Teste Honda Africa Twin CRF1100L - Um Novo Capítulo

A convite da  Honda  voamos até à simpática ilha da Sardenha para conhecer as novíssimas AFRICA TWIN 2020.

andardemoto.pt @ 1-12-2019 18:14:46 - Paulo Barroso


Pelo que fui lendo antecipadamente, percebi que estava perante uma moto totalmente nova e com argumentos muito actuais, que certamente iriam causar impacto no mercado do segmento Trail. Estava expectante, sobretudo porque ia ser o meu primeiro contacto com uma Honda Africa Twin.

À semelhança da geração anterior, a nova Africa Twin CRF1100L tem 2 versões distintas, uma mais tourer e uma mais vocacionada para offroad. Em ambas existem as versões de caixa manual ou com embraiagem DCT.

Africa Twin CRF1100L Adventure Sports - a Tourer


A versão mais aburguesada da Africa Twin destaca-se pelos 24,8lts de capacidade do depósito, que lhe confere quase 500kms de autonomia, e por um assento um pouco mais estreito (4mm) que facilita o acesso ao chão e a manobrabilidade da moto parada.

Mas tem também luzes direccionais em curva, com 3 fases, conforme a inclinação, que são geridas pela IMU, e ainda oferece LED de condução diurna, que lhe dá alguma “pinta”. Está mais magrinha 5 kg. Os punhos aquecidos e o controlo da velocidade de cruzeiro são complementados por um ecrã frontal facilmente regulável. E ainda, apresenta uma estética mais moderna.

O modelo de caixa convencional tem quickshift, que se revela muito rápido e eficaz, tornando as passagens de caixa muito divertidas. Mas sem dúvida o DCT impressiona muito mais.

O motor bicilindrico paralelo foi revisto e tem mais cilindrada, binário e potência - melhorias notórias. Não é um motor brusco, mas é muito competente e fácil de conduzir. Não “bate” acima das 2.000rpm e é sempre cheio, apresentando uma resposta forte e decidida e o acelerador electrónico é preciso e directo.

Nas rotações mais elevadas o escape de origem tem uma sonoridade inebriante que puxa a adrenalina. É um motor que alia muito bem o prazer de condução com a potência. Perfeito para este tipo de moto.

As motos Honda são, desde há muito tempo, uma referência de fiabilidade, mas esteticamente, e comparando com o design europeu, podem não ser consensuais, mas esta versão de 2020 veio impulsionar a nova Africa Twin para o topo da modernidade em termos de design e tecnologia.

No primeiro contacto com a moto, destaca-se o seu magnífico ecrã táctil de 6,5 polegadas, que permite inúmeras configurações facilitando em muito o ajuste da moto a cada motociclista e a cada circunstância.

Com a moto parada, o painel de instrumentos permite ajustes rápidos, de forma táctil e muito intuitiva, mas com a moto em andamento esses ajustes estão indisponíveis, política da marca que se estende a outros modelos, um compromisso para manter a segurança do piloto ao evitar distrações. Por isso, os ajustes em andamento têm de ser feitos nos botões situados no punho esquerdo do guiador, que são efectivamente muitos, mas aos quais rapidamente nos habituamos.

Outro “plus” que vai alegrar alguns utilizadores é o Apple Car Play. Daí a moto ter um ecrã grande em TFT e outro, mais abaixo, com as informações básicas necessárias, como velocidade, mudança engrenada ou o modo de caixa automática engrenado, no caso da versão DCT. Dessa forma a totalidade do ecrã TFT fica reservada para o Car Play, com os mapas e outros programas deste serviço. Pena não ser compatível com o sistema Android, mas está previsto no futuro.

O interface do utilizador permite regular o controlo de tracção e o ABS com vários níveis de intervenção, assim como muitas outras configurações. O sistema permite ainda escolher entre os modos de condução pré definidos (TOUR/URBAN/GRAVEL/OFFROAD) e mais 2 modos (USER1 e USER2) ambos personalizáveis.

As configurações são tantas que num primeiro impacto achamos até que são demasiadas, mas com uma utilização continuada, estas opções vão proporcionar um ajuste às preferencias de cada piloto e torná-la mais eficaz que qualquer outra moto do mercado e isso é sem dúvida uma mais valia. Nota 5 para este novo ecrã TFT táctil.


A Africa Twin tem agora Cruise Control, equipamento essencial para viagens maiores, e uma protecção aerodinâmica suficiente, apenas com os ombros/braços mais expostos. Para os viajantes, um ecrã maior pode ser um extra a equacionar.

A posição de condução é muito confortável e o assento (mais estreito 4mm)  pareceu-me excelente para grandes tiradas.

A travagem desta mota é irrepreensível. Bom tacto, excelente doseamento e forte mordida quando necessário. Com as suspensões electrónicas, a moto não afunda quando abusamos do travão na entrada das curvas. Excelente.

O peso da moto não se nota muito, permitindo uma condução com grandes inclinações em curva e mudanças de direcção sempre com muita estabilidade. O handling da mota é excelente e o peso só é assunto na versão offroad da Africa Twin.

Outro ponto que me chamou a atenção, e que vai colocar a nova Africa Twin na luta pelo topo do segmento, é a adopção do novo sistema IMU (Unidade de Medição de Inércia) da Bosch já utilizado noutras marcas.

Este sistema faz a medição da aceleração em 6 eixos e gere os modos de condução e o sistema HSTC, para além de outros três sistemas: ABS com função de curva, função anti-cavalinho e controlo do levantamento da roda traseira sob travagem, além da nova funcionalidade de deteção de curvas na versão DCT, que inibe a troca de relação enquanto a moto estiver inclinada.

Tudo isto aumenta em muito a segurança e garante condições de estabilidade muito elevadas. Este sistema veio para ficar.  É, sem dúvida, o futuro.

O sistema IMU faz ainda a gestão da duração dos piscas e a gestão das novas suspensões de regulação electrónica Showa Electronically Equipped Ride Adjustment (Showa EERA) agora disponíveis como opcional.

Tive oportunidade de rolar com elas, e sente-se efectivamente a diferença entre a suspensão electrónica com esta gestão e a suspensão normal. A electrónica revela-se mais suave na absorção de piso irregular, dando a sensação de muito conforto e muita estabilidade em condução mais desportiva. Na minha opinião esta suspensão electrónica deve ser uma compra obrigatória. Um grande PLUS sem dúvida. NOTA 5.

Também adorei o DCT. Sei que alguns motociclistas olham desconfiados para ele, mas é uma questão de tempo para ficarem rendidos a este sistema, muito mais eficaz e confortável. 

O DCT pode ser usado em modo completamente manual, ou no modo Drive, para uma condução muito relaxada, ou ainda em modo Sport, que tem 3 níveis, para conduções mais dinâmicas, com as passagens de caixa a efectuarem-se quase no redline no nível 3, o mais desportivo.

Em qualquer dos modos, temos no guiador patilhas que mudam a relação de caixa e que podemos usar de forma muito mais intuitiva do que com o selector de pé, por que fica à distância de apenas um toque de dedo.

Fartei-me de brincar com a caixa DCT usando as patilhas, interferindo muitas vezes nas passagens de caixa, porque é realmente divertido subir e descer mudanças com as patilhas no guiador. 

O DCT está a meu ver sub-valorizado. Põe o sistema de selector de pé na pré-história. Apenas com um contra: os 10kgs que acrescenta ao peso da mota. Mas compensa e muito. Considerem-no uma compra obrigatória. -  NOTA 5 e com louvor.

Africa Twin CRF1100L - a Offroader

Nesta apresentação oficial aos media, pude testar ambos os modelos, com e sem DCT, mas começo por falar no modelo mais offroad desta nova Africa Twin, equipada com o sistema DCT. A princípio faz confusão sentir a falta da embraiagem, mas é apenas uma questão de hábito.

Para uma utilização mais agressiva em offroad, talvez a falta de embraiagem possa ser um handicap, mas por outro lado, para uma utilização mais agressiva em offroad, a AT também não será a moto ideal, como não são também a maioria das “big trail” do mercado.

No entanto, para uma utilização normal, o seu desempenho é mais que suficiente, e arriscava até dizer que recomendo o DCT se a utilização for 80% estrada e 20% offroad. Sem a necessidade dos movimentos da passagem de caixa, sobra concentração para a condução.

Este modelo destaca-se por ser mais esguio do que o da versão Adventure Sports, sobretudo graças ao depósito de combustível mais pequeno que torna a moto mais estreita e ágil proporcionando uma maior sensação de leveza devido ao ecrã frontal mais pequeno e à traseira inspirada nas linhas da CRF.

A moto ficou bonita com estas pequenas alterações, parecendo mais agressiva que a Tourer.
A Honda precisava agora de uma 700cc, mais ágil e mais aventureira, para se impor no cada vez mais apetecível segmento de média cilindrada.


NOTAS FINAIS:

A minha opinião final sobre a nova Africa Twin é muito positiva, e são várias as razões:

O TFT é um espectáculo e para além de permitir muitas configurações, é giro e muito intuitivo, e é táctil. Há ainda poucos destes no mercado. E era o que faltava para modernizar o aspecto tradicional típico do design japonês. Esta remodelação catapultou este modelo para uma mercado mais digital e actual.

O DCT deveria ser obrigatório para motos de estrada. É divertidíssimo e muitíssimo eficaz. Para mim, este sistema fazia-me comprar uma HONDA. Se fosse o KIM JON UN cá do burgo, metia isto em todas as motos. 

O sistema IMU (Bosch) é sem dúvida um dispositivo obrigatório nos dias de hoje.O nível de eficácia e segurança que acrescenta é um ponto de não retorno.

Fiabilidade Honda. Sem dúvida um ponto positivo a considerar e esta moto tem uma boa qualidade de construção. Ecrã robusto, botões ergonómicos e sensação de qualidade geral. 

Pessoalmente a Big Tank com DCT era a minha escolha para umas viagens a dois. O que me faria escolher esta mota em detrimento de outras do mercado é o DCT, precisamente. O DCT convida a estradas serpenteadas com muitas passagens de caixa e muitos kms pela frente. 
Muito divertida também em condução mais rápida ajudando nisso o motor cheio e forte e a travagem irrepreensível.  
O TFT também cativa quem não gosta de gadgets, e este está uns furos acima do que se vê no mercado.

O ponto que considerei mais fraco ou a melhorar, foi o peso. Actualmente as marcas estão a baixar o centro de gravidade e a África Twin ainda o tem bastante elevado, tornando as mudanças de direcção mais lentas. Isto sobretudo na versão offroad, onde o peso e a distribuição de massas faz mais diferença.

Estas novas Honda já estão disponíveis nos concessionários da marca. Solicitem um teste-ride e comprovem isto tudo.

Os preços também já foram revelados:
Africa Twin CRF1100LManual - 14.550€DCT - 15.650€
Africa Twin CRF1100L Adventure SportsManual -17.900 susp eletrónica DCT - 19.000 susp electrónica

Galeria de imagens da Honda Africa Twin CRF1100L Adventure Sports - a Tourer

Galreia de imagens da Honda Africa Twin CRF1100L - a Offroader


andardemoto.pt @ 1-12-2019 18:14:46 - Paulo Barroso


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