Teste Yamaha XSR700 XTribute - Vamos fazer travessuras?

Em boa hora a Yamaha decidiu fazer uma justa homenagem a um dos seus modelos mais icónicos: a saudosa XT 500!

andardemoto.pt @ 27-5-2019 19:59:46 - Texto: Pedro Pereira

Quando chegou ao mercado, em 1975, a XT 500 tornou-se rapidamente numa “pedrada no charco” pelas suas virtudes: motor possante e robusto, enorme facilidade de condução e, muito importante, estar disponível em três versões, partindo sempre da mesma base: a versão XT, uma street denominada SR 500 e ainda uma verdadeira off-road a TT 500, a tal que veio a dar grandes alegrias desportivas à marca, incluindo no Dakar!

Numa altura em que o saudosismo é muito mais que uma moda, é já um estilo de vida, a Yamaha optou por lançar um modelo de tributo à XT 500, tendo por base a bem conhecida XSR 700, e deu-lhe o nome de XSR 700 XTribute!

Foi esta a mota que nos foi entregue para testar, em Espanha, em paralelo com a apresentação da nova Ténéré 700, e posso dizer-lhe que este tributo é mais do que “apenas” uma interpretação do génio criativo da Yamaha numa filosofia de Faster Sons e a própria escolha da decoração ajuda a esse facto.

Esta urban scrambler, apesar de a base ser exactamente a mesma da XSR 700, é um produto mais exclusivo e até elitista e pede para ser customizada assim que nos chega às mãos. Parece quase heresia resistir à tentação de a personalizar, nem que seja apenas com umas tampas laterais e um número do nosso agrado… isto para começar!

Ainda antes sequer de dar à chave, ou de me sentar na XSR 700 XTribute, a primeira sensação foi a de estar perante uma mota “traquina”, pequena em dimensões, com um gordo pneu traseiro, de medida 180, e um equilíbrio de linhas muito bem conseguido, a que as jantes douradas, a lembrar a XT 500 original, dão uma ajuda. 

Além disso, esta versão que testei vinha equipada com um sistema de escape Akrapovic, que é um extra que vale a pena, excepto se tiver que vender um rim para o adquirir! Aparte de uma tonalidade grave e até rouca, a ponteira fica em posição elevada e termina bem próximo do farol traseiro, com um acabamento de cor preto fosco!

De facto a estética sai tão beneficiada que, por si só, já justifica cada euro que possa custar! Melhor que isso só mesmo com duas ponteiras, mas é apenas uma ideia! Se cair em tentação… depois não diga que fui eu o responsável!


A XSR 700 XTribute é leve e baixa e o facto de ter o motor quase “colado ao asfalto” vem reforçar essa situação. Quem me dera que a “prima” Ténéré 700 também tivesse o motor numa posição parecida com esta. Igual seria impossível, devido ao imperativo maior curso das suspensões, mas mais baixo teria sido muito bom! Isso e menos os quase 20 kg que a XTribute declara e cuja ausência se sente perfeitamente, ou não fosse o peso o maior inimigo das motos!

Já agora, a XSR 700 XTribute não é propriamente adequada para andar de pé, nem tem geometria para tal… mas convida a esticar as pernas. Senti isso na primeira pessoa, sobretudo em maus pisos e na areia! Tem tudo no devido lugar, incluindo um painel minimalista (mas com taquímetro).

Chegada a hora de me fazer à estrada, as primeiras impressões tive-as logo na cidade: boa brecagem, suspensões com curso muito curto, mas suficiente, embora com amortecimento traseiro de ação direta.

Em estradas de montanha (onde curvar é uma delícia tal a agilidade do modelo e a confiança que confere) ou mesmo em maus caminhos, como a areia, esta é uma moto feita mesmo para curtir!

Aqui tenho que abrir um parêntesis: Fui desafiado a conduzir a XTribute em areia, num piso mais compactado e húmido para reduzir os riscos, mas ainda assim o gozo foi muito! Foi a oportunidade ideal para explorar o motor, fazer umas atravessadelas controladas, abusar da caixa de velocidades e, inevitavelmente, começar a cometer excessos que não era suposto acontecerem! Dei por mim a mais de 100 km/h e também não resisti à tentação de fazer um belo pião, usando aminha perna esquerda como eixo! Fui um mal-comportado, eu sei, mas soube tão bem!

Também não consegui resistir a fazer uma espécie de burnout na areia cuja finalidade foi a de enterrar a roda traseira…até conseguir que a moto se sustivesse sem ser necessário usar o descanso! Com tanto disparate seguido ainda me vai ser aplicada alguma penitência para me redimir…

Curiosamente, e ao contrário da impressão que senti com a Ténéré 700, já gostei mais do pedal das mudanças, mas ainda assim não me convenceu por completo! Porém, é sempre algo muito pessoal. Além disso, esta já era uma versão de produção pelo que alterações aqui… só mesmo recorrendo aos extras (existe um kit de pedais maquinados e com ajustes, mas a preço salgado…).

Depois de percorridos os cerca de 150 quilómetros de teste dinâmico, aquando da entrega da mota (felizmente inteira), dei por mim a pensar que a XSR 700 XTribute é mais que uma homenagem. É um brinquedo com rodas e motor!


Comparativamente à versão base da XSR 700, esta versão XTribute apresenta modificações que melhoram substancialmente a ergonomia. O novo guiador, 40mm mais largo, contribui para uma posição de condução mais elevada. O novo assento, plano, colocado 30mm mais alto, permite que se adoptem diversas posições de condução ao mesmo tempo que diminui o ângulo de curvatura dos joelhos. As peseiras do condutor são ao estilo “off road” e garantem uma melhor aderência das botas.

O design também foi alvo de atenção para porporcionar um aspecto mais requintado e resistente. A pintura, com gráficos exclusivos, os aros das jantes em dourado, o painel de instrumentos assimétrico, como o da XSR900, o guiador e as manetes em negro, são complementados ainda por protecções do radiador, foles de borracha na forquilha, tampas do quadro maquinadas, e um farolim traseiro redesenhado com um estilo mais retro, que conferem um acabamento de excelente qualidade.

Equipamento:

andardemoto.pt @ 27-5-2019 19:59:46 - Texto: Pedro Pereira


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives