Teste Moto Guzzi ELDORADO - Charme e Desempenho

Para 2016 a Moto Guzzi expandiu a sua gama de modelos baseados na Califórnia 1400. A Eldorado era a versão mais aguardada devido à carga nostálgica que o seu nome encerra. Fomos conhecê-la melhor.

andardemoto.pt @ 3-4-2016 18:08:10

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Moto Guzzi Eldorado | Moto | Eldorado

Texto: Rogério Carmo             Foto: ToZé Canaveira

                           
Foram dois os modelos derivados da Califórnia 1400 que a Moto Guzzi revelou para a sua gama de 2016. A  Audace já lhe tínhamos mostrado nestas páginas (pode ver o teste clicando aqui) e a Eldorado que agora tivemos oportunidade de testar.

Para os motociclistas mais “experientes”, o nome Eldorado, ligado às motos, reporta imediatamente para um imaginário de sol, calor e aventura, com longas praias e estradas desérticas pontilhadas por Cadillacs reluzentes, miúdas louras semi-despidas e polícias durões montados em Moto Guzzi’s.

Essas motos de origem italiana que conquistaram os Estados Unidos, eram nada mais nada menos do que, e tal como agora, Moto Guzzis Califórnia modificadas. Então, para melhor cumprirem a função de manter a ordem em Los Angeles na Califórnia, e agora para cumprirem a função de, por todo o lado, deslumbrar com o seu charme quem gosta de motos diferentes e performantes.

Muito longe do que foi a Eldorado original, com apenas 850cc de cilindrada, realidade de um tempo em que a electrónica era pouco mais do que ficção científica, a Eldorado actual é uma moto de charme, que surpreende pelo desempenho dinâmico sobretudo pela inclusão de uma electrónica que faz com que o seu motor de 1400cc se comporte de forma assombrosa seja a que regime for.

No lançamento da Eldorado original, em 1972, antes do aparecimento dos chavões politicamente correctos, a imprensa definia-a assim: “Se os deuses romanos andassem de moto, a Eldorado teria sido a escolhida por Baco”.

Hoje ia parecer mal dizer-se uma coisa dessas, pois os costumes do Deus Baco são um tabú rodoviário, mas o que é inegável é que realmente a Eldorado de que aqui falamos é, também ela, uma moto para quem realmente aprecia as coisas boas da vida.

Não sendo específica para grandes viagens, esta é uma daquelas motos que apetece ir mostrar aos amigos, e olhá-la enquanto se conversa e bebe um bom néctar, acompanhado por um bom petisco.


E depois, quando o petisco acaba, o tema da conversa perde interesse ou a companhia deixa de prestar, esta Eldorado consegue rapidamente levar-nos para qualquer outro lugar, brindando-nos com umas notas de escape deliciosas, umas acelerações demoníacas e uma travagem soberba, seja no meio da cidade seja numa pequena escapadela por uma boa estrada de curvas. E à noite, podemos contar com um eficaz farol poli-elíptico que  engloba um DLR (luzes de circulação diurnas) em LED para iluminar a estrada. 

Isto porque tanto o motor como a ciclística surpreendem pela positiva, num segmento em que normalmente não se espera tanto de uma moto. A subida de rotação do bicilíndrico em “V” de montagem transversal é realmente impressionante e emite uma sonoridade que, apesar de poder (e dever) ser melhorada é muito interessante. 

Dotado de acelerador electrónico e controlo de tracção, controlo automático de velocidade e ainda 3 modos de motor,   Veloce, Turismo, e Pioggia (chuva), o grande V-Twin, o maior produzido na Europa, mostra um comportamento irrepreensível a qualquer regime.

A travagem é de muito bom nível, com as bombas de travão Brembo aplicadas radialmente, dotadas de tubos em malha de aço e com um ABS muito evoluído. Também a leveza dos comandos é surpreendente, a direcção é precisa, e todo o conjunto permite ângulos de inclinação lateral muito razoáveis para uma “Custom”.

A suspensão é muito boa, e apesar do curso bastante pequeno, consegue filtrar os maiores desníveis com muita “suplesse”. Também a transmissão por veio merece destaque pelo seu comportamento discreto.

A Moto Guzzi Eldorado ainda nos brinda com uns bons passeios. A regularidade de motor, permite que se use o controlo de velocidade a velocidades baixas, e a posição de condução elevada confere intimidade numa conversa com um eventual passageiro, que desfruta de uma boa ergonomia.


A sua pintura de estilo retro, os pneus de faixa branca, os cromados, o grande volume dos guarda-lamas e o amplo guiador contrastam com a boa agilidade que permite deambular por ruas e vielas, sem medo de manobrar.

Obviamente que a Eldorado é pesada, sempre são mais de 310kg, e o pneu 130 na roda dianteira também não ajuda, mas o equilíbrio do conjunto e a boa brecagem permitem a qualquer motociclista habituado a motos Custom, inverter a marcha em pouco espaço e sem dificuldades.

Miguel Galluzzi, o chefe do departamento de design da Piaggio, sediado em Pasadena, na  California, está de parabéns.

Esta Eldorado é uma moto cheia de charme que impressiona pelos detalhes e pela qualidade de construção e acabamento, e o seu preço, comparado com a concorrência mais directa, faz dela um sério caso de “money for value” que aliado à incontestada fama de fiabilidade granjeada pela marca ao longo dos anos, faz dela uma séria opção de escolha.

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andardemoto.pt @ 3-4-2016 18:08:10


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