Comparativo Scooters de Média Cilindrada - BMW C400X / Honda Forza 300

Duas abordagens de estilo completamente diferentes, duas opções de mobilidade irresistíveis que se revelam como a solução ideal para combater o trânsito.

andardemoto.pt @ 9-4-2019 04:03:25 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Honda Forza 300 | Scooter | Scooters
BMW C 400 X | Scooter | Urban Mobility

Cada vez mais em voga, as scooters são a solução eficaz para combater o trânsito. Até há bem pouco tempo sinónimo de veículos exclusivamente urbanos e pouco interessantes do ponto de vista da condução, tanto a Honda Forza 300 como a BMW C400X estão aí para combater o mito e provar que, andar de acelera, sobretudo em modelos de média cilindrada (250 - 400cc) não é, de todo, sinónimo de tédio! Por isso este é um segmento de mercado com cada vez mais oferta.

É que estas scooters de média cilindrada agradam tanto aos motociclistas mais jovens, que começaram a sua carreira em duas rodas a partir das 125cc e querem evoluir, como aos motociclistas experientes que vão ficando cada vez mais comodistas, sem pachorra para tirar as grandes “Trails com malas” da garagem, e aprendem a desfrutar do excelente compromisso potência / versatilidade / facilidade de condução /economia, que está na génese destes motociclos. 

Basta ver que os fabricantes cada vez mais dotam estes modelos de equipamento sofisticado ao nível da ciclística, e de gadgets e sistemas de ajuda à condução, electrónicos, tão do agrado do público em geral. Consequentemente, as scooters são veículos cada vez mais seguros, mais fáceis de conduzir, mais económicos e, sobretudo, mais divertidos. 

No caso concreto dos dois modelos aqui apresentados, há que ressalvar que, apesar da significativa diferença de cilindrada e potência entre ambos, na prática e numa condução normal, ela passa a ser praticamente inexistente.

BMW C400X

Começando pela BMW C400X, esta scooter é o apanágio da modernidade. Linhas “avant-guarde” e originais criam a sensação de rapidez, imediatamente comprovada a partir do momento que se enrola o punho. 

Ágil, leve, manobrável e, sobretudo, divertida de conduzir, graças a uma unidade motriz monocilíndrica de 350cc, capaz de debitar 35cv de potência de forma bastante linear, e a uma transmissão automática CVT bastante bem adaptada, esta scooter proporciona momentos de condução bastante interessantes, seja em ambiente urbano, ou em curvas de montanha. 

A resposta pronta ao acelerador e a rápida subida de rotação são quase desconcertantes, e mais do que suficientes para camuflar as ligeiras vibrações que a certos regimes são difíceis de passar despercebidas.

A ciclística de luxo proporciona elevada confiança, que incita a ritmos rápidos e a uma condução mais desportiva, permitindo uma leitura muito boa da roda dianteira, e oferecendo uma travagem potente e bastante doseável em ambos os eixos, que além do duplo disco e maxilas Bybre (by Brembo) radiais de quatro êmbolos, ainda oferece tubagens reforçadas a malha de aço.

O painel de instrumentos em TFT a cores é bastante completo, e pode integrar mapa de navegação já que o sistema de “infotainment” avançado, com Bluetooth, permite ligar um smartphone e auriculares em simultâneo, tornam o conjunto ainda mais apetecível, sobretudo por quem viva o dia-a-dia na cidade, e tenha necessidade de estar sempre “on-line”. Todas as funções estão acessíveis através do Multicontrolador, o típico anel da BMW, colocado no punho esquerdo.

A posição de condução é descontraída, com espaço suficiente para as pernas, apesar de não permitir esticá-las completamente. O guiador é amplo, garantindo uma posição de condução elevada. O passageiro goza igualmente de um lugar bastante confortável, com bom apoio para as mãos, poisa-pés bastante bem colocados e revestidos a borracha, e um assento generoso. Assento e punhos aquecidos completam a lista. 

No que à protecção aerodinâmica diz respeito, a BMW C400X não é nenhuma referência (para isso a marca lançou recentemente a versão GT da C400): o pequeno ecrã é apenas suficiente para deflectir uma pequena percentagem do vento e dos (arghhhh…) insectos. No entanto, isso não é impedimento para se fazerem umas tiradas maiores. 


Efectivamente o conforto a bordo ficou comprovado quando aproveitei a oportunidade para, saindo de Lisboa, ir à Anadia, atender a um evento, almoçar, e voltar de seguida, num percurso maioritariamente por auto-estrada.

A viagem também revelou que além do grande conforto, é possível conseguir autonomias práticas a rondar os 300km, com médias horárias de aproximadamente 130km/h, a partir dos 12,8 litros de capacidade do depósito, valor confirmado pelo computador de bordo que, nesse trajecto, registou uma média de consumo  de 3,8 litros aos 100km.

A capacidade de arrumação da BMW C400X não é referencial. Debaixo do assento pode-se guardar um capacete integral, grande, mas apenas com recurso ao sistema Flexcase, que permite, com a moto parada, abrir um alçapão existente sobre a roda traseira. 

Além disso, sobra espaço para um pequeno “Jet” ou para um fato de chuva e um spray anti-furo. No painel frontal, existem dois pequenos cacifos, um deles com tomada de 12V.

Honda Forza 300

A Honda Forza 300 é o paradigma da suavidade e do estilo. Linhas convencionais mas bastante sóbrias, com pormenores de requinte, são o mote para o seu irrepreensível comportamento dinâmico.

O motor de 279cc que a equipa, debita 25cv, e apresenta uma suavidade de funcionamento e resposta verdadeiramente exemplares, sendo praticamente isento de vibrações. A resposta da transmissão está em perfeita sintonia com o motor, sendo rápida mas sem apresentar qualquer indício de brusquidão ou hesitação, nem no arranque nem nas retomas.

A Honda compensa a sua desvantagem em termos de cilindrada, e consequente menor potência, com um peso mais contido (sempre são menos 20kg), e com uma curva de bináro menos plana, revelando-se apenas menos rápida no arranque, mas garantindo uma velocidade máxima semelhante.

Provavelmente, a sua maior protecção aerodinâmica reflecte-se num ligeiramente maior consumo, que inevitavelmente contribui para que a menor capacidade do depósito (11,5 litros) agrave substancialmente a autonomia.

A ciclística está perfeitamente dimensionada para as demais características do conjunto, com o quadro a garantir uma excelente estabilidade a alta velocidade, mas também uma grande agilidade em manobra, e uma travagem que, devido ao único disco de travão na roda dianteira, é suficiente na maior parte das situações, mas manifestamente menos eficaz numa condução desportiva, que a da BMW C400X.

O painel de instrumentos também reflete a essência da Forza, contribuindo para um ambiente relaxado, convencional, e bastante bem legível devido à combinação analógica de desenho sóbrio, e digital em LCD negativo de alto contraste, e da completa instrumentação, a que não falta sequer computador de bordo.


A posição de condução é equivalente a um trono, com amplo espaço para esticar completamente as pernas, e bastante elevada, tipicamente de scooter, com o guiador estreito e espelhos retrovisores amplos com boa visibilidade e, sem vibrações, e que além do mais englobam os “piscas” dianteiros numa localização elevada, bem visível pelos automobilistas. O passageiro conta com um assento confortável, amplo, e um bom suporte para as mãos e pés.

A protecção aerodinâmica é de luxo, com o grande ecrã pára-brisas, regulável eletricamente em altura, a assegurar uma posição perfeita para cada situação e para cada condutor, e a carenagem frontal a garantir uma boa dissipação da água nos dias de chuva.

A capacidade de carga da Honda Forza 300 é um dos seus grandes argumentos. Debaixo do assento cabem, sem problema, dois capacetes integrais, e no painel frontal existe um generoso porta-luvas que esconde uma tomada de 12V.

Em ambos os modelos encontramos uma qualidade de construção elevada, com acabamentos cuidados. Um bom exemplo é a iluminação integral por LED, excelente em ambos os casos, e outro é o sistema “Keyless”, que não necessita de chave para pôr o motor a trabalhar. 

Conclusão:

O comando por rádio, que se guarda no bolso, trata de ligar ou desligar o sistema de imobilização conforme a proximidade a que se encontra da moto, e para dar arranque, ou para levantar o assento para aceder ao compartimento de carga, basta pressionar um botão.

Qualquer uma destas scooters oferece também, além do ABS obrigatório, controlo de tracção desligável, Mas o que nem uma nem outra tem, e que dava muito jeito, sobretudo a quem circula e tem de estacionar frequentemente em cidades pouco planas como Lisboa ou Porto, é travão de estacionamento! Por vezes, aconteceu-me ter de buscar uma pedra, ou mesmo uma parede, para servir de calço. O cavalete central é seguro apenas a subir, e depois são 200kg, ou quase, que é preciso puxar e empurrar para tirar a scooter de cima dele! 

No entanto, como ficou subentendido no que disse acima, estas duas motos apresentam carácteres bastante diferentes. Enquanto a C400X se afigura mais nervosa e desportiva, a Forza 300 revela-se mais calma e refinada. 

Tendo em conta a protecção aerodinâmica, a Honda mostra-se mais propícia para trajectos mais longos, para quem transporta passageiro regularmente, e sobretudo para quem não prescinde de uma utilização invernal. O seu assento mais estreito também favorece os motociclistas de estatura mais baixa.

Tendo em conta o carácter do motor, e o comportamento da ciclística, a BMW revela-se mais terapêutica, mais propícia a pequenas escapadelas a solo. No entanto a Honda pode revelar-se mais fácil de conduzir e menos intimidante para os motociclistas com menos experiência.

Por tudo o que já disse, não fui capaz de definir uma vencedora. Ambas têm as suas vantagens e desvantagens, assentando a escolha mais numa perspectiva de gosto pessoal do que numa racional. Qualquer escolha vai depender essencialmente do tipo de utilização e do espírito do motociclista.

A não ser que o preço seja um factor decisivo, e aí, a vantagem vai incontestavelmente para a Honda Forza 300, cujo preço base é mais baixo, cerca de 1000 euros menos do que a versão base da BMW C400X, e todos sabemos que não há BMWs sem "pack's" disto ou daquilo, que põem mais uns pozinhos em cima do preço base! 


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