Honda CRF1000L Africa Twin - A lenda renasce

A Honda preparou uma apresentação Ibérica para a sua mais recente moto: A tão aguardada CRF1000L Africa Twin. Foi em Almeria, mais concretamente no seu espectacular deserto, que tivemos oportunidade de nos tornarmos íntimos desta tão badalada moto. Saiba qual a nossa opinião.

andardemoto.pt @ 9-2-2016 21:07:40

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Honda CRF1000L Africa Twin | Moto | On/Off Road

Dizem que o briefing inicial do projecto desta nova Africa Twin foi: Ir a todo o lado! Por isso, nesta apresentação à imprensa, os responsáveis ibéricos da marca proporcionaram aos meios de comunicação convidados, uma espécie de “degustação” dos diversos tipos de caminhos por onde se pode andar com uma moto.

Os pormenores técnicos desta moto estão mais do que revelados, e se precisar saber mais, pode reportar-se ao artigo que já publicámos na data da apresentação oficial (clique aqui), pelo que agora, vou apenas relatar a experiência de condução tida nestes dois dias.


Poucos foram os tipos de piso e de traçados que não tive oportunidade de experimentar. No primeiro dia, com pneus mistos, mais vocacionados para o alcatrão, pude rolar em auto-estrada, em estradas secundárias, em estradas de montanha e até mesmo em estradas de terra.

No segundo dia, com pneus de tacos, pude igualmente rolar em ambiente urbano, em auto-estrada, e por diversos tipos de terreno proporcionado pelas espectaculares “ramblas” do deserto de Almeria, cujo piso de aluvião encerra graus de dificuldade com uma amplitude tão grande que vai desde a areia solta até à gravilha, passando por lamaçais e por pedreiras.

Sem dúvida que tive oportunidade de ficar bastante familiarizado com as potencialidades desta indiscutivelmente nova Honda. Tanto da sua versão normal, com caixa de velocidades convencional, como da versão DCT com caixa de velocidades automática. A primeira impressão, mal nos sentamos aos seus comandos, é a de conforto.

A suspensão macia, o assento que proporciona um bom suporte para os glúteos, o toque leve dos comandos e a boa protecção aerodinâmica proporcionada pelo ecrã, que praticamente não cria turbulência no capacete, são os principais responsáveis pela ausência de cansaço, mesmo ao fim de muitos quilómetros a rolar a médias horárias bastante elevadas.

O motor é suave, isento de vibrações, elástico e oferece uma grande disponibilidade a qualquer regime. Na versão "normal", sem DCT, a caixa de velocidades é suave e precisa, uma verdadeira referência. O seu escalonamento também está bastante bem conseguido.


A seguir vem a sensação de segurança, proporcionada pela cintura estreita e pela pouca altura ao solo que permite assentar bem ambos os pés no chão. Quando começamos a rolar, a leveza do conjunto revela-se logo nas primeiras curvas e, aliada à eficácia dos travões, com comandos muito doseáveis e eficazes, proporciona uma elevada confiança. O conjunto mostra-se muito intuitivo, tanto na entrada como na saída das curvas, e permite andamentos muito rápidos, mesmo nas estradas mais retorcidas, seja a subir, seja a descer.

Algum reparo merece ser feito à forquilha que, em ritmos mais fortes e sobretudo a descer, sofre de afundamento exagerado. O DCT, em modo desportivo (nível 3) mostra-se bastante interessante em condução muito rápida, necessitando de muito pouca intervenção para se manter na relação desejada. No entanto, já a rolar muito perto dos limites, confiar no automático pode levar a que se entre em curva numa mudança errada, pelo que se deve, nesse caso, optar por fazer as passagens de caixa manualmente, através das patilhas colocadas no punho esquerdo.

Sou fã incondicional deste sistema. Em viagem poupa bastante energia ao condutor, e em cidade é um descanso, pois quando se pára, a primeira velocidade fica automaticamente engrenada, sendo apenas necessário enrolar o punho direito para começar a andar. Isso, e treinar a travagem com o travão traseiro para manobrar.

Mas mesmo fora de estrada a compostura mantém-se, sendo muito fácil rolar a velocidades a que normalmente nem me atrevo, passando literalmente por cima de toda a folha, confiando no grande equilíbrio do conjunto, no seu baixo centro de gravidade, na boa flexibilidade do quadro e na grande capacidade da forquilha para “tragar” até mesmo os maiores calhaus, sem se comover.


Para o meu gosto, apenas o guiador podia ser ligeiramente mais largo e estar regulado numa posição mais elevada. Ainda assim, e pisos de areia à parte, pude divertir-me bastante, arriscando mesmo algumas saídas de curva mais efusivas, e alguns saltos a velocidades já pouco recomendáveis para quem preza bastante a sua integridade física.

Mas a grande arma secreta desta Africa Twin é a nova DCT. A embraiagem dupla que transforma a caixa de velocidades em automática, e que uma vez que nos habituamos a ela é um caso sério de conforto, e de diversão.

Galeria de Fotos

A DCT funciona em vários modos, ou seja, oferece um modo normal que optimiza os consumos de combustível, e três modos desportivos que permitem ajustar as passagens de caixa a diversos ritmos e formas de condução.

Não há uma ciência exacta para definir qual o melhor, sendo que o nível 3 aguenta mais tempo cada uma das relações engrenadas, e o nível 1 faz precisamente o oposto. Na prática o nível 3 será o modo mais desportivo e aquele em que a resposta da caixa é mais incisiva. Todos os modos sofrem influência do controlo de nível, já que a Africa Twin detecta de vamos a subir ou a descer, e ajusta a relação de caixa em conformidade, para garantir uma boa aceleração ou um eficaz travão motor.

Para condução fora de estrada a Africa Twin estreia o modo G (como em gravilha) que encurta bastante o tempo entre as passagens de caixa, mostrando-se mais acutilante e menos suave.


Mais importante do que isso é a regulação do controlo de tracção. Nesta nova geração de Hondas (provavelmente mais modelos irão adoptar estes sistemas) o controlo de tracção é regulável em três níveis e pode mesmo ser desligado. Em fora de estrada, com os TKC80 colçados, usei sempre o nível menos intrusivo, que permite umas escorregadelas bastante controladas da roda traseira, e não impede que se passe facilmente qualquer obstáculo, mas que, ainda assim, garante que não perdemos em absoluto o controlo da roda traseira. Achei-o perfeito nesse aspecto.

Para acabar, uma menção para o painel de instrumentos, muito legível de consulta fácil, apesar de, para arrancar em terra, ser sempre necessário ligar o modo “G”, regular o controlo de tracção, e selecionar o modo “S”. Operação rápida, mas que não deixa de ser enfadonha já que, cada vez que se desliga a chave, é necessário voltar a programar tudo, pois a única função que fica memorizada é a do nível do modo “S”.

Se a nova CRF1000L Africa Twin nos consegue levar a todo o lado? Sem dúvida! Apesar de haver outras opções no mercado, esta nova Honda é talvez a mais equilibrada em termos gerais. Muito fácil de conduzir, muito confortável, económica (com todos os disparates que lhe fiz o consumo medido rondou os 6,4 l/100km) e, sem dúvida, uma boa relação qualidade/preço.


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