OPINIÃO

MV Agusta Brutale 800 Dragster - Instinto Selvagem

Há motos que nos trazem à memória o melhor de tempos passados. E essas podem não ser as melhores, nem as mais lógicas, mas são aquelas que queremos levar connosco.

andardemoto.pt @ 11-5-2015 18:07:18


Texto: Rogério Carmo   Foto: ToZé Canaveira


“Olhei para ela. Era linda! Tinha charme, era sexy e brilhava ao longe! Avancei e reparei que se me insinuava. Hesitei! Era capaz de me apaixonar por ela! 
Aproximei-me. Olhei-a de alto a baixo, de frente, de perfil e por trás. Percebi que esperava que eu tomasse a iniciativa. Toquei-lhe suavemente. Primeiro com uma mão, depois com as duas. Senti-lhe as formas redondas, suaves e macias. Subitamente e sem sequer pensar, o meu corpo colou-se ao dela. E ela nem se mexeu! Obviamente que já o esperava! Fiz então o que era devido em tal situação e ela começou a aquecer. Ouvi com atenção os sons que emitia. Soava-me perfeita, saudável, excitante e sem defeitos. Já não havia indícios de qualquer hesitação e tomei precauções. Nunca devemos esquecer a segurança! Entretanto ela já estava entre as minhas coxas, quente e completamente disponível para mim! O meu coração batia rapidamente. Aquele ronronar, aquele cheiro, estavam a enlouquecer-me! Agarrei-a firmemente! Instintiva e mecanicamente as minhas mãos exploravam os seus pontos nevrálgicos. Ouvi o seu grito rouco. O seu arfar…Senti que o chão se mexia! Apertei os joelhos e debrucei-me sobre ela. Nesse momento já nada me podia fazer parar. Tinha que lhe mostrar tudo o que sabia. Tinha que saber até onde ela me podia levar…”



Foi há muitos anos que escrevi este texto, quando me apaixonei por uma modesta moto que me trouxe novamente para o mundo das duas rodas. E lembrei-me dele num dos dias em que pude desfrutar da lindíssima MV Agusta Brutale 800 Dragster que podem ver nas imagens abaixo.

Até hoje poucas motos me conquistaram pelo aspecto, e esta foi uma das raras que, ao longo destes últimos anos, me deixou imediatamente rendido aos seus encantos estéticos, mal vi as suas primeiras imagens. A proporção das linhas e os pormenores de acabamento fascinaram-me, por isso andar nela era, já há algum tempo, uma das minhas ambições.



A primeira impressão, ao sentar-me, é que tinha sido desenhada para mim. A posição de condução desportiva, sem ser demasiado radical, encaixa-me na perfeição. Os comandos batem certo tanto nos pés como nas mãos, e o assento proporciona um envolvimento perfeito complementado pelo avantajado depósito de combustível.

O motor mantém os mesmos predicados da versão Brutale, e sobe de rotação com a mesma alegria e o mesmo ronco. Aliás, da versão original para esta, a única diferença para além da posição de condução, é mesmo o grande pneu traseiro de medida 200/50-17 em vez do 180/55-17. Não sei se esta é uma grande vantagem em estrada de curvas encadeadas e fechadas, onde a Dragster não é propriamente a mais ágil das motos que eu conheço, mas nos arranques faz uma boa diferença.




Dando uso ao quickshift, a principal preocupação é manter a roda da frente colada ao piso, já que os 125 cavalos rompantes, quando picados, têm uma enorme facilidade em a fazer descolar. Também a travagem é de muito boa qualidade, sendo muito potente e doseável, com os comandos suaves e progressivos. O ABS tem um bom desempenho, e o controlo de tracção (regulável e desligável) mesmo nas regulações mais intrusivas é muito discreto, entrando em funcionamento de forma muito suave e devolvendo o controlo muito rapidamente, na maior parte das vezes sem que sequer da tal me apercebesse. A caixa de velocidades é muito suave, como todas as que equipam as diversas versões tricilíndricas da marca, e o quickshift mantém todos os predicados, devolvendo em prazer cada utilização que se faz dele. A direcção é rápida na resposta e a suspensão, completamente regulável, mantém-se composta mesmo quando o piso não ajuda. Para isso muito contribui também o reduzido peso que, a seco, ronda os 167kg. Apesar disso, a estabilidade em curva a alta velocidade é notável, e apenas com vento lateral se nota alguma instabilidade na roda da frente.

No entanto, esta não é uma moto para o dia a dia. E menos ainda esta moto serve para viajar, e isto por diversas razões. Primeiro porque circular nas filas de trânsito é frustrante, em grande parte devido à largura do guiador, exagerada pelos os espelhos retrovisores colocados nas extremidades, mas também por culpa da pouca brecagem. Depois porque a nossa carta está em risco: com as prestações explosivas debitadas pelo tricilíndrico, antes de darmos conta, já qualquer radar nos “catou” e alguém nos vai sacar a carta e despejar a carteira. E ainda porque, tanto a posição de condução como a firmeza das suspensões e a protecção aerodinâmica (ou a ausência dela) nos vão causar um grande cansaço logo ao fim de pouco tempo. E até mesmo a autonomia, se quisermos realmente desfrutar do “sumo” que o motor tem para dar, vai ser bastante escassa pois os 16 litros vão dar para pouco mais ou menos de uma hora, se os bíceps aguentarem, claro.

Por tudo isto, esta é sobretudo uma moto para pequenas voltas de fim-de-semana, com sol e cheiro a mar, para exibir e fazer inveja, para desfrutar das suas linhas sentado numa boa esplanada, para andar sozinho, e para gozar com a emoção que o tricilíndrico consegue incutir quando se roda com convicção o punho direito. Enfim, para muitos, a moto perfeita!



Se está tentado a fazer um Test Ride, então clique aqui para saber qual o concessionário mais perto de si. Para saber mais sobre esta MV Agusta Brutale 800 Dragster, clique aqui para saber o preço e as características técnicas. 

Dexamos o nosso agradecimento à Marina de Oeiras que nos facultou o acesso para a recolha de algumas destas imagens



andardemoto.pt @ 11-5-2015 18:07:18