Teste Kawasaki Versys 1000 SE - Trail Turistica

A Kawasaki reformulou quase radicalmente a sua Versys 1000, reposicionando-a com esta versão SE numa classe à parte dentro do segmento das chamadas “Adventure Bikes”.

andardemoto.pt @ 7-4-2019 16:12:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge

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Kawasaki Versys 1000 Grand Tourer 2016 | Moto | Dual purpose

Ao contrário daquilo que normalmente se espera de uma “Big Trail”, características que se traduzem sobretudo em emoções fortes, a nova Versys 1000, nesta versão SE, aposta num conceito mais refinado, que a marca define como “Adventure Tourer”.

Pautando-se por paz e tranquilidade, a experiência de condução é nitidamente turística, explorando no entanto as mais recentes evoluções tecnológicas, sobretudo em prol de níveis de segurança muito elevados. 

O seu já bem conhecido motor de 4 cilindros em linha, DOHC de 16 válvulas refrigerado por líquido, com 1043cc de cilindrada, debita uns confortáveis 120cv a partir de um binário de 102Nm e apresenta além de uma grande suavidade de funcionamento, uma elasticidade surpreendente que permite “ir até ao fim-do-mundo” praticamente sempre em sexta velocidade, com uma resposta ao acelerador suave mas decidida, ao longo de toda a faixa de regime. 
Pormenores de construção, como a admissão de ar para o motor e a saída de gases do escape, foram cuidadosamente concebidos para garantirem uma banda sonora muito interessante a cada enrolar de punho.

A realçar ainda mais o mote de suavidade, está a nova embraiagem “Slip & Assist” que além de tornar a manete muito mais leve, proporciona um maior controlo da roda traseira sob forte desaceleração. Diversos modos de motor, quick shifter integral (Up & Down) e controlo automático de velocidade são mais alguns dos mimos que qualquer motociclista de longo curso vai seguramente apreciar.

A electrónica desempenha um papel importante em manter a potência controlada. A Kawasaki dotou a Versys 1000 de 2019 com uma unidade de medição de inércia de 6 eixos, da Bosch, que coordena a intervenção do ABS e do Controlo de Tracção assim como, no caso da versão SE, as “cornering lights”, luzes de berma que se vão acendendo de acordo com a inclinação, para de noite iluminarem a zona interior das curvas. A suspensão também recebe informações da UMI para manter a moto estável, sem afundamento seja em travagem ou em aceleração.

No caso da versão SE, os modos de motor estão também automaticamente ligados à suspensão electrónica, sendo no entanto possível cada motociclista redefinir os parâmetros, por via de um interface bastante intuitivo, cujos dados são apresentados no painel de instrumentos personalizável, em TFT a cores. Ou melhor ainda, por via de uma aplicação de Smartphone (Kawasaki Rideology App), que além de permitir personalizar uma grande variedade de parâmetros, até mesmo no conforto do sofá de casa, ainda fornece a localização da moto ou a gravação, em mapa, dos percursos efectuados, bem como regista outros dados como os consumos ou os ângulos máximos de inclinação lateral, conseguidos ao longo de uma viagem.
Assumidamente asfáltica, com ambas as rodas de 17 polegadas, tem no entanto potencial suficiente para que qualquer motociclista se aventure por estradões e até alguns trilhos de terra, pois a sua altura livre ao solo (150mm) e o maior curso das suspensões (150mm em ambos os eixos) conferem-lhe uma grande facilidade em lidar com pisos menos regulares e alguns obstáculos.

A nova Versys 1000 SE afigura-se como uma moto bastante polivalente, capaz de enfrentar tanto os desafios do dia-a-dia, a solo, como os das grandes viagens a dois. Pela mesma razão, o conforto a bordo é notável. Tanto a forquilha invertida com bainhas de 43mm como o amortecedor traseiro a gás, de instalação horizontal, ambos assinados pela Showa, fazem um excelente trabalho a manter as borrachas coladas ao piso, mas sem causar muitos solavancos aos passageiros.

Ao nível da travagem, a nova Versys 1000 conta agora com 2 pinças de travão dianteiras de 4 êmbolos opostos e instalação radial, de concepção monobloco, que garantem uma mordida forte e convincente dos dois discos de 310mm de diâmetro. O ABS (KIBS - Kawasaki Intelligent anti-lock Brake System) desenvolvido pela marca, utiliza a mesma base tecnológica do sistema usado na Ninja H2 e na Ninja ZX-10R, adaptada a uma utilização sobretudo estradista.


A ergonomia é bastante boa, oferecendo uma posição de condução elevada e cómoda, sem obrigar a uma grande flexão das pernas, com as mãos a caírem naturalmente nos punhos. A posição de condução em pé também foi considerada, sendo o resultado bastante aceitável, tendo em conta a minha estatura de 1,80 metros. Ambas as manetes oferecem regulação.

O guiador é amplo, as protecções dos punhos são envolventes e o ecrã pára-brisas, apesar de apenas oferecer regulação manual, numa altura de 4 centímetros, garante uma excelente proteção aerodinâmica, praticamente isenta de turbulência. O passageiro também conta com um assento confortável, poisa-pés revestidos a borracha e pegas bastante bem desenhadas e bem colocadas.

A aerodinâmica da carenagem frontal foi estudada para criar mais apoio na roda dianteira e, em simultâneo, aumentar a estabilidade a alta velocidade. O assento é confortável, e a sua largura entre pernas é bastante aceitável, facilitando a vida aos mais curtos de perna.

A funcionalidade também é grande. O quadro da nova Kawasaki Versys 1000 foi revisto, e reforçado, para potenciar o transporte de bagagem e garante uma capacidade de carga de 200kg. Por isso a versão SE Touring vem equipada de fábrica com 3 malas, sendo que a Top Case, com capacidade para 47 litros, pode carregar até 5kg de bagagem, e cada uma das malas laterais, capaz de guardar um capacete integral, tem capacidade para 28 litros, e também até 5kg de carga em cada uma.

Ao lado do painel de instrumentos, num local bem acessível, encontramos uma tomada de 12V, capaz de debitar cerca de 40W, potência mais do que suficiente para alimentar os mais diversos equipamentos electrónicos.

O depósito de combustível tem capacidade para 21 litros, capaz de, com base nos 6,6 litros aos 100 de consumo registados durante os mais de 350km realizados neste teste, proporcionar uma autonomia prática superior a 300km.

A Versys 1000 SE conta ainda de série com um cavalete central, bastante estável e fácil de usar. Para terminar a lista, a versão SE conta também com a exclusiva pintura da Kawasaki, que se auto-regenera, eliminando os pequenos riscos superficiais causados pela lavagem, ou as pequenas picadas causadas por pedras e areias.

Mas como é que a Versys se porta na prática?

Pois porta-se muito bem. Há uma evidente e substancial melhoria no comportamento dinâmico deste modelo, quando comparado com as versões anteriores. O que se torna mais evidente é precisamente o comportamento em curva, oferecendo agora muito mais confiança do que as versões anteriores, permitindo níveis de inclinação muito interessantes, com elevada confiança.

A electrónica não se revela a não ser quando se começam a desafiar os limites, e os mais experientes podem configurar diversos parâmetros como os níveis de intervenção das ajudas electrónicas à condução, o débito de potência do motor e a afinação das suspensões.

Neste teste, organizado pelo importador nacional, a Multimoto, tive oportunidade de percorrer algumas das mais exigentes estradas do país, entre o Luso e a Serra da Estrela, com diversos tipos de pisos e traçados, e o prazer de condução esteve sempre presente.

Sobretudo quando aumentava o ritmo de andamento, como foi o caso da subida desde Manteigas até ao Mondeguinho, onde apesar de o piso estar longe de ser perfeito, a Versys manteve a compostura e enfrentou todos os desafios sem qualquer reparo.

Obviamente que não estou a falar de uma desportiva, já que o seu peso e tamanho têm consequências na forma como o conjunto muda de direcção, mas para uma moto essencialmente turística, o seu comportamento é realmente muito bom, pedindo meças a muitas “R” que não precisam ter mais de 10 anos.


O motor disponibiliza potência mais do que suficiente para uma condução calma, mas também é suficientemente nervoso, sobretudo em modo “Sport”, quando se lhe aumenta o regime para lá das 6.000rpm. O quick shifter tem um “feeling” muito próprio, um pouco mais lento do que o de outros modelos, e funciona apenas acima das 2.500rpm, mas cumpre a sua função na perfeição, potenciando ainda o prazer de condução.

 Os travões, mesmo quando propositadamente abusados, não revelaram qualquer indício de fadiga e a suspensão, mesmo com as afinações Standard, mostrou-se sempre ao nível do conjunto, mantendo a compostura tanto na entrada como nas saída das curvas, mesmo sob forte travagem ou aceleração. Em termos de qualidade de construção, todo o conjunto se revela exemplar, com a qualidade dos plásticos e o nível de acabamentos a serem dignos de nota. 


A Kawasaki Versys 1000 SE já está disponível na rede de concessionários da marca, com preço a partir de 17.995 €. A versão testada e apresentada nas fotos é a Grand Tourer. Além da pintura Verde e Cinza, está também disponível o esquema cromático Preto e Branco.

Equipamento:

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Kawasaki Versys 1000 Grand Tourer 2016 | Moto | Dual purpose

andardemoto.pt @ 7-4-2019 16:12:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge