O regresso da BSA Gold Star

Na recente EICMA, uma das novidades que chamou a atenção foi a novíssima BSA, outra marca britânica do passado que regressa, graças a financiamento indiano.

andardemoto.pt @ 21-12-2021 09:22:00 - Paulo Araújo

Mais do que uma vez no passado, o influxo de financiamento indiano salvou nomes clássicos do motociclismo britânico e, agora, a mais recente marca a regressar ao mercado sob propriedade indiana é a BSA.

Como tal, a BSA posiciona-se novamente como rival da Royal Enfield, outra empresa de origem britânica que é propriedade indiana há décadas, e da Norton, que foi ressuscitada da falência, em 2020, pelo Grupo indiano TVS.

Tal como essas empresas, a mais recente encarnação da BSA está a apoiar-se fortemente na glória do passado, com o primeiro modelo da renascida BSA a trazer de volta o mítico nome Gold Star.

A BSA é agora propriedade da Classic Legends, a mesma empresa indiana que também detém a marca Jawa. A própria Classic Legends é detida em 60% pelo fabricante de automóveis e motociclos Mahindra, uma empresa que iniciou a sua viagem para a produção de veículos com a construção de jipes CJ3s, nos anos 50, e agora é proprietária de marcas como a Pininfarina, Peugeot Motorcycles, e SsangYong Motor.


Tal como a Royal Enfield e a Norton, a BSA também utiliza perícia britânica, com instalações de pesquisa e desenvolvimento no Reino Unido, e planeia estabelecer uma base de fabrico perto de Birmingham, nas Midlands.

É uma espécie de regresso a casa para a empresa, pois foi aí que a BSA começou a vida como fabricante de armas, a Birmingham Small Arms (ainda hoje simbolizada no logo das 3 espingardas cruzadas),  antes de se ramificar para as bicicletas e depois para a fabricação de motociclos, em 1910.

Originalmente, a Classic Legends e a Mahindra planeavam já ter as instalações de fabrico e desenvolvimento do Reino Unido em funcionamento, mas os atrasos devidos à pandemia da COVID-19 fizeram com que as motos iniciais fossem fabricadas nas instalações indianas da empresa.


Os planos a longo prazo da empresa incluem modelos eléctricos que serão desenvolvidos e fabricados no Reino Unido, onde a Classic Legends recebeu um subsídio governamental de 4,6 milhões de libras, a ser correspondido pelo seu próprio investimento no projecto eléctrico.

Contudo, para o seu primeiro modelo sob nova propriedade, a BSA permanece com um desenho firmemente enraizado no passado em vez de olhar para o futuro, e não há como negar que é uma evocação convincente das versões pós-1953 da Gold Star (Estrela de Ouro) original, quando foi introduzida a suspensão traseira de braço oscilante).

O motor é particularmente bem sucedido ao conjugar o aspecto do original, apesar de ter um desenho interno completamente diferente. Enquanto as Gold Star originais de 350 e 500cc tinham um motor OHV, de duas válvulas e varetas, arrefecidos a ar, o novo Gold Star tem um motor de quatro válvulas de concepção Rotax, com DOHC, com arrefecimento por líquido, e uma capacidade de 652cc.

O resultado é um pico de 45 cv, que se compara bem com os 46,8 cv que a Royal Enfield extrai do bicilíndrico de 648cc da Interceptor... e com apenas um grande cilindro, a BSA atinge o seu pico de regime com rotações mais baixas, 6.000 rpm em comparação com as 7.150 rpm da Enfield.

A BSA também tem mais torque absoluto, atingindo um pico de 18 Kg/m às 4.000 rpm, em comparação com os 17 Kg/m às 5.150 rpm do motor Royal Enfield. Este binário também pode vir a ser útil, uma vez que a BSA se contenta com uma transmissão de cinco velocidades enquanto a Enfield tem uma caixa de seis relações.

Uma vez que a BSA é arrefecida por água, há um radiador que, de certa forma, estraga o estilo retro, mas não é demasiado proeminente e não implica uma grande penalização de peso em comparação com o seu rival mais próximo. Pronta a montar, a Gold Star pesa 213 Kg, sendo 217 Kg o peso da Royal Enfield Interceptor. 

A forquilha de 41mm é uma unidade semelhante à utilizada nas Royal Enfield Interceptor 650, tal como a extremidade traseira de duplo amortecedor da BSA, e ambas utilizam uma roda dianteira do mesmo tamanho, com 18 polegadas de diâmetro, e um pneu de medidas 100/90-18. Na traseira, a BSA tem uma roda mais pequena, de 17 polegadas, e um pneu mais largo, um 150/70-17, em comparação com os 130/70-18 utilizados na Interceptor.

Em termos de travões há pouco para escolher entre as motos: Ambas têm um único disco dianteiro de 320mm e uma pinça de dois pistões, embora a da Gold Star seja uma Brembo enquanto a da Interceptor vem da marca budget da Brembo, ByBre.

O ABS é de série, mas não estejam à espera de instrumentos ligados ao smartphone ou de ajudas eletrónicas avançadas.

A Gold Star apresenta linhas clássicas que se repercutem em diversos elementos, como os instrumentos, dois mostradores simples, pese embora estarem montados de cabeça para baixo, em comparação com a norma, e por isso os ponteiros rodarem para baixo à medida que as rotações e a velocidade sobem. Um pequeno visor LCD mostra informação adicional, mas não mais do que é absolutamente necessário.

De acordo com o website da BSA, a moto estará disponível em vermelho, prata, preto e verde, e embora o preço seja certamente um factor decisivo para muitos na escolha entre as alternativas da BSA e da Royal Enfield, ainda não foram anunciados quaisquer detalhes específicos.

Actualmente, a firma apenas diz que será competitiva, com um preço final a anunciar no início de 2022, pouco antes da produção entrar em pleno funcionamento.


BSA Gold Star 2022 – Ficha Técnica

Motor: Monocilíndrico refrigerado por líquido; 
Distribuição 4 válvulas DOHC
Capacidade: 652cc
Diâmetro x Curso N/A
Taxa de Compressão: 11.5:1
Transmissão/Final: 5 velocidades/corrente
Potência: 45 cv às 6.000 rpm
Binário: 18 Kgm às 4,000 rpm
Embraiagem: Contra deslizante c/ assistência
Quadro: Duplo berço tubular de aço
Suspensão frente: Forquilha telescópica de 41mm
Suspensão Traseira: Duplo amortecedor, pré-carga ajustável
Travão dianteiro: Brembo de 2 pistões, disco de 320mm c/ ABS
Travão Traseiro: Brembo 1-pistão flutuante, disco de 255mm c/ ABS
Rodas, Frente/trás: Aros raiados; 18 x 2,5 / 17 x 4,25
Pneus, Frente/ Traseira: Pirelli Phantom Sportscomp; 100/90R-18 / 150/70R-17
Distância entre eixos: 1.425 mm
Altura do assento: 780 mm
Capacidade de combustível: 14,7 litros
Peso Total reclamado: 213 Kg
Disponibilidade: 2022
Preço: n.d.

andardemoto.pt @ 21-12-2021 09:22:00 - Paulo Araújo


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