Teste Triumph Bonneville Speed Twin - Da História para a Estrada

Com origens que remontam até 1938 e a Edward Turner, a nova Triumph Speed Twin é o mais recente membro da família Bonneville, posicionando-se entre a T120 e a Thruxton.

andardemoto.pt @ 29-1-2019 13:51:47 - Texto: Rogério Carmo

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Triumph Speed Twin | Moto | Classics

A Triumph fez recentemente a apresentação de uma moto prática, confortável, rápida e com um pedigree inquestionável, de aspecto revivalista mas descomprometido, dona de uma excelente qualidade de acabamentos: A nova Triumph Speed Twin.

Trata-se duma versão moderna da mítica Triumph 5T Speed Twin, apresentada ao mundo em 1938, que ficou famosa pelo seu (então novidade) motor bicilíndrico vertical de média cilindrada, desenhado por Edward Turner, que se revelou mais suave e eficaz do que os monociclíndricos generalizados da sua época. O seu sucesso manteve-a em produção mesmo depois do final da Segunda Grande Guerra, até 1966, tendo inspirado toda a produção motociclística da época.

Claro que a potência desta nova Speed Twin, com os 98 cavalos debitados pelo motor “Hi-Power” de 1200cc, eram praticamente impensáveis há 80 anos, quando a primeira Speed Twin de 500cc saiu da histórica fábrica de Coventry, a debitar os então fantásticos 28cv.

Muitas mais diferenças há, mas na essência a nova Speed Twin reflete em tudo o estilo típico das motos britânicas da primeira metade do século 20.

Despretenciosamente revivalista, este novo membro da família Bonneville da Triumph pretende ser uma alternativa mais desportiva do que a T120, mais prática do que a Bobber e menos radical do que a Thruxton.

A Speed Twin pretende transmitir o verdadeiro espírito de uma Cafe Racer, desprovida de tudo o que não seja fundamental e focada sobretudo nas prestações dinâmicas, mas garantindo uma posição de condução ergonómica e confortável.

Na prática, a nova Speed Twin é tudo isso, pois integra toda a mecânica da Thruxton básica: Motor, quadro, suspensões e travões, são os mesmos, mas instala um guiador elevado que torna a condução menos castigadora para os pulsos e costas. Além disso a Speed Twin pesa apenas 196kg a seco, menos 10 do que Thruxton. As novas jantes de 7 braços, fabricadas em Alumínio, ambas de 17 polegadas, são as principais responsáveis por essa redução do peso.

Por isso o seu desempenho é de muito bom nível, mostrando-se muito fácil de conduzir, mesmo a ritmos elevados. As estradas de montanha ganham outro encanto, sobretudo devido aos predicados do bicilíndrico “High Torque”, à suavidade e precisão da caixa de velocidades e à resposta instantânea do acelerador.

O som do motor revela-se extremamente entusiasmante, potente, rouco e límpido. Três modos de condução dominam a entrega de potência, a par com o controlo de tracção, pouco intrusivo e desligável. Não se detetam vibrações nem ruidos parasitas. 


O ABS também beneficia dos bem escolhidos pneus Pirelli Rosso que, em conjunto com as maxilas Brembo da roda dianteira, asseguram uma excelente capacidade de travagem. A roda traseira controla-se facilmente com a pinça Nissin, flutuante, que morde um disco de 220mm.

Em andamento, a protecção aerodinâmica é praticamente nula, e tipica deste tipo de motos, sem carenagem, conforme tive oportunidade de voltar a constatar nas encadeadas curvas da Serra Tramuntana da Ilha de Maiorca, confrontado com as temperaturas baixas de meados do mês de Janeiro. Mas a posição de condução é bastante confortável, e a suspensão trabalha bastante bem em termos de amortecimento das irregularidades do piso.

Os poisa pés estão suficientemente altos para não atrapalharem nas curvas, e o assento, além de relativamente baixo, a apenas 807mm do chão, também tem um formato esguio, que facilita a vida aos motociclistas de perna mais curta.

Manobrar é fácil, pois o amplo guiador oferece um bom suporte e o centro de gravidade bastante baixo aumenta a confiança. O único ponto menos conseguido tem que ver com a brecagem que é manifestamente escassa.

A grande agilidade do conjunto pode atribuir-se ao baixo peso e à curta distância entre eixos e a sua grande estabilidade em curva denota um quadro firme e uma suspensão bem dimensionada.

Considerando que estamos a falar de uma moto “premium” com um preço condizente, não posso deixar de referir a falta de “cruise control”, e de quickshifter, elementos que iam dar muito mais “salero” à condução. Assim como não posso deixar de salientar os punhos aquecidos que, são acessório opcional, e que desempenharam um excelente trabalho nas motos disponibilizadas para esta apresentação/teste, organizados pela Triumph.

Mas há outros pormenores que faltam referir. Em termos de consumo de combustível, a marca anuncia valores na ordem dos 4,8 litros, e nos painéis de instrumentos de diversas motos, ao cabo dos mais de 250 km cumpridos, os valores registados rondavam os 5,2 e os 5,3 litros/100km, o que, considerando a capacidade do depósito, de 14,5 litros, augura autonomias bem simpáticas


O nível de acabamento é muito bom, com pormenores requintados, como a capa do tampão do depósito de combustível, do estilo “Monza”, em aço polido, ou o desenho dos corpos de admissão, ou dos suportes do guarda-lamas dianteiro e do farol, ou os muitos pormenores em aço escovado.

O painel de instrumentos tem um desenho refinado, e é de fácil leitura. O interface do utilizador também está bem conseguido, com os comandos bem colocados e menus fáceis de entender e memorizar.

A Speed Twin estará disponível nos concessionários Triumph a partir de Fevereiro, em três cores (preto, cinzento, vermelho), com um preço a partir dos 13.200€.

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

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Triumph Speed Twin | Moto | Classics

andardemoto.pt @ 29-1-2019 13:51:47 - Texto: Rogério Carmo