MotoGP – Andrea Iannone banido por quatro anos
Piloto italiano viu confirmados os piores receios. O Tribunal Arbitral do Desporto decidiu penalizar ainda mais Andrea Iannone seguindo os pedidos da Agência Mundial Anti Dopagem. Iannone fica banido da competição por quatro anos.
andardemoto.pt @ 10-11-2020 10:33:00
Depois
de ver a sua vida em suspenso durante muitos meses, o piloto italiano Andrea
Iannone soube finalmente o que será o seu futuro. E de acordo com a decisão do
Tribunal Arbitral do Desporto, o futuro do piloto da Aprilia em MotoGP não
passa pelas duas rodas e pela competição.
Depois de ter sido penalizado numa primeira instância pelo Tribunal Disciplinar
da FIM, na sequência de um controlo antidoping positivo, que decidiu impedir
Iannone de competir durante um período de 18 meses a contar de 17 de dezembro
de 2019, o piloto e os seus advogados optaram por recorrer dessa sentença para
o Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça.
A Agência Mundial Anti Dopagem (WADA) nunca ficou satisfeita com a sentença
inicial de proibição de competir por 18 meses. Pediram sempre uma sentença mais
dura, que fosse um exemplo para os restantes pilotos.
Iannone, com a ajuda dos seus advogados e da Aprilia Racing, que através do seu
responsável de MotoGP, Massimo Rivola, manteve-se sempre ao lado do seu piloto,
argumentou sempre que a substância dopante com que foi apanhado (Drostanolona)
não foi tomada de livre vontade nem com o seu conhecimento.
A justificação da sua equipa de defesa apontava para comida contaminada que
Andrea Iannone consumiu durante a sua estadia na Malásia, antes da realização
do Grande Prémio da Malásia em 2019, e que terá sido essa a causa da entrada da
substância dopante no corpo do piloto.
Mesmo sabendo que o facto de recorrer da sentença para o TAD poderia significar
uma pena mais dura, Andrea Iannone manteve a sua posição e postura perante a
situação, clamando a sua inocência.
Foram muitos meses de espera e indefinição, não apenas para o piloto, o
principal interessado em ver esclarecida a situação, mas também para a equipa
Aprilia Gresini que foi obrigada a “resgatar” Bradley Smith da sua função de
piloto de teste para assumir uma função de piloto a tempo inteiro em MotoGP, e
para além disso acabou por se ver de certa forma impedida de planificar e
negociar contratos com outros pilotos pois não sabia se Iannone poderia
regressar à competição em 2021, de acordo com a sentença da FIM.
Finalmente o TAD reuniu-se para decidir sobre o caso de dopagem de Andrea
Iannone. E a decisão foi tudo menos favorável para o piloto.
De acordo com o comunicado do TAD, os advogados de Iannone “Não conseguiram estabelecer específicamente que existia uma
contaminação da carne consumida na Malásia”, pelo que o TAD encontra assim
razões para ser aplicada uma punição por violação das regras antidoping.
Caso o TAD aceitasse as justificações da defesa de Andrea Iannone como sendo
válidas, e portanto considerava não existir intenção por parte do piloto de se
dopar, a penalização prevista chegava ao máximo de 2 anos sem competir. Como a
sentença aponta em sentido contrário, ou seja, que o piloto se dopou de forma
intencional, o TAD, satisfazendo as recomendações da WADA, que solicitou estar
presente na audiência, decidiu condenar Andrea Iannone a quatro anos de
afastamento da competição.
Para o piloto de 31 anos natural de Vasto, uma sentença tão pesada implica,
certamente, o fim da sua carreira enquanto piloto de motos. Impedido de
competir tanto a nível internacional, como também a nível nacional ou até
regional, Iannone só poderá regressar à competição no final de 2023. Com 36
anos de idade e após quatro anos sem competir, será difícil pensar que alguma
equipa de MotoGP, ou até mesmo de outro campeonato como o Mundial Superbike,
iria ter lugar para Andrea Iannone.
Como seria de esperar, Iannone reagiu nas redes sociais à sentença do TAD.
Na sua página oficial de Instagram, e depois de sair da audiência no TAD a
reclamar inocência mantendo a sua versão dos acontecimentos, o piloto afirma
que “Hoje sofri a maior injustiça que
podia sofrer. Rasgaram-me o coração e separaram-me do meu grande amor. As
justificações carece de sentido lógico e estão baseadas em factos errados. Para
isso haverá o local e momentos indicados... pois eu não me rendo! Tinha
esperança na honestidade intelectual e na afirmação da justiça. Seja quem for
que tentou destroçar a minha vida, vai entender rapidamente a força que tenho
no meu coração! O poder da inocência e sobretudo a consciência tranquila. Uma
sentença pode mudar os acontecimentos, mas não o homem”.
Perante esta situação, a Aprilia Gresini está agora forçada a deixar de contar
com Andrea Iannone no seu projeto de MotoGP. No entanto, e nas palavras de
Massivo Rivola, administrador delegado da Aprilia Racing, a casa de Noale
mantém-se do lado do seu piloto, aliás, uma atitude que sempre tiveram desde
início desta polémica:
“As sentenças são para ser respeitadas e
aceites, mesmo que muitos elementos dessa decisão gerem perplexidade, mesmo do
lado puramente científico. Não nos arrependemos de estar ao lado do Andrea, e
estamos ao lado dele mesmo neste momento. Esta história, com os longos tempos
de espera, prejudicou fortemente a Aprilia Racing para esta e para as próximas
temporadas, mas agora temos de olhar para a frente e temos de encontrar rapidamente
uma solução de alto nível, que case com o projeto iniciado com o Andrea e que
permita continuarmos a crescer, que é evidente”.
Na comunidade de pilotos algumas vozes fizeram-se ouvir nas redes sociais,
reagindo à decisão do TAD.
Se, por exemplo, já sabíamos que Jorge Lorenzo é um fervoroso defensor de
Andrea Iannone, inclusivamente tem partilhado imagens dos seus treinos de
conjunto em bicicleta, após ser tornada pública a decisão do TAD, pilotos como o
belga Xavier Simeon, que militou no Mundial de Velocidade e agora é campeão do
mundo de resistência, defendem o que na sua ótica é uma decisão injusta. Um dos
mais contundentes nas palavras foi Aleix Espargaró, companheiro de equipa de
Andrea Iannone na Aprilia.
O espanhol e Iannone nem sempre se deram bem, e inclusivamente assistimos a
algumas trocas de declarações mais “acaloradas” no início da temporada 2020
quando Iannone disse que a nova RS-GP tinha sido desenvolvida por si, e com
Aleix Espargaró a colocar o foco do desenvolvimento em si e na equipa.
No entanto Aleix Espargaró mostra-se surpreendido: “Injustiça! Tivemos os nossos desencontros, mas sinceramente, o Andrea
Iannone e eu sempre tivemos uma boa relação pessoal. A sanção de quatro anos
parece-me super desproporcionada e deixa-me muito triste. Toda a força do mundo
meu amigo!”.
E qual será o futuro da Aprilia Gresini sem Andrea Iannone?
Tudo indica que em breve teremos a confirmação de que Cal Crutchlow será o novo
piloto da marca italiana em MotoGP. O britânico já terá um pré-acordo assinado
com a equipa, mas estava dependente da decisão do TAD sobre Andrea Iannone. Cal
Crutchlow pode assim assumir um lugar aos comandos da moto italiana.
Outro nome que tem estado a ser muito associado à Aprilia Gresini é o de Jorge Lorenzo.
O espanhol deixará de ser piloto de testes da Yamaha para MotoGP a partir do
final desta temporada. Aliás, o facto da Yamaha continuar a mostrar que Lorenzo
não é uma escolha para o futuro parece ficar cada vez mais clara com o espanhol
a ser preterido por Garrett Gerloff para substituir Valentino Rossi no GP da
Europa.
Lorenzo tem uma ligação passada à Aprilia, nomeadamente nos mundiais de 125 e
250 cc. O próprio Lorenzo confirmou contactos com a casa de Noale, tudo indica
que será para assumir a função de piloto de testes, mas existe a possibilidade
de Lorenzo também aparecer em cenário de competição aos comandos de uma RS-GP.
andardemoto.pt @ 10-11-2020 10:33:00
Clique aqui para ver mais sobre: MotoGP