MotoGP – Tempestade de areia leva a fim prematuro do teste no Qatar
Muita areia e vento impediram os pilotos e equipas de MotoGP de aproveitar ao máximo o terceiro e último dia da segunda sessão de testes no circuito de Losail. Miguel Oliveira termina com o 16º tempo e o mais rápido é Jack Miller e a Ducati Desmosedici GP21.
andardemoto.pt @ 12-3-2021 21:31:05
Depois
de uma semana repleta de ação em pista, os pilotos e equipas de MotoGP estão já
a preparar-se para aquela que será a primeira corrida do ano, quando os
semáforos de MotoGP se apagarem no circuito de Losail para o Grande Prémio do
Qatar.
Neste que seria o terceiro dia da segunda sessão de testes oficiais de
pré-temporada, crucial para equipas e pilotos afinarem os últimos
detalhes e talvez tentarem mostrar como são rápidos aos comandos das suas novas
motos, as condições climatéricas adversas que se fizeram sentir no circuito de
Losail levaram os testes a um fim prematuro.
Com muita areia a invadir a pista, à qual se somou ainda bastante vento,
poucos pilotos arriscaram sair para a pista neste terceiro dia de testes.
Danilo Petrucci (Tech3 KTM Factory Racing) e Pol Espargaró (Repsol Honda) foram
dois dos que arriscaram, mas com tempos por volta superiores s 8 segundos mais
lentos, as saídas para a pista foram apenas para aquecer os músculos.
Com o fim prematuro do teste, o mais rápido da pré-temporada acaba por ser Jack
Miller. O irreverente australiano, agora na equipa de fábrica Ducati Lenovo
Team, tornou-se no piloto mais rápido de sempre a completar uma volta ao circuito
de Losail.
Com 1m53.183s, Miller destroçou por completo o anterior recorde, e mostra que a
nova Desmosedici GP21, com muitas alterações aerodinâmicas, está bastante mais
forte e promete deixar Jack Miller como o favorito à vitória no Grande Prémio
do Qatar.
No entanto o australiano não poderá deixar-se adormecer pelo tempo quente que
se faz sentir em Doha. A dupla da Monster Energy Yamaha está logo atrás do
piloto da Ducati, com Maverick Viñales a suplantar o seu novo companheiro de
equipa Fabio Quartararo.
Aliás, a Yamaha deverá estar satisfeita com os resultados obtidos pelos seus
pilotos. Também Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT), apesar de utilizar uma
moto de especificações mais limitadas, continua a mostrar que é dos mais rápidos e
melhores pilotos da categoria rainha, terminando na quarta posição.
O seu companheiro de equipa Valentino Rossi, apesar de ter ficado fora do top
10 (terminou com o 11º tempo), também parece estar no bom caminho. Rossi fez
mesmo a sua volta mais rápida de sempre no circuito de Losail. Um excelente
indicador para o veterano piloto que está a iniciar a sua 26ª temporada no
Mundial de Velocidade.
Na tabela de tempos destaque ainda para a presença da Aprilia Gresini entre os mais
rápidos de Losail. Pelas mãos de Aleix Espargaró, a marca de Noale está a
mostrar que a sua nova Aprilia RS-GP tem mais potencial do que em anos
anteriores, e que todas as alterações estão a surtir efeitos positivos na
performance, com Aleix Espargaró a ser o sexto mais veloz dos testes.
De facto o espanhol consegue mesmo bater os seus compatriotas Joan Mir e Alex
Rins, da Suzuki Ecstar. A equipa campeã e o seu campeão Mir não parecem estar
muito preocupados com o facto de equipas rivais estarem a ser mais rápidas e,
tal como em 2020, os pilotos Suzuki acreditam que as GSX-RR têm o ritmo de
corrida que lhes permitirá andar na frente do pelotão e ganhar corridas.
Quanto ao português Miguel Oliveira, e depois de ter feito a sua volta mais
rápida no primeiro dia desta segunda sessão de testes oficiais de MotoGP em
Losail, o 16º tempo, a mais de 1,3 segundos de Jack Miller, poderá parecer
preocupante, até mesmo se tivermos em conta as palavras do piloto que reconhece
que “Neste momento não somos
suficientemente competitivos para podermos estar mais próximo do topo”.
Ainda assim, Miguel Oliveira teve de cumprir uma série de testes a diversos
componentes, e o ataque às voltas rápidas, que poderia ter acontecido hoje,
acabou por não acontecer. Mas se alguma coisa o português mostrou nos anos
anteriores foi que a sua grande força está na prestação em corrida. E 2021 não
deverá ser diferente!
O que cada fabricante testou no Qatar
Aprilia
A marca de Noale, beneficiando das regras das Concessões, criou para 2021 uma
moto totalmente nova. O protótipo RS-GP conta com novo motor, novo quadro, nova
eletrónica e uma aerodinâmica ainda mais apurada. Este ano a Aprilia RS-GP
também adota um braço oscilante em fibra de carbono, e tal como as rivais
(exceto a Yamaha), o seu sistema de “holeshot” para além de baixar a mola
traseira, baixa e bloqueia a forquilha.
Ducati
A casa de Borgo Panigale é sempre a grande estrela do MotoGP no que toca a
inovações em testes. E este ano não foi diferente. A nova Ducati Desmosedici
GP21 está ainda mais veloz em linha reta, mas a Ducati procura mais aderência
em curva. Nesse sentido os seus pilotos testaram uns novos apêndices
aerodinâmicos que possivelmente garantem essa aderência.
Honda
A casa nipónica espera que 2021 seja totalmente oposto a 2020 em termos de
resultados. Para isso têm vindo a trabalhar no equilíbrio da RC213V. A moto
japonesa sempre se revelou complicada de pilotar – no total os pilotos Honda
caíram 10 vezes nestes testes! –, e muitos acreditam que apenas Marc Márquez é
capaz de retirar dela o seu máximo potencial.
Para resolver isso, a Honda trouxe até aos testes do Qatar três quadros
diferentes: uma versão de 2020, um quadro versão de 2020 com reforços em fibra
de carbono, e um terceiro totalmente novo. Para além disso, Stefan Bradl e
Takaaki Nakagami testaram novos pacotes aerodinâmicos.
KTM
Apesar do enorme sucesso que obteve em 2020, a KTM não pretende abrandar o
ritmo de trabalho. Nos testes do Qatar, e com Dani Pedrosa a testar uma nova
traseira para a KTM RC16, o grande destaque na moto austríaca foi a carenagem
frontal mais esguia e equipada com asas aerodinâmicas com um desenho novo, mais
agressivo.
Suzuki
Em equipa que vence, não se mexe. Essa parece ser a teoria aplicada pela Suzuki
Ecstar em 2021. Os campeões têm apresentado menos soluções técnicas radicais do
que algumas das suas rivais. Ainda assim a GSX-RR, que continua a não ostentar
um braço oscilante em fibra de carbono, tem uma eletrónica mais apurada. No
entanto o destaque nos testes foi Sylvain Guintoli que trouxe até ao Qatar uma
primeira versão do motor de 2022.
Yamaha
Com um claro défice em termos de velocidade maxima, principalmente para a Ducati e
Honda, a Yamaha tem vindo a procurar recuperar nesse aspeto. Um novo pacote
aerodinâmico e um guarda-lamas dianteiro mais curto são algumas das novidades,
mas a mais sonante é um novo quadro que terá sido aprovado pelos três pilotos
que utilizam a Yamaha YZR-M1 na sua configuração 100% de fábrica.
andardemoto.pt @ 12-3-2021 21:31:05
Clique aqui para ver mais sobre: MotoGP