Honda Fireblade – 28 anos de controlo total

A icónica Fireblade celebra este ano 28 anos de existência. Relembramos todas as catorze gerações da superdesportiva da Honda, os seus avanços técnicos e tecnológicos, e também as suas conquistas nas pistas.

andardemoto.pt @ 9-7-2020 16:17:27

Olhando para trás, se calhar nem a Honda nem o criador da primeira Fireblade, Tadao Baba, acreditavam que a superdesportiva japonesa nascida em 1992 iria tornar-se num ícone para milhares de motociclistas apaixonados pela adrenalina em duas rodas.

E a verdade é que o nome Fireblade nem sequer era para ser esse! A Fireblade deve o seu nome a um erro de tradução de japonês para inglês da palavra “relâmpago”. Outra curiosidade relacionada com o nome desta Honda é a utilização da letra “B” maíuscula. A partir de 2004 a Honda passou a escrever Fireblade sem o “B” maíusculo, em homenagem a Tadao Baba que deixou de ser o responsável pelo projeto. É por isso que atualmente escrevemos Fireblade e não FireBlade.


Passados 28 anos e 14 gerações depois, a superdesportiva nipónica mantém-se como umas das motos mais desejadas do segmento. E agora que se aproxima a celebração de três décadas no ativo, está na hora de passarmos em revista todas as gerações da Honda Fireblade.

Vamos descobrir quais os destaques de cada geração a nível técnico e tecnológico, mas também, claro, as conquistas nas pistas, e que ajudaram a fazer crescer o mito Fireblade, a superdesportiva Honda que procura o controlo total.

Honda CBR900RR – 1992 – 1ª geração

Com o objetivo de criar uma moto de elevadas performances que conseguisse derrotar a própria RVF750 (RC45) da Honda na prova das 8 horas de Suzuka, a marca japonesa desenvolveu um modelo avançado que daria origem diretamente à CBR900RR FireBlade. Este modelo fez a sua estreia em 1992.

Para conseguir igualar as acelerações das principais motos desportivas da concorrência, a Honda aumentou o curso do seu motor de 4 cilindros em linha, e aumentou a sua cilindrada de 750 para 893 cc.

Para complementar a fantástica potência deste motor, o peso a seco da primeira FireBlade era de apenas 185 kg, com uma distância entre eixos de 1.405 mm e uma ciclística praticamente idêntica à do modelo da fase de desenvolvimento. Tudo isto resultou numa moto superdesportiva original e extremamente fácil de controlar. De tal forma que parecia "ler os pensamentos do piloto".

Com o desenvolvimento da moto mais leve e compacta da sua classe, a Honda inaugurou assim a era das motos superdesportivas, onde o que importava, mais que a potência pura, era a superior maneabilidade e controlo total.

Honda CBR900RR – 1994 – 2ª Geração

Lançada dois anos após a primeira geração, a CBR900RR FireBlade de 1994 apresentava melhor eficiência ao nível do motor e da forquilha dianteira, sendo esta agora totalmente ajustável. Estas melhorias davam à FireBlade uma aderência superior ao asfalto, e tornavam-na ainda mais atraente.

Elevando o design de baixo peso do modelo original ao nível seguinte, todos os componentes da moto foram melhorados. O suporte da carenagem superior mudou de aço para alumínio para reduzir o peso e as tampas das válvulas passaram de alumínio para magnésio.

O design da moto também sofreu uma alteração radical. As carenagens estavam agora à face com as linhas da moto, e os dois faróis redondos e independentes do modelo original foram substituídos por unidades multirrefletoras tipo "Tiger" de formato irregular.

Honda CBR900RR – 1996 – 3ª Geração

Apesar de ter uma aparência semelhante, o quadro dupla trave da CBR900RR de 1996 era agora mais leve e tinha maior rigidez que o seu antecessor. O novo depósito de combustível de formato revisto melhorava a posição de condução e a maneabilidade, com uma nova carenagem traseira aerodinâmicamente mais eficiente.

O diâmetro dos cilindros aumentou 1 mm, o que fez subir a cilindrada de 893 para 918 cc. Um novo sensor da posição do acelerador no carburador ajudava a aumentar a potência máxima para 95 kW (129,1 cv).

Com um novo sistema de escape em aço inoxidável, um novo depósito e a eliminação da bomba de combustível, a CBR900RR de 1996 pesava 183 kg (1kg menos do que o modelo de primeira geração).

Principais Vitórias em Competição da Honda FireBlade de 3ª geração
2 vitórias em provas IOM TT


CBR900RR – 1998 – 4ª Geração

Para reduzir o peso ao máximo, 80% dos componentes do modelo de 1996 foram redesenhados para a CBR900RR de 1998. Isso permitiu reduzir o peso seco para 180 kg, o que por sua vez permitiu melhorar o comportamento dinâmico da FireBlade.

A estabilidade a alta velocidade foi melhorada graças a atualizações no chassis que incluíam um novo braço oscilante cónico, mais leve e totalmente revisto, pontos de pivot atualizados, e aumento de potência para 97 kW (131,8 cv) graças a novas afinações no motor.

Principais Vitórias em Competição da Honda FireBlade de 4ª geração
1 vitória em provas IOM TT

Honda CBR900RR/CBR929RR – 2000 – 5ª Geração

Em 2000, a FireBlade foi totalmente redesenhada. Nesta geração, o modelo recebeu o sistema de injeção de combustível PGM-FI pela primeira vez, e a cilindrada subiu para 929 cc, o que provocou um novo máximo de potência: 110 kW (149,5 cv).

Os componentes da ciclística e o quadro também eram novos. Os pontos de pivot do braço oscilante estavam fixos por uma chapa independente em forma de U, o que resultou num quadro do tipo "semi-pivot". Isto permitiu otimizar a flexibilidade do quadro, conferindo à nova FireBlade uma estabilidade superior nas curvas e uma maneabilidade ainda mais leve.

O peso total da moto caiu para 170 kg, 15 kg mais leve que o modelo original de 1992. Para isso contribuiu em parte a introdução de titânio no coletor de escape e numa parte do silenciador.

Honda CBR900RR/CBR954RR – 2002 – 6ª Geração

Em 2002, a FireBlade voltou a evoluir. A última a receber a designação CBR900RR, a moto de 2002 também foi a última FireBlade a ser desenhada por Tadao Baba, o criador por trás de todas as versões anteriores da moto superdesportiva de referência da Honda.

As revisões no motor incluíam a utilização de cavilhas e pistões mais leves, para além do aumento de 1mm do diâmetro dos pistões, agora para 75 mm. A cambota e o bloco do motor foram ambos redesenhados para reduzir a massa total do motor e baixar o seu atrito interno. Estas alterações aumentaram muito as capacidades de resposta e as performances do motor, cuja cilindrada aumentou 25 cc para 954 cc e debitava 113 kW (153,6 cv) de potência máxima.

Novas evoluções no design reduziram ainda mais o peso a seco, desta vez 2 kg, para apenas 168 kg.

Apesar de debitar mais potência que nunca, o modelo de 2002 manteve-se fiel ao conceito de controlo total. Com a sua maneabilidade superior e dimensões fáceis de controlar, a CBR900RR de 2002 foi elogiada por reter os melhores aspetos do modelo de primeira geração, mas com uma vantagem extra.

Como demonstração de respeito e em homenagem a Tadao Baba, a letra "B" maiúscula na palavra FireBlade foi oficialmente retirada em 2004. Todas as gerações futuras da moto superesportiva de referência da Honda passaram a ter o nome "Fireblade".

Honda CBR1000RR – 2004 – 7ª Geração

O mundo das corridas influenciou muito o modelo da sétima geração. A CBR1000RR de 2004 não tinha apenas um novo nome, mas agora também apresentava uma suspensão traseira Pro-Link e um sistema de escape centralizado, posicionado debaixo do assento traseiro, entre outras tecnologias avançadas.

Concebida para participar no Mundial Superbike e noutras corridas, o motor leve e compacto de 998 cc incorporava diversas tecnologias novas. O sistema de Injeção Programada Sequencial Dupla de Combustível (PGM-DSFI) apresentava dois injetores independentes por cilindro.

O segundo injetor era ativado quando o condutor abria o acelerador 1/4 do seu curso a 3.000 rpm ou mais, o que resultava numa melhoria do débito de potência. O sistema de admissão direta de ar ajudava o motor a oferecer respostas fantásticas e rápidas às ações do piloto sobre o acelerador a média e alta rotação.

Esta nova CBR1000RR rapidamente comprovou em pista todas as suas credenciais, vencendo três provas consecutivas logo na sua primeira temporada no Mundial Superbike.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 7ª geração
10 vitórias no Mundial Superbike
2 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka– x2)

Honda CBR1000RR – 2006 – 8ª Geração

Apesar de manter a estrutura básica da moto de 2004, o motor do modelo de 2006 apresentava entradas de admissão a direito na cabeça do motor, com saídas de escape ainda maiores.

Os ajustes no formato e no comando das válvulas aumentaram a eficiência da combustão, da admissão e do escape, o que resultou num motor mais avançado e de binário mais forte a baixa e média rotação.

As melhorias na ciclística incluíram um aumento no diâmetro dos discos de travão dianteiros, 310 para 320 mm, e a sua espessura reduzida de 5 para 4,5 mm. O travão traseiro apresentava uma nova pinça mais leve e compacta. Estas alterações combinavam-se para aumentar o poder de travagem e reduzir o peso do veículo.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 8ª geração
1 Mundial Superbike
12 vitórias no Mundial Superbike
1 vitória em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka)
4 vitórias em provas IOM TT


Honda CBR1000RR – 2008 – 9ª Geração

A nona geração da CBR1000RR Fireblade foi concebida segundo o conceito de "A melhor superdesportiva". Com a incorporação das tecnologias oriundas das motos da Honda vencedoras em MotoGP, este modelo apresentava um limitador de contra-binário adotado da RC212V, para além de uma embraiagem deslizante e assistida que reduzia a carga na manete da embraiagem.

O novo design levou a uma redução na área de superfície da nova carenagem superior, e a introdução de um conjunto de carenagens mais compactas.

A capacidade de condução muito fácil que era caraterística da Fireblade também foi melhorada, agora com rodas mais leves, pinças de travão monobloco e um novo silenciador mais curto e em posição lateral baixa, o que contribuiu para um design mais leve e compacto, com a máxima de centralização das massas.

Em 2009, a CBR1000RR ABS apresentou o primeiro sistema ABS combinado de controlo eletrónico do mundo para uma moto superdesportiva. Para garantir que esta adição não comprometia a maneabilidade dinâmica excecional da moto, o sistema foi posicionado no centro do chassis de forma a reduzir o peso não suspenso, e para promover ainda mais a filosofia de centralização de massas que a Honda continuava a defender.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 9ª geração
7 vitórias no Mundial Superbike
1 vitória em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka)
4 vitórias em provas IOM TT

Honda CBR1000RR – 2010 – 10ª Geração

Apesar de ter por base o modelo de 2009, a décima geração da CBR1000RR foi refinada em todas as áreas.

Para atenuar as variações de binário em velocidade de cruzeiro, o diâmetro do volante magnético foi aumentado e o seu ponto de fixação na cambota foi tornado mais rígido. Isto resultou num aumento de 6,87% na massa inercial da cambota e das peças relacionadas.

Outras melhorias na CBR1000RR incluíram o uso de uma ventoinha de radiador com um motor elétrico mais pequeno, a redução na espessura da flange do coletor de escape e a alteração para alumínio do parafuso de vedação da cabeça do motor – tudo para reduzir o peso geral. A capacidade de controlo no funcionamento do acelerador também foi otimizada para melhorar a experiência de condução.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 10ª geração
6 vitórias no Mundial Superbike
2 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka)
5 vitórias em provas IOM TT

Honda CBR1000RR – 2012 – 11ª Geração

Como forma de assinalar o 20º aniversário da CBR900RR original de 1992, a CBR1000RR de 2012 foi concebida com foco adicional na maneabilidade fácil e controlo total.

A Fireblade alcançou assim um novo nível de maturidade a todos os níveis. As suspensões dianteira e traseira foram melhoradas. A suspensão traseira tinha um novo amortecedor Balance-Free (equilíbrio livre) que melhorava a consistência e aumentava o desempenho.

Este sistema era acompanhado pela nova forquilha dianteira do tipo Big Piston (êmbolo grande) que gerava forças de amortecimento mais suaves.

As afinações do motor de 1.000 cc foram revistas ao nível da injeção de combustível e apresentavam agora uma entrega de potência ainda mais suave e previsível, logo a partir do início da aceleração.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 11ª geração
3 vitórias no Mundial Superbike
2 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka)
5 vitórias em provas IOM TT

Honda CBR1000RR – 2014 – 12ª Geração

Continuando a evolução do modelo de 2012, a CBR1000RR de 2014 foi atualizada para melhorar a potência e o desempenho da parte ciclística. O design das portas de admissão/escape foi modificado para aumentar a sua eficiência, as afinações da suspensão foram melhoradas, e a moto apresentava uma transmissão de relações mais curtas.

Ao modelo base da CBR1000RR juntou-se a versão SP, desenvolvida segundo o conceito "The Edge of CBR" (a derradeira CBR).

Esta versão SP, apenas disponível em variante monoposto, melhorava ainda mais a experiência de condução e estava equipada com suspensões Öhlins à frente e atrás, pinças de travão Brembo dianteiras, pneus Pirelli de alta aderência, subquadro traseiro mais leve para o banco e uma bacquet traseira especificamente concebida para reduzir o peso.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 12ª geração
5 vitórias no Mundial Superbike
2 vitórias em provas IOM TT
3 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (8 horas de Suzuka e Oschersleben – x2)

Honda CBR1000RR – 2017 – 13ª Geração

A CBR1000RR Fireblade de 2017 elevou o conceito "Total Control" (Controlo Total) ao próximo nível.

Sendo a Fireblade mais leve de todos os tempos, o seu design permitia uma maneabilidade ainda mais fácil e ágil, graças à exaustiva redução de peso e centralização das massas e também do aumento da potência do seu motor.

Disponível em três versões: a CBR1000RR apresentava suspensões Showa, a CBR1000R SP tinha um depósito em titânio, pinças dianteiras Brembo, suspensões Öhlins semi-ativas, uma bateria mais leve de iões de lítio e um sistema quickshifter, e a versão topo-de-gama CBR1000RR SP2 era uma moto pronta para a competição, mas com homologação para a estrada.

Principais Vitórias em Competição da Honda Fireblade de 13ª geração
1 Campeonato do Mundo de Resistência da FIM
4 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM (Le Mans, Oschersleben – x2, Bol d’Or)

Honda CBR1000RR-R – 2020 – 14ª Geração

Após 28 anos, o conceito da Fireblade foi reformulado.

A experiência de condução e a maneabilidade suprema continuaram a ser os pontos principais, tal como a postura, equilíbrio e estabilidade. Mas estes atributos encontram toda a sua expressão nas pistas de corrida. Como resultado, esta moto recebeu um "R" extra na sua nova designação: a CBR1000RR-R Fireblade.

Com níveis sem precedentes de performance e de controlo, o motor de quatro cilindros em linha – o mais potente motor tetracilíndrico em linha normalmente aspirado de produção em massa do mundo – tem por base a lendária eficiência de combustão da RC213V-S e nas tecnologias ­de baixo atrito, para além de ter as mesmas cotas internas.

Com um conjunto de sistemas eletrónicos de ponta, um escape Akrapovič em titânio concebido propositadamente para este modelo, e alhetas aerodinâmicas inspiradas nos modelos de MotoGP, a CBR1000RR-R está disponível em versão base e versão SP.

A versão SP tem pinças Brembo Stylema, uma bateria de iões de lítio e suspensões Öhlins de controlo eletrónico (S-EC – Smart Electronic Control) de segunda geração.

Com um design vencedor do prémio Red Dot e que reflete as motos de corrida do Mundial Superbike pilotadas por Leon Haslam e Álvaro Bautista, a CBR1000RR-R Fireblade de 2020 é uma moto inspiradora e sofisticada.

Resumo do Palmarés de Competição da Honda Fireblade
1 Campeonato Mundial Superbike
43 vitórias em provas do Mundial Superbike
23 vitórias em provas IOM TT
1 Campeonato do Mundo de Resistência da FIM
15 vitórias em provas do Campeonato do Mundo de Resistência da FIM

andardemoto.pt @ 9-7-2020 16:17:27

Galeria de fotos


Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews