Honda - Uma história de evolução e liderança

Parte 2

Em 2004 a Honda voltou à competição no Campeonato do Mundo de Superbikes com os seus motores tetracilíndricos em linha, com a CBR1000RR Fireblade.

andardemoto.pt @ 3-5-2020 18:33:38

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A partir de 2004 os motores V4 deixaram de ter uma presença nas pistas, mas não abandonaram as linhas de produção da Honda. A VFR800, lançada em 2002, acabou por se revelar uma das motos mais avançadas tecnologicamente na sua época, incorporando o sistema de abertura de válvulas variável, o famoso VTEC, juntamente com uma estética mais agressiva e de vanguarda.

Posteriormente este motor V4 evoluiu para uma orientação Dual Sport com o modelo VFR800X Crossrunner, que chegou ao mercado em 2011, equipado com um unidade motriz de 782 cc e 109 cv que, numa segunda geração, incorporou o sistema HSTC (Honda Selectable Torque Control) que actuava como regulador de binário e funcionava como um eficaz sistema de controlo de tracção.

Nova geração V4


Em 2010, a Honda lançou um de seus modelos mais revolucionários, a VFR1200F, uma moto turístico-desportiva que marcou uma nova etapa no desenvolvimento dos motores V4. 

Honda VFR1200F

Honda VFR1200F

O novo motor de 1.273 cc tinha um ângulo mais apertado entre os bancos de cilindros, 76º, e alcançava uma potência de 173 cavalos às 10.000 rpm, apresentando também uma embraiagem com limitador de binário e transmissão final por veio e cardã. Mas o facto mais notável foi a adição do sistema DCT (Dual Clutch Transmission) ou de embraiagem dupla, que colocou esse modelo numa nova dimensão.

O sistema DCT equivale a uma transmissão automática sequencial, que permite uma condução desportiva muito mais confortável e eficiente, pois o motociclista pode trocar de mudança apenas com recurso a duas patilhas colocadas ao alcance do polegar e do indicador esquerdos, ou então, despreocupar-se com as mudanças e a embraiagem, contando sempre e de forma automática com a mudança correcta engrenada, que mesmo quando pára fica com a primeira velocidade fica engatada, permitindo o arranque instantâneo, apenas com o acelerador, facto que confere uma condução simplificada mas com um enorme poder de tracção, graças à acção rápida do sistema.


Honda DCT

Honda DCT

A ciclística referencial, com o seu quadro de dupla trave em alumínio e mono-braço oscilante, e a inconfundível ligação de mais de vinte anos ao conceito V4, fizeram da VFR1200F uma referência no segmento das motos turísticas.

Com esse mesmo espírito, a Honda apresentou em 2012ba VFR1200X Crosstourer, uma moto mais vocacionada para o segmento de aventura. Equipada com o motor V4 de 1.237 cc, a debitar 129 cv, a Crosstourer também desfrutava do sistema DCT.

Compromisso com o meio ambiente

Uma das decisões mais ousadas da Honda, na sua luta contra a poluição, ocorreu em 2001, com a decisão de abandonar a produção de motores de combustão interna a dois tempos, cujas emissões de poluentes excedem em muito as dos congéneres a quatro tempos.

A generalização do uso da injeção eletrônica PGM-FI nos diferentes modelos, contribuiu para melhorar a eficácia energética e, consequentemente, reduzir as emissões.

A Honda sempre foi uma marca muito interessada em melhorar a eficiência de seus motores. Já em 1971 foi pioneira nesse aspecto, com o desenvolvimento do motor CVCC (Combustão Controlada por Vórtice Composto), aplicado à sua produção automóvel, para responder às exigentes regulamentações anti-poluição que começavam então a ser aplicadas nos Estados Unidos da América.

O motor Smart Power (eSP)

O motor Smart Power (eSP)

Outras soluções igualmente usadas pela Honda, ​​para melhorar a eficiência e reduzir as emissões, foram o uso do sistema Idle Stop, que interrompe a operação do motor quando o veículo pára, e que o “acorda” imediatamente de forma automática mal se enrola o punho do acelerador, reduzindo assim significativamente o nível de emissões de ruido e poluentes em ambiente urbano.

Ou motor Smart Power (eSP), um propulsor de combustão interna de alta eficiência e baixo atrito, usado pela primeira vez em scooters de 125cc, como a PCX ou a SH125i. Dessa forma a Honda antecipou para 2004 as normativas Euro 3 que se viriam a tornar obrigatórias apenas em 2006.


Novos conceitos


A crise económica de 2008 afectou profundamente a indústria de motociclos, forçando uma reorganização do catálogo de cada marca. Foram tempos difíceis em que a Honda saberia como se reinventar, introduzindo novos conceitos.

Nessa época surgiram alguns modelos, como a Honda Integra ou a gama NC, que acabaram por representar uma nova definição de motociclo, com um conceito completamente novo e refrescante, mais apto para responder às modernas necessidades de mobilidade em duas rodas, que rapidamente se revelaram, tanto no nosso mercado como em todo o mundo, um estrondoso sucesso de vendas.

Foi em 2012 que a Honda Integra e as NC700S e NC700X chegaram ao mercado. Motos em que a praticidade prevalecia sobre tudo, mas que representavam também uma nova abordagem tecnológica, com uma bem delineada economia de escala, em que a mesma base ciclística e propulsora equipava os 3 modelos.

Enquanto as duas NC mantinham a aparência de uma moto convencional, a Integra tinha a aparência de uma scooter, mas não era propriamente uma scooter nem se comportava como tal. Os três modelos partilhavam uma plataforma mecânica com base num propulsor de dois cilindros paralelos com 670 cc, refrigerado por líquido e uma distribuição SOHC, com quatro válvulas por cilindro, a debitar uma potência de 51 cavalos às 6.250 rpm. 

Era um motor recém-projectado (desenvolvido a partir de meio motor de um Honda Civic), foi especificamente desenvolvido para oferecer um consumo de combustível reduzido e uma quantidade considerável de binário a baixa rotação, resultado da redução de atrito das peças móveis e do facto de ser um motor de curso de pistões longo.

A incorporação da segunda geração da transmissão DCT projectou a utilização destes modelos para uma nova dimensão, tornando-os populares entre os motociclistas recém-chegados ao mundo das duas rodas.

Praticidade e conforto, com um baixo custo de utilização, foram as virtudes que a gama NC explorou, tornando-a num enorme sucesso comercial. De tal forma que recebeu duas actualizações desde o seu lançamento. A primeira aumentou a cilindrada do motor para 745 cc, com potência de 55 cv às 6.250 rpm, tornando o seu desempenho dinâmico mais eficaz, e a segunda revelou a actualização do DCT que passou a mostrar-se ainda mais eficaz.

O último passo neste novo conceito foi dado em 2017 com o lançamento da Honda X-ADV, uma moto que mantém o espírito da gama NC, mas que o eleva a um nível superior. É também ele um modelo que está a meio caminho entre uma scooter e uma moto Trail, equipada com o mesmo motor bicilíndrico SOHC de 745 cc, que debita uma potência de 55 cv às 6.250 rpm. A Honda X-ADV é completamente fora da caixa, tal como a descrevemos no nosso teste que pode ver se clicar aqui)

A X-ADV é uma exibição da mais avançada tecnologia Honda, pois está equipada com última geração da transmissão DCT, numa versão pensada especificamente para uma utilização fora de estrada, que gere as mudanças da caixa de velocidades com regimes mais elevados, proporcionando uma resposta mais rápida ao acelerador e mais travão-motor, possuindo também um sistema de controlo de tracção HSTC com dois níveis de intervenção.


Tecnologia Eléctrica

A Honda também não é estranha à realidade elétrica. De fato, já existem vários modelos elétricos que a marca apresentou e está a comercializar, sobretudo no mercado asiático.

O primeiro modelo eléctrico de duas rodas a ser lançado pela Honda foi o EV-neo, em 2010. Era uma scooter projetada para oferecer a durabilidade necessária para uso comercial, cobrindo uma ampla gama de utilizações, como serviços de correio e distribuição de mercadorias.

Equipada com um motor sem escovas e uma bateria de iões de lítio recarregável através de uma comum fonte de energia doméstica, a EV-neo oferece um desempenho equivalente a um ciclomotor com motor de 50cc, com boa entrega de potência para poder transportar cargas sem problemas, mesmo em baixas velocidades e trajectos curtos, num ambiente urbano.

A autonomia do EV-neo é de 34 km por carga, uma distância adequada para o propósito para o qual foi desenvolvido. A Honda chegou a testar esse veículo na Europa, onde foi distribuído por algumas empresas e administrações públicas, numa missão de monitorização da sua implementação na Europa.

Como outro exemplo de envolvimento na proteção ambiental, a Honda apresentou a PCX Electric no Salão de Tóquio de 2017. Uma scooter equipada com um motor de alto desempenho que, por sua vez, possui o Honda Mobile Power Pack, uma bateria facilmente removível e transportável que pode ser recarregada dentro de casa, como um electrodoméstico.

Na mesma ocasião, a PCX Hybrid também foi mostrada ao público: O modelo emprega um sistema híbrido original recém-desenvolvido, desenvolvido especificamente para motociclos. Este sistema híbrido compacto é baseado numa bateria potente e num alternador que, além de fornecer corrente e funcionar como um sistema de arranque, desempenha a função de auxiliar do motor de combustão, fornecendo mais binário para um desempenho melhorado.

Ambos os modelos estão à venda desde 2018 no mercado asiático, incluindo o Japão.


Vanguarda tecnológica e qualidade máxima

Ao longo de sua história, a Honda manteve a qualidade como uma de suas principais características, oferecendo tecnologia avançada, facilidade de condução e grande fiabilidade, requisitos que todo utilizador procura num produto premium.

A tecnologia de ponta aplicada ao design de motos é uma constante na Honda, com o uso de sistemas sofisticados como pistões ovais, distribuição de abertura variável, turbocompressores e outros sistemas que, devido à sua implementação progressiva, tornaram-se indispensáveis, como os sistemas de gestão eletrónica do motor, nos quais a Honda foi pioneira, sem mencionar outros avanços tecnológicos como os sistemas de travagem anti-bloqueio, ABS, CBS ou D-CBS ou ainda a transmissão DCT, exclusiva da Honda.

Também digno de nota é o mundo da robótica aplicada ao mundo das motos. O recentemente apresentado Honda Riding Assist permite que a moto se mantenha em equilíbrio estático, sem nenhum esforço ou intervenção por parte do motociclista. 

Essa inovação não se baseia em giroscópios (eles são um peso adicional), mas numa nova tecnologia robótica, facilmente adaptável aos modelos existentes da marca, que a Honda desenvolveu para o UNI-CUB, um dispositivo elétrico de mobilidade pessoal. 

O UNI-CUB foi resultado de longas pesquisas em robótica, feitas pela Honda, aplicando a tecnologia que a empresa originalmente desenvolveu para o ASIMO, o robô humanóide mais avançado do mundo, que pretende vir a servir de assistente pessoal a uma população envelhecida a necessitar de cuidados paliativos, desempenhando tarefas de âmbito doméstico ou hospitalar, de acção clínica, de vigilância ou de monitorização. 

O Riding Assist mostra que inovações de uma área específica da empresa podem ser aplicadas em muitos outros campos, beneficiando a oferta e a imagem da Honda.

Este conceito evoluiu recentemente para os modelos de propulsão eléctrica, sob o nome "Honda Riding Assist e", e deverá ser a próxima grande evolução nas ajudas electrónicas à condução, depois das unidades de medição de inércia, do Controlo de Tracção e do ABS.

A Honda aplica exigentes planos de desenvolvimento para cada modelo e recorre ao uso de materiais da mais alta qualidade.

Quando Soichiro Honda tomou a decisão de competir com os fabricantes europeus no Campeonato Mundial de Motociclismo, adoptou uma filosofia de perfeição máxima, trabalhando para alcançar uma qualidade que a sua concorrência nem sempre, ou raramente, era capaz de fornecer. E foi esse elevado nível que colocou a marca da asa dourada na vanguarda da indústria de motociclos.

Ao longo de sua história, a Honda sempre primou pelo desenvolvimento tecnológico, tornando-o na pedra basilar de sua atividade. Essa busca permanente pela excelência ainda hoje é mantida e acarinhada. Os testes de durabilidade e stress de materiais empregues nos diversos veículos são de um nível tão elevado, que os produtos Honda duram, ao longo do tempo, como muito poucos. E isso também é tecnologia, uma tecnologia que não é vista, mas que está presente em todos os seus produtos.

A Honda é líder mundial no fabrico de motores de combustão interna e líder no fabrico e comercialização de motociclos. Foi a primeira empresa do sector automóvel a desenvolver, homologar e produzir, integralmente, um avião a jato particular, o Honda Jet, tornando-se incontestavelmente numa empresa líder em mobilidade.

Actualmente a Honda Motor Co. Ltd. conta com 70 centros de produção e 21 Centros de Desenvolvimento e investigação em 27 países.


andardemoto.pt @ 3-5-2020 18:33:38


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