Uma longa viagem pela Austrália de moto elétrica

Roman Nedielka desafiou-se a ele mesmo a enfrentar uma viagem pela Austrália, a fim de combater a ansiedade de autonomia eléctrica.

andardemoto.pt @ 17-1-2024 07:13:00

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Quando Roman Nedielka se mudou para a Indonésia em trabalho, passava horas preso no trânsito todos os dias. Decidiu então juntar-se às multidões de motociclistas que se movem através do enorme congestionamento rodoviário de Jacarta. 

"Depois de um ano na Indonésia, decidi experimentar andar de moto, porque parece que se pode ir mais rápido furando pelo meio do trânsito", disse à Roman à ABC Radio Sydney. "Por pura sorte, consegui uma moto elétrica, e apesar dos avisos para a questão da autonomia, que nunca me afrontou, decidi provar que não existe razão para tal”.

Nedielka embarcou então numa jornada de 38.000 quilómetros ao redor do mundo, a solo, para provar o potencial da tecnologia. Assim, o eslovaco já atravessou as florestas do sudeste asiático na estação chuvosa, vastas extensões desertas do Cazaquistão e suportou as temperaturas geladas dos Estados Unidos no inverno. Agora, aos 47 anos, está prestes a viajar de Sydney para Darwin via Adelaide. 


"As pessoas têm estas perceções antigas de... ser muito difícil carregar a moto, qual é a autonomia e se é confiável?" disse Nedielka. "Ando de moto há cinco meses e nunca fiquei sem bateria.(...) E se eu consigo dar uma volta ao mundo a andar de moto elétrica, então não se preocupe em conduzir a sua na cidade ou fazer um passeio de fim de semana com os amigos." 

Basta uma tomada convencional de casa e Nedielka perde a preocupação com a falta de estações de carregamento no interior durante a etapa australiana da sua jornada. Roman afirma ainda ter conseguido percorrer trilhos de 200 quilómetros no vasto deserto do Cazaquistão, bastando-lhe apenas carregar a bateria em tomadas de energia convencionais. 

"Obtém-se energia suficiente de uma tomada de energia normal, que existe em toda parte, por isso não é necessário encontrar uma estação de carregamento", disse. "A diferença da moto em comparação com o carro é que a bateria não é tão grande."  Afirma ainda que a sua moto, a Zero DSR/X, pode percorrer 300 km com uma carga em condições ideais, sendo importante apenas um bom planeamento para garantir que não se fica sem carga em algum lugar remoto. 


Dr. Jake Whitehead, do Conselho de Veículos Elétricos, explica que eletrificar frotas de moto é essencial para reduzir as emissões, especialmente na Ásia, África e América do Sul. Isto porque, segundo uma pesquisa de 2015, estimou-se que, na Indonésia, 58% dos trabalhadores em Jacarta usavam uma moto poluente nas suas deslocações.

Está a verificar-se ainda um aumento na procura por veículos elétricos, a nível global, mas por enquanto a preferência são os carros. Whitehead afirma ainda que as principais barreiras para as motos elétricas são a disponibilidade limitada de modelos e os custos de aquisição geralmente mais altos. 

Segundo Nedielka, uma das melhores partes de andar de moto elétrica tem sido o silêncio proporcionado pela moto. Notou ainda especialmente a diferença entre o barulhento trânsito de Jacarta e cidades na China onde as motos a combustão já há muito foram proibidas. 

"Nestas viagens mais longas, que tenho feito, não tenho dor de cabeça e não preciso de usar tampões nos ouvidos como muitos motociclistas turísticos têm que fazer", disse Nedielka. "É simplesmente mais confortável." Nedielka diz que passa a maioria dos dias percorrendo centenas de quilómetros através de paisagens despovoadas, mas vale a pena pelos momentos felizes rodeado por desertos, montanhas e florestas.

andardemoto.pt @ 17-1-2024 07:13:00


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