Suzuki GSX-S1000 - Coração de Leão

Uma Naked descomplicada, ágil e potente, cuja principal missão é proporcionar o máximo prazer de condução possível, sem nada que distraia o olhar para além da paisagem, ou da entrada na próxima curva.

andardemoto.pt @ 8-10-2015 03:34:33

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Suzuki GSX-S1000A | Moto | Estrada

Texto: Rogério Carmo       Foto: ToZé Canaveira

Por vezes tentar reinventar a roda não dá bom resultado. E tentar ser diferente tem também as suas contrariedades. Há ainda quem diga que em equipa que ganha não se mexe. E lá para os lados de Hamamatsu parece que sabem isso perfeitamente.

Apesar de a Suzuki andar ultimamente um pouco afastada da guerra sem trincheiras da escalada de potência e da infestação electrónica, limitando-se a "ordenhar a vaca" das GSX-R, e a ver definhar o "cão" das Bandit, não significa que esteja a dormir e de costas voltadas para o mercado. A prová-lo está a recém chegada, versão 2016, da novissima GSX-S 1000.

Galeria de Imagens - Andamentos

Numa resposta às KTM Super Dukes, BMW's S1000R's, Ducatis Monsters 1200, e outras que tais, a Suzuki saca da sua cartola uma moto simples, baseada em tecnologia com provas dadas, e que, taco a taco com a concorrência é capaz de esgrimir argumentos que, se não agradam a todos, agradam seguramente à maioria dos motociclistas que querem uma moto simples, potente, capaz de circular na cidade sem exigir muito (de preferência nenhum) trabalho de caixa, e na estrada sejam suaves na resposta, sem causarem medo que um simples espirro os catapulte por cima do carro que eventualmente possa ir à frente.

Em paralelo, normalmente, essa classe de motociclistas também quer uma sonoridade de escape potente, mas que não rebente com os tímpanos em qualquer aceleradela, nem desfaça o cérebro ao fim de poucos quilómetros. E gosta sobretudo de, quando tem pressa, ou apenas porque pode, "meter uma abaixo", ultrapassar e se possível, até arrancar os autocolantes de qualquer "tupperware gabarolas" com a simples deslocação de ar.

Pois analizadas bem as coisas, com esta GSX-S 1000, a Suzuki acertou na muche e, como diz o ditado, pouco será o que experimente, que não fique cliente.

Motor

Isto porque, para começar, ela tem um motor delicioso, pela regularidade de funcionamento em qualquer regime, pela resposta instântânea e limpa, pela elasticidade e pela fabulosa sonoridade do escape. Sendo basicamente a mesma unidade que propulsiona as GSX-R 1000 K5 a K8, apenas "mexidas para garantir uma maior entrega de binário a mais baixa potência.

Assim sendo, esta unidade da qual a Suzuki, como é seu hábito, não fornece oficialmente dados de potência, debita (segundo fontes bem informadas) aproximadamente 145 cavalos, e disponibiliza um binário superior a 100Nm às 7.000 rpm, valores que, e pelos actuais parâmetros, não são de fazer abrir a boca de pasmo, mas que ainda assim impressionam.

Mas mal arranca, e depois de inevitavelmente afagar os timpanos de quem a ouve com um inebriante canto de sereia, que é como quem diz ronco provocador que subliminarmente avisa que quase de certeza se vai ficar sem carta de condução por um inevitável e exagerado excesso de velocidade, esta Suzuki surpreende pela suavidade.

Rodar o acelerador não é de forma alguma traumatizante, oferecendo a entrega típica de um quatro ciclindros, inicialmente suave, transformando-se gradualmente de cordeiro em fera com a subida de regime, linearmente e sem qualquer tipo de hesitações até ao limitador. Uma verdadeira delícia.

E depois há o elevado binário que permite circular em qualquer mudança, e ter sempre disponível uma resposta rápida, permitindo em sexta velocidade e logo a partir dos 30 km/h, rodar punho sem qualquer hesitação.


Ciclistica

Muito leve, fácil de inserir em curva, é também facilmente manobrável. Oferece um bom comportamento em curva e muita estabilidade também em linha recta a alta velociidade. A suspensão KYB, toda ela regulável, permite andamentos fortes em estradas sinuosas, sendo em simultâneo muito confortável, mesmo em pisos degradados.

A travagem, a cargo de material Brembo, é potente e bastante doseável, mas com os níveis de diversão que o motor proporciona, uma moto deste nível necessita imperativamente de tubos em malha de aço, coisa que esta Suzuki, infelizmente, não oferece de série, sendo este o único ponto negativo a apontar ao conjunto.

Segurança

ABS e controlo de tracção, regulável em três posições, são os únicos gadgets electrónicos que oferece. Ambos de muito bom nível e pouco intrusivos. A Iluminação também é muito boa.

Ao alcançe do polegar esquerdo existe um pequeno e exemplar "jog shuttle" que permite regular a intervenção do controlo de tracção, e navegar nas diversas informações do pequeno painel de instrumentos, sem ter que se tirar as mãos do guiador, ou desviar a atenção para fora da estrada.

Ergonomia

A ergonomia é perfeita, com os poisa-pés ligeiramente recuados, garantindo um bom apoio nos alucinantes arranques que se conseguem, mas sem sobrecarregar os pulsos. O guiador é amplo, os comandos estão bem posicionados, o painel de instrumentos transmite toda a informação necessária e é muito legível sob qualquer condição de iluminação.

O passageiro tem espaço e pouco mais, mas viaja muito mais feliz que o condutor pois não fica cravado de mosquitos, nem a sofrer de dores no pescoço devido à praticamente inexistente protecção aerodinâmica, incontornável numa moto deste tipo.


Galeria de Imagens - Detalhes

Talvez (modo sarcástico: on) por isso, a Suzuki lança em simultâneo com este modelo, uma versão carenada que potencia o risco de ficar sem carta de condução e há-de reduzir drasticamente a autonomia que, se na versão naked que não permite excessos durante muito tempo, a menos que se seja um Rambo, já é um pouco limitada, sem o esforço necessário para se permanecer agarrado ao guiador, vai ser seguramente inferior. O que vai também é estragar as bonitas e fluidas linhas que esta GSXS1000 ostenta e que não deixam ninguém indiferente por onde quer que passe, sobretudo nesta cor azul que aqui apresentamos.

Avaliação Final

Tratando-se de uma Naked pura e dura, conceitos como protecção aerodinâmica, autonomia, economia e capacidade de carga deixam de fazer sentido. Esta é uma "Fun Bike", para desfrutar, de preferência a "solo",  em pequenos passeios por estradas retorcidas, ou para exibir em deslocações pela cidade e arredores, e sem qualquer dúvida, para apreciar, olhando para ela, sentado numa bela esplanada.

Para ficar a conhecer os detalhes técnicos da Suzuli GSX-S 1000, consulte o nosso catálogo clicando aqui. Para contactar o concessionário mais perto de si, consulte o nosso directório.

Equipamento

Neste teste foi usado o seguinte equipamento:  Blusão em pele Rusty Pistons, Capacete Nexx X.R2 Trion,Luvas OJ GripBotas TCX Airtech Gore-Tex

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