Ducati Multistrada 950 - Menos é mais

Uma boa moto não é necessariamente aquela que tem mais cavalos ou mais electrónica.

andardemoto.pt @ 11-6-2017 19:49:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Ducati Multistrada 950 | Moto | Multistrada

A Ducati, continua a apostar em força no segmento mais popular do mercado: o das Adventure Tourers.

Foi em 2003, que Pierre Terblanche concebeu a primeira Multistrada da Ducati, então um inovador cruzamento entre uma supermoto, uma superdesportiva e uma moto de enduro, dotada de um motor desmodue refrigerado a ar.

O conceito foi refinado e em 2010 surgiu uma moto completamente nova, a MTS1200, que encerrava o conceito "4 em 1" potenciado pelos avanços tecnológicos, sobretudo no que à electrónica dizia respeito. 

Depois de em 2015 a Ducati ter renovado a Multistrada 1200, e de em 2016 ter lançado o modelo Enduro, a casa de Borgo Panigale apresenta em 2017 o seu modelo de entrada nesta gama:  A Multistrada 950.

Com linhas inegavelmente inspiradas nas versões de maior porte, e englobando algumas das suas soluções estéticas e técnicas, apresenta alguns dos seus pormenores de requinte, como os piscas embutidos nas protecções dos punhos. Não oferece a sua sofisticação tecnológica, mas isso não é necessáriamente mau!

O destaque da nova Ducati vai inevitavelmente para o motor: o propulsor que equipa esta 950 é uma versão muito semelhante ao Testastretta também usado nas mais recentes Hypermotard.

Com 937cc de cilindrada e uma potência máxima de 113 cv, e quase 100Nm de binário, os quatro modos de condução (Sport, Touring, Urban and Enduro), tornam a Multistrada 950 num caso sério de polivalência, extremamente capaz em qualquer tipo de utilização.

Desde o modo Urban, específico para uma utilização urbana, com os baixos regimes favorecidos em detrimento da potência máxima, ao modo Sport, específico para uma utilização em trajectos mais sinuosos com bom piso, e passando pelo modo Enduro que permite entrar em qualquer estradão de terra com grande à-vontade, já que desliga automaticamente o ABS do eixo traseiro e ajusta o controlo de tracção e a resposta ao punho do acelerador, a Multistrada 950 mostra-se exemplar a todos os níveis, com um desempenho de alto nível sempre acompanhado por uma magnífica banda sonora emitida pela bem desenhada ponteira de escape fabricada em aço inox.

No capítulo do conforto, esta nova Ducati também se mostra referencial. A protecção aerodinâmica é excelente, com o depósito de 20 litros a servir de escudo muito eficaz contra os elementos e os insectos, apoiado pelo bem desenhado ecrã frontal, regulável em altura através de um sistema simples e prático (idêntico ao da versão 1200) que permite ser feito em andamento e apenas com uma mão, e que praticamente não causa turbulência no capacete.

O assento muito envolvente, os comandos bem posicionados e de accionamento muito leve, todos eles a oferecerem afinação (excepção feita à manete da embraiagem), o painel de instrumentos bastante legível e com interacção com o “smartphone” e o sistema de intercomunicação, são tudo exemplos das mordomias que a Multistrada 950 tem para oferecer aos seus proprietários. Outro factor de conforto é o pouco calor emitido pelo motor para o condutor e passageiro.


A suspensão, também ela um factor importante de conforto, mostra-se bastante firme apesar de oferecer com um curso suficiente para absorver as maiores irregularidades do piso (170mm). Os mais exigentes podem fazer ajustes específicos já que tanto a forquilha KYB de 48 mm de diâmetro, como o amortecedor Sachs com comando remoto de pré-carga permitem afinação integral.

A travagem tem tudo aquilo a que a Ducati nos tem habituado ao longo dos tempos: eficácia máxima e uma dosificação óptima, ou não estivesse a cargo de material Brembo, com destaque para as duas pinças monobloco de quatro pistões e instalação radial que mordem ambos os discos de 320mm dianteiros.

A condução desta Multistrada 950 é realmente divertida, com o “testastretta” a mostrar que é um digno representante da família Ducati, capaz de boas retomas desde muito baixa rotação, e com a ciclística a responder com precisão mesmo às solicitações mais arrojadas.

Todo o conjunto é potenciado pelo excelente desempenho dos pneus Pirelli Scorpion Trail, que até no asfalto mais degradado conseguem incutir elevados níveis de confiança. Têm o mesmo desempenho em estradões de terra e gravilha, onde o comportamento das suspensões e a boa leitura da roda dianteira também contribuem para uma grande confiança, e onde a facilidade de ligar o modo “enduro” e não ter que fazer mais ajustes é muito conveniente. 

À noite, e apesar de esta 950 não contar com os potentissimos faróis em LED das suas irmãs mais “crescidas”, a MST1200S e a MTS 1200 Enduro (cujos testes pode ler se clicar nos links), as convencionais lâmpadas de halogéneo garantem um foco bastante potente e bem espalhado, de eficácia bastante acima da média.

Manobrar é fácil. Os 840 mm de altura do assento não foram problema para o meu metro e oitenta, já que o assento é bastante estreito entre pernas, e a boa distribuição dos 204 kg de peso a seco, faz com que esta “pequena” Multistrada pareça bastante mais leve.


Os consumos de combustível mostraram-se razoáveis tendo em conta a cilindrada e a potência do motor, cifrando-se em valores a rondar os 6,5 litros/100km em andamentos bastante regrados, que garantem autonomias superiores a 300km. No entanto esses numeros podem variar significativamente caso nos deixemos enfeitiçar pela sinfonia emitida pelo escape.

O equilíbrio geral, entre desempenho e conforto é de tal forma que nem sequer lhe conseguimos atribuír um verdadeiro defeito. Talvez o preço elevado, mas nem isso, já que está em linha com a sua concorrência mais directa. 

Diversos Pack’s de equipamento opcional garantem a configuração específica ideal para cada tipo de utilização, e englobam desde as malas de carga ao descanso central ou à ponteira Termignoni, até às protecções de cárter e motor para os mais aventureiros.

Conclusão:

A Ducati, ao desenhar esta sua nova moto de entrada de gama fez um excelente trabalho. Os níveis de equipamento e acabamento, somados a tudo o que acima foi dito, fazem desta nova Multistrada 950 uma opção a ter em conta para todos aqueles que procuram uma moto polivalente, rápida, confortável e capaz de garantir um elevado prazer de condução.

Não sendo uma moto barata, está perfeitamente enquadrada com a faixa de preços da concorrência mais directa. As revisões a cada 15.000 km são outro argumento com bastante peso.

Equipamento:

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Ducati Multistrada 950 | Moto | Multistrada

andardemoto.pt @ 11-6-2017 19:49:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira