Teste SWM Varez 125 - Tradição italiana
A chegada da Varez marca a entrada da histórica marca italiana no segmento naked desportivas 125 cc. Motor “Bialbero”, quadro em treliça e componentes de marcas reconhecidas fazem desta SWM uma boa surpresa.
andardemoto.pt @ 21-7-2020 15:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Fundada
em 1971 por dois pilotos de “off road”, a SWM teve um primeiro período de
produção bastante curto. Com uma gama que consistia em três modelos de 50, 100
e 125cc, a SWM sempre se focou mais no fora de estrada. Obteve bastantes êxitos
no motocross, trial e enduro, inclusivamente alguns títulos mundiais. Mas em
1984 a marca tinha de encerrar a produção devido a problemas económicos,
deixando assim a sua marca na história do motociclismo italiano.
Em 2014 a SWM foi oficialmente relançada na EICMA, e no ano seguinte a produção
da RS660 marcava o regresso da casa italiana à atividade. Agora sob a liderança
de Apelio Macchi, antigo diretor técnico de marcas como Aprilia, Cagiva ou
Husqvarna, e Daxing Gong, líder do gigante chinês Shineray, a SWM voltava aos
trilhos e ao asfalto com um conjunto de modelos trail.
Agora que encontrou uma posição consolidada no mercado, principalmente na
Europa, onde a tradição italiana mantém uma forte ligação aos motociclistas, a
SWM continua a alargar a sua gama de modelos e a Varez 125 é a primeira naked
desportiva para o segmento “oitavo de litro”.
Não vale a pena ter medo de dizer as verdades: a SWM Varez 125 é bonita! À
primeira vista o quadro em treliça, com tubos de diferentes diâmetros, rouba as
atenções. Uma gaiola vermelha que guarda no seu interior o motor monocilíndrico
“Bialbero”. A parte superior do quadro fica escondida, ainda que apenas
ligeiramente, pelas entradas de ar protegidas por rede que se unem
perfeitamente ao depósito.
A traseira faz lembrar as naked da KTM, as Duke. Elevada, com um assento
generoso. E com a ponteira em inox a seguir o ângulo do subquadro para garantir
uma coerência estética acima da média para uma moto deste segmento.
Mais abaixo o nosso olhar fica cativo do esbelto braço oscilante, com um
desenho curvo, fabricado em alumínio. Olhamos para a frente e encontramos uma
ótica de desenho clássico, redondo. Talvez o ponto menos agradável desta SWM
seja a dimensão sobredimensionada do seu radiador. Sai completamente fora da
estética muito bem conseguida desta naked.
A Varez 125 também atrai o olhar pela qualidade dos materiais e componentes
utilizados. O guiador é em alumínio, o mesmo material que é usado nas mesas de
direção e poisa-pés de condutor e passageiro. A ponteira de escape, se
reparar-mos bem, tem a assinatura da Arrow e da SWM, e o coletor de escape fica
escondido por duas peças de plástico que mantêm as linhas dinâmicas do
conjunto, conseguindo assim alguma harmonia.
O assento é alto. A 820 mm de altura do solo e com uma traseira tão elevada,
passar a perna por cima do assento requer alguma ginástica. Mas sentado aos
comandos da Varez 125, e a não ser que seja um condutor de estatura
anormalmente reduzida, vai sentir-se confortável e chega facilmente com os pés
ao solo, pois o assento é esguio.
A posição dos poisa-pés do condutor obrigam a dobrar ligeiramente as pernas.
Não tanto como algumas rivais. Ainda assim, é uma posição de condução ajustada
a uma naked desportiva, com o guiador largo a obrigar a fletir um pouco as
costas para agarrar com firmeza os punhos. Uma postura desportiva, mas não
exagerada.
O assento, mais largo na parte traseira, confere um bom apoio. Está bem
almofadado e por isso compensa de certa forma a dureza das suspensões Fastace,
de fabrico chinês mas com boa aparência. Não esperava que uma naked desportiva
tivesse suspensões suaves, mas confesso que fui surpreendido pelo comportamento
algo “seco”. Felizmente podemos ajustar o monoamortecedor Uni Track, que
oferece afinação da pré-carga e extensão.
O motor apresenta um caráter muito particular. Este monocilíndrico de duas
árvores de cames e quatro válvulas conta com injeção eletrónica a cargo da
Athena. É um motor que deriva dos antigos motores Husqvarna. Afinal, a SWM
ficou com as antigas instalações da Husqvarna em Varese após a intervenção da
BMW e consequente venda da “Husky” ao grupo KTM.
O caráter deportivo deste 125 cc que equipa a Varez significa que a baixas
rotações sente alguma dificuldade. Temos de esperar pelas 5000 rpm para sentir
a sua força a crescer, mas realmente enche os pulmões quando vemos as rotações
passarem a marca das 7500 rpm. A entrega da potência nestes regimes é bastante
linear e prevísivel.
A partir daí e até “bater” no limitador às 11.000 rpm o motor começa a perder
alguma força. O próprio som modifica-se. Fica demasiado áspero. Mas por essa
altura e em 6ª já estaremos a rodar à velocidade máxima que se fica pelos 126
km/h.
Este monocilíndrico “Bialbero” destaca-se ainda pela eficiência ao nível dos
consumos: apenas 3,5 litros de média, o que tendo em conta que o depósito de
combustível consegue guardar 13,5 litros, isso significa que a SWM Varez 125
pode percorrer longas distâncias antes de ter de parar para reabastecer.
A transmissão ajuda a explorar o caráter desportivo do motor. A caixa de seis
velocidades mostra-se precisa. É fácil encontrar o ponto-morto. O seletor de
caixa tem um curso relativamente curto, e depois as duas primeiras relações são
mais curtas, para maximizar a aceleração, enquanto a sexta relação mais longa
permite manter uma velocidade mais elevada sem obrigar o motor a tanto esforço.
O sistema de travagem não é particularmente brilhante. É necessário apertar
muito a manete para sentir a pinça de dois pistões a morder o disco dianteiro,
e com isso perde-se a progressividade. A potência de travagem disponível
através do sistema CBS também não surpreende, e sente-se sempre que fazia falta
algo mais. E por falar em CBS, a distribuição da força combinada de travagem
entre o eixo dianteiro e o traseiro parece favorecer a traseira, o que pode
desestabilizar o conjunto quando queremos corrigir trajetórias tocando no
travão traseiro.
Em meios urbanos, o guiador largo poderá ser um problema se quisermos passar
por entre os automóveis. Mas a sonoridade elevada que escapa pela ponteira
Arrow alerta os condutores da nossa presença, e com isso encontramos sempre um
espaço para passar. Espaço, e muito, é o que é necessário para manobrar a SWM
Varez 125! A brecagem desta naked é o mínimo indispensável.
Fora estas queixas, a Varez mostra-se uma excelente proposta para utilização
citadina. Chassis equilibrado, sente-se leve nas trocas de direção, enquanto os
pneus Michelin Pilot Street encontram facilmente aderência.
Em percursos mais abertos a pequena naked italiana também não desilude. O
quadro treliça garante uma rigidez torsional bem adaptada às necessidades da
Varez. Podemos travar com a certeza de que o conjunto se mantém estável, a
frente transmite com clareza o que se passa com o pneu, e com isso ganhamos
confiança para definir trajetórias mais agressivas, inclinando a SWM para
ângulos bastante pronunciados, até porque a distância livre ao solo é enorme e
os poisa-pés não raspam no asfalto facilmente.
Veredicto SWM Varez 125
O segmento das naked 125 cc dá as boas-vindas à Varez. Uma pequena naked que
chega ao mercado nacional com um PVP de 4.350€, o que a coloca numa posição
bastante interessante quando comparamos com propostas de fabricantes mais consagrados.
A Varez 125 tem a beleza, a qualidade de construção, os componentes de
qualidade reconhecida. É uma “oitavo de litro” que se mostra divertida de
explorar, com um motor vitaminado capaz de enfrentar sem problemas estradas
mais abertas, e sem penalizar nos consumos.
Claro que nem tudo são “rosas”. A travagem peca por ser pouco potente e pelo
facto de não ter ABS. Mas com um chassis tão bem afinado, a SWM está de
parabéns pois a Varez 125 tem praticamente tudo aquilo que podemos pedir numa
moto deste segmento, particularmente numa moto para ser usada todos os dias em
cidade, mas que não se nega a algumas brincadeiras numa estrada de curvas.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete –
Shark Evo-One 2
Blusão – Furygan Digital
Luvas – Ixon RS Slick HP
Botas – REV’IT! Mission
andardemoto.pt @ 21-7-2020 15:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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