Teste Yamaha TMax 560 Tech Max – Polivalência MAXima

Um sucesso de vendas na Europa e que se renova pela sétima vez. A TMax é uma scooter com aspirações a ser moto e uma moto com a polivalência de uma scooter. A nova Yamaha TMax 560 passou pelas nossas mãos... e não podíamos estar mais satisfeitos!

andardemoto.pt @ 9-12-2019 20:30:00 - Texto: Bruno Gomes

É uma das grandes novidades da marca sediada em Iwata para 2020. E a verdade é que a Yamaha tem boas razões para apostar forte na nova TMax 560. Esta maxiscooter nascida em 2001 revelou-se um sucesso por terras europeias. É verdade que em França ou em Itália é onde a TMax mais se destaca, mas esta maxiscooter com aspirações a ser moto tem uma posição dominante no seu segmento a nível do mercado europeu.

Desde 2001 foram produzidas 330.000 unidades da TMax contabilizadas todas as seis gerações até ao momento. Dessa produção total, a Yamaha destaca o facto de que 84% da produção tem como destino a Europa, revelando que os motociclistas europeus recebem de braços abertos as capacidades dinâmicas desta maxiscooter premium, sem esquecer as suas características técnicas que a tornam tão polivalente e uma excelente opção para nos deslocarmos seja em percursos mais abertos ou mesmo em cidade.

Quando esta sétima geração da Yamaha TMax 560 foi apresentada no passado Salão de Milão EICMA, o seu Andar de Moto já lhe deu todos os detalhes técnicos desta novidade que chega aos concessionários da Yamaha ainda em dezembro de 2019. Para ficar conhecer todos estes novos detalhes da TMax 560 clique aqui.

Sem querer maçar o caro leitor com demasiada conversa técnica, deixo aqui as principais novidades:

- O motor bicilíndrico vê a cilindrada aumentar dos 530 para os 562 cc, fruto de pistões de maior diâmetro (70 mm);
- A potência sobe ligeiramente para os 47 cv às 7500 rpm, o que deixa a TMax 560 no limite da carta A2;
- O binário máximo sobe para os 55,7 Nm às 5250 rpm, um aumento de 6,5% em comparação com a anterior TMax 530;
- A nova TMax 560 é Euro5;
- O novo motor bicilíndrico, apesar da melhoria na performance, consegue ser mais eficiente em termos de consumos. A Yamaha anuncia uma média de 4,8 litros;
- Passagens de refrigeração redesenhadas e refrigeração ativada agora aos 82ºC para melhorar a lubrificação nos arranques a frio;
- Relação de transmissão reduzida para melhorar aceleração e embraiagem engrena às 4000 rpm;
- Sistema de escape redesenhado, mais leve, com dois catalisadores e com paredes dos tubos 20% mais finas.

Está claro que estas modificações no motor permitiram à Yamaha anunciar durante a apresentação internacional, que aconteceu em Portugal durante o mês de novembro, que a nova TMax 560 é a mais rápida de sempre.

Nas comparações com a versão 530 cc, a nova geração da maxiscooter japonesa ganha claramente nas acelerações até 80 km/h e até aos 100 km/h. Em velocidade máxima a Yamaha não conseguiu uma melhoria tão forte, com a nova TMax 560 a revelar-se apenas 5 km/h mais veloz do que a TMax 530. Ainda assim, a velocidade máxima atingida por esta maxiscooter é suficiente para limpar todos os pontos que tivermos disponíveis na nossa carta de condução!

Neste primeiro contacto com a nova TMax 560 a Yamaha deixou-me aos comandos da versão melhor equipada. A partir de agora a gama está apenas dividida entre TMax 560 e TMax 560 Tech Max, existindo depois diversos “packs” de equipamento que permitem personalizar as características.

Em relação à versão base, a Tech Max apresenta argumentos que a tornam na variante mais apetecível, embora, como poderá ver mais à frente no veredicto final, isso também se reflita no PVP. Das características diferenciadoras da Tech Max destaco o ecrã frontal ajustável eletricamente em altura, os punhos e assento aquecidos, “cruise control”, e a suspensão traseira ajustável.

As restantes características são partilhadas com a versão base TMax 560.

Já com a minha mochila guardada debaixo do assento, num espaço onde facilmente cabem dois capacetes abertos ou uma mala grande, selecionei o D-Mode Touring para começar.

O acelerador sente-se bem conectado com o motor, e cada impulso é correspondido por uma subida de rotações suave e linear, o que mesmo com o piso bastante molhado, como aconteceu durante esta apresentação internacional por estradas da Serra de Sintra, Lisboa e Serra da Arrábida, inspira confiança mesmo a quem não esteja tão habituado a conduzir uma maxiscooter.


O assento não se revela tão desportivo como aparenta ser. É bem acolchoado e temos espaço suficiente para adotar uma boa posição de condução, os braços chegam facilmente aos punhos, e o guiador tem a largura suficiente para permitir uma boa força de alavanca que não obriga a grande esforço para levar a frente da TMax 560 a seguir a trajetória que queremos. A plataforma, mesmo na secção inclinada, permite colocar bem os pés sem obrigar as pernas a fletirem em demasia, o que contribui para o conforto elevado.

Para poder efetivamente garantir que a nova TMax 560 é mais rápida que a antiga 530 teria de fazer uma comparação lado a lado. De cabeça, e do que me recordo quando conduzi a TMax 530 na África do Sul em 2017, a nova geração mostra-se mais forte nos médios regimes, mais enérgica nas recuperações, e assim facilmente podemos realizar ultrapassagens sem necessitar de acelerar tanto.

Os primeiros quilómetros foram percorridos a um ritmo reduzido. O nevoeiro no Cabo da Roca não permitia arriscar, o piso molhado e frio não inspirava confiança, mas a verdade é que a TMax 560 Tech Max portou-se muito bem nestas condições.

A Yamaha achou por bem mostrar-nos como a TMax se porta bem mesmo no meio do trânsito citadino. As magnificas e esverdeadas estradas da Serra de Sintra rapidamente deram lugar ao cinzento do IC19. As formas compactas da TMax 560 permitiram passarm sem dificuldade pelo meio do trânsito compacto, quase parado. Provavelmente muitos automobilistas deram um espaço extra ao visualizarem nos retrovisores a nova iluminação DRL que confere à TMax uma imagem agressiva.

Nos espaços mais apertados destaco a brecagem desta maxiscooter com 1575 mm de distância entre eixos. É fácil de manobrar, o assento não está demasiado elevado (800 mm de altura ao solo), e o dócil motor de 562 cc em modo Touring deixa-se explorar facilmente.

Grande parte da manhã foi passada em ambiente urbano, e com condições climatéricas tão adversas, a maior nota de destaque numa condução citadina vai claramente para a excelente capacidade de aceleração a partir de parado. Nos inúmeros semáforos de Lisboa rapidamente fiquei à frente dos carros, com a TMax 560 a atingir boas velocidades sem que isso se fizesse notar nos consumos: 5 litros aos 100 km.

Felizmente para mim e para a TMax 560, o percurso da apresentação não foi inteiramente citadino. Apesar das excelentes características de scooter, a Yamaha TMax destaca-se claramente pela sua dinâmica quase a fazer lembrar uma moto de maiores dimensões.

Nos percursos mais abertos o ecrã frontal na sua posição mais elevada fornece uma excelente proteção aerodinâmica. O condutor praticamente fica envolvido por uma “bolha aerodinâmica” protetora, sem turbulência. Neste particular apenas tenho a destacar, negativamente, o facto de que a Yamaha obriga a entrar num menu que depois permite ajustar o ecrã (ou ligar o aquecimento dos punhos).

O botão não está bem posicionado, e obriga a tirar os olhos da estrada para termos a certeza de que estamos a carregar no botão certo no punho esquerdo, repleto de outro botões, como o “cruise control”.

Na chegada à Serra da Arrábida o sol deu um ar da sua graça e o asfalto finalmente secou o suficiente para levar a TMax 560 ao máximo.

Troquei o D-Mode para Sport. Imediatamente senti uma resposta ligeiramente mais imediata aos impulsos no acelerador. A Yamaha afirma que os D-Mode estão mais diferenciados entre si, mas para ser honesto, não senti uma diferença assim tão grande. Penso que 90% dos proprietários da TMax vão selecionar um dos modos de condução e não o vão alterar mais, até porque em qualquer um dos D-Mode o controlo de tração, atualizado para 2020, é bastante eficaz e praticamente não se deixa sentir quando entra em funcionamento.

Para uma maxiscooter que pesa 220 kg a cheio a TMax 560 gosta de dançar de curva em curva, e não se sente o peso nas trocas de direção mais rápidas. As reações são prevísiveis, mesmo quando puxamos pelo motor ao máximo, e a tração fornecida pela transmissão CVT ao pneu traseiro é muito boa, com a TMax 560 a sair rápido das curvas mais lentas.

A distribuição de pesos deixa um pouco mais de peso na traseira (48% / 52%), pelo que a frente sente-se leve, mas felizmente isso não leva a qualquer instabilidade nas curvas mais rápidas, em que a TMax agarra a trajetória e ali fica, em plena inclinação, transmitindo muita informação ao condutor que sabe perfeitamente quando está a chegar ao limite.


A solidez estutural é muito elevada, o que contribui para as qualidades dinâmicas desta japonesa de aparência desportiva, e onde o novo desenho da luz de travão, em forma de T, ganha um destaque maior.

Para esta nova geração, a Yamaha redefiniu por completo as suspensões da TMax.

Tanto à frente como atrás encontramos molas mais rijas, mas ao mesmo tempo a afinação de compressão foi otimizada para não tornar a condução num suplício para as costas. Assim, o condutor da TMax 560 sente uma maxiscooter firme mas ao mesmo tempo confortável, com a frente a ler perfeitamente o asfalto, e a traseira a amortecer as maiores pancadas nos pisos irregulares.

O sistema de travagem não foi alterado em relação ao que se conhecia. Temos potência suficiente para abrandar nos espaços mais curtos, o “feeling” nas manetes é bom, e mesmo o ABS revela-se pouco intrusivo.

Veredicto Yamaha TMax 560 Tech Max

Alterar o que já era um conjunto extremamente eficiente nunca é fácil. Mas a Yamaha parece conseguir sempre encontrar aquela coisa que torna a TMax tão especial. Esta 7ª geração da maxiscooter japonesa é uma verdadeira delícia de conduzir, seja em cidade ou fora dela.

Apesar das condições climatéricas adversas senti-me perfeitamente confortável, e nem mesmo o trânsito compacto de Lisboa em hora de ponta se revelou problemático. O motor está cada vez melhor! Esta versão Euro5 de maior cilindrada tem tanto de suave como de potente, e revela-se polivalente, económico, e muito divertido de explorar. É uma duas rodas que inspira (e respira!) confiança.

Há no entanto que ter em conta o seu preço. A versão Tech Max, que testei, custa 13.760€. A rival mais direta é a BMW C 650, que na variante GT custa 12.308€ e na variante Sport não chega aos 12.000€. Se olharmos para uma opção mais acessível dentro do segmento, encontramos a Kymco AK 550 com um preço de 10.249€. Sem esquecer a SYM MaxSym TL 500.

Apesar disto, a Yamaha oferece uma qualidade de construção impecável e um comportamento dinâmico que não a deixa ficar atrás de nenhuma rival. É uma proposta premium mas que consegue justificar os euros pedidos pelo equipamento incluído de série. Se tiver mesmo decidido a ter uma TMax 560 na sua garagem, então fique a saber que a versão base é ligeiramente mais acessível, com um PVP de 11.560€.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:

- Capacete – Shark Evo-One 2
- Blusão – REV’IT! Horizon 2
- Calças – REV’IT! Orlando H2O
- Luvas – Ixon Pro Verona
- Botas – TCX X-Blend WP

Galeria Yamaha TMax 560 Tech Max

andardemoto.pt @ 9-12-2019 20:30:00 - Texto: Bruno Gomes


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