Teste Ducati Multistrada 950 S - Danada prás Curvas

A Ducati fez recentemente a apresentação à comunicação social internacional, da sua nova “trail” de média cilindrada. Um modelo cujo desempenho dinâmico surpreende em todos os aspectos, obviamente pela positiva.

andardemoto.pt @ 16-4-2019 00:44:26 - Texto: Rogério Carmo

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Multistrada 950 S | Moto | Multistrada

Para 2019 a Ducati apostou forte na renovação da sua Multistrada 950. Já em 2017, quando a 950 foi lançada no mercado e tive oportunidade de lhe fazer um teste alargado (que pode ver se clicar aqui), tinha acerca dela referido, que: menos é mais, sobretudo na perspectiva da cavalagem e da cilindrada.

Ao longo dos anos, tive a oportunidade de testar todos os modelos da família Multistrada, e a 950 foi aquela que, logo desde o arranque, me fez sentir “em casa”, e mais me agradou sob todos os aspectos.

Mais dócil na resposta ao punho mas suficientemente potente para garantir ritmos muito elevados, mais firme na travagem, mais económica, mais fácil de manobrar… enfim, tudo aquilo que realmente agrada a quem quer uma moto polivalente, tanto capaz de grandes viagens como de se esgueirar no meio do trânsito, a solo ou a duo, e ainda assim seja capaz de proporcionar uma verdadeira e inesquecível experiência de condução.

Nesta renovação a Ducati, além de umas pequenas alterações técnicas e estilísticas na versão base, apresenta a versão “S” da Multistrada 950, que estará disponível com jantes de alumínio ou raiadas (tubeless), e com diversos “kits” de personalização, para além de uma vasta gama de acessórios originais.

A pequena letra “S” representa  para o fabricante italiano o expoente máximo da tecnologia, que neste caso, com equipamento mais sofisticado e uma electrónica mais dominante, transforma a “modesta” 950 num caso muito sério de... paixão.

A apresentação internacional desta moto foi em Valência, e o teste decorreu nas montanhas envolventes, por uma grande variedade de estradas retorcidas e belas paisagens, que permitiu, ao longo de mais de 350 quilómetros que se traduziram em mais de 7 horas de condução (sessões de fotos incluídas), pôr à prova todo o conjunto numa grande variedade de utilizações.

Só não houve hipótese de sair do alcatrão, mas se for necessário sair dele garantidamente esta “pequena” Multistrada será capaz de ir, sem quaisquer dificuldades, a qualquer lado onde qualquer outro veículo de duas rodas consiga chegar!

No entanto, com o nível de equipamento da 950S (que é igual aos das versões 1260), isso será um verdadeiro sacrilégio, pois apesar da roda dianteira de 19 polegadas, e do curso de 170mm das suspensões electrónicas, os travões com pinças monobloco e as ajudas electrónicas à condução, como a travagem combinada, o “quickshifter”, o “cornering ABS” ou o controlo de tracção, isto para nem contar com a iluminação de curva, os piscas auto-canceláveis, o “cruise control”, o assistente de arranque em piso inclinado, ou o sistema sem chave, são muito mais úteis e desfrutáveis numa qualquer tira de asfalto, do que por cima de pedras soltas e no meio do pó ou da lama!

Mesmo tendo em conta que além da boa posição de condução em pé, e em modo Enduro, o ABS passar apenas a actuar sobre a roda dianteira, e o controlo de tracção a revelar-se mais condescendente, permitindo um melhor controlo da roda traseira.

Mas a Multistrada 950S brilha é num bom asfalto, colocando-se bastante à frente da sua concorrência mais directa (e nem só), no que diz respeito ao prazer de condução, sobretudo para quem gosta de fazer umas tiradas longas, em ritmos rápidos, por estradas de montanha.


Extremamente leve e ágil, a forma como esta Ducati aborda as curvas é um dos aspectos que rapidamente se revela impressionante, com uma estabilidade irrepreensível, mesmo no momento de largar os travões, ainda que demasiado tarde, ou de acelerar a fundo, mesmo se demasiado cedo ou forte.

A Unidade de Medição de Inércia Bosch, de 6 eixos, a par com a suspensão electrónica Skyhook Evo, mantêm o conjunto nivelado, sem afundamento, e ao fazê-lo garantem uma distribuição de peso optimizada sob ambos os eixos, que resulta numa sensação de confiança muito elevada, permitindo também mudanças de direcção muito rápidas. E mesmo com as malas laterais instaladas, a Ducati Multistrada 950S apresenta um comportamento exemplar, mesmo a alta velocidade.
O motor, dono de um binário e de uma cavalagem que apesar de modestos, tendo em conta a exagerada bitola actual, são mais do que suficientes para proporcionar sensações fortes e níveis de adrenalina tão, ou até mais, elevados do que outras motos de maior cilindrada, tem uma resposta pronta, limpa e, sobretudo, extremamente elástica. A sua entrega de binário é plana e cheia, logo desde as 3.500 e até às 8.000rpm, em qualquer um dos 4 modos de condução.

Ergonomicamente a Multistrada 950S é também um bom exemplo de conforto e protecção aerodinâmica. Um assento amplo, com espaço suficiente para condutor e passageiro, poisa-pés bem colocados, com as pernas a ficarem ligeiramente dobradas para trás, cintura estreita que permite um bom encaixe, guiador largo e bem posicionado, ecrã pára-brisas regulável em altura, bastante envolvente e sem causar turbulência excessiva no capacete, são factores que garantem um posto de condução que não cansa, mesmo ao cabo de muitas curvas e muitas horas de condução. E sempre sem a ameaça de calor excessivo a irradiar do motor.

A ausência de afundamento das suspensões é outro dos factores que, com o acomular das horas de condução, reverte a favor de uma substancial redução de fadiga para ambos os ocupantes.

Outro dos sistemas que reduzem a fadiga é o quickshifter. A caixa bem escalonada vê-se potenciada por este pequeno “gadget” que além de causar uma sonoridade impressionante nas passagens de caixa, evita o recurso à manete da embraiagem (que por sinal tem um accionamento bastante leve) e que causa menos solavancos na condução, facto que qualquer “pendura” agradece.

E depois, ainda há a considerar outros factores, como a visibilidade proporcionada pelos espelhos retrovisores, que é excelente, a boa leitura do painel de instrumentos, que está muito bem colocado, ou a facilidade com que se põe e tira o cavalete central, sendo que o lateral também se apresenta muito acessível e estável. A tudo isto há ainda que acrescentar uma iluminação de referência, já que equipa os mesmos faróis LED que as Multistrada 1260.

A suspensão regula-se praticamente sozinha, bastando apenas indicar-lhe qual a regulação da pré-carga que se pretende, já que o resto se ajusta automaticamente em função do modo de condução escolhido. Mas os mais exigentes podem escolher uma afinação personalizada, modificando a seu gosto as configurações, entre os mais de 400 parâmetros que a electrónica permite.


Outro ponto forte da Multistrada 950S é o interface humano. O painel de instrumentos, em TFT a cores, apresenta uma sinalética clara, muito legível, com diversos níveis de informação, diversas funções e opções de regulação, a que se acede por via de botões instalados no punho esquerdo, que têm a vantagem de ser retroiluminados.

Os menus de configuração também se apresentam bastante intuitivos, e fáceis de memorizar. Os condutores mais tecnológicos que necessitam de estar sempre “on-line” ainda vão apreciar as funcionalidades do Sistema Multimédia que trabalha em parceria com a Ducati Link App que se instala no smartphone.

Na prática, todo o conjunto se revela leve e equilibrado, pelo que permite uma maior velocidade de passagem em curva, com níveis de confiança e segurança muito elevados. A travagem é potente, com uma mordida inicial delicada, a piscar o olho a pisos menos consistentes, e a manete, muito doseável, acciona em simultâneo o disco traseiro, distribuindo a fricção por ambos os eixos, mitigando, também assim, o afundamento de forquilha em travagem e potenciando a estabilidade.

Os consumos que o computador de bordo registou ao longo do dia do teste foram da ordem dos 6,7 Litros/100km, sempre com andamentos muito animados e a abusar da caixa de velocidades só pelo prazer de ouvir o som que o quickshifter proporciona, o que indica que será extremamente fácil garantir autonomias práticas superiores a 300km.

Pontos negativos, sinceramente, não encontrei, podendo apenas referir que o quickshifter não é um dos mais perfeitos que já pude experimentar, revelando-se um pouco rústico sobretudo nas reduções. Eventualmente os motociclistas de estatura mais baixa podem vir a sentir que os 840mm de altura do assento são demasiado, e mesmo que adoptem a opçao de assento rebaixado, ainda se vão ter que haver com uns pouco simpáticos 820mm. No entanto, o peso contido e o centro de gravidade bem calculado contribuem para uma grande facilidade de manobra.

Mas para resumir, esta Ducati Multistrada 950S, foi para mim e até ao momento, uma das motos de “tipologia trail” mais equilibradas e divertidas que já conduzi, que se comporta como se rolasse em cima de um carril, revelando-se verdadeiramente danada para as curvas!

Basicamente, esta é a prova de que realmente as motos não se medem nem por cavalos nem por centímetros cúbicos, e quem disso tiver dúvidas basta ir a um concessionário Ducati (clique para ver qual está mais perto de si) e fazer um Test-ride!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Multistrada 950 S | Moto | Multistrada

andardemoto.pt @ 16-4-2019 00:44:26 - Texto: Rogério Carmo


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives