Teste Royal Enfield Classic 500, 2017 - Ícone do passado.

Não, esta não é nem uma moto retro moderna, nem uma moto restaurada. Esta é uma verdadeira moto clássica, original, acabada de ser construída!

andardemoto.pt @ 3-10-2017 11:20:38

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Royal Enfield Classic Squadron Blue | Moto | Classic

Confesso que sou dado ao revivalismo, e que tenho uma costela de saudosista, e que sou, também por isso, completamente rendido aos encantos de uma Royal Enfield. Tenho tido oportunidade de testar as últimas evoluções (facto que não abona nada a favor de minha esperança de vida).

É sempre um prazer desfrutar de uns quilómetros, ao sol e ao vento, por uma bela estrada rural, aos comandos de uma Royal Enfield.  É mais do que uma terapia… é uma verdadeira experiência sensorial, holística, verdadeiramente transcendental.

Pode parecer estranho, inacreditável até, mas é preciso realmente conduzir uma Royal Enfield para se a poder absorver e deixá-la, inevitável e inexplicavelmente, fazer com que nos apaixonemos por ela.

As linhas nostálgicas, o som característico, a posição de condução elevada, a agilidade, a simplicidade do conceito e a robustez geral, são factores que não passam despercebidos nem a quem a vê, nem a quem a conduz.

Os 27cv de potência, realmente não impressionam ninguém, mas conseguem manter-nos permanentemente acima dos limites legais de velocidade, com uma elevada dose de prazer de condução e conforto, se bem que, em auto-estrada, a regimes perto do limite, o nível de vibrações torna-se muito elevado, e necessariamente incómodo em tiradas superiores a 30 minutos.


Além de ser uma violência para os materiais, mãos e pés tenderão a ficar dormentes muito antes da autonomia obrigar a paragens. Por isso, e com tanta deliciosa estrada nacional para percorrer, esse é o caminho!

Os 43 Nm de binário, mostram-se bastante úteis em ultrapassagens, e em estradas de montanha, onde os ritmos devem ser controlados, apesar do comportamento bastante previsível da limitada ciclística.

Se considerarmos que, nos dias de hoje, qualquer moto moderna que se preze, com uma cilindrada equivalente, debita pelo menos mais 20 cavalos, trava em metade da distância, e tem acelerações e retomas bastante mais interessantes, nada disso nos serve de referência. 

Uma Royal Enfield não se rege pelos mesmos cânones. Esta Classic, por exemplo, versão de 2017, compatível com a norma Euro4, apesar do travão de disco traseiro e do ABS que agora tem instalados, além de se apresentar mais segura, e ter um consumo de combustível substancialmente melhorado, continua a proporcionar a mesma e inesquecível experiência de condução das suas antecessoras.

Descende em linha directa de uma espécie de motos nascidas para o combate. Literalmente! E o seu charme provém precisamente do facto de oferecer basicamente o mesmo que ofereciam as motos de há cerca de 7 décadas. Até nas cores, como a versão Classic Squadron Blue que pode ver nas imagens, que evoca a sua utilização militar, ao serviço da Força Aérea, durante a II Grande Guerra.


A Classic mantém-se fiel a si própria, robusta, fiável, económica, confortável, fácil de manter e inegavelmente, ainda mais fácil de conduzir.

O seu motor monocilíndrico, refrigerado por ar, que conta com pedal de arranque, está ancorado directamente no quadro, sem apoios de borracha, facto que lhe permite transmitir todas as vibrações e que, por isso, torna a instrumentação praticamente dispensável, conduzindo-se como se uma extensão do nosso próprio corpo se tratasse, relegando o tempo e a distância para um segundo plano, ou varrendo-os mesmo do nosso pensamento, enquanto se pode realmente apreciar cada estrada, cada caminho, cada paisagem.

Do arranque preguiçoso do motor, à caixa de velocidades precisa, mas de accionamento bastante rústico, passando por alguma falta de potência na travagem, tudo na Classic nos faz reviver outros tempos, imaginar outras realidades, e sobretudo, nos dá uma enorme sensação de felicidade.

Mal nos sentamos nela, mergulhamos numa surreal mas bastante interessante e agradável viagem no tempo, que nos obriga a mudar de atitude, e a encarar a estrada e até o mundo de forma diferente. E a marca indiana sabe que é precisamente este o seu grande argumento de vendas.

A aposta no desenvolvimento tem, por isso, sido praticamente nula, alterando-lhe apenas o essencial para ser mantida dentro dos parâmetros de homologação exigidos, seja para o mercado interno, onde uma Enfield é mais do que uma instituição, seja para o mercado externo, que por elas nutre um carinho muito especial, tendo ambos, em 2016, consumido em conjunto, cerca de meio milhão de unidades produzidas.

Em Portugal, o representante da marca inaugurou recentemente uma nova loja de charme (pode ver a notícia, clique aqui) onde expõe toda a gama, garantindo também o devido apoio técnico, reconhecido por muitos anos de experiência com a marca.


A Royal Enfield, que depois de ter nascido em Redditch, na Inglaterra, é completamente fabricada na Índia desde 1960, então pela Madras Motors, sendo actualmente propriedade do grupo Eicher, também sediado em Chennai (antiga Madras) e que, entre outras, conta com parcerias estratégicas com a Volvo, para o seu departamento de camiões e autocarros, e a Polaris, para o fabrico do Multix, um veículo polivalente, de quatro rodas, tipo UTV, adaptado à realidade social e económica do continente asiático, capaz de envergonhar muito ambientalista e muito economista do primeiro mundo.

Uma Royal Enfield é por definição, uma moto tão simples e fácil de conduzir que qualquer motociclista, iniciado ou de estatura física débil, se vai sentir perfeitamente confiante e confortável aos seus comandos.

A facilidade com que se colocam os pés no chão, a boa ergonomia, a grande brecagem, a suspensão incrivelmente confortável, a caixa de velocidades bem definida, a travagem pouco intimidante mas assertiva, a boa distribuição do peso que esconde bem os cerca de 200kg que esta Classic acusa na balança, são factores gestálticos, que representam um total maior muito maior do que a soma das partes.

Claro que qualquer intentona desportiva vai ser angustiantemente decepcionante, já que a filosofia é mais do género “devagar se vai longe”.

Muito se poderia dizer e argumentar sobre esta moto. Mas ela é sobretudo, e na nossa realidade social, um instrumento de prazer. Além de ser também uma declaração de estilo.

Se lhe causei algum interesse, não hesite e visite um concessionário Royal Enfield (clique aqui para ver qual está mais perto de si), para fazer um Test-Ride. Imperativo é um espírito aberto, um capacete “Jet”, uns bons óculos de sol, e vontade de descontrair.


Equipamento:

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Royal Enfield Classic Squadron Blue | Moto | Classic

andardemoto.pt @ 3-10-2017 11:20:38


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