Teste Sym Maxsym TL 500 - Género enguia

Quando uma scooter transmite sensações de segurança e velocidade equivalentes às de uma moto, quem fica a ganhar é o motociclista.

andardemoto.pt @ 16-12-2019 13:24:10 - Texto: Rogério Carmo

O mundo pula e avança, e no que diz respeito às scooters, elas deram um passo de gigante nos últimos anos, com diversas marcas a oferecerem soluções de mobilidade muito interessantes, capazes de satisfazer até mesmo os motociclistas mais exigentes.

As scooters são, inquestionavelmente, o melhor meio de transporte urbano. Oferecem uma elevada praticidade à custa de generosa capacidade de carga, uma melhor protecção contra os elementos e baixos consumos de combustível.

A sua grande facilidade de condução e manobra garante uma maior concentração no trânsito que, como todos sabemos, não é de fiar e obriga a ter todos os sentidos postos no que se passa à nossa volta, sendo por isso uma excelente alternativa a motos com caixa de velocidades e embraiagem, que normalmente exigem níveis de destreza, prática e atenção mais elevados.


No segmento das Maxi-Scooters de média/alta cilindrada, a evolução tecnológica em termos dinâmicos e nos níveis de conforto e segurança tem sido ainda mais elevada, e disso é um bom exemplo esta nova Sym Maxsym TL.

Com linhas esguias modernas e sóbrias, de aspecto desportivo, desenvolvidas no centro de design da SYM na Europa, a nova Maxsym TL é uma daquelas scooters de sonho que tem todos os argumentos para encantar quem necessita de elevada mobilidade e conforto, mas não quer abdicar do prazer de condução nem fazer concessões ao estilo.

Efectivamente conforto é a palavra chave. Apesar de as suspensões apresentarem uma afinação bastante firme, em termos de estabilidade, as irregularidades do piso são extremamente bem filtradas. Mesmo as maiores.


Os comandos são intuitivos e a visibilidade é boa, mesmo ao nível dos espelhos retrovisores. A posição de condução, bastante elevada, permite controlar o trânsito de uma excelente perspectiva. O posto de condução é espaçoso, com uma ergonomia que convida a ritmos mais atrevidos, sobretudo porque também beneficia de uma boa proteção aerodinâmica.

O assento proporciona um bom apoio, sem dificultar muito a vida aos motociclistas de estatura mais baixa. O passageiro conta com um espaço bastante desafogado, um assento generoso, pegas de suporte bem desenhadas e facilmente acessíveis e uns poisa-pés bem colocados, factor que, parecendo que não, também aumenta a estabilidade.

O painel de instrumentos, com muita informação e completamente virtual, conta com um ecrã TFT de 4,5 polegadas que além de a intensidade do seu brilho aumentar ou diminuir automaticamente conforme a luz ambiente, permite escolher um de 3 temas gráficos ao gosto do motociclista.

O ecrã pára-brisas oferece uma boa proteção aerodinâmica e pode ser ajustado (uma operação rápida mas que implica recorrer a uma ferramenta) em duas posições.

O espaço de arrumação não é referencial, mas permite guardar um bom capacete debaixo do assento, ou levar para casa um saco de compras bem cheio, ou um portátil, sobrando ainda espaço para um bom fato de chuva e eventualmente ainda um cadeado e um spray anti-furo. No painel frontal existem dois pequenos porta-objectos, com o do lado direito equipado com uma tomada USB.

Para estacionar, a Maxsym TL conta com um travão que é accionado automaticamente ao mesmo tempo que se arma o descanso lateral, garantindo assim uma excelente estabilidade, sobretudo prática em superfícies menos planas. Um sistema que merece destaque já que poucas são as scooters (apenas as BMW) que oferecem esta funcionalidade que me agrada bastante. Apesar disso o descanso central também é fácil de usar.

Para facilitar o estacionamento em locais apertados, os espelhos retrovisores podem ser dobrados para o interior.


Mas a grande estrela desta nova “hyper-scooter” do fabricante de Taiwan é a sua nova unidade motriz, um bicilíndrico de 465cc (o primeiro fabricado pela Sym), refrigerado por líquido e a respirar por 4 válvulas acionadas por árvore de cames à cabeça.

Extremamente suave em termos de funcionamento, mas com uma resposta viva e linear ao longo de toda a faixa de regime, este motor dá a sensação de ter mais potência do que os 40cv declarados na ficha técnica. Além disso, o seu escape emite uma nota muito agradável.

A embraiagem automática e a transmissão CVT optimizada têm um funcionamento exemplar, isentas de vibrações e com uma resposta rápida, garantindo ainda travão motor suficiente para manter a condução muito interessante em qualquer cenário.

O “Twin cylinder Line” (TL) está montado directamente no quadro (tal como acontece com os motores da Yamaha T-Max 530 - e agora da nova 560 -, das BMW C650, das Honda Integra e X-ADV 750 ou da Kymco AK 550). Esta configuração permite que a transmissão à roda seja feita por corrente, o que garante um superior comportamento dinâmico do conjunto, proporcionando um desempenho muito mais parecido com o de uma moto convencional.

O facto deve-se à melhor distribuição de massas, com uma repartição de peso de 50% por eixo, um centro de gravidade muito baixo e à diminuição do peso não suspenso do eixo traseiro, que se refletem numa maior agilidade e num melhor comportamento em curva. 

Claro que o facto de a Maxsym TL beneficiar de um quadro em treliça de tubos de aço que garante uma grande rigidez torsional, e da suspensão contar, na frente, com uma forquilha invertida de apoio duplo que resolve muito bem o afundamento sob travagem e, na traseira, um sistema multi-link regulável, também contribui para uma prestação dinâmica refinada.

Tanto mais que a resposta pronta e forte do acelerador e a travagem, também ela muito boa, a cargo de material que, apesar de não ostentar marca sonante, se mostrou extremamente competente mesmo sob forte abuso, e ainda o bom desempenho dos pneus Maxxis instalados nas jantes de 15 polegadas, são factores importantes que convidam a ritmos mais desportivos. Pode ficar a conhecer todos os pormenores técnicos de Sym Maxsym TL 500 se clicar aqui.

Para resumir, a Maxsym TL é muito agradável de conduzir. Sente-se leve e ágil, tem uma boa resposta ao guiador e ao acelerador, uma excelente travagem, uma suspensão muito competente e uma qualidade de construção muito boa. A comprová-lo estão, por exemplo, as tubagens de travão reforçadas a malha de aço, as manetes ajustáveis, os discos dos travões recortados, a embraiagem em banho de óleo, o amortecedor hidráulico da abertura do assento e uma quase total ausência de vibrações e ruídos parasitas.

Os acabamentos também são bastante cuidados, pelo que se pode afirmar que estamos perante um produto de alta qualidade que justifica completamente o seu preço.

Tive a oportunidade de realizar este teste à Maxsym TL durante a sua apresentação mundial aos media, evento que foi realizado cá em Portugal, no bonito cenário da Serra do Caramulo e seus arredores, nas vésperas da abertura das portas do Salão de Milão onde esta scooter foi apresentada ao público pela primeira vez. 

Ao longo do dia, frio e sob ameaça de chuva, pude experimentar diversos tipos de percursos, pisos e ritmos. Infelizmente não pude circular de noite, nem tive oportunidade de medir consumos, mas a impressão com que fiquei foi, sem dúvida, muito boa.

Gostei bastante do seu aspecto compacto e robusto, do desempenho dinâmico da ciclística e do motor e do conforto que proporciona. Mesmo no pequeno troço de autoestrada que pude efectuar, a Maxsym TL não desiludiu, já que consegue facilmente chegar e manter-se um pouco acima do limite máximo de velocidade permitido por lei.

No entanto, como aspectos menos positivos, destaco o facto de esta Sym não vir equipada com sistema “sem chave” (hoje em dia já é um “must”), a ausência de regulação rápida do ecrã pára brisas e a ausência de fechadura nos dois pequenos porta-objectos inseridos no painel frontal.


Mas o que é certo é que, no meio do trânsito, qualquer motociclista experiente vai conseguir que esta Maxsym TL se transforme numa verdadeira enguia endiabrada. Numa estrada de curvas qualquer motociclista vai sentir, sobretudo, uma enorme sensação de segurança e inevitavelmente uma terrível tentação de enrolar um bocadinho mais o punho e travar um bocadinho mais tarde. E num passeio de Domingo, a solo ou com “pendura” o pior aspecto vai ser: ter de voltar para casa.

Para rematar, a Sym Maxsym TL vai-lhe custar cerca de 9.000 euros, mas garanto-lhe que nenhum carro deste preço lhe irá dar tanto prazer, seja de pela condução dinâmica, seja pelo tempo que vai ganhar fora das filas de trânsito.

Como dizia a outra senhora: não negue à partida uma ciência que desconhece! Dirija-se a um concessionário Sym, e marque um Test-Ride.

andardemoto.pt @ 16-12-2019 13:24:10 - Texto: Rogério Carmo


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives