Teste Yamaha MT-03 - Uma naked equilibrada

A naked japonesa para quem tem carta A2 renova-se para 2020 com argumentos que a tornam numa proposta equilibrada. Uma imagem agressiva inspirada nos desenhos Anime japoneses e uma ergonomia bastante melhorada são alguns dos destaques da MT-03. Fique a saber o que vale a nova Yamaha MT-03 no teste do seu Andar de Moto.

andardemoto.pt @ 23-12-2019 20:30:00 - Texto: Bruno Gomes

A pequena MT-03 poderá não ter uma grande expressão em termos de percentagem de vendas dentro da família MT – Master of Torque da Yamaha. Aliás, contabilizando todos os modelos MT em comercialização, a MT-03 significa apenas 6% de unidades vendidas.

Mas ainda assim a categoria A2 está em crescimento, não apenas na Europa, como também em Portugal. Diversos fabricantes estão a batalhar intensamente por conquistarem a atenção (e o dinheiro!) dos motociclistas com carta A2. E por isso era necessário realizar um “makeover” a esta naked desportiva.

As maiores novidades apresentadas nesta segunda geração MT-03, e em comparação com a primeira geração que existiu de 2016 até 2019, são as seguintes:

- Design atualizado, mais agressivo, onde se destaca o frontal com aparência mais semelhante à MT-09. A inspiração para criar este frontal tão peculiar vem dos desenhos Anime japoneses, dotando a MT-03 de uma imagem agressiva e tecnológica;

- Luzes diurnas em LED para uma assinatura luminosa ao bom estilo da família MT;

- O depósito de combustível está mais baixo e mais largo, ladeado por entrada de ar laterais pronunciadas. Mas ainda assim, a Yamaha manteve a capacidade do depósito de combustível nos 14 litros;

- O painel de instrumentos é totalmente digital, a preto e branco;

- O guiador está posicionado 39 mm mais acima e 19 mm mais perto do condutor. Os poisa-pés também foram reposicionados mais para a frente, o que contribui para uma posição de condução menos exigente do ponto de vista físico;

- Amortecedor traseiro com afinações revistas;

- Pneus Dunlop Sportmax GPR-300.

Para suportar o motor bicilíndrico de 321 cc, capaz de desenvolver um máximo de 42 cv e 29,6 Nm de binário, as mesmas performances obtidas na supersport YZF-R3, a Yamaha decidiu dotar a MT-03 de um quadro tubular, sendo que o braço oscilante é assimétrico.

O principal objetivo da Yamaha nesta segunda geração da MT-03 foi dotar a sua pequena naked de maior polivalência, particularmente quando comparamos com a sua irmã desportiva YZF-R3.

E não é preciso esperar muito para percebermos que esse foi mesmo o objetivo da Yamaha. Passando uma perna por cima do assento esguio, sentamo-nos na MT-03. A primeira sensação é de que o guiador está demasiado elevado, particularmente para quem tem uma estatura mais elevada.

A explicação para essa sensação, para além do que já lhe disse anteriormente, é que o assento da MT-03 é bastante baixo. Por exemplo, em comparação com a MT-125 – moto que o seu Andar de Moto já testou e vamos dizer-lhe tudo muito em breve! – a MT-03 tem o assento posicionado nada menos do que 30 mm mais perto do solo. Isto significa que a 780 mm de altura vamos sentados bem “dentro” do conjunto, facilmente chegamos com os pés ao solo, e a posição de condução é bastante agradável.

As pernas encaixam perfeitamente nas zonas mais salientes do depósito esculpido, e isso revela-se ainda mais importante quando tentamos inserir a moto em curva, em que podemos facilmente usar as pernas para abraçar o depósito fazendo a força necessária para controlar a moto em inclinação.


Com uma distribuição de pesos perfeita (50 / 50), a nova Yamaha MT-03 revela reações previsíveis. O “feeling” do conjunto chassis e motor é claramente de cariz desportivo, mas o guiador elevado e largo proporciona um controlo fácil da direção, que se mantém estável quer em linha reta quer em curva, mesmo conduzindo a velocidades bem acima do habitual.

Esta pequena naked japonesa é ágil, intuitiva, e rapidamente deixamos de pensar no que queremos fazer para passar à ação. A forquilha invertida igual à usada na YZF-R3, é uma excelente melhoria quando comparamos com a versão anterior, e responsável por uma leitura muito boa do asfalto, com uma compressão firme mas sem ser demasiado rija. Isso ajuda numa condução desportiva, eliminando grande parte das imprecisões que me recordo de sentir na anterior MT-03 equipada com forquilha telescópica.

E apesar de ser uma moto pensada para uma utilização urbana, e para isso contamos com uma excelente manobrabilidade a baixa velocidade, perfeito para cortar pelo meio do trânsito, a realidade é que a nova MT-03 tem um coração de desportiva!

Basta rodar o punho direito com mais vigor e o motor bicilíndrico de 321 cc responde prontamente. Não vale a pena procurar grandes reservas de energia a baixos regimes, mas na passagem dos médios para os altos regimes o indicador de rotações posicionado na parte superior do ecrã digital, bem legível, os 42 cv ganham pulmão e sobem de rotações rapidamente.

É preciso trabalhar um pouco com a caixa de velocidades para manter a MT-03 na zona de funciomamento ideal e onde se sente mais à vontade, entre as 5000 rpm e as 8500 rpm, especialmente se estivermos a planear uma ultrapassagem.

Mas isso não é propriamente um mau sinal, pois na realidade a caixa de 6 velocidades mostra-se suave e precisa. Faz no entanto falta a função deslizante, pois numa ou noutra redução de caixa mais agressiva a transmissão protestou e a roda traseira fez questão de bloquear por breves momentos.

Numa condução mais desportiva temos de ter um pouco de cuidado nos momentos de travagem. No momento em que apertamos a manete do travão frontal parece que a pinça de dois pistões não está a fazer nada. É necessário apertar a manete com convicção para sentirmos o travão a funcionar e a moto a abrandar conforme desejamos. Provavelmente o facto de ter apenas um disco à frente tem aqui o seu lado mais negativo.

O tato do travão traseiro também não se revela particularmente assertivo, pelo que se há algo que eu melhoraria na nova MT-03 é a sua travagem que fica aquém do esperado e dos pergaminhos da Yamaha.

O conforto não é propriamente a prioridade numa naked desportiva como é a MT-03. Mas não se pode dizer que é uma moto desconfortável. A proteção aerodinâmica a velocidades de autoestrada (140 km/h) é bastante boa, com algum vento a a fazer-se sentir nos ombros e peito do condutor.

Para uma moto de aparência tão tecnológica e futurista, claro que não podia faltar uma app para smartphone que nos permite controlar em detalhe a MT-03. Tal como as mais recentes novidades da Yamaha, a MT-03 conta com a app MyRide. Através do telemóvel poderemos partilhar nas redes sociais diversos dados da nossa condução, como por exemplo angulos de inclinação, aceleração, velocidade máxima ou até o percurso da viagem.


Veredicto Yamaha MT-03

Sem alterar muito no interior, a Yamaha conseguiu de facto renovar de uma forma muito bem conseguida a MT-03. Esta naked está mais “vivaça”, melhor equilibrada e capaz de enfrentar toda uma variedade de situações sem qualquer problema. Em ambiente urbano é onde a MT-03 melhor se vai sentir, mas se lhe atirar-mos com um estrada de montanha recheada de curvas ela não vai desiludir.

Ágil, leve, neutra de reações, a MT-03 é uma moto que inspira muita confiança para motociclistas com carta A2. Para os de estatura mais elevada o assento baixo pode ser um problema, e para os mais atrevidos a potência de travagem não será satisfatória.

Ainda assim a MT-03 não esconde o seu ADN desportivo que a Yamaha tão bem soube aperfeiçoar ao longo do tempo. É uma proposta bem interessante, equilibrada, e que a Yamaha soube evoluir no bom sentido.

Por último resta-me falar do preço. Como habitualmente acontece no lançamento de uma nova geração de um modelo, há lugar ao aumento de preço. No caso da Yamaha MT-03 estamos a falar de um PVP de 5.630€, um aumento de cerca de 300€ em relação à geração anterior. Tendo em conta a qualidade de construção e as prestações dinâmicas, parece-me um valor ajustado e que mantém a MT-03 como uma das opções mais equilibradas dentro das propostas disponíveis para carta A2.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:

- Capacete Shark Spartan
- Blusão REV’IT! Blake
- Calças REV’IT! Orlando H2O
- Luvas Macna Outlaw
- Botas TCX Mood GTX

Galeria Yamaha MT-03

andardemoto.pt @ 23-12-2019 20:30:00 - Texto: Bruno Gomes


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