Teste Bajaj Dominar 400 - Dominar a cena

Económica, acessível e muito fácil de conduzir, a Dominar 400 apresenta-se como uma excelente solução de mobilidade, sobretudo para os recém chegados ao mundo das motos.

andardemoto.pt @ 14-1-2019 21:56:38 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Bajaj Dominar D400 | Moto | Dominar

É um facto que, nos últimos anos, a cena motociclistica nacional se bipolarizou. Por um lado a oferta de motos muito grandes, potentes e cheias de gadgets electrónicos, assim como as versões “retro”, mais ou menos exclusivas ou personalizáveis e evocativas de um estilo “cool”, chamam a atenção de motociclistas mais maduros.

Por outro lado, a oferta de motos de pequenas cilindradas tem vindo a provocar os mercados nos últimos anos, e são precisamente estas motos as responsáveis por um incremento do número de veículos de duas rodas que cada vez mais se vê a circular, sobretudo nas grandes cidades e seus arredores, utilizadas principalmente por motociclistas mais jovens, desejosos apenas ou sobretudo de melhorar a sua qualidade de vida, poupando muitas horas no caótico trânsito das grandes cidades e seus arredores.

Todos sabemos que para apanhar o “bichinho” das duas rodas, basta tomar-lhe o gosto, e precisamente por isso, é considerável a quantidade de motociclistas que começa com uma modesta 125cc, conduzida apenas com a “carta” de automóvel, e que rapidamente começa a fazer planos para “progredir” na sua carreira de motociclista, e a preparar-se para tirar a “carta de moto”, e a procurar não só alternativas práticas e económicas para o seu dia-a-dia, mas também para eventuais passeios de férias e fim-de-semana.

É precisamente por isso que este segmento (<500cc) tem vindo a crescer, representando já cerca de 70% do total de vendas, dados de 2018, consubstanciado pela oferta de alguns modelos bastante interessantes, como é o caso da Dominar 400.

Trata-se de uma simpática "cruiser" urbana, uma "naked" bastante leve e manobrável, com uma altura de assento que favorece as estaturas mais baixas, uma posição de condução bastante confortável, uma resposta viva ao acelerador, comandos simples e eficazes, economia de combustível e, acima de tudo, um preço muito interessante.

O principal argumento da Dominar 400 é, sem dúvida, o seu motor. Não pelas prestações puras, afinal estamos a falar de uns bem modestos 36 cavalos, não pela sua regularidade de funcionamento ou forma como disponibiliza o binário, mas antes pela soma das diversas partes. O monocilindro de 373cc, refrigerado a líquido, com 4 válvulas, e dotado de injecção electrónica, é inspirado no da KTM Duke 390, mas obviamente aliviado de alguns detalhes técnicos, por razões de contenção de custos.


É no entanto compensado pelo seu exclusivo sistema de ignição DTS-i, que conta com 3 velas para garantir uma grande precisão e homogeneidade da explosão, que resulta numa mais interessante e directa resposta ao punho do acelerador.

De resto, a Dominar 400 não comunga de mais nenhum componente com a sua congénere austríaca. 

A sua ciclistica é mais relaxada, com a forquilha convencional de 43mm mais inclinada, para que a direcção seja mais suave, mas sem no entanto perder agilidade, e o quadro consiste numa dupla trave em alumínio onde é suportado o sub-quadro. O braço oscilante é assistido por um mono-amortecedor com sistema Nitrox, regulável, que trabalha de forma bastante competente, mesmo nas vias mais esburacadas.

A travagem da Dominar 400 está a cargo de material da Bybre, marca indiana pertencente à Brembo que fabrica exclusivamente para consumo doméstico, e que mostra um bom desempenho, além de uma razoável dosagem, mesmo quando confrontado com a pouca ajuda dada pelos pneus MRF.

Do mesmo se queixa o ABS, que se torna notavelmente intrusivo quando se precisa mesmo de “espremer as borrachas”. A primeira troca de pneus será sem dúvida uma boa oportunidade para um “”upgrade”.

A qualidade de construção é bastante boa, apresentando-se sólida, com bons acabamentos e pormenores de requinte como os comandos retroiluminados e a iluminação em LED. Pena os espelhos retrovisores da unidade que testámos estarem literalmente a cair, sendo impossíveis de fixar em posição, o que pode indiciar alguma falta de qualidade ou, tão só, falta de aperto!
O design favorece o volume do conjunto que aparenta uma cilindrada superior, e as suas linhas revelam-se modernas, ocidentais e consensualmente agradáveis, em termos estéticos.

Em andamento, a vivacidade do motor faz esquecer algumas vibrações que, no entanto, não são significativas. A embraiagem deslizante cumpre a sua função na perfeição, e revela-se uma preciosa ajuda, sobretudo para condutores menos experientes, com tendência a exagerar nas reduções de caixa, mitigando o bloqueio da roda traseira e os riscos inerentes.

A suspensão tem um comportamento bastante honesto em curva, mantendo-se firme e reactiva, mas mostrando uma ligeira tendência para abrir a trajectória, facto potenciado pela já referida fraca aderência proporcionada pelos pneus de origem.


O pequeno painel de instrumentos colocado sobre o depósito de combustível, ao estilo da Ducati Diável, revela-se pouco prático, ficando completamente fora do ângulo de visão, obrigando a desviar completamente o olhar para se poder ver a informação, mas não deixa de ser um pormenor estético exclusivo que não passa despercebido.

O conforto é bom, com a posição de condução bastante ergonómica e a suspensão a funcionar muito bem. As manetes são de accionamento leve, a caixa de velocidades é precisa e a sua engrenagem é suave e rápida.

Por tudo isto, a Dominar 400 é uma moto que vai garantidamente dar muito prazer seja a um jovem motociclista, que acabe de tirar a sua carta de moto, seja a um “velho motociclista reformado”, que queira redescobrir o prazer de andar sobre duas rodas, e recomeçar a “dominar a cena”.

Equipamento:

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Bajaj Dominar D400 | Moto | Dominar

andardemoto.pt @ 14-1-2019 21:56:38 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira