Teste SYM Joymax Z 125 / 300 - Uma dupla de respeito!

A marca de Taiwan aposta forte no segmento das scooters GT de cariz urbano. A Joymax Z nas versões 125 cc e 300 cc impõe respeito, oferecendo prestações, funcionalidade, e uma excelente relação preço vs qualidade. Estaremos perante a nova “melhor escolha” do segmento?

andardemoto.pt @ 4-6-2019 08:30:00 - Texto: Bruno Gomes


O mercado das duas rodas em Portugal continua a crescer. 2019 será um ano onde certamente o setor vai assistir a mais de 30 mil veículos de duas rodas matriculados, e muitas destas vendas dizem respeito a scooters. Desde as mais pequenas às maiores, os motociclistas portugueses parecem cada vez mais seduzidos pelos benefícios da utilização de uma scooter, e a SYM, marca de Taiwan, parece apostada em reforçar a sua presença no segmento das GT urbanas tanto na cilindrada 125 cc como na intermédia 300 cc.

Para este ano a SYM decidiu então apresentar-nos a nova Joymax Z 125 e 300, e fomos até Aveiro para conhecer em primeira-mão estas novidades provenientes de Taiwan. E como se costuma dizer, a primeira impressão é a que conta. E se assim é, então esta scooter GT causou uma boa primeira impressão.

Linhas afiladas, design desportivo, compacta. Estes são os principais destaques no “look” da Joymax Z. Debaixo do ecrã frontal ajustável em duas posições (com recurso a ferramentas) encontra-se uma generosa ótica frontal com luzes diurnas em LED, um elemento que domina e define toda a imagem do conjunto pelas suas dimensões e curvatura. Escondido atrás do ecrã frontal encontramos então um painel de instrumentos de dois mostradores analógicos que ladeiam um ecrã LCD central. A informação é muito completa e legível, ainda que o design deste elemento seja já um pouco ultrapassado em comparação com algumas das suas rivais GT.

Abaixo do guiador, bem posicionado, esconde-se um generoso porta-luvas no escudo frontal e que tem no seu interior uma ficha USB, o que nos permite ligar um telemóvel e carregar o mesmo enquanto viajamos até ao nosso destino em total conforto, pois o assento bem almofadado, de dois níveis, é muito confortável e espaçoso, oferecendo um bom apoio lombar. Espaço é algo que nos falta na plataforma, que não é plana. Para um condutor de estatura mais elevada, digamos de 1,80m para cima, não será fácil encontrar posição para os pés na plataforma, e mesmo usando a secção frontal inclinada as pernas não adotam uma posição totalmente descontraída. Ainda assim, a Joymax Z não foge muito ao espaço que encontramos noutras opções deste segmento.

E para quem precisa de uma scooter prática e polivalente, então temos de referir que a SYM pensou em si! Debaixo do assento conseguimos arrumar facilmente um capacete integral e um jet, e sobra espaço para mais qualquer coisa sem termos de compactar tudo para conseguir fechar o assento. Um excelente espaço para transporte de objetos, e que não deixou de me surpreender, pois estava à espera de bastante menos capacidade dadas as dimensões compactas da Joymax Z.

Na ciclística a SYM não revoluciona e opta então por elementos com características conhecidas. O quadro em aço permite tem uma geometria que permite ao condutor explorar a Joymax Z em qualquer situação, enquanto nas suspensões encontramos uma forquilha telescópica (sem afinação) e dois amortecedores (ajustáveis em précarga). Travões de disco em ambos os eixos, com a Joymax Z 300 a ter ainda o extra da ajuda de ABS da Bosch, e jantes de 14’’ à frente e 13’’ atrás completam o conjunto que promete, no papel, prestações dinâmicas bem acima da média.


Aos comandos da Joymax Z tudo está onde deve estar. Os comandos nos punhos, a posição do guiador, o apoio lombar proporcionado pelo assento. Não há nada que se possa apontar neste particular, para além da falta de espaço para os pés, o que já referi. Basta carregar suavemente no botão de ignição e o motor monocilíndrico acorda para a vida, com algumas vibrações, mas sem ser em demasia para provocar desconforto.

Os primeiros momentos foram passados aos comandos da versão 125 cc. Nesta versão a Joymax Z mostra-se uma companheira perfeita para enfrentar o trânsito citadino. A reposta ao acelerador é pronta, ainda que o motor revele uma tendência para entregar os 14,3 cv mais acima na gama de rotações. Apesar da SYM anuncia um peso a seco elevado, a verdade é que nunca se sentem os 171 kg de peso. A Joymax Z mostrou-se ágil e reativa aos impulsos no guiador, sem reações nervosas, o que é uma excelente característica para condutores menos experientes.

Todo o comportamento dinâmico desta GT da SYM resulta natural, nada parece forçado, e a Joymax Z 125 deixa-se levar para onde queremos sem esforço. As suspensões, na sua afinaão de fábrica, revelaram-se com um cariz mais desportivo. Isso significa que nos percursos mais irregulares os impactos são absorvidos de uma forma mais áspera. Em contrapartida os travões surpreendem pela eficácia e forma como nos deixam prolongar a travagem para o interior da curva.

Para aqueles que, como eu, gostam de adotar uma condução mais desportiva, a Joymax Z 125 não será um grande problema. É equilibrada e mantém bem a compostura mesmo quando puxamos por ela para lá daquilo que a SYM a desenhou. É verdade que a altura ao solo em inclinação não é grande e o descanso vai raspar facilmente no asfalto, mas para uma GT urbana esta scooter não nos deixa ficar mal vistos quando a estrada nos dá curvas.

Não posso no entanto deixar de referir que os pneus Maxxis que a equipam de fábrica não são a melhor opção, ou aquela que inspira mais confiança, principalmente quando o piso está húmido ou molhado. Nestas situações senti por diversas vezes a frente a querer fugir do meu controlo. Já em piso seco nada se nota.

Passando para os comandos da irmã maior, a Joymax Z 300 não se mostra particularmente diferente da 125 cc. Com um peso superior de 184 kg a seco, esta SYM é também mais potente com o monocilíndrico a disponibilizar 27,3 cv. Ao contrário da 125 cc, o motor entrega a sua força mais abaixo nas rotações, por volta das 3500 rpm já se sente o pulmão a ficar cheio, e isso nota-se também nos percursos mais abertos onde a velocidade máxima passa sem grande dificuldade os 120 km/h. Isso torna a Joymax Z 300 numa proposta bastante tentadora para quem procura uma scooter GT capaz de fazer mais do que o percurso “casa-trabalho” em ambiente citadino.

O tato do acelerador é um pouco mais imediato nesta 300 cc, obriga a uma maior atenção no momento de rodar o acelerador à saída das curvas ou acelerar nos semáforos. Não é intimidante, longe disso, mas obriga a alguma atenção. Claro que num percurso de curvas isso garante uma maior diversão de condução, e mesmo com as suspensões a manterem a afinação desportiva, algo dura, o motor mais cheio permite manter maior velocidade em curva e acelerar de forma decidida à saída.


Com uma ciclística tão equilibrada, a Joymax Z 300 parece quase uma 125 cc vitaminada. Quase não damos pelo peso extra nas trocas de direção, com a frente a mexer-se de curva em curva rapidamente, deixando-se cair para a trajetória de uma forma linear e sem esforço, sem dramas. E se a proteção aerodinâmica é boa na 125 cc, podemos dizer o mesmo desta 300 cc. O ecrã frontal consegue defletir o vento, embora a velocidades mais elevadas que esta Joymax Z 300 atinge os ombros do condutor fiquem um pouco desprotegidos, mesmo com o ecrã na sua posição mais elevada.

Talvez a diferença mais notória em comparação com a 125 cc, para além do motor com maior fôlego, seja a capacidade de travagem. Os discos de travam têm as mesmas dimensões em ambas as versões: 260 mm e 240 mm. Mas no caso da Joymax Z mais potente a SYM instala um eficaz sistema ABS da Bosch, em vez do convencional sistema de travagem combinada da 125 cc. Numa utilização normal não se notará grande diferença entre ambas, mas quando o ritmo aumenta e temos de travar mais tarde, com mais força, o ABS da Bosch faz uma grande diferença, transmitindo confiança e potência de travagem a todo o momento, impedindo o bloquear da roda da frente quando abusamos da força efetuada na manete.

Veredicto SYM Joymax Z 125 / 300

Na entrada deste artigo coloquei a seguinte questão: estaremos na presença da nova “escolha acertada” do segmento? Pois bem, depois de testar a nova Joymax Z 125 e 300 fico com a clara sensação de que os taiwaneses da SYM acertaram em cheio e estamos perante duas das melhores propostas em solo nacional!

Esta compacta GT tem o estilo, tem a qualidade de materiais, bom equipamento, espaço para transporte de objetos, o motor monocilíndrico apresenta-se em bom plano – e sem gastar muita gasolina! -, e dinâmicamente a Joymax Z não se intimida perante adversárias de renome.

A juntar a isto temos ainda um preço imbatível em ambas, ao qual o importador nacional da SYM, a Moteo, adiciona ainda a “cereja no topo do bolo” que são os cinco anos de garantia ou 100.000 kms, graças ao novo tratamento em cerâmica do cilindro que assim resiste melhor ao desgaste.

Se tivesse de optar por uma, escolheria a Joymax Z 300. Oferece maior polivalência devido ao motor mais entusiasmante, e mantém a dinâmica bastante apurada que encontramos na 125. No entanto a Joymax Z 125 é também uma excelente proposta, mais económica, mas que acaba por se ver refém do motor menos potente e por isso com uma área operacional que se fica pelos limites da cidade.

Galeria SYM Joymax Z 125 / 300


andardemoto.pt @ 4-6-2019 08:30:00 - Texto: Bruno Gomes


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