Teste Moto Morini Corsaro 1200 ZZ - Puro Sangue Latino

Esta Moto Morini Corsaro 1200 ZZ é uma moto muito especial, que encerra um carácter explosivo, e consegue transmitir sensações verdadeiramente avassaladoras. 

andardemoto.pt @ 24-9-2018 02:21:54 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Pedro Trindade

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Moto Morini CORSARO 1200 ZZ | Moto | Estrada

Sentimental, fogosa, impetuosa, literalmente explosiva, ela é uma verdadeira italiana, voluptuosa, sofisticada, extasiante e cheia de carisma, capaz de arrebatar os verdadeiros amantes da velocidade e das sensações fortes. Fabricada de forma quase artesanal, personalizável para que seja ainda mais exclusiva, alia o clássico design italiano a um comportamento dinâmico quase inexplicável.

Praticamente isenta de ajudas electrónicas à condução, excepção feita ao obrigatório ABS que ainda assim pode ser desligado, a Corsaro 1200 ZZ desafia a que se explorem os 125Nm de binário que o Bialbero 1200 CorsaCorta, o bicilíndrico em “V” a 87º que a motoriza, consegue debitar com uma facilidade quase desconcertante. O som da dupla ponteira do escape, especificamente desenhado pela italiana Zardo, é verdadeiramente enfeitiçante, eu até diria viciante, e faz soar cada explosão como um acorde musical.

O acelerador, dono de uns bastante “confortáveis” 139cv, faz um excelente trabalho de dosagem da potência, mas não pode, de forma alguma, ser tratado com paternalismo ou com displicência, já que a resposta dada pela ECU da Athena é quase instantânea, e qualquer movimento mais decidido do pulso direito origina uma avalanche de potência que tanto pode facilmente assumir proporções dramáticas, como causar um enorme sorriso nos lábios de qualquer motociclista mais experiente.

Completamente revisto para se apresentar conforme as normas de emissão Euro4, o Bialbero 1200 CorsaCorta da Corsaro ZZ mostra-se de uma regularidade impressionante a médios e altos regimes, e um pouco menos regular a baixa rotação, o que lhe confere um sabor “vintage”, cheio de personalidade, que dá a entender que para se poder desfrutar, ele precisa mesmo é que se enrole o punho.

A caixa de velocidades, de escalonamento bem conseguido, capaz de potenciar a faixa ideal do regime de rotação, tem um accionamento suave e está dotada de um “quickshifter” integral, e conta também com uma embraiagem deslizante, que ajuda a minimizar o risco de bloqueio da roda traseira sob redução. A manobrar, a embraiagem mostra-se bastante leve e muito fácil de controlar.

A acompanhar toda a fogosidade do “V-Twin” está a ciclística, que assenta num quadro em treliça de tubos de aço cromo-molibdeno, completamente redesenhado. A suspensão, que oferece um curso de 135mm em ambos os eixos, conta com uma forquilha invertida completamente regulável, de 46mm de diâmetro, construída pela italiana Mupo, e cujas jarras são maquinadas a partir de um sólido bloco de alumínio, contando os hidráulicos com um tratamento DLC (diamond-like carbon) que lhes confere a cor negra e uma maior resistência ao desgaste. O amortecedor traseiro também tem regulação integral, e até conta com um comando remoto para tornar mais fácil a regulação da pré-carga. 


Mantendo a característica comum de todas as Moto Morini, de utilizar o máximo do que de melhor a indústria italiana tem para oferecer ao mundo (cerca de 99% segundo afirma o fabricante) também a travagem está a cargo de material de outra casa transalpina, precisamente a Brembo, com equipamento topo de gama, desde as bombas semi-radiais às pinças monobloco de montagem radial e que contam com quatro pistões a morder ambos os discos de 320mm, que em conjunto com a excelente aderência dos pneus Pirelli Diablo Rosso III de composto duplo, garantem uma excelente travagem.

Esteticamente esta Moto Morini não deixa dúvidas sobre a sua identidade ou intenção. O aspecto ameaçador, causado pelos faróis lenticulares em LED, tal como todo o sistema de iluminação, condiz com a essência da Corsaro. Corsaro, em Italiano, significa pirata. Ora um pirata que se preze mete respeito. E a ZZ não se coíbe de manter em respeito nem a concorrência, nem mesmo os motociclistas mais experientes.

A curta distância entre eixos, 1440mm, potencia uma enorme agilidade mas, por outro lado, sob a força da aceleração, torna-se desafiante manter a roda dianteira no chão. Isto apesar dos poisa-pés recuados, e do guiador Accossato, amplo e semi-elevado, que contribui para uma excelente posição de condução além de dar um excelente apoio sob travagem. E também o assento proporciona um bom apoio do fundo das costas para suportar a quase alucinante aceleração.

Se por um aspecto este teste foi relativamente curto, já que foi pouco além da sessão de fotos entre o Porto e Gaia e uma ida e volta do Porto a Entre-os-Rios, pela EN108, por outro aspecto foi extremamente gratificante. Já vai sendo raro, encontrar uma moto com esta relação peso /potência (192 kg sem combustível /139cv ), sem modos de motor, sem controlo de tracção, nem “anti-wheelie” ou “cornering ABS”.

Por isso a Moto Morini Corsaro 1200 ZZ provou ser um Puro Sangue Latino, uma moto cheia de emoções, dona de uma ciclística quase inabalável e um motor quase inesgotável, que permite andamentos muito animados, e elevados níveis de diversão. A direcção é muito intuitiva, a inclinação sai naturalmente, sem qualquer esforço, a travagem é soberba e só me fez mesmo falta foi meia dúzia de voltas em circuito para poder explorar melhor os limites do Bialbero Corsacorta.

O painel de instrumentos é uma declaração de modernidade da marca, em TFT a cores, com imensas animações e personalizações e catadupas de r informação. Mas não em andamento, já que é necessário tirar uma ou outra mão do guiador para se lhe aceder. No entanto, com todo aquele potencial ao dispor do punho direito, dificilmente vai sobrar tempo para se olhar para a instrumentação.

Como já tinha referido no artigo sobre a Moto Morini, publicado no #4 da Revista Digital ANDAR DE MOTO, quando da minha visita à sua fábrica nos arredores de Milão, tive também oportunidade de testar uma outra Corsaro 1200ZZ dotada de suspensão semi-activa. Um protótipo ainda em fase inicial de desenvolvimento, que utiliza a tecnologia de Fluído Magneto-Reológico. Um termo que define uma variação das propriedades físicas de um líquido quando estimulado por um campo electro-magnético.


Enquanto nos modelos disponíveis no mercado com suspensão semi-activa, ou de regulação electrónica, o sistema funciona através de electro-válvulas (ou solenóides) que abrem e fecham e assim regulam o circuito de óleo dentro do amortecedor conforme a necessidade, no caso da Moto Morini estão a desenvolver um inovador sistema que até agora só tem sido usado em automóveis e que não utiliza válvulas, sendo por isso mais fiável, leve e duradouro, consumindo ainda menos energia.

Num amortecedor normal, em que a resistência é conseguida à custa da passagem do fluido existente no interior do amortecedor através de uma série de orifícios, da câmara de compressão para a de descompressão, a viscosidade do líquido e o diâmetro dos orifícios permanece inalterado, sem possibilidade de regulação, a não ser por via da substituição ou do fluido por outro de diferente viscosidade.

Ao recorrer a fluido magneto-reológico, que incorpora particulas metálicas em suspensão, é possível, através da criação de um campo magnético, variar a sua viscosidade e consequentemente a sua velocidade de passagem pelos referidos orifícios, sem necessidade de peças móveis.

O sistema é actualizado a velocidades na ordem dos 100 ciclos por segundo, pelo que é fácil, através de cálculos matemáticos e com recurso à electrónica, alterar o campo magnético de acordo com as circunstâncias, permitindo que a afinação da suspensão possa ser confortável numa utilização normal, ou mais firme em curva e a alta velocidade, apenas variando a intensidade dos campos magnéticos. 

O sistema consegue determinar a aceleração e a travagem, a inclinação nas curvas e as irregularidades do piso, ajustando cada uma das rodas em conformidade,em tempo real,  regulando conforme necessário a compressão e a expansão dos hidráulicos.

A sensação que se tem é, basicamente, a mesma que outro tipo de soluções proporciona. A afinação, por muito pouco firme que seja, para garantir um bom conforto em trajectos calmos, reage de forma a “passar o alcatrão a ferro”, mas mal se faz uma travagem mais forte, se acelera com mais convicção, ou se entra mais rapidamente numa curva, ela ajusta-se para manter a moto sempre nivelada. Um pouco “anti-natura” inicialmente, mas que rapidamente se aprende a confiar. O sistema ainda está numa fase inicial de projecto, e será, seguramente, um “extra” em que valerá a pena investir.

Por muito que eu diga, dificilmente vou conseguir traduzir para palavras as sensações que esta moto consegue proporcionar, mesmo sem a suspensão electrónica. Por isso, se ficou curioso, então contacte o importador da Moto Morini para o nosso país, a Garagem Central, no Porto (clique aqui), e marque um teste-ride. Depois até pode deixar aqui abaixo o seu comentário.

Veja a Moto Morini Corsaro 1200 ZZ em pormenor:

Equipamento:

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