Depois dos chips… agora o problema é o magnésio!

Os fabricantes de motos estão a sentir problemas no fornecimento de magnésio que é utilizado para fabricar diversos componentes das suas motos. Cortes da produção na China estão a aumentar os preços.

andardemoto.pt @ 13-12-2021 11:04:26

Talvez o maior problema para a indústria de veículos motorizados durante a pandemia, sejam motos, automóveis ou outro tipo de veículos a motor, tenha sido a escassez de chips, o que levou a atrasos nas linhas de montagem dos diferentes fabricantes e com isso os consumidores, apesar de estarem dispostos a comprar, têm sido obrigados a esperar bastante mais tempo para poderem usufruir dos seus novos veículos.

As dificuldades de produção e os atrasos nas entregas têm sido um grande problema para a indústria do motociclismo, com prazos de entregas de motos novas alargados.

Mas conforme passam os meses, também a indústria se tem vindo a adaptar a esta nova realidade, e após algum tempo em que as marcas foram obrigadas a ajustar-se a estas circunstâncias, a situação parece estar mais controlada. Porém, depois dos chips… agora o problema é o magnésio!

Este metal exótico é utilizado pelos fabricantes para conceber os mais diversos componentes para as suas motos. Tampas laterais do motor, cabeças dos cilindros, quadros ou partes dos quadros, jantes. Estes são apenas alguns dos componentes habitualmente fabricados em magnésio.



O problema atualmente prende-se com o preço do magnésio. O valor antes da pandemia era ligeiramente superior aos 2300 dólares americanos, mas chegou já a atingir quase 10.000 dólares americanos, estando nas últimas semanas a ser comercializado por 6.200 dólares americanos por tonelada de magnésio.

O que é que levou a este aumento brutal de preço do magnésio? A resposta é simples: uma redução na produção.

A China, responsável por nada menos do que 85% da produção total de magnésio, decidiu cortar em 50% a produção na região de Yulin, que por sua vez é responsável por 60% da produção chinesa de magnésio. Das quarenta fundições de magnésio em Yulin, apenas vinte estão a trabalhar a tempo inteiro, com consequências óbvias para o total de magnésio que é produzido e depois chega ao mercado.

A decisão chinesa de cortar a produção do magnésio deve-se ao facto de que fundir magnésio consome o dobro da energia necessária para fundir a mesma quantidade de alumínio, material considerado neste momento como sendo mais importante.



E qual é o problema para os fabricantes de motos de existir menos magnésio no mercado?

Mais uma vez a resposta é simples. Menos material a chegar aos fabricantes, significa que a produção de componentes vitais para fabricar motos não pode acontecer ao ritmo necessário para responder à procura. Isso irá novamente provocar atrasos na produção de motos, e serão os clientes a ter de esperar mais tempo para poderem receber as suas motos. Isto, para além do aumento dos custos de produção, o que inevitavelmente terá reflexos nos preços das motos novas.

A situação da escassez de magnésio e o aumento brutal do preço da tonelada de magnésio nos últimos meses já obrigou o governo chinês a reagir. A ordem atual é de, gradualmente, aumentar a produção na região de Yulin, o que inevitavelmente levará à estabilização do mercado e permitirá aos fabricantes de motos regressar a uma produção a ritmo normal.

andardemoto.pt @ 13-12-2021 11:04:26


Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews