Teste Honda SH125i 2020 - Aquela Máquina

Prática, ágil, confortável, espaçosa e com uma enorme capacidade de carga, a mais popular das scooters de roda alta da Honda é uma verdadeira máquina de despachar serviço!

andardemoto.pt @ 25-8-2020 07:26:00

A família SH da Honda é uma recordista de vendas, com mais de um milhão de unidades comercializadas por todo o mundo. Nascida em 1984, com o modelo SH 50, ainda com motorização a dois tempos, as SH (também conhecidas por Scoopy em alguns países) chegaram à Europa em 2001, com a primeira versão a 4 tempos, para imediatamente conquistarem a liderança das tabelas de vendas.

As imposições da normativa Euro5 estiveram na origem deste novo modelo que para 2020 foi completamente revisto, mas que mantém o conceito inicial: uma scooter com rodas altas, de 16 polegadas, reduzida ao essencial para uma mobilidade urbana intensiva e polivalente.

Com valores máximos anunciados de praticamente 13 cv de potência e 12Nm de binário, o novo motor eSP+, agora com 4 válvulas e controlo de tração desligável, é um dos grandes argumentos da nova SH125.

A excelente resposta ao acelerador, proporcionada por um binário bem distribuído ao longo de toda a faixa de regime, permite retomas bastante convincentes e garante uma velocidade máxima, em recta, a rondar os 110km/h, e ainda uma excelente aceleração dos zero aos 50km/h, uma grande vantagem dentro das cidade, para nos desembaraçarmos do trânsito.

Mesmo com passageiro, a SH 125i não se intimida, e mantém ritmos que não envergonham, mesmo nas subidas mais acentuadas.


Mas notável é a incrível suavidade de funcionamento desta nova unidade motriz monocilindrica que, por vezes, com um bom capacete e com o idle-stop à mistura, nos deixa na dúvida se está parado ou em funcionamento! Quase parece eléctrico.

Igualmente impressionante é o seu consumo, que a marca refere ser de quase 45 quilómetros por litro de combustível (2,24 l/100km) e que na prática, sem qualquer dó nem piedade e incluindo alguns percursos com passageiro volumoso, não ultrapassou os 2,8 l/100km ao longo dos cerca de 300 quilómetros que tive oportunidade de desfrutar aos seus comandos.

Ainda assim, e graças aos 7 litros de capacidade do depósito de combustível, a autonomia prática atinge facilmente valores superiores a 250 quilômetros, e imagino os mais poupadinhos a tentarem bater a marca psicológica dos 300 quilómetros sem abastecer!



Os meus noventa quilos de peso, por oposição aos relativamente escassos 12 cavalos de potência da SH 125i, não deixaram que o controlo de tracção me mostrasse as suas virtudes, por mais que o tivesse provocado, mas por seu lado, um condutor mais leve, sobretudo em dia de chuva e piso escorregadio, vai garantidamente agradecer a confiança que o sistema proporciona.

O quadro também foi revisto. Apresenta uma nova construção em aço, leve e de alta resistência, que promete ser mais durável. Ainda assim, sob forte travagem, sente-se um ligeiro aproximar do guiador em direção às pernas, efeito normal nas scooters de plataforma plana, devido à ausência de travessas de suporte da estrutura que sustenta a forquilha.

No entanto é uma situação que não interfere com a condução, nem representa nenhum risco, e que se torna notória sobretudo por causa da excelente potência de travagem oferecida pelo conjunto disco/maxila dianteiros. Ainda relativamente à travagem, o conjunto de fricção traseiro revela-se incansável, bastante doseável e igualmente potente. O ABS mostra-se muito discreto, sobretudo devido à boa aderência demonstrada pelos pneus Michelin City Grip.


O conforto foi outras das preocupações tidas nesta nova Honda SH 125i. A suspensão, apesar de exibir um excelente comportamento dinâmico, filtra as irregularidades do piso de forma exemplar, aguentando-se muito bem, mesmo nos impactos mais violentos. A nova geometria da suspensão traseira é responsável por proporcionar uma maior confiança em curva e uma maior estabilidade sob forte travagem.

Precisa, isso sim, de um pequeno ecrã pára-brisas para aumentar o conforto, sobretudo no Inverno. O passageiro conta com um assento bastante confortável, com poisa-pés generosos e escamoteáveis, muito bem posicionados, e a Top-Case incorpora encosto almofadado. Um verdadeiro trono, segundo os diversos corajosos que andaram à minha pendura.

Na prática, a suavidade de funcionamento, a ausência de vibrações, o conforto, a facilidade de condução e a discreta (quase inaudível) nota do escape, conquistaram-me mal comecei a rolar. 

A par com a excelente brecagem (faz 180 graus em apenas 2,05 metros) e com o peso extremamente baixo (136,5 kg em ordem de marcha), junta-se à lista de predicados o centro de gravidade rebaixado à custa da mudança do depósito de combustível, que agora está colocado por debaixo dos pés (e assim libertou mais 10 litros de espaço para arrumação debaixo do assento onde ainda também cabe, perfeitamente, um bom capacete).

A relativamente boa altura livre ao solo, que permite subir e descer passeios sem grandes cuidados, a ampla plataforma para os pés, que permite transportar volumes consideráveis e oferece imenso espaço para as pernas, além de um assento colocado a 799mm do chão, mas cujo formato não rouba muita altura de pernas, sendo favorável a condutores de estatura mais baixa, são outros argumentos que a SH 125i apresenta nesta sua nova versão.

A qualidade de construção é quase impressionante, irrepreensível, com plásticos firmes e de qualidade, uma pintura impecável, encaixes perfeitos e excelentes acabamentos, sendo ainda completamente isenta de ruídos parasitas.



A iluminação (muito boa) é integralmente em LED e, no caso da versão que tive oportunidade de desfrutar, o sistema sem chave que integra a fechadura da Top Case, revela-se uma solução extremamente prática já que ao afastarmo-nos da moto, a mala fica automaticamente trancada. E para a abrir, ou remover, basta premir um pequeno botão escondido por debaixo do próprio suporte. É o máximo!

O novo painel de instrumentos, monocromático em LCD, dividido artisticamente em dois segmentos, conta agora com dois botões no punho esquerdo, que permitem navegar por toda a informação disponível, sem se ter de tirar as mãos do guiador. A sua leitura é fácil, mas com o sol a pique, já se sabe… por vezes é complicado ver as informações mais detalhadas.

Com tanto luxo, seria de esperar que a Honda SH 125i tivesse iluminação no porta-bagagens, que infelizmente não existe. Uma tomada USB e arrumação para o telemóvel no painel frontal também tinham sido bem-vindas, mas apenas estão disponíveis debaixo do assento. 



Se é daquelas pessoas que tem uma vida atarefada e que precisa mover-se diariamente pela cidade, e mesmo nos arredores, e quer ter a vida facilitada no que respeita aos engarrafamentos e estacionamento, e precisa de uma solução fiável, de pouca pegada ambiental e económica, para combater a pandemia, então aconselho-o a visitar um concessionário Honda e fazer um Teste-Ride a esta pequena maravilha da mobilidade, cujo preço de apenas 3.990 € (para a versão topo de gama) é amortizável mais rapidamente do que pode pensar!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança.

Capacete Nolan N100-5  Plus

Blusão em pele RSW Dennis

Luvas RSW MSL – 008

Botas TCX Rook WP


andardemoto.pt @ 25-8-2020 07:26:00


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