OPINIÃO

De Ducati no Lés-a-Lés 2019

Uma festa do motociclismo, celebrada da melhor maneira possível: a andar de moto!

andardemoto.pt @ 24-6-2019 15:10:35 - Texto: Rogério Carmo

Foz do Arelho

Foz do Arelho

O Lés-a-Lés é um verdadeiro fenómeno! Um evento que se repete há já 20 anos e que tem paulatinamente conquistado uma verdadeira legião de adeptos. Há mesmo quem tenha participado em todas as edições e muitos motociclistas já participaram no evento por diversas vezes. No que respeita a idades, quebram-se todos os preconceitos, e ao longo da estrada, apesar da predominância cair sobre motociclistas seniores, há muita gente nova que apenas peca pela falta de mais mulheres motociclistas a conduzir a sua própria moto.

Dizem que quando se faz o primeiro Lés-a-Lés fica-se automaticamente viciado.

Recordo-me de em 1999, ainda longe de me imaginar como jornalista de motociclismo, ter acompanhado, por um curto trecho ao longo do Alentejo, um grupo de amigos que participou na primeira edição deste evento, ainda com apenas 100 motos e 130 participantes, e de eu próprio ter ficado contagiado ao ponto de ter sido um dos primeiros a inscrever-me para a edição do ano 2000 que, então já com mais do dobro das motos e dos participantes, ainda era feita em apenas 24 horas de condução consecutiva. Uma experiência inesquecível!

S.Martinho do Porto

S.Martinho do Porto

Foi uma grande surpresa quando voltei a participar no evento, na sua 10ª edição, já no formato de 3 dias, e na partida, em Bragança, encontrei 900 motos e 1000 participantes, ansiosos por devorarem os 1040 quilómetros que os separavam de Sagres.

Depois dessa, participei em mais algumas edições, igualmente como repórter, e não pude deixar de apreciar como, aos poucos, o evento foi assumindo proporções gigantescas, que conseguiram chamar a atenção das marcas de motos que rapidamente começaram a aproveitar para, com a sua participação activa, através de “oasis”, de serviços de apoio, e de grupos de participantes organizados, beneficiar da exposição mediática e chamar a atenção dos participantes do evento, os quais são em cada vez maior número, estrangeiros, das mais variadas proveniências!

Apúlia

Apúlia

Claro que nesta edição de 2019 já não constituu qualquer surpresa o facto de estarem inscritas 2000 motos, e para poder desfrutar de estrada livre e apreciar melhor o nosso belo litoral e o potencial da minha montada, bastou-me começar as etapas cedo (e, confesso, fazer alguns pequenos atalhos) para evitar os previsíveis engarrafamentos, como se veio a provar na travessia do Porto, em que a Ribeira ficou literalmente entupida, ou em Cascais, onde se preparava outro evento motociclistico, e mesmo até em Lisboa, no final do dia da segunda etapa.

Mas apesar do evento ter vindo a crescer, e a amadurecer, o espírito que se vive desde o primeiro dia, desde a viagem para o ponto de partida e para as obrigatórias verificações técnicas e até ao último dia, permanece inalterado, tal como o empenho da organização em fazer com que os participantes se mantenham em segurança, e ao mesmo tempo também, se divirtam e convivam.


Comporta

Comporta

Muitos participam pelo desafio, muitos outros pelo convívio. Para outros é quase um compromisso religioso ou uma fuga à rotina do dia-a-dia. Muitos vão pelo desejo de conhecer o Portugal profundo, coisa que o Lés-a-Lés faz de forma exemplar. Outros tantos, ou até mais, não participam por questões financeiras, pois o Lés-a-Lés não é um evento barato e implica um custo elevado em combustível e manutenção, além da disponibilidade limitada por razões laborais ou familiares.

Alguns vão menos preparados, a acusar o esforço de uma condução pouco fluida, resultado de pouca experiência ou da formação deficitária, com alguns motociclistas a fazerem manobras mal calculadas, ultrapassagens desnecessárias e arriscadas, ou paragens em locais pouco recomendados, e muitos a carregar bagagens mal acondicionadas, ou a envergar equipamentos pouco recomendados. Cheguei mesmo a comentar que, certas manobras e desempenhos que vi, felizmente sem consequências graves, podiam configurar-se perfeitamente na prova em como Deus existe!

Serra da Boa Viagem - Buarcos

Serra da Boa Viagem - Buarcos

Para esta 21ª edição, 20 anos depois da minha primeira participação oficial num Lés-a-Lés, nem tive tempo para grandes preparativos. A vantagem de ser jornalista foi receber as instruções do percurso em formato digital, e poder contar com a preciosa ajuda do GPS. A segunda vantagem foi a de ter podido escolher a minha companheira para a viagem. 

E tive sorte, porque pude acompanhar a caravana com uma das motos de 2019 que mais me marcou, sobretudo pela excelência do seu desempenho: A Ducati Multistrada 950S, um modelo que para este ano foi dotado de todos os requintes de malvadez que a tecnologia disponibiliza, tanto em prol da segurança como das prestações dinâmicas.

A minha opinião já estava formada, e publicada (pode ver o teste se clicar aqui), e por isso pude efectivamente desfrutar do evento, da estrada e da condução, sem ter que estar preocupado em tirar notas ou a fazer avaliações.

Aveiro

Aveiro

Mas pude confirmar que, aquilo que senti na apresentação oficial desta Ducati, estava correcto, e com a intimidade dos quilómetros ela até conseguiu exceder as minhas expectativas. Na apresentação à imprensa, em Valência, não tinha tido oportunidade de confirmar os consumos, nem de conduzir à noite, nem de desfrutar de algumas das funcionalidades disponibilizadas pelo interface multimédia, como por exemplo a integração do telemóvel e do sistema de intercomunicação.

Na referida apresentação também não tinha tido oportunidade de verificar o comportamento da Multistrada 950S fora do alcatrão, e o Lés-a-Lés conseguiu provar-me, por diversas vezes, que o seu peso inferior, comparativamente à concorrência mais directa, é uma mais-valia, e que podemos contar com ela para ir a qualquer lugar, com muita confiança, mesmo quando for necessário enfrentar caminhos daqueles que assustam qualquer um que não tenha muita experiência de “Off Road”.


Costa Vicentina

Costa Vicentina

Também pude ficar com a certeza que a Ducati deveria ter optado por uma tomada USB em vez da de 12V colocada perto do painel de instrumentos, e que a caixa de velocidades, apesar de leve e bastante precisa, necessita de uma boa afinação do pedal das mudanças, sob pena de se encontrarem “pontos-mortos” indesejáveis.

Relativamente aos consumos não podia ter ficado mais satisfeito, já que esta 950 conseguiu a verdadeira façanha (tendo em conta os consumos que estou habituado a registar, nas mesmas circunstâncias, noutras motos) de, ao longo de quase 3000 quilómetros, ter apresentado um consumo médio de 6,25 litros aos 100, sem qualquer preocupação economicista, antes pelo contrário, pois alguns percursos fi-los em modo “Sport”, num bárbaro atentado contra a diminuição das emissões de poluentes, e muito por culpa do “quickshifter” que faz o ronco do escape parecer uma angélica melodia que nos transforma a condução em pilotagem.

Cais Palafítico da Carrasqueira

Cais Palafítico da Carrasqueira

Fazendo o balanço final, e tendo em conta as muitas e diversas motos do seu segmento que já tive oportunidade de testar nos últimos meses e anos, a Multistrada 950 S foi aquela que me proporcionou alguns dos melhores momentos de condução, e ser provavelmente aquela que recomendo a quem pretenda uma moto polivalente, fácil de manobrar, que não desilude em viagem, sobretudo a quem pratica ritmos de condução elevados, seja qual for o tipo de caminho que encontre, vá sozinho ou acompanhado!

Quanto ao Lés-a-Lés, ele está bom e recomenda-se. A organização desdobra-se em esforços e atenções para controlar todos os imponderáveis inerentes a tão grande tarefa, sendo esse um dos principais motivos pelos quais merece reconhecimento. 

Mais do que tudo, esta é uma festa do motociclismo, celebrada da melhor maneira possível: a andar de moto

andardemoto.pt @ 24-6-2019 15:10:35 - Texto: Rogério Carmo

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