Johan Pereira

Johan Pereira

Motociclista, peregrino da liberdade.

OPINIÃO

De Portugal à Finlândia - 16º e 17º dia

26 e 27 de abril de 2024

É o décimo sexto dia da nossa aventura, e temos um atraso de dois dias e meio.

andardemoto.pt @ 29-4-2024 09:30:00 - Johan Pereira

Dia 16 – Dia 26 de abril de 2024

Estávamos num dos pontos mais cruciais da viagem, o extremo mais setentrional da nossa jornada, tendo também cruzado o círculo polar ártico. Decidimos, então, ficar mais uma noite em Rovaniemi, aproveitando para visitar a aldeia do Pai Natal e, com sorte, observar as auroras boreais.

Logo de manhã, sem sequer tomar o pequeno-almoço, partimos em direção à aldeia do Pai Natal, que se encontrava a pouco mais de dez quilómetros. Apesar de estar aberta, as atrações e lojas estavam todas fechadas. Mas isso não nos impediu de explorar, imaginámos como seria encantador durante o Natal.


Depois de uma longa caminhada pela aldeia, quase deserta nesta época do ano, dirigimo-nos a um café do outro lado da estrada para planear o resto do dia. "Vê aí na net os melhores locais para ver as auroras boreais", disse o meu pai.



Antes de recorrer ao Google, tentei obter informações de um funcionário do café, mas a sua atitude deixava muito a desejar. Ele preferiu não nos dar informações. "Ok, sem problemas, mas já não te convido para o meu aniversário", respondi, meio a brincar, meio a sério, ele ainda se esforçou para não rir, mas falhou a tentativa e descaiu-se.

No Google, descobrimos que a montanha da vila era geralmente um bom local para observar as auroras.

Montámos nas motos e fomos até lá, mas o caminho estava coberto de neve. Estacionámo-las e continuámos a pé, levando connosco as cadeiras de campismo e a máquina fotográfica. Tentámos um atalho pelo mato, mas acabámos por afundar na neve, numa dança desajeitada que nos fez rir de uma forma que há um bom tempo não nos acontecia.

Regressámos ao caminho principal, encontrámos o miradouro, montámos as cadeiras e sentámo-nos à espera. Após uma hora de conversa, as auroras boreais começaram a surgir no céu. A visão da aurora verde foi algo inédito para nós, ficámos completamente fascinados. No entanto, começou a nevar intensamente, e com o receio que a neve ficasse mais densa, decidimos que era hora de regressar ao campismo.


Dia 17 – Dia 27 de abril de 2024

No décimo sétimo dia, ao alvorecer, a expectativa e a nostalgia misturavam-se no ar frio.

Deixámos a aldeia do pai natal para trás, enquanto o sol nascente tingia de dourado a vastidão branca que nos rodeava. Tínhamos definido um destino: Oslo, quase 1400 quilómetros de distância. Embora soubéssemos que não chegaríamos lá no mesmo dia.

As motos, ansiosas por se lançarem à estrada, zumbiam com a promessa de quilómetros por desbravar.

A viagem até à Suécia transformou-se numa verdadeira prova de resistência, obrigando-nos a fazer menos paragens do que o habitual. Foi particularmente notável a falta de áreas de descanso nas estradas nacionais suecas, um contraste marcante com as facilidades encontradas nos outros países por onde passámos, adicionando um desafio inesperado à nossa jornada.

A fronteira com a Suécia, demarcada por uma ponte, apresentou-se como um marco silencioso da nossa viagem. A inexistência de um local para parar fez daquele momento uma passagem rápida, mas carregada de significado. Tentámos, sem sucesso, desviar-nos por caminhos de terra para captar uma imagem junto ao mar Báltico completamente congelado, no entanto, todas as saídas estavam obstruídas por dois metros de neve, tornando o nosso desejo impossível de realizar.

Com o espírito ainda aventureiro, mas reconhecendo os limites do dia, escolhemos Umeå como o nosso ponto de repouso. A cidade recebeu-nos, oferecendo um refúgio acolhedor após um dia marcado por descobertas e pequenos contratempos.

andardemoto.pt @ 29-4-2024 09:30:00 - Johan Pereira


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