Teste SYM NH-X 125 - Budget roadster
Mais conhecida pelas suas scooters, a SYM está de regresso às motos 125 cc. A NH-X 125 é uma naked roadster confortável e que tem no preço o seu maior trunfo.
andardemoto.pt @ 23-7-2020 16:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
A SYM,
acrónimo de SangYang Motors, está de volta às motos de 125 cc depois de vários
anos em que apenas contou com a venerável Wolf 125 para levar a bandeira da
marca de Taiwan neste segmento. Apresentada no final de 2019, a nova NH-X 125 é
a opção da SYM para os motociclistas que procuram uma moto urbana, prática e
muito acessível.
Não é preciso muito para percebermos que a equipa de designers da SYM acertou
em cheio com o estilo roadster desta naked. A NH-X 125 foi alvo de bastantes
elogios durante os dias em que esteve no Andar de Moto para a realização deste
teste.
A ótica frontal com as suas luzes sobrepostas, a traseira subida e afilada, a
iluminação “Full LED”, as grandes entradas de ar laterais, o suporte de
matrícula fixo ao braço oscilante para uma imagem mais “clean”, ou mesmo o
“spoiler” inferior posicionado abaixo do motor. Todos estes elementos
contribuem para uma moto que se faz notar na estrada ou parada no
estacionamento enquanto tomamos um café.
No ângulo certo e à distância, quase podemos dizer que estamos na presença de
uma Honda CB500X de dimensões reduzidas.
No entanto a qualidade de construção não está, claramente, ao nível da Honda. A
NH-X 125 tem bastantes cabos à vista, alguns plásticos não têm um toque
particularmente agradável e a qualidade parece algo frágil. Pelo contrário, os
plásticos que simulam fibra de carbono são agradáveis, o assento generoso está
coberto por material anti-deslizante, e o painel de instrumentos digital está
bem conseguido e mostra as informações de forma facilmente legível.
Com dimensões generosas para uma “oitavo de litro”, a SYM NH-X 125 não se
revela intimidante quando estamos aos seus comandos. O assento está posicionado
a apenas 787 mm de altura, o que nos deixa bastante “dentro” do conjunto e
facilita chegar com os pés ao solo. Não me recordo nos tempos recentes de ter
testado uma naked roadster que fosse tão baixa.
A posição de condução, para condutores de estatura mais elevada, pode ser algo
estranha. O guiador é alto e curvado para trás. Isso deixa os punhos bastante
perto do condutor. É um guiador estilo “old school” e totalmente o oposto das
mais atuais naked. Isso resulta numa posição de condução algo acanhada. Mas se
for um condutor de estatura menor, vai sentir-se extremamente à vontade, com
uma posição de condução que favorece a manobrabilidade em cidade.
Se é verdade que a SYM trabalhou bem ao nível estético e criou uma moto
totalmente nova, o mesmo não se pode dizer do motor. A unidade motriz que
equipa a NH-X 125 é precisamente o mesmo monocilíndrico que conhecemos da Wolf,
e que existe desde 2011! Foi, obviamente, sendo atualizado ao longo dos anos.
Em 2017 passou a contar com injeção eletrónica para cumprir com as normas
Euro4. A sua performance fica áquem do limite dos 15 cv. Na realidade a NH-X
apresenta-se ao serviço com os seguintes números: 10,2 cv às 8000 rpm e 9,5 Nm
às 6500 rpm.
Não se expressa particularmente bem a baixas rotações. É preciso espevitar este
monocilíndrico e levá-lo para lá das 6000 rpm para sentir a puxar. A gama de
rotações em que o devemos manter não é muito grande: entre as 6000 e as 8000
rpm. Tudo o que seja abaixo ou acima desta pequena faixa é perda de tempo.
É por isso necessário aprender a explorar a transmissão com caixa de apenas 5
velocidades, bastante longas por sinal, o que por sua vez obriga a trocar de
caixa mais vezes para manter as rotações no regime ideal. E por falar em caixa,
a unidade testada apresentava um seletor com uma folga bastante grande. Mesmo
depois de afinado, ficou melhor, mas ainda assim obriga a fazer um movimento de
rotação com o pé esquerdo muito pronunciado para garantir que a caixa passa de
relação e não fica em ponto-morto.
Ao nível da travagem também não encontramos nada de novo. Um sistema combinado,
com dois discos (260 mm à frente e 222 mm atrás). O tato inicial da manete é
esponjoso, mas assim que apertamos com mais força a pinça morde com alguma
ferocidade o disco recortado. Neste caso, a forquilha revela uma tendência de
afundar rapidamente, pelo que convém estar precavido para este comportamento e
ajudar a reequilibrar o conjunto reposicionado o corpo mais para trás no
assento.
De uma forma geral não é necessário usar o travão traseiro, mas numa condução
mais desportiva, e se quisermos mesmo levar a travagem para o limite, convém
usar o travão traseiro para ajudar a distribuir o esforço da travagem.
Em condução, é fácil gostarmos da SYM NH-X 125. A posição de condução natural
ajuda a descontrair. A brecagem não é a melhor, mas por outro lado o peso do
conjunto é de apenas 142 kg, o que faz com que as trocas de direção e as
manobras a baixa velocidade não sejam um problema.
As suspensões com a sua afinação suave garantem uma filtragem muito boa das
irregularidades do asfalto. Nem mesmo as irritantes lombas de velocidades
causam incómodo. Aqui também devo dar crédito ao assento generosamente recheado
de esponja mole. Numa estrada de curvas convém refrear um pouco o andamento
pois as suspensões não se dão bem com o “stress” das trocas de direção rápidas.
A NH-X mostra-se mais adaptada a estradas abertas e a ritmos descontraídos,
brilhando pela excelente estabilidade em linha reta.
Do ponto de vista prático, a SYM NH-X 125 apresenta alguns detalhes bem
interessantes e que por vezes motos com preços mais elevados não oferecem aos
seus proprietários: o descanso central é de série, permitindo limpar e
lubrificar facilmente a corrente. E para quem precisa de manter o telemóvel ou
outro aparelho eletrónico carregado, então a ficha USB, posicionada mesmo à
frente do bocal do depósito de combustível, vai ser o melhor amigo.
Veredicto SYM NH-X 125
Os acabamentos podem não ser impecáveis, o motor e chassis
podem não ser de última geração. Mas é um facto que a NH-X 125 cumpre com o
necessário, pode tornar-se divertida assim que aprendemos a explorar a gama de
rotações em que o motor é mais eficiente, e acima de tudo é extremamente
confortável o que permite uma utilização diária.
Penso que não será fácil encontrar uma moto 125 cc que consiga oferecer o que a
NH-X oferece e apresentar um PVP tão reduzido: 2.399€!
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete –
Shark Evo-One 2
Blusão – Furygan Digital
Luvas – Ixon RS Slick HP
Botas – REV’IT! Mission
andardemoto.pt @ 23-7-2020 16:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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