Moto Guzzi – 100 anos de motos marcantes
Fique a conhecer os detalhes de quase três dezenas de modelos que ficaram na história da Moto Guzzi. Uma visão especial da história da marca de Mandello del Lario ao longo do seu primeiro centenário.
andardemoto.pt @ 19-8-2021 16:37:35
Conforme
ficámos a conhecer na primeira parte da nossa visita aos primeiros 100 anos de
história, a
Moto Guzzi, fundada a 15 de março de 1921 por Emanuele Vittorio Parodi e o seu filho Giorgio, em conjunto com Carlo Guzzi, tornou-se num dos fabricantes de motos mais
relevantes a nível mundial e conta na sua centenária existência com um longo
historial de modelos que ficaram conhecidos pelas mais diversas razões.
No Museu Moto Guzzi, recentemente atualizado, a marca de Mandello del Lario
preserva a memória dos feitos de motociclistas em todo o mundo, mas também relembra os feitos técnicos das
motos que marcaram a história da Moto Guzzi.
É no espaço contemporâneo do Museu que podemos encontrar algumas das Moto Guzzi
mais importantes de sempre. Muitos
exemplares foram entregues pelos respetivos proprietários ao Museu, que conta
com uma equipa de restauro especializada e que consegue dar nova vida às Moto
Guzzi do passado que assim deslumbram os milhares de visitantes do Museu.
As motos que ali encontramos foram cuidadosamente restauradas, limpas, motor renovado,
sempre com todo o cuidado para que o processo de restauro mantenha a
autenticidade de cada exemplar único e tão especial. A equipa encarregue de voltar
a dar vida às clássicas Moto Guzzi tem inclusivamente o cuidado de respeitar o
tipo de tintas e as cores usadas na época de fabrico de cada moto.
Os componentes que não podem ser reparados e usados após restauro são
substituídos por outros que respeitam as especificações de fábrica. Mas
enquanto não pode visitar o Museu Moto Guzzi em Mandello del Lario, de seguida
apresentamos aqui 28 modelos da marca italiana que ficaram conhecidos ao longo
dos primeiros 100 anos da Moto Guzzi e que poderá ver de perto, totalmente restaurados,
no museu em Itália.
Normale 500 (1921 a 1924)
A Normale foi a primeira moto de produção em série da Moto Guzzi e apresentava muitas das características que podemos encontrar em modelos mais recentes. Era uma evolução direta da GP 500 de competição. A produção da Normale iniciou-se em 1921 quando as primeiras 17 unidades foram fabricadas em Mandello del Lario. A estreia em competição aconteceu na corrida Milão-Nápoles, em que dois pilotos pilotaram a moto ao longo dos exigentes 877 km da corrida Gran Fondo. Pouco depois, Gino Finzi venceu a famosa Targa Fiorio, a primeira vitória absoluta da Moto Guzzi e que consagrou a fiabilidade e notoriedade da Normale. Capaz de atingir os 85 km/h, a Normale permaneceu em produção até 1924, com uma produção total de 2065 unidades.
C 2V 500 (1923 a 1927)
A C 2C (Corsa 2 Valvole), que é ideal para percursos de piso misto, foi a primeira moto desenhada por Carlo Guzzi a pensar na competição. Destacava-se pelas diferenças em relação à versão anterior (a Normale), nomeadamente o quadro que melhorava a estabilidade em linha reta. O primeiro grande sucesso aconteceu no Giro Motociclistico d’Italia, uma corrida por etapas com 2300 km e diversas provas de velocidade. A C 2V permaneceu nos concessionários, ainda que com pequenas alterações, disponível ao público até ao final de 1926. Depois reapareceu por pouco tempo em 1928 antes de ser substituída em definitivo pela 2 VT.
Norge GT 500 (1928 a 1930)
A Norge
GT 500 foi a primeira moto a
contar com um quadro mais flexível para oferecer
maior conforto, mas sem penalizar
a sua estabilidade. O
motor era um monocilíndrico a carburador com 498,4 cc, a quatro tempos, e acoplado a uma caixa de três velocidades. Apelidada de Norge, foi a primeira
GT da Moto Guzzi, e liderou a corrida ao Cabo
Norte em 1928,
pilotada por Giuseppe Guzzi
(“Naco”, irmão de Carlo Guzzi).
Na viagem, a Norge GT 500 consumiu 182 litros de combustível e
gastou três pneus.
Esta aventura teve um impacto tão profundo no motociclismo, que atualmente o Círculo
Ártico é um dos destinos mais famosos do mototurismo mundial. Em 2006 a Moto Guzzi
voltou a percorrer o mesmo
percurso, mas agora com uma Norge 1200, em homenagem ao passado
deste modelo GT.
2VT 500 (1931 a 1934)
Como moto lendária do período imediatamente anterior à guerra, a 2VT 500 fez a sua estreia mundial no Salão de Milão de 1931. Rapidamente conquistou fama de ser sólida e fiável, apropriada para uma utilização diária ou para viajar. Além disso, provou ser uma moto perfeita para viagens a dois, serviu como veículo de trabalho, e também muitos exemplares foram equipados com sidecar. A 2VT é adorada pelos colecionadores, e continua a ser um modelo muito representado nos encontros que se organizam em todo o mundo. Este modelo representou um passo em frente do ponto de vista técnico para a Moto Guzzi, e é isso que a torna tão atrativa para os colecionadores.
500 Bicilíndrica (1933 a 1951)
A
Bicilíndrica (dois cilindros) foi desenhada em 1933 por
Carlo Guzzi. O
conhecido piloto Omobono Tenni
estreou a Bicilíndrica a 15 de outubro desse ano na corrida em Roma, e a 10 de
dezembro Moretti pilotou a moto e venceu
a corrida em Nápoles. Este modelo
incluía características distintas como o seu quadro duplo berço rígido, a forquilha em paralelogramo (considerada a
melhor no seu tempo) e o braço oscilante que ostentava as molas dos
amortecedores no exterior da roda para conter a altura da moto. Durante
a sua longa vida, a Bicilíndrica sofreu
muitas alterações, especialmente ao
nível da arquitetura do chassis que
estava diretamente ligado a Antonio
Micucci.
Estas modificações tornaram a
moto muito eficaz
em competição. O
depósito de combustível cilíndrico, que se estendia para além da coluna de
direção, tornou--se num elemento muito popular e imitado por outros
fabricantes. A moto retirou-se da competição em 1951 após a vitória de Lorenzetti na Senigallia.
Airone 250 Turismo (1939)
A Airone apareceu em 1939 e imediatamente tornou-se num sucesso e na moto italiana de 250 mais vendida. Devido a substanciais e constantes atualizações ao longo dos anos, este modelo demonstrou ser apropriado para as mais diversas funções: trabalho, turismo e competição. No início de 1947 a moderna Airone nasceu e atingiu o seu pico em 1949 com a variante Sport. Esta moto tinha uma forquilha dianteira moderna com o clássico desenho invertido, para garantir maior robustez e um comportamento superior. Estava também equipada com um motor potente para atingir os 120 km/h, permitindo à Moto Guzzi acumular vitórias na classe 250 tanto em Itália como no estrangeiro. A Airone 250 manteve-se em produção até 1957.
Gambalunga 500 (1946)
Desenhada
pelo engenheiro Carcano, a Gambalunga 500 foi a primeira Guzzi de competição no período
pós-Guerra. Luigi Ruggeri pilotou a Gambalunga a 8 de setembro de 1946 no
circuito Superba em Génova. Uma semana
depois, Balzarrota alcançou a vitória em Bérgamo. A moto derivava da Dondolino mas destacava-se
por ser desenhada para as corridas de longa distância, pois a Gambalunga utilizava rolamentos especiais e
um carburador de 35 mm, para além de uma forquilha telescópica hidráulica
desenhada pelo próprio Carcano.
Contudo, quando o motor de curso curto voltou a ser popular, em
1948, a Gambalunga sofreu outras modificações de
forma a melhorar a aerodinâmica e a
estabilidade em estrada. Também adotou um motor mais poderoso
que permitia atingir os 190 km/h. Atualmente este modelo é um dos mais
desejáveis pelos colecionadores de Guzzis.
Motoleggera “Guzzino” (1947)
A
Motoleggera, carinhosamente apelidada de Guzzino, foi fabricada entre 1946 e
1954 a pedido do fundador Carlo Guzzi, que pediu a Antonio Micucci que criasse
um veículo económico que fosse capaz de satisfazer as necessidades da
população devastada pela guerra. Assim nasceu uma moto pequena, com um motor de
50 cc. A moto era simples do ponto de vista mecânico mas também na sua
utilização.
A versão de 65 cc rapidamente se tornou não apenas um sucesso
comercial como também a nível da competição. Na realidade era impossível não
ficar impressionado pelo sucesso da Guzzino. Conquistou vitórias na Reggio
Emilia em 1947, Milão-Taranto em 1950 e 1951. E depois registou ainda diversos
recordes de velocidade nas distâncias de 1 km e 1 milha para a categoria 75,
numa estrada na Suíça.
Para além da competição, esta moto também ficou
conhecida pelas suas aptidões aventureiras. Por ocasião da quarta edição da
World Rover Moot in Skjåk, na Noruega, foi criado um pacote de equipamento especial
que permitiu à Guzzino enfrentar esta expedição entre Milão e Oslo.
Gambalunghino 250 (1949)
A reconhecida Gambalunghino nasceu de forma
fortuita depois de várias experiências de Lorenzetti e Mastellari numa
Albatros, uma moto introduzida no mercado uma década antes e pensada para as
“gentleman races”. A Gambalunghino foi criada quando
Lorenzetti, ele próprio um piloto de
testes da Guzzi, acidentalmente destruiu uma Albatros enquanto competia. Para regressar rapidamente à
corrida, ele trocou as
peças danificadas por
peças da Gambalunga 500.
Esta moto
híbrida demonstrou ser uma excelente moto de competição, usada por pilotos
italianos e estrangeiros como Bruno Ruffo,
Bruno Francisci ou Gianni Leoni,
para além de Fergus Anderson, Mike Barrington ou Tommy
Wood. Bruno Ruffo conquistou o primeiro
título na classe 250 no ano de estreia da moto (1949). Ao longo dos
anos a Gambalunghino foi sendo aperfeiçoada, particularmente a nível aerodinâmico.
Apesar de inicialmente ser reservada apenas a
pilotos de fábrica ou apoiados pela marca, muitos pilotos privados
conseguiram arranjar as peças necessárias para transformar as Albatros em Gambalunghino, o que ajudou a aumentar a
popularidade do modelo.
Falcone Turismo (1949 a 1967)
Sendo uma das motos icónicas da marca, a Falcone 500 (na sua primeira versão de 1950) imediatamente pareceu estar destinada a tornar-se numa lenda: rápida, mas acima de tudo robusta. A Falcone tornou-se na moto preferida pelos amantes das motos clássicas, mas particularmente por aqueles que gostavam de motos rápidas e para viajar longas distâncias. A Falcone 500, com as necessárias modificações, também se tornou numa moto muito competitiva nas corridas de longa distância, que estavam novamente a tornar-se populares no início dos anos 50. E foi precisamente para enfatizar as capacidades turísticas deste modelo que em novembro de 1953 foi apresentada a Falcone Turismo.
Galletto 175 (1952 a 1953)
A
Galletto foi uma das motos mais populares da
Guzzi no seu tempo. O protótipo inicial, apresentado em Genebra, já
incluía as soluções técnicas e de design que a destacavam das rivais: um
cilindro horizontal, caixa de 3
velocidades com seletor de pé
(opcionalmente o seletor podia ser manual), monobraço
oscilante, uma arquitetura de chassis avançada,
suspensão traseira tipo cantilever (e que 30 anos mais tarde viria a ser
adotada pelas motos desportivas) e
jantes de 17 polegadas, que eram grandes
o suficiente para garantir estabilidade e aderência
ao asfalto, mas
pequenas o suficiente para se poder instalar um pneu
sobressalente na moto.
Outras características diferenciadoras da Galletto eram
a utilização de um dínamo mecânico de 6V
acima do motor, assim como o
aumento de cilindrada dos 160 cc da
primeira série para os 175 cc da segunda
série, e
na terceira série
o motor chegava aos 192 cc.
350 GP monocilíndrica (1955)
A 350
GP foi uma moto lendária que permitiu à Moto Guzzi amealhar muitos sucessos em
competição desde a sua estreia em 1953,
ano em que a marca de Mandello del Lario decidiu usar a moto para
competir na categoria 350 de modo a conquistar notoriedade na Europa. Competiu
pela primeira vez no Grande Prémio da
Alemanha em Hockenheim, pilotada por Fergus Anderson. Venceu essa corrida com
uma velocidade média de 164 km/h. Depois disso,
a Guzzi 350 GP venceu na Holanda, Bélgica,
França, Suíça e Espanha.
Em Monza
os três primeiros classificados estavam
aos comandos de uma 350 GP. Uma das motos de maior sucesso da Moto Guzzi,
a 350
GP conquistou os títulos
de forma ininterrupta até 1957, quando se retirou das competições
de velocidade. O
sucesso desta moto
deve--se a várias situações:
era leve, muito estável, uma
aerodinâmica perfeita (criada no túnel de vento da Moto Guzzi).
Para
além disso, a 350 GP
tinha um consumo de combustível muito reduzido para uma moto de Grande Prémio. Apenas 1 litro por cada 20 km
percorridos! Isso era a prova de que as ideias de Cesare
Carcano, ao juntar materiais
leves e construções simples, funcionavam até mesmo em competição.
8 Cilindros 500 GP (1955-1957)
A moto que mostramos aqui, de 1957, é uma atualização do modelo original de 1954 criado pelo engenheiro Giulio Cesare Carcano. A produção da segunda versão era há muito um sonho de Carcano, e em 1957 tornou-se na moto de competição mais famosa da Moto Guzzi. Assim, a versão final com motor de oito cilindros em V de 498,5 cc tornou-se num ícone para a história do motociclismo de competição. O seu motor moderno e poderoso, para além de permitir atingir os 275 km/h, adotava soluções técnicas inovadoras como o quadro de uma trave que permitia a utilização de pequenos reservatórios para refrigerante e óleo, e permitia libertar espaço valioso em redor do motor volumoso.
Stornello 125 Turismo (1960 a 1968)
Desenhada para
maximizar a eficiência
estrutural, a Stornello
125 Turismo rapidamente demonstrou ser um produto de sucesso. A moto foi pensada para ser um veículo utilitário com motor
de válvulas paralelas e caixa de
quatro velocidades. O seu design também permitiu a este modelo tornar-se
popular, pela sua leveza, um carisma
jovem e pouco convencional.
O seu
sucesso na Regolarità, uma prova contra
o relógio, levou à criação de outras
variantes, todas elas conseguiram replicar o mesmo sucesso e vencer inúmeras competições. O
primeiro modelo de 1960 era
vendido por 179.000
liras italianas, a que se seguiu a Stornello Sport em 1961 e a Stornello
America em 1965. A Stornello Regolarità, que derivava da moto de competição, e a sua
variante Scrambler, contavam com
um motor de válvulas inclinadas.
No final
de 1967 apareceram as Scrambler
America e Stornello 160. No
final de 1969, as
versões de 125 e 160 cc
foram equipadas com caixa de 5
velocidades e o seu design foi alterado.
A Stornello deixou de ser
produzida em 1975.
Dingo Turismo (1963 a 1966)
Em
abril de 1963, a Dingo foi
oficialmente apresentada e
introduzida no mercado. Apesar de ter sido desenhada
com o claro objetivo de ser uma moto utilitária, adotou
as tendências mais modernas de então, o
que deliciou os mais
jovens que sonhavam ter o seu primeiro veículo. Inicialmente em variante Turismo e vendida por 79.900 liras italianas, foi depois criada a variante Sport, a Dingo tinha um depósito que cobria o
quadro e unia o assento.
Entre 1966 e
1967 apareceram três novas versões que
satisfaziam as necessidades dos mais jovens que procuravam uma moto
verdadeiramente leve: a Super, a Cross e
a GT.
Estas três variantes também
marcaram uma tendência mais desportiva para
este modelo. Uma série de
atualizações permitiram manter a
Dingo em produção até 1976, ano em que a
produção terminou. Entre as mudanças e
atualizações introduzidas conta--se um novo motor com caixa de 4 velocidades e pedal, aletas de refrigeração na cabeça do motor com
um cilindro maior, uma caixa de
velocidade melhorada em
1970, e um novo desenho para
o assento e depósito de
combustível.
Trotter 50 Mark M (1966 a 1973)
Na primavera de 1966, a Trotter foi introduzida como uma scooter acessível. Foi imediatamente bem sucedida em diversos mercados europeus. O seu sucesso ficou a dever-se ao seu quadro rígido de arquitetura simples, juntamente com um pequeno motor com embraiagem automática centrífuga, o que fazia com que até mesmo os menos experientes a conseguissem conduzir sem dificuldade. Nos anos seguintes a versão original da Trotter passou a ter a companhia de variantes adicionais na gama italiana: em 1968 apareceu a Super com forquilha telescópica, e a Special M incluía um monobraço dianteiro.
V7 Record (1969)
Em 1969, enquanto fazia pesquisas para a futura gama V7, o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Moto Guzzi, liderado por Lino Tonti e Umberto Todero, criou um protótipo de moto desportiva com características excecionais, a V7 Record. O protótipo, equipado com carenagem integral, foi apresentado à imprensa em 1969 no circuito de Monza. Nas duas sessões de teste realizadas, uma equipa de pilotos composta por Guido Mandracci, Angelo Tenconi, Silvano Bertarelli, Roberto Patrignani, Remo Venturi, Vittorio Brambilla e Alberto Pagani, pilotaram a moto e bateram 19 recordes mundiais de velocidade.
V7 Special (1969 a 1972)
A V7
Sport de 1969 foi trabalhada e aperfeiçoada por Lino Tonti tendo por base
a versão apresentada em 1966. A nova
versão apresentava melhorias na
velocidade e nos detalhes técnicos: motor de 757,6 cc, 45 cv às
6000 rpm, relações de
caixa modificadas para melhor
aceleração, painel de instrumentos mais completo e um depósito de
combustível de maior dimensão. Desde
o fim dos
anos 70 do século passado a V7
demonstrou ser uma moto competitiva,
permitindo a vários pilotos sentir
a adrenalina da velocidade e das vitórias.
Em
junho e outubro
de 1969, um protótipo da V7
Special, carenado, estabeleceu
inúmeros recordes de velocidade na classe 750 e 1000 cc no anel de alta
velocidade do circuito de Monza: 100 km
percorridos à velocidade média de 218,426 km/h, e 1000 km percorridos à velocidade média de 205,932 km/h.
V California 850 (1971 a 1974)
Nos
anos 60, os irmãos Joe e Mike Berliner – conhecidos importadores de motos estrangeiras nos
Estados Unidos da América – estavam decididos a acabar com o domínio da
Harley-Davidson entre os motociclistas americanos. Na realidade,
a Moto Guzzi V7
deve parte do seu sucesso a eles.
Em 1968 algumas Moto Guzzi foram entregues à polícia, o que levou as motos de Mandello a
serem conhecidas pelo
grande público. Para o efeito
foram criadas variantes
especiais: a Ambassador, a Eldorado
e a California. Apesar das diversas
modificações realizadas nas primeiras
California de 1971, o modelo manteve a sua popularidade.
Na verdade, o modelo de 1972
que está em exposição no Museu é um exemplo do sucesso da Moto Guzzi: a sua estética, o quadro sólido
herdado da V7 Special, a sua capacidade dinâmica de se agarrar à estrada, e
o seu
motor potente e
fiável. Uma moto que oferecia uma
experiência de condução descontraída.
V7 Sport (1972)
A V7 Sport é considerada como a obra prima de Lino Tonti, o engenheiro e designer envolvido na evolução da V7. Tonti contribuiu com diversas atualizações, tais como um novo quadro e um motor com cárter reforçado que garantia a necessária rigidez tendo em conta o aumento da potência. A V7 Sport fez a sua estreia no circuito de Monza em junho de 1971, por ocasião da corrida de 500 km, pilotada por Raimondo Riva. A moto foi depois vista em diversas competições de resistência. O exemplar que está em exibição no Museu Moto Guzzi é da segunda geração, e, comparado com a geração anterior, varia ao nível da ignição. O seu quadro pintado de preto é uma clara diferença em relação ao quadro vermelho da primeira geração.
V 1000 I-Convert Police (1975 a 1984)
Quando a V 1000 I-Convert, desenhada por Lino Tonti, apareceu no mercado em meados dos anos 70 do século passado, a imprensa especializada e o público em geral ficaram agradavelmente surpreendidos pela capacidade técnica atingida pela Moto Guzzi. Era a primeira moto com esta cilindrada que a Moto Guzzi produzia, e estava equipada com todas as características que os aficionados das Gran Turismo podiam desejar: transmissão automática de duas velocidades, travagem integral, acessórios de elevada qualidade e detalhes para as longas distâncias. A V 1000 I-Convert foi escolhida para ser usada pela polícia da Califórnia. Depois disso, o modelo foi devidamente equipado para ser usado por outros estados americanos, mas também por departamentos policiais de outros países.
850 Le Mans (1976 a 1978)
O
modelo Le Mans foi criado como protótipo em 1972, e depois produzido em 1975.
A moto manteve-se nos concessionários
até 1993, conquistando os corações dos
“corsaioli”, Guzzistas de competição, através das várias
versões: a Le Mans II em 1978, a Le Mans III de 1981, Le Mans 1000 de
1984, e a Le Mans CI (totalmente
carenada) de 1987.
A Le Mans CI é uma moto que é recordada pelas suas
conquistas nos circuitos, mas também pelo prazer de
condução em estrada. A Le Mans era uma moto muito rápida e super
desportiva, que no seu primeiro ano de
produção conseguia atingir os 210
km/h. Graças a um kit especial, a velocidade máxima subia para os 240 km/h.
Para além da potência do seu motor, considerado como uma obra de arte, outras
características da Le Mans eram bastante exóticas: utilização de materiais em
liga leve, uma
pequena carenagem superior, um depósito angular, para além do sistema de escape elevado e
travagem de três discos.
V35 Imola (1979 a 1984)
Com o
objetivo de disponibilizar aos pilotos e entusiastas da velocidade uma moto
atraente e que os pudesse levar ao extremo, foi apresentada em 1979 a V35
Imola, que permaneceu em catálogo da Guzzi até 1989. Este modelo inspirou-se na
parte técnica da V35 mas adicionou-lhe características diferentes: a potência
aumentou para os 36 cv às 8.200 rpm para atingir os 160 km/h.
A afinação da
V35 Imola também era claramente mais orientada para a competição. Era
impossível não reparar no escape elevado, no depósito de combustível e assento,
assim como a carenagem superior que se movia conforme o movimento do guiador.
Equipada com um motor de duas válvulas por cilindro, a V35 Imola tornou-se
bastante popular devido à sua agilidade, precisão na entrada em curva, sistema
de travagem potente e estabilidade em linha reta.
Em 1983 apareceu uma segunda
versão, a V35 Imola II, com um motor mais potente, modificações no chassis e
carenagens, e que assim atingia os 170 km/h, o que a aproximava de outras
motos com motores de maior capacidade.
V50 Custom (1982 a 1986)
A Moto
Guzzi V50 era uma das motos mais equilibradas dos modelos bicilíndricos que
apareceram no final dos anos 70 e foram produzidos até meados da década
seguinte. Tornou-se na patriarca da gama Guzzi, dando origem a modelos de
menor e maior cilindrada. A Moto Guzzi V50 conquistou a reputação de ser uma
moto robusta e fiável, económica, fácil de manter e de conduzir.
Era uma moto
versátil tanto para viagens mais curtas na cidade como também para percorrer
distâncias maiores. Com o seu design derivado da V35, a Guzzi V50 deu início a
um novo método de produção para garantir uma maior economia dos recursos.
Desde o lançamento da V50 em 1977, a Moto Guzzi lançou depois diversos modelos.
A V50 II e V50 III, a V50 TS ou ainda a V50 Custom, que aqui vemos, e foi
produzida a partir de 1982.
4 Cilindri 500 (1983)
O
motor da 4 Cilindri 500 foi
terminado em 1948
com quatro cilindros alinhados longitudinalmente.
Permanece como um bonito exemplo do motociclismo no pós-Guerra. A posição do motor, a refrigeração por água, a embraiagem,
a caixa de
velocidades e a transmissão
final por veio
eram consideradas inovações na época.
O destaque era o sistema de injeção de combustível que utilizava um
pequeno V65 NTX (1986 a 1990) compressor Roots, um mecanismo que mais tarde foi
substituído por carburadores. Os
primeiros testes com a 4 Cilindri
500 em Monsa mostraram que era mais rápida alguns
segundos por volta do que
as dois cilindros
da altura. O motor quatro
cilindros mostrou ser rápido e estável em linha reta, mas revelou-se complicado em curva, talvez
porque os pilotos não estavam habituados
às reações da
combinação do motor com transmissão
final por veio. A 4 Cilindri 500 não foi
particularmente bem sucedida nas pistas.
Porém, este modelo recebeu críticas
muitos positivas por parte da imprensa,
que gostava da “combinação
feliz entre tecnologias de moto e
automóvel”. A engenharia desta moto serviu de base para a criação de um
motor V8, que apesar de
volumoso, tornou-se num dos
símbolos da Moto Guzzi.
V65 NTX (1986 a 1990)
A partir do início de 1986, a V65 NTX substituiu a V65 TT adotando o mesmo design da contemporânea V35 NTX, que buscava inspiração nas motos de competição do Paris-Dakar, e em particular a presença do grande depósito de combustível para a prova africana. Comparada com o modelo anterior, a nova NTX tinha maior distância livre ao solo, um novo sistema de escape 2 para 1, e um novo design que era mais apropriado para viajar do que para competir. A V65 NTX atingia os 170 km/h, o seu peso era de 170 kg, o esquema de cores era branco e azul com riscas vermelhas, motor com acabamento em preto, para além de jantes em alumínio anodizado de cor dourada.
Quota 1000 Gara (1992 a 2001)
Fabricada entre 1992 e 2001, a Quota 1000 era uma moto de enduro de grandes dimensões, com um quadro específico e um motor com configuração em V com 1000 cc. Apresentando uma agilidade inesperada para as suas dimensões, a moto diferenciava-se de outras Moto Guzzi da época: o motor, apesar de ser o mesmo usado noutros modelos, tinha uma afinação específica, mais suave, de forma a tornar-se mais divertido de explorar nos pisos de terra. A versão de 1988 da Quota destacava-se por ter mais cilindrada (1100 cc), um assento mais baixo, travagem Brembo e forquilha dianteira com bainhas de maior diâmetro. Para além disso, a carenagem dianteira grande provou ser eficaz mesmo a alta velocidade em autoestrada.
Daytona 1000 Dr. John (1995)
A Moto
Guzzi, atenta à popularidade das corridas realizadas nos vastos areais da
Florida (Daytona Beach) e Califórnia, começou a desenvolver o projeto Daytona,
que eventualmente veio a tornar-se realidade nas corridas americanas. Foi na
“Battle of Twins”, em Daytona, que os grandes motores em V da Moto Guzzi
conquistaram o reconhecimento dos motociclistas americanos.
Para participar
nestes eventos na praia, um antigo dentista de Filadélfia, que também era
apaixonado por corridas, John Wittner (carinhosamente conhecido como “Dr.
John”) criou uma moto especial em 1987. Wittner utilizou um motor altamente
modificado e um quadro que desenvolveu, para além de carenagens em fibra de
vidro. Após vários sucessos, a Moto Guzzi decidiu criar uma pequena série
destas desportivas, que foram depois melhoradas.
Esta pequena produção de motos
serviu de base para a Daytona 1000 apresentada em 1990, que utilizava um motor
que conciliava as necessidades de uma utilização em pista com a condução em
estrada. Os protótipos sofreram diversas modificações para a Moto Guzzi
atingir o resultado final. A inspiração foram buscar à “Dr. John”, que serviu
de força motora para o desenvolvimento da Daytona e de outros modelos Moto
Guzzi. O exemplar que mostramos aqui, de 1995, é um exemplo da tecnologia de
ponta dessa época.
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