Teste Husqvarna Svartpilen 701 - Levada da Breca

Uma moto urbana, cheia de estilo, especialista em criar sorrisos e momentos de condução verdadeiramente inesquecíveis.

andardemoto.pt @ 14-5-2019 02:43:46

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Husqvarna 701 Svartpilen | Moto | Svartpilen

Uma das preocupações que tenho, quando testo uma moto, é determinar qual o tipo de condutor e utilização a que ela mais se adequa. E, sinceramente, esta Husqvarna, que foi apresentada à comunicação social internacional há umas semanas, em Lisboa, é uma daquelas poucas motos que se adapta perfeitamente a praticamente qualquer tipo de utilizador e utilização. Sobretudo a quem necessite de fazer trajectos frequentes no centro de uma cidade, e deslocações rápidas em trânsito inter-urbano, mas também a quem apenas pretenda uma moto despreocupada para as pequenas ou médias voltas de fim-de-semana.

De aspecto inovador e com acabamentos de excelente qualidade, a Svartpilen foi, de entre as novas Husqvarna de estrada, aquela que desde a primeira vez que a vi, há uns anos em Milão, na EICMA, mais chamou a minha atenção, sobretudo esta versão com o motor de 692.7cc, originário (tal como o quadro e o braço oscilante) da já minha bem conhecida KTM 690 Duke que apelidei como instrumento de prazer.  

E depois de ter tido oportunidade de testar os outros modelos da família, nomeadamente a Vitpilen 701, a Vitpilen 401 e a Svartpilen 401, maior era ainda a minha curiosidade.

Mal me sentei aos seus comandos percebi imediatamente que esta era, de todas e de longe, a mais confortável das Husqvarna estradistas, e aquela cuja ergonomia melhor se compatibiliza com os meus 1,80m de altura e 90kg de peso.

Logo nos primeiros metros a Husqvarna revelou-se extremamente ágil a furar o trânsito e confortável e absorver as irregularidades (para não dizer pior) das miseráveis ruas da nossa bela cidade de Lisboa.

A Costa do Estoril e a Serra de Sintra foram testemunhas do potencial desta nova Husqvarna, que se revelou extremamente ágil, com uma entrega de potência bastante doseável mas simultaneamente forte, assistida por uma caixa de velocidades extremamente suave, dotada de um “quickshifter” integral que mereceu os elogios de todos os jornalistas presentes, pela sua resposta rápida, mesmo nas reduções mais violentas, sendo um sério candidato ao título de melhor do mercado.

Para ajudar nas reduções, a digerir o respeitável binário negativo que caracteriza este que é o mais potente motor monociclindrico em produção, a Husqvarna ainda dotou o conjunto com uma embraiagem deslizante Adler, que fará as delícias daqueles que tiverem capacidade para explorar os mais do que suficientes 75 cavalos que este motor debita, sempre com uma suavidade de funcionamento impressionante, que nada tem a ver com o habitual desta arquitectura, sendo mais parecido, e em alguns casos até mais suave, do que um bicilíndrico paralelo.

A resposta ao acelerador (que é completamente electrónico) é limpa, bastante doseável, e contundente também, se necessário, já que uma grande percentagem dos 72Nm de binário máximo está disponível logo desde muito baixa rotação, e a subida de regime é bastante rápida e linear, potenciada pela agradável sonoridade do escape.

Ao nível da travagem, também nenhum motociclista mais destemido irá sentir dificuldades. O único disco de travão dianteiro é mordido por uma pinça Brembo, de instalação radial, com 4 pistões, que garante uma resposta forte e uma dosagem bastante sensível. O travão traseiro também é bastante competente, e eficaz a ajudar a inclinar a moto, em curva, sendo também muito doseável.

O ABS tem por base uma unidade Bosch 9M, mas infelizmente não pode ser desligado. Nem sequer tem a opção “supermotard” que permitiria desligar o sistema apenas na roda traseira, à semelhança do que acontece com outros modelos.

No entanto, os pneus Pirelli MT60 RS, de medidas 110/80 R18 na frente, e 160/60 R17 na traseira, que foram concebidos especificamente para esta moto, asseguram uma aderência muito interessante, que releva para um plano quase imperceptível a entrada em serviço do sistema, que se afigura muito pouco intrusivo.



A suspensão, completamente regulável, garante além de um excelente conforto a bordo, um perfeito contacto dos pneus com o asfalto, além de uma grande estabilidade em curva, e uma resposta quase directa ao guiador, permitindo uma leitura muito detalhada da roda dianteira.

Mas o que é certo é que todos os componentes da Husqvarna Svartpilen 701 beneficiam por fazerem parte de um conjunto cujo peso total, com o depósito de 12 litros vazio, se cifra em apenas 158,5 kg, o que lhe garante uma relação peso / potência superior ao de muitas motos do seu e de outros segmentos.

Para lá da compostura da ciclística, das soberbas prestações do motor e dos elevados níveis de conforto, o maior trunfo da Svartpilen 701 é a excelente facilidade de condução e a confiança que incute quando o ritmo se eleva para lá do de uma condução normal.
Todos estes predicados resultam, na prática, numa experiência de condução muito honesta, com reacões rápidas e firmes, e sensações fortes, sem qualquer esforço ou desconforto, sempre com potência disponível para enfrentar todo o tipo de situações.

Além do mais, as linhas esguias e o peso muito reduzido fazem parecer que vamos a flutuar sobre a estrada e, tendo ainda em conta a excelente brecagem, na altura de manobrar ou de ultrapassar os obstáculos do dia-a-dia, tipo passar entre os congestionamentos, subir e descer passeios e degraus, tudo se desenrola facilmente, como se a Svartpilen 701 se tornasse, subitamente, numa extensão do nosso próprio corpo, revelando-se ser efectivamente levada da breca, despertando o "hooligan" que existe dentro de nós.

A observação menos positiva vai para o painel de instrumentos, que além da sua estética duvidosa, é em LCD, pelo que se torna pouco ou nada legível em certas (demasiadas) condições de iluminação. Além disso, e tratando-se de uma moto sobretudo urbana, destinada a pequenos ou médios trajectos e com uma inspiração tão futuristica, deveria estar equipada com, pelo menos, um sistema “sem chave”.

A iluminação, integralmente em LED, promete uma excelente visibilidade, mas infelizmente a organização deste teste não concedeu a oportunidade de circular à noite.

Se olharmos o seu preço, tendo apenas em conta que se trata de um monocilíndrico com 700cc, pode-se perfeitamente concluir que a Svartpilen 701 está demasiado inflacionada. Mas se tivermos em conta que esta Husqvarna garante níveis de diversão tão ou mais elevados do que outras motos de pergaminhos e dimensões mais respeitáveis, então o caso muda de figura, e garantidamente a “Flecha Negra” (que é o seu nome em sueco) é uma das opções do mercado em que se consegue mais diversão por cada euro gasto!

Além do mais, os intervalos de revisão bastante dilatados ( a cada 10.000km), e um consumo que, tendo em conta o que foi possível apurar, deve registar médias a rondar os 5 litros/100km, também vão seguramente ajudar a amortizar o "investimento".


Svartpilen 701 Style

No jantar de encerramento deste evento de apresentação, a Husqvarna ainda brindou os jornalistas presentes com a exibição ao vivo da versão especial Svartpilen 701 Style, que será produzida em edição limitada, e que difere em pequenos pormenores estéticos, na pintura e nas jantes raiadas.

Veja a Husqvarna Svartpilen 701 em pormenor:

Equipamento

Neste teste usámos equipamento de segurança composto por (clique nos links para saber mais):

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