escoltas motorizadas a altas entidades.

Na perspectiva do agente da autoridade, é notório o aumento na utilização de motociclos, contudo, os plenos benefícios que poderão advir de circular em moto ainda não são significativos, em Lisboa.

“As vantagens de utilizar este meio de transporte em zonas urbanas, são essencialmente, uma maior mobilidade e maneabilidade em casos de trânsito intenso, e maior facilidade de estacionamento. Conjugando estes factores teremos um ganho no tempo das deslocações diárias!”, afirma o Subcomissário da PSP.

Para usufruir ao máximo das vantagens do motociclo é necessário praticar uma condução segura e consciente. “Existe uma série de comportamentos que uma vez adoptados podem evitar acidentes. É uma questão essencial, e de responsabilidade individual, que obriga a uma consciencialização do perigo que pode ser andar de motociclo numa cidade. O motociclista tem que ter a preocupação de praticar uma condução segura, sempre consciente, concentrada, e muito atento aos outros condutores, tentando antecipar comportamentos, mas por condicionalismos vários, quer da própria dimensão do motociclo, quer das condições atmosféricas, o importante será o de ser visto pelos demais utentes da via. Quer isto dizer que, para além da obrigação de utilizar sempre as luzes de cruzamento ligadas (médios), deve evitar os ângulos mortos do veículo da frente, não circular por entre filas de trânsito ou fazer ultrapassagens menos conscientes e resistir à tentação do excesso de velocidade.”

Além destes cuidados, a condução de um motociclo implica uma maior atenção às alterações do pavimento e condições climatéricas adversas. “Para minimizar este inconveniente, no caso de necessidade de mudança de trajectória, é de ter em atenção as distâncias entre veículos, para possibilitar antecipar qualquer necessidade de adequar a condução ao piso. Deve também apostar em equipamento de protecção individual, utilizar capacetes devidamente homologados, apostando na qualidade de protecção em detrimento da estética, utilizar botas e luvas adequadas e utilizar vestuário claro e retro-reflector, em suma “ver e ser visto”.

PSP atenta aos comportamentos de risco

Ao ser questionado sobre o número de acidentes ocorridos, que envolvessem motociclos, o subcomissário Armindo Teixeira, revelou: “No ano passado, no período compreendido entre 1 de Janeiro e 30 de Novembro de 2011, foram registadas 697 ocorrências, na Divisão de Trânsito. Em igual período do corrente ano temos 759 acidentes registados. Significa um acréscimo de 62 acidentes com motociclos em igual espaço temporal.”

A Divisão de Trânsito, diariamente e, em especial, através da Esquadra de Motociclistas, aborda condutores de motociclos. “Temos em especial atenção os comportamentos de risco, a utilização dos equipamentos individuais de protecção e os componentes de segurança do motociclo, aconselhando e em casos mais graves penalizando o infractor.”

10 regras essenciais para motociclistas

*Conheça os perigos: Evite ficar com a sua mota entre dois veículos, principalmente num estreitamento de via, procure evitar a condução junto a veículos longos e/ou pesados pois o ângulo de visão dos seus condutores é mais restrito e os rodados, algumas vezes, são “armas” de arremesso de pedras contra os restantes utentes da estrada. Imagine uma pedra, projectada a 100 km/h para o seu capacete!;

*Identifique as armadilhas das estradas: Evite as estradas que têm carris, muito comuns nas principais portuguesas, piso molhado, especialmente se a condução for feita em estradas de empedrado, areia solta, buracos no pavimento e óleo na estrada (principalmente junto às curvas). Ao conduzir nas cidades, redobre a sua atenção!;

*Conduza sempre equipado: A sua segurança, começa na forma como se prepara para a condução, proteja sempre (mesmo no Verão) a cabeça, olhos, mãos, pés, tornozelos, joelhos e cotovelos;

*Conduza com as luzes ligadas: Mais do que ser obrigatório em Portugal os motociclos e ciclomotores ligarem as luzes no exercício da condução, ver e ser visto é uma forma de evitar os acidentes;

*Conduza de forma defensiva: Ao conduzir, principalmente no trânsito urbano, pense no que vai fazer e anteveja o que os outros condutores farão. Em caso de acidente, mesmo que não seja o culpado, as consequências físicas do embate, da queda ou da projecção são, por norma, catastróficas;

*Esteja concentrado nas manobras: Esqueça a pressa (saia mais cedo), o álcool, o cansaço e o nervosismo (se o dia correu mal, vá de transportes públicos para casa ou para o trabalho). Mesmo que seja um motociclista experiente, nunca facilite;

*Olhe sempre em frente: Esqueça as publicidades, deixe o telemóvel vibrar, não olhe para os peões nas passadeiras quando o sinal está verde para si, deixe para trás as confusões entre transeuntes ou acidentados, o seu objectivo está à frente da sua mota. Ao olhar em frente, prepara-se a todo o momento para a sua viagem;

*Evite conduzir à noite: Principalmente se for fazer uma viagem longa para fora das cidades ou em zonas urbanas com fraca iluminação pública;

*Evite os assaltos: A “ocasião faz o ladrão” e este é um cliché que se aplica aos motociclistas. Se conduz sozinho, durante e madrugada, na cidade, evite os itinerários mais vulneráveis face à proximidade de zonas urbanas sensíveis. É preferível um percurso alternativo e seguro do que “ganhar” tempo por estradas secundárias. Quando estacionar a mota, faça-o em zonas visíveis se possível, complementado com cadeados de alta segurança e um alarme;

*Seja positivo e tenha espírito cívico: Quando estiver a conduzir a sua mota no trânsito, não descure as regras de segurança e seja positivo. Nas filas de trânsito, nas ultrapassagens, nas cedências de passagem, não se esqueça de agradecer, gostamos todos que valorizem os nossos actos.

andardemoto.pt @ 27-12-2012 00:00:00