Teste FB Mondial Pagani 1948 - Alma de campeã

A Pagani 1948 é uma desportiva acessível, que aposta tudo na sua imagem marcadamente retro. Uma homenagem muito interessante da renascida FB Mondial ao seu antigo piloto Nello Pagani, o primeiro campeão do mundo de 125 cc.

andardemoto.pt @ 19-10-2019 19:32:40 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

Fazer renascer uma marca como a FB Mondial (FB significa Fratello Boselli referindo-se aos quatro irmão Boselli que a fundaram) nunca é uma tarefa fácil. Há sempre a lembrança do que essa marca era no antigamente, nos seus tempos de glória. Mas pelas mãos de dois amigos, Pireluigi Boselli e Cesare Galli, a FB Mondial parece estar de regresso aos bons velhos tempos.

O projeto da renascida marca italiana obriga a cumprir com um rigoroso plano de lançamento de diferentes modelos a médio prazo. Há dois anos chegou a scrambler HPS 125, há um ano foi a vez das SMX Enduro e Supermoto, também com motor 125cc, e agora foi a vez da FB Mondial aproveitar para lançar um modelo desportivo Pagani 1948 que, ao mesmo tempo, presta homenagem ao antigo piloto Nello Pagani.

Convém por isso relembrar quem foi Nello Pagani e o que alcançou aos comandos de uma FB Mondial.

O piloto italiano tornou-se no primeiro campeão do mundo de 125 aos comandos da FB Mondial, moto que na altura estava a utilizar um motor 4T e DOHC que tinha sido apresentado um ano antes.

De regresso ao presente, a oportunidade de testar a FB Mondial apareceu de forma algo surpreendente. O importador da marca para território português, a Desmotron SL, perguntou se estava interessado em rodar com a nova Pagani 1948. Confesso que a minha memória não vai tão atrás, e tive de recorrer ao Google para perceber melhor o que era a FB Mondial.

Claro que entretanto já tinha respondido positivamente ao convite que me foi endereçado. Afinal de contas, e olhando para a Pagani 1948, como é que eu poderia recusar um convite para testar esta beldade?

Nunca tive a oportunidade de estar sequer perto de uma FB Mondial. Estava por isso bastante curioso para o que iria encontrar, e a verdade é que as fotos de apresentação da Pagani 1948, com as suas carenagens esculpidas e a fazer lembrar as motos de competição de antigamente, cobertas por uma fantástica pintura de dois tons em azul e cinzento, deixaram-me ainda mais interessado para saltar para os seus comandos e perceber o que vale esta pequena desportiva com alma de campeã.

Toda a ergonomia da Pagani é desportiva. O assento, que por si só merece uma nota de destaque, está dividido em duas partes. É um elemento muito bem conseguido, que revela o cuidado na construção desta italiana. O único senão é o material com que é forrado: demasiado escorregadio.

Os avanços são ligeiramente descaídos mas não mais exagerados do que encontramos nas desportivas de outros segmentos. Por sua vez os poisa-pés encontram-se bem posicionados para deixar as pernas ligeiramente fletidas, mas a posição de condução fica comprometida pelo posicionamento do sistema de escape.

As duas ponteiras sobrepostas tipo “shotgun” estão colocadas bem acima, com a proteção térmica a ficar precisamente no local onde colocamos a bota direita no poisa-pés. Somos obrigados a abrir a perna ou rodar a bota com o calcanhar saído por forma a encontrarmos a posição mais aceitável para desfrutar da Pagani 1948.


O motor monocilíndrico é produzido na China mas é também usado na Europa pelo grupo Piaggio. Dos seus 125 cc a FB Mondial consegue extraír 13,4 cv às 9750 rpm, enquanto o binário máximo de 10,5 Nm aparece um pouco antes: às 8000 rpm. Números bem interessantes se tivermos em conta que o peso a cheio é de apenas 133 kg, o que confere à Pagani 1948 uma excelente relação peso / potência tendo em conta o seu segmento.

Confesso que os primeiros momentos aos seus comandos não foram propriamente deliciosos. O motor desta italiana demora um pouco a aquecer, e apesar da sonoridade que emana dos escapes nos deixar com vontade de acelerar desde logo, a verdade é que precisamos de esperar até que o motor aqueça bem.

Se não estiver bem “quentinho” sentimos o motor a engasgar-se facilmente, com um trabalhar rude e pouco suave até às 4000 ou 5000 rpm. Felizmente isso passa assim que o monocilíndrico aquece, e a partir daí basta não deixar as rotações cair para baixo da marca das 3500 rpm para podermos sentir uma unidade motriz suave e solta.

Não é um portento de força. Mas é um motor muito interessante para quem gostar de deslizar de curva em curva e souber aproveitar a velocidade de passagem em ângulo, que toda a ciclística nos permite manter.

O motor gosta de regimes mais elevados, digamos que a partir das 6500 rpm já se sente algum pulmão, e será a partir de umas 1500 a 2000 rpm mais acima que os 10,5 Nm de binário se fazem sentir realmente.

Por essa altura estaremos bem próximo da velocidade máxima que é de 125 km/h e totalmente protegidos pelas carenagens integrais e pelo bonito ecrã frontal, cujo desenho limita a visibilidade para o painel de instrumentos digital. Mesmo com uma transmissão com relações que permitem esta velocidade, a Pagani 1948 recupera bem, o que nos permite conduzir sem ter de estar sempre a trocar de caixa, que por sua vez foi o elemento que mais me surpreendeu, pela positiva.

Esta caixa de velocidades é suave como manteiga! Todas as relações entram sem esforço, o tato no pedal é mecânico mas agradável, e nem mesmo quando fui obrigado a reduzir um pouco mais “à bruta”, senti qualquer queixa da transmissão.

Para os motociclistas mais adeptos da velocidade e de “curtir” umas curvas, apenas convém terem em atenção que os pneus de série, CST Maxsport, não garantem, de todo, grande nível de aderência. Particularmente quando o piso está molhado! Recomendo a trocar por outros pneus assim que possível.

Com uma curta distância entre eixos que se cifra nos 1370 mm, a frente sente-se um pouco instável sempre que o piso não está perfeitamente liso. Ainda assim o “feedback” da direção é muito bom para uma 125 cc. Claro que as suspensões, e em particular o comportamento “seco” dos amortecedores traseiros, têm uma cota parte nesse nervosismo da direção. Mas por outro lado permitem abusar um pouco mais sem corrermos o risco de desestabilizar o conjunto.

Esta FB Mondial sente-se curta e compacta, perfeita para quem precisa de se movimentar rapidamente de um lado para o outro. As trocas de direção acontecem sem sobressaltos, ainda que seja necessário por vezes efetuar algumas correções aos impulsos nos avanços, recolocando a frente na trajetória que pretendemos seguir.

Numa moto que chama a atenção por onde passa – não foram raras as vezes que recebi elogios por ser “proprietário” de uma moto de corridas tão esbelta -, talvez o pior na sua dinâmica seja a travagem.


O sistema de travagem apanhou-me desprevenido. A função de travagem combinada é demasiado intrusiva, e basta um pequeno toque no pedal de travão traseiro que logo se reflete de forma demasiado potenciada no travão dianteiro. Apertando a manete sentimos precisamente o oposto.

Isto acaba por estragar um pouco a forma como entramos em curva, e nunca consegui realmente sentir-me confiante para prolongar um pouco mais a travagem antes de poder começar a acelerar em direção à saída das curvas. Felizmente o tato na manete, apesar de algo esponjoso, revela-se relativamente progressivo e doseável.

Resta-me dizer que a FB Mondial Pagani 1948 tem um PVP de 3995€. Depois de ter tido a oportunidade de rodar com ela durante uma semana, este valor parece-me ajustado ao que esta desportiva de 125 cc oferece.

Não é uma moto para grandes correrias – especialmente se equipada com os pneus CST! -, mas nota-se claramente que tem alma de campeã. Uma bonita homenagem aos tempos de glória da FB Mondial e ao seu campeão Nello Pagani.

Galeria de fotos FB Mondial Pagani 1948

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção

Capacete – Nexx XG100 Carbon

Blusão – Rev’it Blake

Luvas – Furygan Spencer D3O

Calças – Rev’it Lombard

Botas – TCX X-Blend WP

andardemoto.pt @ 19-10-2019 19:32:40 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte


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