Teste Suzuki GSX-R125 - Pequena de dimensões. Grande de ambições!
A Suzuki finalmente entra no segmento das desportivas 125 cc. A nova GSX-R125 pode ser pequena de dimensões, mas no Kartódromo Internacional de Palmela, esta desportiva mostrou grandes ambições!
andardemoto.pt @ 5-2-2018 00:16:00 - Texto: Bruno Gomes
Desde 1985 que a Suzuki tem na GSX-R um ícone para os motociclistas que gostam de desportivas. As vitórias conseguidas em inúmeros campeonatos, incluindo Mundial de Superbike ou Mundial de Resistência, conferem à GSX-R um estatuto quase lendário, mas que até agora estava vedado aos mais jovens.
Digo até agora pois, finalmente, a Suzuki decidiu atacar o segmento das desportivas 125 cc com o lançamento da pequena GSX-R125.
Captar a atenção dos mais jovens para as motos é uma tarefa que todos os fabricantes têm de enfrentar de frente, pois só garantindo uma fidelização desde a adolescência, é que a indústria das duas rodas conseguirá sobreviver.
E a verdade é que a chegada da GSX-R125 é uma boa notícia, não apenas para a Suzuki, mas também para todos nós que gostamos de motos e vemos os miúdos a preferirem um smartphone em vez de andar de moto.
E como é que a Suzuki pretende aliciar os mais jovens a comprar uma GSX-R125?
Atacando em três frentes: preço, aparência / qualidade de construção, e comportamento dinâmico.
Dito assim, parece que eu apenas estou a apontar o óbvio, pois qualquer fabricante pensa nestes três fatores para conseguir criar uma moto competitiva a todos os níveis. Mas nem sempre é possível conciliar tudo isto.
Em relação ao preço, a Suzuki posicionou a pequena desportiva de Hamamatsu num patamar extremamente competitivo. Olhando para a concorrência mais direta, encontramos motos como a Aprilia RS125, a KTM RC125 ou ainda a Yamaha YZF-R125. Nenhuma destas três opções apresenta um preço abaixo do limiar dos 5000€, enquanto a Suzuki apostou forte neste particular, e coloca a GSX-R125 à venda por 4500€, valor que já inclui ISV!
Resolvido o problema do preço, a Suzuki atacou o segundo problema: aparência e qualidade de construção.
Se pensarmos que estamos perante uma 125 cc com um preço tão competitivo, poderíamos ser levados a acreditar que a Suzuki optou por soluções de menor qualidade. Mas na GSX-R125 esse não é, de todo, o caso.
O design não é igual ao das mais poderosas GSX-R, mas nota-se claramente uma influência em termos de aspeto geral, especialmente quando a GSX-R125 se veste com as cores de combate réplica MotoGP, com o azul brilhante a fazer com que esta moto se destaque nas estradas cada vez mais povoadas por modelos 125 cc.
O frontal esguio foi trabalhado para ter uma aerodinâmica otimizada, e contém uma enorme ótica com iluminação em LED que lhe confere uma imagem agressiva. De uma forma geral, e analisando detalhes como o logótipo em 3D da Suzuki na lateral, ou as carenagens cuidadosamente alinhadas umas com as outras, não é possível encontrar falhas de construção nesta moto.
Bem sei que gostos não se discutem, e cada um terá a sua opinião. Mas ao vivo, e analisando esta moto de vários ângulos, não consigo deixar de pensar que os jovens de hoje em dia têm muita sorte em poder conduzir motos com esta aparência.
O terceiro fator que a Suzuki teve de ter em conta foi o comportamento dinâmico.
E para saber se a marca japonesa tinha feito um bom trabalho, fui até ao Kartódromo Internacional de Palmela, onde uma manhã inteira aos comandos da GSX-R125 serviu para perceber que as pequenas dimensões desta desportiva, escondem grandes ambições.
E as grandes ambições começam precisamente na forma como a Suzuki está a “vender o seu peixe”, leia-se, a GSX-R125.
Diz a Suzuki que esta GSX-R é a moto do seu segmento com a melhor relação peso / potência. Uma afirmação forte, mas importante, quando temos no segmento motos que são bastante boas a este nível, pois quando pensamos que as 125 cc têm a sua potência limitada aos 15 cv, então a melhor, e talvez única, forma de aumentar as prestações dinâmicas será melhorar a relação entre a potência produzida pelo motor e o peso do conjunto.
Comecemos então pelo motor monocilíndrico.
Esta unidade motriz de 124,4cc é totalmente nova, não tem nada de parecido com, por exemplo, o motor que conhecemos da Suzuki Burgman 125. Com um pistão de diâmetro generoso (62 mm), e duas árvores de cames à cabeça que controlam quatro válvulas, com as de admissão a terem 24 mm de diâmetro e as de escape 3 mm a menos, a Suzuki pretende que o seu motor se destaque da concorrência pela forma como entrega a potência e binário, ao mesmo tempo que consome menos combustível.
Na ficha técnica a marca japonesa refere uns idílicos 2,3 litros aos 100 km. No entanto foi impossível comprovar este número durante este contacto com a GSX-R125.
O binário máximo é então atingido às 8000 rpm, 11,5 Nm, enquanto os 15 cv de potência aparecem na sua totalidade às 10000 rpm, sendo que às 11500 rpm o motor entra no “redline”, e um pouco mais acima o limitador entra em ação de uma forma mais suave do que o normal. Corta ligeiramente, não parece que batemos de frente contra uma parede.
Para acordar o motor não necessitamos de fazer mais do que dar um pequeno toque no botão de arranque, isto depois de ter desbloqueado a ignição através da chave “keyless”, um detalhe interessante, e que confere um nível de sofisticação superior a este modelo. Basta um toque no botão, e o motor acorda para a vida, pois a GSX-R125 conta com o sistema Suzuki Easy Start.
A suportar o motor, ou melhor, a aproveitar o motor como elemento de reforço estrutural, encontramos um quadro dupla trave em alumínio, uma estrutura relativamente simples mas que ajudou no combate ao peso. Assim, o peso a cheio anunciado pela Suzuki é de uns anoréticos 134 kg!
Para ajudar a atingir este valor não só o quadro foi trabalhado, como a Suzuki teve o cuidado de poupar algumas gramas noutros elementos como as jantes de perfil esguio, ou as carenagens que viram a sua espessura reduzida ao mínimo indispensável, pois todas as gramas contam. E o resultado foi então conseguido com a GSX-R125 a bater a concorrência.
Já com o motor a trabalhar e depois de uns minutos a aquecer numa manhã bem fria deste início de ano, parti para as primeiras voltas ao Kartódromo Internacional de Palmela (KIP).
A minha primeira visita ao KIP não podia ter sido mais agradável, pois se nos primeiros momentos tive de decorar as curvas, a verdade é que ao final de apenas duas voltas já a GSX-R125 estava a pedir-me que puxasse por ela, sem medos.
A confiança dada pela ciclística é enorme, tendo em conta que estava aos comandos de uma 125 cc. Todo o conjunto comporta-se de uma forma bastante sólida, com uma agilidade fantástica e com a posição de condução desportiva a deixar-me totalmente deitado sobre o depósito de 11 litros de capacidade, um pouco esguio demais para mim, que tenho uma estatura maior do que os jovens a quem a Suzuki pretende vender a pequena GSX-R.
Os avanços estão mesmo baixos, mas sendo uma desportiva, não são de todo desconfortáveis. Pelo menos se quisermos desfrutar da GSX-R125 com uma condução agressiva. E nas poucas retas, escondido atrás do ecrã frontal que fornece uma proteção aerodinâmica assinalável, o espaço para o condutor é mais do que suficiente, mesmo para mim que tenho 1,84m de altura.
Enquanto ia decorando o traçado do KIP, não conseguia deixar de ficar surpreendido pela forma como o compacto monocilíndrico se mostrava tão desenvolto a subir de rotações. A opção da Suzuki em termos de dimensões do motor demonstrou ser a escolha acertada, e logo às 5000 rpm este motor mostra-se cheio, vivo, suave, reativo quanto baste para não necessitar de estar sempre a trocar de caixa.
Uma pena, pois de facto a caixa desta Suzuki é uma delícia de usar, com um tato leve e preciso. Lá em cima, a partir das 8000 rpm, o motor também responde bem, mas é mesmo a capacidade de aceleração e recuperações que mais o distinguem das adversárias.
Na pequena reta da meta do kartódromo esta Suzuki atingiu perto de 90 km/h sem grande esforço, provavelmente com mais umas sessões e talvez os 100 km/h fossem atingidos antes de chegar à primeira curva, com uma travagem bem forte a exigir muito dos travões de disco, com destaque para o disco frontal recortado, de diâmetro generoso, e mordido por pinça de dois pistões.
Volta após volta, os travões sofreram e aguentaram uma condução bem agressiva se mostrar fadiga, e nota muito positiva tem também de ser dada ao sistema de ABS, fornecido pela Bosch, que nunca se fez notar em demasia, embora num ou noutro momento em que exagerei na travagem, o ABS se tenha feito notar na manete enquanto impedia a roda da frente de bloquear, o que certamente teria resultado em queda.
O traçado do KIP é bastante fluído, perfeito para evidenciar a agilidade e equilíbrio desta GSX-R125. É aqui que os 134 kg de peso a cheio se fizeram notar, e a facilidade com que trocamos de inclinação enquanto estamos sentados num assento a apenas 785 mm do asfalto, será referencial no segmento.
Pouco ou nenhum esforço é requerido ao condutor da GSX-R125 para que a moto se deite para a curva, de forma progressiva apesar da extremamente curta distância entre eixos, 1300 mm, e a estabilidade dada pela uma forquilha afinada na perfeição à saída da fábrica, embora não permita ajuste, é também excecional!
Tendo em conta que explorei esta GSX-R125 de uma forma como normalmente ela não será explorada pelo condutor comum, é impressionante a capacidade de leitura do asfalto conferida pela suspensão frontal, e percebemos a todo o momento, mesmo em inclinação pronunciada, o que a roda da frente está a fazer e quando estamos a chegar ao limite.
Por duas vezes senti a frente a escorregar, talvez levado por alguns excessos de confiança, mas nesses dois momentos mais quentes, bastaram algumas correções na direção e a GSX-R125 rapidamente recuperou a compostura.
Não se sente a frente a baloiçar a cada movimento de corpo que fazemos em inclinação, ou a trajetória desestabilizada apenas porque o asfalto tem alguns ressaltos. De curva para curva, de joelho no chão como fazem os pilotos das GSX-R maiores, é um prazer conduzir esta pequena desportiva. Parabéns à Suzuki, pois esta GSX-R tem um comportamento dinâmico bem acima do expectável para umas 125 cc.
É fácil de conduzir esta Suzuki no limite, com total confiança, e mesmo os pneus de série, os Dunlop D102, mostraram ser os parceiros perfeitos para fazer esta desportiva dançar e acelerar com toda a tração à saída das curvas mais lentas.
Penso que dificilmente a Suzuki conseguiria entrar no segmento das desportivas 125 cc de melhor forma. Esta nova GSX-R125 tem tudo para ser um sucesso: boa imagem, boa qualidade aliada a alguma sofisticação como é o caso da ignição “keyless”, um comportamento dinâmico que deixa a concorrência de sobreaviso, e um preço “canhão” para aquilo que esta Suzuki oferece.
Não consigo encontrar defeitos nesta 125 cc. Nem mesmo depois de a testar no limite, bem mais do que ela vai enfrentar numa utilização diária em cidade, consegui encontrar alguma coisa que seja realmente negativa nesta GSX-R.
Mal posso esperar por poder colocar esta japonesa num frente a frente com a concorrência direta!
Galeria de fotos Suzuki GSX-R125
Equipamento
Neste teste utilizámos o seguinte equipamento de proteção:
- Capacete Schuberth SR2
- Fato Rev’it Akira
- Botas TCX RT Race
- Luvas Rev’it Jerez Pro
andardemoto.pt @ 5-2-2018 00:16:00 - Texto: Bruno Gomes
Clique aqui para ver mais sobre: Test drives