Teste Peugeot Django 125 - Retro "chic"

A Peugeot Django 125 não passa despercebida. Uma proposta francesa de estilo retro muito interessante que destaca o lado “chic” da mobilidade urbana.

andardemoto.pt @ 21-6-2020 22:13:49 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

A grande maioria dos motociclistas poderá não admitir, mas é um facto que quando escolhemos uma moto acabamos por ceder ao estilo. Qual é o motociclista que não se sente orgulhoso quando estaciona a sua moto à beira de um café e os amigos aparecem para felicitar?

Os fabricantes estão, claro, atentos a este fator. E no caso das scooters urbanas de 125 cc, um segmento extremamente popular na Europa, os fabricantes sabem que encontrar um design que faça determinada scooter destacar-se das rivais é um primeiro passo para o sucesso.

É aqui que entra a Peugeot Django 125. Para os leitores mais cinéfilos, Django poderá ser um nome mais facilmente ligado ao realizador Quentin Tarantino. Mas a realidade é que a Peugeot Django não tem nada que ver com o filme “Django Unchained”.


A verdade é bem mais simples. A Django 125, que foi lançada em 2014, e que se mantém praticamente inalterada até hoje, vai buscar a sua inspiração à clássica S55 que a marca do leão fabricou em 1954.

O nome é uma homenagem a Jean ‘Django’ Reinhardt, guitarrista belga falecido em 1953, a quem muitos fãs de jazz atribuem a criação de uma nova técnica de guitarra. Os seus terceiro e quarto dedos da mão esquerda ficaram paralizados devido a um incêndio. Django conseguiu superar esse problema ao aprender a tocar guitarra usando apenas o indicador e dedo do meio!

Toda a aparência retro da scooter é por isso dos anos 50.

Não é muito complicado imaginarmo-nos aos comandos da Django 125 a passear em locais emblemáticos por essa Europa fora, principalmente em França, no Arco do Triunfo ou nos Campos Elíseos. Esta scooter transmite toda uma imagem retro “chic” que não a deixa passar despercebida, principalmente no meio urbano, povoado por scooters muitas vezes “cinzentonas”.


Alguns acabamentos simulam cromados, outros revelam uma grande atenção ao detalhes, facto que coloca a Peugeot Django 125 num nível de acabamentos muito agradável, como por exemplo os apoios para as mãos do passageiro, em alumínio escovado. Para não estragar as linhas retro da scooter, a marca francesa decidiu embutir os poisa-pés do passageiro na carenagem.

A ótica frontal mantém um desenho clássico, retangular, e move-se a par com o guiador. Ainda na frente, destaca-se a luz DRL que ladeia o símbolo do leão Peugeot. O farolim traseiro é compacto e acompanha o formato algo desportivo da carenagem traseira.

O painel de instrumentos não é tão clássico como seria de esperar numa scooter retro “chic” como a Django. É uma mistura de elementos digitais (painel central) com informações básicas como nível de combustível, relógio, temperatura ambiente ou quilómetros percorridos, e um velocímetro superior analógico. Todas as informações são bem legíveis, mesmo quando a luminosidade exterior é elevada.



Por debaixo deste “look” retro encontramos uma scooter moderna e convencional.

Mecânicamente, destaca-se pelo seu motor arrefecido a ar que consegue entregar pouco mais de 10 cv de potência. Basta rodar a chave, carregar na ignição, e a Django 125 acorda para a vida. Depois, e sempre suavemente, a scooter começa a mexer-se assim que rodamos o punho direito. 

O desempenho do motor revela-se algo prejudicado pelo peso do conjunto (129 kg a seco). Ainda assim, a Django 125 cumpre com as exigências de uma utilização urbana, e os arranques de semáforo em semáforo acontecem sem vibraçõe, com a transmissão por variador a responder imediatamente aos nossos desejos e sempre na frente do trânsito.

Nos percursos mais abertos esta scooter francesa revela um bom pulmão nos regimes de rotação mais elevados. Não vai bater recordes de velocidade máxima, mas ainda assim os 100 km/h são ultrapassados facilmente.


Em cidade, e onde necessitamos de cortar pelo meio dos carros e dos espaços mais apertados, a Django 125 brilha pela sua excelente brecagem. Com o guiador muito bem posicionado em relação ao assento a 770 mm de altura do solo, o condutor não terá de se esforçar para levar esta Peugeot para onde quiser.

Também existe bastante espaço para as pernas, pois a plataforma plana, com inserções em borracha, é larga e baixa.

Debaixo do confortável assento do condutor, que está separado do passageiro, encontramos um pequeno espaço para arrumação. A Peugeot afirma que podemos ali guardar um capacete. Não especifica que tipo, mas na realidade não cabe mais do que um capacete jet. 

Para quem necessitar de transportar objetos maiores, isso poderia ser um problema, mas como referi, a plataforma completamente plana é espaçosa, pelo que transportar objetos junto aos nossos pés não será problemático, e até podemos recorrer ao gancho escamoteável para assegurar que nada cai em andamento.


As suspensões são algo firmes no amortecimento. Mas a solidez e firmeza fazem parte da Peugeot, e nisso a Django 125 não foge aos pergaminhos da histórica marca europeia. Não podemos trabalhar as afinações da forquilha telescópica. Mas o amortecedor traseiro pode ser ajustado na pré-carga em 5 níveis pré-definidos.

A maneabilidade é surpreendentemente positiva tendo em conta o peso do conjunto. A Django mostra-se ágil o suficiente para passar facilmente pelo trânsito, enquanto a entrada em curva acontece de forma prevísivel, com a scooter a deixar-se cair para a trajetória sem alarmismos.

Deixo, neste particular da dinâmica, apenas a nota de que a altura disponível ao solo em inclinação não é muita. Isso significa que o descanso central raspa facilmente em curva, particularmente quando o asfalto tem algum ressalto. Isso obriga a reduzir um pouco o ímpeto.



Na cidade, onde os momentos de travagem são constantes não apenas devido aos milhares de semáforos mas também devido aos peões distraídos e que se atravessam na estrada à nossa frente sem olhar, os travões com ABS da Django 125 revelam-se doseáveis e potentes tendo em conta o segmento.

Não sou particularmente adepto do som elevado com que somos assaltados cada vez que utilizamos os intermitentes. É demasiado alto. Talvez o lado positivo disto seja o facto de impedir o condutor de deixar o “pisca” ligado eternamente.

Veredicto – Peugeot Django 125

Num mundo em que o revivalismo parece estar na moda, a Peugeot Django revela-se uma opção que encaixa como uma luva nos motociclistas que procuram um meio de transporte que se destaque de tudo o que há na estrada dentro do segmento das scooters 125 cc urbanas.

A qualidade de construção é bastante boa, os acabamentos estão bem conseguidos, o motor, apesar de algo molengão na subida de rotações, revela-se suficiente para uma utilização urbana sem penalizar os consumos, que pouco passam dos 3 litros de média aos 100 quilómetros,  enquanto a ciclística permite uma condução despreocupada.

Com um PVP de 2.999€, a Peugeot Django 125 impressiona pela relação qualidade / preço.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção

Capacete – Shark Spartan

Blusão – REV’IT! Hoody Stealth

Luvas – Ixon RS Slick HP

Botas – REV’IT! Mission

andardemoto.pt @ 21-6-2020 22:13:49 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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