Teste Honda CB1100 RS - Memórias de uma época

Há motos que não precisam de ser campeãs de ficha técnica para serem inesquecíveis. A algumas, como esta clássica moderna da Honda, basta-lhes serem fiéis ao verdadeiro conceito de prazer de condução.

andardemoto.pt @ 30-10-2018 00:51:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Honda CB1100 RS 2017 | Moto | Naked

A Honda CB1100 foi lançada no mercado em 2013, nitidamente inspirada na moto que marcou uma época, a mítica CB750 Four. Na altura já era um produto “premium” destinado a uma clientela muito específica para quem o prazer de condução é a essência de um passeio de moto. Pretendia reproduzir as “velhas” motos de competição dos anos 70 do século XX.

O mercado português, basicamente, ignorou-a, embriagado com a escalada das cavalagens, da euforia da electrónica e de especificações quase obscenas dignas de pilotos de topo.

Na altura tive oportunidade de testar esta CB do século XXI, ainda na sua versão com caixa de 5 velocidades, mas confesso que tampouco fiquei rendido aos seus encantos, sobretudo por ser uma “naked” de alta cilindrada, um tipo de moto que, para mim e por não ter muito tempo para passeios tranquilos, nunca fez muito sentido.

No entanto, numa Europa bastante mais experiente em termos de motociclismo, e com um controlo dos limites de velocidade bastante menos tolerante que o nosso, nomeadamente em França e Inglaterra, a CB 1100 encontrou uma clientela fiel, dedicada e encantada com a sua inquestionável suavidade de funcionamento e facilidade de trato.

Por isso o gigante japonês a manteve em produção, e agora (ou antes: em finais de 2017) já em plena ditadura do Euro4 e a caminho do fundamentalismo do Euro5, até a revitalizou. E como se isso não fosse suficiente, ainda lançou uma segunda versão, mais desportiva, precisamente esta RS que agora tive oportunidade de testar.

O conforto é um dos principais argumentos desta CB1100RS. Em parte proporcionado pela afinação da suspensão, em parte pela excelente ergonomia e ainda pelo trato dos comandos, leves e bem posicionados. 

Mas já não é todos os dias que se consegue dar um passeio numa tetraciclíndrica refrigerada a ar. O charme e o encanto de uma suavidade de funcionamento que torna o motor quase imperceptível, com binário e elasticidade suficientes para não ter preocupações com troca de mudanças, e uma resposta bastante convincente nas relações de caixa mais curtas, foram predicados que me convenceram a “perder-me” pelas belas estradas do Oeste e a fazer mais quilómetros do que à partida tinha previsto.


Não que as prestações sejam um factor decisivo na aquisição de uma moto deste tipo. Mas a verdade é que é reconfortante saber que, caso necessário, se pode aumentar o ritmo, muito para lá do que um simples passeio exige. Isto para não falar do som emitido pelas duas ponteiras, que a partir do meio da escala do taquímetro, se revela forte e grave, sem contudo ser perigoso para a integridade dos tímpanos.

A Honda CB1100 RS é sobretudo uma moto que “enche o olho”. Com um aspecto distinto, potenciado pelos excelentes acabamentos e por um equipamento de elevadas especificações, como as suspensões reguláveis assinadas pela Showa, e os travões Tokico de gama dourada, na roda da frente, que fazem toda a diferença para a versão normal, a EX, mesmo em termos de comportamento dinâmico.

E depois há os pormenores estéticos, alguns insuspeitos, como o diagrama das relações de caixa fundido na tampa do motor, outros nem tanto, como o painel de instrumentos, de inspiração clássica, ou a grande profusão de cromados, que a tornam irresistível para gostos mais requintados.

Relativamente à sua “irmã” CB1100 EX, facilmente distinguível pelas suas jantes raiadas, esta versão RS é mais refinada em termos de ciclística, mostrando um comportamento mais consistente e firme, tanto em curva a alta velocidade, como em mau piso.

Quando comparada com a sua concorrência mais directa, a R nineT ou a Thruxton, a Honda CB1100 é bastante mais regrada e menos intimidativa em termos de motor, mas bastante mais confortável e fácil de conduzir. No entanto, mal se aumenta o ritmo, nota-se perfeitamente que a sua ciclística não foi feita para corridas, antes para desfrutar a estrada e a paisagem, reviver o passado, e em qualquer esplanada, desfrutar das suas linhas cativantes.


Veja a Honda CB1100RS em pormenor:

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Honda CB1100 RS 2017 | Moto | Naked

andardemoto.pt @ 30-10-2018 00:51:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira