Harley-Davidson Triple S – Softails, Sportsters e Scramblers

A Harley-Davidson organizou um mega-evento que chamou de Triple S. Mais de 1000 jornalistas de todo o mundo viajaram até Málaga para conhecer as três facetas “S” da marca americana: as Softail, as Sportster personalizadas e ainda as Scrambler!

andardemoto.pt @ 20-2-2020 08:55:11 - Texto: Bruno Gomes

A Harley-Davidson passa por uma intensa fase de renovação da marca. Em Milwaukee soaram os alarmes quando as vendas começaram a não ter os resultados habituais, e assim a histórica Harley-Davidson teve de definir um plano de ação para se reinventar ao longo dos próximos anos.

Por exemplo, a elétrica LiveWire, moto que já abordámos diversas vezes aqui no Andar de Moto, é a grande aposta da Harley. E foi precisamente esta a moto que me chamou mais a atenção no evento Triple S que a Harley-Davidson organizou em Málaga, mais precisamente na localidade de Antequera.

Evento não é bem a palavra que devo usar para definir o que a Harley-Davidson fez.

Na realidade, e com a presença de mais de 1000 jornalistas vindos de todos os cantos do mundo, a H-D criou um mega-evento em que nos deu a conhecer as suas mais diversas facetas ao longo de dois dias em que pudemos rodar com a gama Softail de 2020, tanto numa vertente mais “touring” como numa vertente de performance, incluíndo a novidade Low Rider S. 
Além disso tivemos a oportunidade de experimentar uma versão Scrambler da XG750 Street, e ainda, e para nossa surpresa, conduzir por breves momentos algumas Sportster 1200 personalizadas e de clientes Harley.

Softail, Scrambler e Sportster. Agora já percebe porque é que a Harley-Davidson denominou este evento de Triple S?

Infelizmente a LiveWire que tanto me chamou a atenção quando cheguei ao “quartel-general” do Triple S não estava disponível para testar. A primeira moto elétrica da Harley, de acordo com informações que obtivemos durante o evento, não estará, pelo menos num momento inicial, disponível em Portugal, pelo que não nos foi possível testar a LiveWire.

Assim, tivemos de nos virar para algumas das propostas Harley-Davidson equipadas com motores a combustão V-twin.

A nossa viagem Triple S começou pela gama mais “performance” da família Softail. Esta família de modelos está agora mais completa e tem como grande novidade para 2020 a Low Rider S. Mas a primeira moto que me calhou em sorte foi a imponente Fat Bob.

Equipada com o poderoso motor Milwaukee-Eight 114, a Fat Bob impõe respeito. O farol frontal retangular em LED, os coletores de diâmetro generoso, os pneus “gordos”, a traseira recortada e de certa forma desportiva, o sistema de escape com as suas ponteiras sobrepostas... tudo na Fat Bob impõe respeito.

Com uma posição de condução que nos obriga a deitar o corpo para a frente, fruto do guiador largo e quase direito, a Fat Bob revelou-se uma agradável surpresa. O seu peso nota-se nas manobras a baixa velocidade, mas o binário muito generoso e disponível logo a baixas rotações faz com que conduzir a Fat Bob, pelo menos nesta versão de 1868 cc, seja uma missão agradável.

A travagem, que talvez seja do melhor que a Harley-Davidson tem para oferecer, da Fat Bob obriga o condutor a ter uma especial atenção ao que a frente está a fazer. Em particular quando curvamos para lá do que habitualmente estamos habituados a curvar numa moto deste tipo. Ainda assim, nunca senti a frente a escorregar, mas sim a pedir algumas correções de trajetória em inclinação.

O motor Milwaukee-Eight 114 é uma escolha perfeita para esta Fat Bob. A imagem musculada liga-se na perfeição com o binário que obriga o grande pneu traseiro a fazer trabalho forçado para encontrar tração. É uma moto que se conduz com enorme prazer, e quando estamos aos comandos desta Softail imponente sentimo-nos como os reis da estrada.

Harley-Davidson Fat Bob

Já com a Fat Bob “marcada” por outro jornalista, a segunda moto para testar neste Triple S foi a Street Bob.

Se a Fat Bob é músculo puro, a Street Bob é a visão mais clássica dos modelos custom. O guiador tipo “Ape Hanger” coloca os braços numa posição elevada, mas nada desconfortável. Até porque o depósito tipo lágrima facilita chegarmos o corpo para a frente e o encaixe é muito bom.

Equipada com o motor Milwaukee-Eight 107, a Street Bob nota-se claramente com menor fôlego para acompanhar as Softail de 114. É uma moto mais adaptada a uma condução descontraída, sem pressas para chegar ao destino, uma custom para desfrutar de cada momento da nossa viagem e em que nada mais interessa.

Até porque estando apenas equipada com um disco único à frente, temos de ter algum cuidado na forma como entramos em curva. Um atrasar de travagem pode não ser o ideal com a Street Bob. É, mesmo, uma moto para desfrutar com tempo e toda a calma do mundo.

Harley-Davidson Street Bob


Ainda na vertente performance das Softail 2020, encontrei-me aos comandos da nova Low Rider S.

A imagem desportiva é conseguida pela utilização de uma máscara de farol específica da Low Rider S. Mas aos seus comandos, não nos preocupamos tanto com a imagem, mas sim com a posição de condução.

Imagine uma mistura entre a Fat Bob e a Street Bob. A Low Rider S deixa-nos um pouco dobrados, com as pernas a ficarem mais altas devido à posição elevada dos poisa-pés. Por um lado podemos curvar sem raspar tanto metal, mas por outro as pernas adotam uma posição estranha, e que ao fim de alguns quilómetros não é particularmente agradável.

Já o motor Milwaukee-Eight 114 é novamente uma boa aposta para esta Low Rider S. Com 161 Nm de binário logo às 3000 rpm, esta Harley acelera rapidamente para uma velocidade de cruzeiro de 140 km/h. Mas não se fica por aí! Basta rodar mais um pouco o acelerador e quando damos por nós estamos bem para lá dos limites.

Em breve o seu Andar de Moto vai publicar um teste alargado à nova Harley-Davidson Low Rider S, por isso deixo para essa altura uma análise mais detalhada a esta que é a grande novidade dentro da família Softail de 2020.

Harley-Davidson Low Rider S

Se as três opções mais desportivas da gama Softail foram um bom aquecimento, o evento Triple S teve no segundo dia uma vertente mais turística. Ou seja, experimentámos as Softail Heritage Classic 114 e a Softail Sport Glide mas equipada com o motor Milwaukee-Eight 107.

A Heritage Classic, como o nome indica, é de todas as Softail que experimentei no evento Triple S, aquela que apresenta uma imagem mais clássica. As jantes de raios brilham ao sol de uma forma que as jantes maquinadas de outros modelos não conseguem. O grande ecrã frontal confere uma imagem de moto pronta a percorrer largos quilómetros, até porque a posição de condução é muito boa.

As plataformas permitem usufruir de uma posição de pernas excelente, a ligeira vibração do motor V-twin de 114 polegadas deixa-nos embuídos do espírito americano tão valorizado pela Harley-Davidson. Os seus 93 cv e 155 Nm de binário são suficientes para empurrar os 330 kg de peso da Heritage Classic, e basta aproveitar a força do seu motor para rapidamente acumularmos quilómetros sem notarmos.

Harley-Davidson Heritage Classic

A última moto que experimentei foi a Softail Sport Glide.

Ao contrário da Heritage Classic, a Sport Glide dá uso ao Milwaukee-Eight 107 com 1746 cc. Os 83 cv de potência e os 145 Nm são por vezes insuficientes para empurrar o peso desta moto, que com o frontal baixo, mas extremamente eficaz a proteger do vento, apresenta uma imagem de certa forma desportiva.

Deixa-se cair para as curvas de uma forma dócil, as reações da direção são bem absorvidas pela suspensão frontal, e apenas o ruído do raspar dos poisa-pés indica que estamos no limite do que a Sport Glide consegue fazer. Isso, e o facto de apenas ter um disco de travão à frente, o que deixa visualizar na totalidade da magnífica jante maquinada, mas por outro obriga a ter especial atenção ao momento de travagem, pois pode ser mais prolongada do que o habitual.

Os pés vão posicionados bastante mais acima do que o habitual numa Harley-Davidson, mas felizmente menos do que na Low Rider S. Assim, o conforto é uma nota positiva na Sport Glide, que se deixa explorar de uma forma dócil e agradável. É, na minha opinião, uma excelente porta de entrada no mundo das turísticas da Harley-Davidson.

Qualquer uma desta cinco variantes Softail revela bem o que a Harley-Davidson consegue fazer a partir de um tipo de moto. A marca americana consegue sempre encontrar forma de responder aos desejos de diversos tipos de clientes, e não se pode dizer que com a Fat Bob, Street Bob, Low Rider S, Heritage Classic ou a Sport Glide não temos opções de escolha. Performance ou Touring? Você escolhe!

Harley-Davidson Sport Glide


Harley-Davidson Sportster 1200 - Não há duas iguais!

Pode parecer uma frase feita, daquelas que ouvimos tantas vezes. Mas a realidade é que com as Harley-Davidson há grande hipótese de não encontrarmos duas motos completamente iguais. Então quando os clientes recorrem aos especialistas da personalização Speed and Custom, não há mesmo duas iguais!

Durante o evento Triple S, tivemos a oportunidade de conduzir, ainda que por breves momentos, algumas Sportster 1200 modificadas. As motos que tivemos à disposição não fazem parte do catálogo de motos de imprensa da H-D. São mesmo motos de clientes britânicos que, talvez sem saberem bem para que é que a Harley lhes tinha pedido as suas preciosidades, acederam a deixar as suas Sportster 1200 personalizadas viajarem até Espanha.

Entre as motos à escolha encontrámos um pouco de tudo. Desde as preparações mais musculadas com pneus “gordos”, às de inspiração scrambler com pneus cardados e escapes elevados, sem esquecer as “low rider” ou as “bagger” com enormes jantes dianteiras.

Foi uma daquelas experiências que nunca mais esqueceremos, e mais do que as palavras, as imagens de cada uma das Sportster 1200 modificadas falam por si.

Harley-Davidson Sportster 1200 modificadas pela Speed and Custom

Harley-Davidson Hill Climb Scramble - Street de nome, scrambler de profissão

Uma Harley-Davidson XG750 Street pode não ser a moto mais indicada para andar fora de estrada. Digamos que o peso e dimensões não são argumentos que convençam alguém a conduzir uma sem ser em pisos de asfalto. Mas a realidade é que a Street 750 é uma moto bastante polivalente. De tal forma que a Harley-Davidson deu-nos a conhecer a variante scrambler deste modelo.

A IDP Moto adicionou à Street 750 alguns elementos imprescindíveis para condução “off-road”, como pneus cardados, plásticos ao melhor estilo de uma moto de motocross, e um escape totalmente aberto, de tal forma que os tampões se tornaram imprescindíveis cada vez que as motos eram colocadas a trabalhar.

Para nos mostrar como a Street 750 é polivalente, a Harley preparou uma pequena introdução à modalidade de “hill climb”, tão habitual na América e que se calhar devia começar a ter mais adeptos em Portugal pela diversão que proporciona.

Numa subida de terra, com ligeiro ressalto, os jornalistas tiveram de arrancar e chegar ao topo da subida no menor tempo possível. O percurso não era totalmente em linha reta e terminava numa curva apertada à esquerda, obrigado a passar por detrás de uma oliveira para pararmos o cronómetro.

Escusado será dizer que mesmo não existindo prémio para o mais rápido no “hill climb”, os jornalistas deram tudo o que tinham a dar para chegar ao topo mais rápido que os outros. Momentos divertidos com as Harley-Davidson Street 750 a derraparem sem dó nem piedade, jornalistas a tentarem encontrar tração nos diversos ressaltos, apenas para cairem para o lado na curva final pois a direção trancava e a frente escorregava demasiado.

Foi a “cereja no topo do bolo” do evento Triple S. Momento que mais uma vez revela bem as inúmeras possibilidades do que se pode fazer aos comandos de uma Harley-Davidson.

Harley-Davidson Hill Climb Scramble com a XG 750 Street

andardemoto.pt @ 20-2-2020 08:55:11 - Texto: Bruno Gomes


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