MV Agusta Brutale 1000 ABT

Uma Hypernaked italiana com ADN de competição em edição limitada a 130 unidades

andardemoto.pt @ 18-5-2026 18:51:00

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A Brutale 1000 ABT é a consequência de quando a MV Agusta decide pegar na sua “naked” mais extrema e a cruza com a obsessão alemã da ABT pelo detalhe e pela aerodinâmica. Continua a ser, antes de mais, uma Brutale: compacta, musculada, com aquele recorte quase escultórico do depósito e das tampas laterais, o farol em‑LED com forma de jóia agressiva e a traseira mínimalista, quase suspensa no ar.

Mas tudo é levado um passo mais além, destacando-se a decoração em “Nero Carbonio Metallizzato e Rosso Fuoco” que é como quem diz preto e vermelho, com as bandeiras italiana e alemã a contar a história da parceria em cada lado da moto, o lettering “Motorcycle Art” de um lado e “From the racetrack to the road” do outro, e detalhes que vêm claramente do universo das quatro rodas. 

É disso também exemplo o padrão em favo de mel do estofo do assento em Alcantara, o tampão aerodinâmico da jante traseira e as pinças Brembo pretas com logótipo vermelho a incorporarem o sistema de travagem como um elemento de design. Tudo isto define a Brutale 1000 ABT como uma naked hiperdesportiva, mas com um lado “automotive luxury” muito assumido: não é só uma moto rápida, é um objeto de engenharia exibido sem pudor.

No centro de tudo está a bem conhecida unidade motriz com 998cc da MV Agusta, aqui na sua especificação mais apurada. Falamos de um motor de quatro cilindros em linha, a quatro tempos, com 16 válvulas radiais com tuchas revestidas a DLC para reduzir atrito e permitir regimes de rotação muito elevados, e distribuição DOHC com veio de equilíbrio.

A relação de compressão é de (13,4:1), claramente em território de motor de competição, e isso vai refletir-se na forma como sobe de rotação e na resposta ao acelerador.  A relação de diâmetro por curso de 79mm x 50,9mm, uma configuração super‑quadrada e a elevada capacidade de respirar, privilegiam as altas rotações e não tanto o binário a baixa rotação.

Em configuração standard, o teracilíndrico debita 201cv (148 kW) às 13.500rpm com um binário máximo de 116Nm registado às 11.000rpm; mas com o kit Racing (linha de escape Arrow em titânio com quatro ponteiras e mapa dedicado de ECU) a potência sobe para 208cv às 14.000rpm, mantendo a mesma cifra de binário, mas com uma entrega ainda mais agressiva em alta. 


A gestão térmica é feita por um sistema de refrigeração por líquido, com radiadores separados de água e óleo, pensado para manter temperaturas estáveis mesmo em utilização intensiva em pista. O motor recebeu ainda árvores de cames com perfis específicos, gestão eletrónica revista, controlo de acelerador refinado e relações de caixa otimizadas, além de uma transmissão final mais curta, tudo para o tornar a resposta mais direta e explosiva.  

A transmissão primária assenta numa unidade de seis velocidades, do tipo “cassete”, o que facilita intervenções rápidas em contexto de competição ou track days mais sérios. As relações são desportivas, com escalonamento pensado para manter o motor sempre na faixa de potência útil, e a transmissão final, de 15/44, contribui para uma aceleração muito viva, com valores de referência de 0‑100 km/h em cerca de 3,15 s e de 0‑200 km/h em pouco mais de 8 segundos, com uma velocidade máxima superior a 300 km/h.

O quickshifter MV EAS 4.0 (Electronically Assisted Shift Up & Down) permite mudanças de caixa sem embraiagem para cima e para baixo, com gestão eletrónica da ignição e do acelerador (o chamado blipper) para suavizar a engrenagem, tanto em aceleração plena como em reduções fortes.

A embraiagem é do tipo deslizante, banhada a óleo, com 10 discos. O dispositivo de limitação de binário negativo (ou de retorno) reduz o efeito de travão‑motor excessivo em reduções agressivas, estabilizando a roda traseira na entrada das curvas e permitindo travagens mais tardias sem desequilibrar a moto. O comando é hidráulico, com bomba radial Brembo, o que garante um tato consistente, progressivo e com boa resistência ao “fade” em situações de utilização intensiva. 

A Brutale 1000 ABT é tão digital quanto mecânica. A base é o sistema MVICS 2.1 (Motor & Vehicle Integrated Control System), com oito injetores (quatro inferiores Mikuni e quatro superiores Magneti Marelli de maior caudal), geridos por uma ECU Eldor Nemo 3.0. O acelerador é full ride‑by‑wire, com corpos de borboleta de 50 mm e tecnologia de deteção de iões nas velas para monitorizar detonação e falhas de ignição em tempo real. 

Tem quatro mapas de motor selecionáveis (Rain, Sport, Race e Custom), permitindo ajustar a resposta do acelerador, a entrega de potência e a intervenção das ajudas. O controlo de tração oferece 8 níveis mais a possibilidade de ser desligado, e trabalha em conjunto com uma IMU (unidade de medição inercial) que também alimenta o controlo de wheelie (FLC – Front Lift Control) e o ABS em curva. 


O ABS é um sistema Continental MK100 com função de mitigação de levantamento da roda traseira (RLM – Rear Wheel Lift‑up Mitigation) e função cornering, permitindo travagens fortes com a moto inclinada sem perder estabilidade. A isto junta‑se o launch control para arranques perfeitos, cruise control para uso em estrada e um painel TFT a cores de 5,5” que concentra toda a informação e permite configurar motor, suspensões e ajudas através da MV Ride App, com conectividade Bluetooth, GPS e navegação espelhada.

O quadro mantém a arquitetura típica da Brutale, em treliça de aço CrMo combinado com placas em alumínio, com o pivot do braço oscilante ajustável em altura, a procurar o compromisso entre rigidez e feedback. 

Na ABT, a suspensão é totalmente Öhlins e eletrónica. À frente encontramos uma forquilha invertida Öhlins Nix EC, com jarras de 43 mm e tratamento superficial TiN dos hidraulicos para reduzir o atrito, sendo totalmente ajustável em compressão e retorno por via eletrónica, com a pré‑carga de mola regulavel manualmente.

O curso é de 120mm, suficiente para absorver irregularidades em estrada sem perder precisão em pista. Atrás, um amortecedor Öhlins EC TTX progressivo, também com regulação eletrónica de compressão e retorno e pré‑carga manual, trabalha em conjunto com o braço oscilante monobraço em alumínio.  

O sistema oferece modos automáticos e manuais: em automático, a eletrónica adapta a hidráulica em função do modo de condução e das condições; em manual, o utilizador pode afinar ao detalhe o comportamento para estrada, pista ou uso misto, tornando a moto surpreendentemente versátil para algo tão extremo.

O sistema de travagem é digno de uma superbike. À frente, dois discos de 320 mm, semi‑flutuantes, com desenho recortado e canais específicos para melhorar a dissipação térmica e promover uma auto‑limpeza contínua da superfície de fricção. Este desenho reduz o “fading” em utilização intensiva e mantém a sensação de travão consistente ao longo de sessões de pista. 

As pinças são Brembo Stylema monobloco, radiais de quatro pistões de 30 mm, alimentadas por uma bomba radial Brembo, aqui pintadas em preto com logótipo vermelho, num piscar de olho ao universo automóvel de alta performance.

Atrás, um disco de 220 mm com pinça Brembo de dois pistões assegura o controlo fino da traseira em curva e em manobras. Tudo isto é gerido pelo já referido ABS Continental MK100 com função em curva e RLM, que permite explorar travagens muito fortes sem comprometer a estabilidade. 


Os pneus são montados em jantes de 17”, com medidas típicas de superbike (120/70 ZR17 à frente e 200/55 ZR17 atrás, em linha com a Brutale 1000 base), privilegiando aderência e suporte em ângulos de inclinação extremos.

As jantes são forjadas em alumínio, reduzindo significativamente as massas não suspensas e melhorando a agilidade nas mudanças rápidas de direção. Na roda traseira, a peça mais distintiva é a cobertura em carbono, inspirada nas jantes de competição automóvel. Além do impacto visual, reduz a turbulência aerodinâmica em torno da roda e melhora o coeficiente de arrasto, traduzindo‑se em maior estabilidade a alta velocidade e potencialmente numa melhor proteção da roda e do disco face a sujidade. 

A MV Agusta vai produzir apenas 130 unidades da Brutale 1000 ABT para todo o mundo, número que corresponde ao 130.º aniversário da ABT.  Se pretende uma naked radical que combine tecnologia, componentes premium e um visual distinto carregado de fibra de carbono, esta pode ser a moto para si.


andardemoto.pt @ 18-5-2026 18:51:00


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