Teste Kawasaki Ninja 1000 SX - Essência estradista

Já fazia falta no mercado uma Sport Tourer digna do nome. A Kawasaki actualizou a Z1000 SX, baptizou-a de Ninja e subiu o patamar para um nível muito elevado.

andardemoto.pt @ 21-7-2020 08:35:00

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Kawasaki Ninja 1000 SX | Moto | Sport Tourer

A folia das motos Maxi Trail e Big Trail fez apagar a chama das verdadeiras motos de estrada: as Sport Tourer. Idos os tempos das Honda VFR 750/800, das Triumph Daytona 955i, das Suzuki Bandit GSF1200S e até mesmo das Kawasaki ZZR1100, ficou apenas no mercado um par de motos daquelas que enchem as medidas aos motociclistas veteranos. Daqueles que ainda se lembram do que eram as idas a Jerez de la Frontera, a València ou a Andorra, nos idos anos 80 e 90.

Depois de as ZZR e GTR da Kawasaki terem igualmente sido descontinuadas, pelo menos na Europa, ficou no mercado um vazio que a Kawasaki tentou tapar com a Z1000 SX, moto que está na origem desta nova versão Ninja 1000 SX, que representa a 4a evolução do modelo. 

Na verdade, para uma turístico-desportiva, a Kawasaki fez bem em transladar a 1000SX, da família Z onde se agrupam todas as roadsters, para a família Ninja onde se agrupam todas as motos carenadas.

O nome poderá intimidar os menos afoitos, mas quem gosta de viajar e não prescinde de aproveitar todos os troços de curvas para transformar a viagem em sucessões de momentos de prazer, pode perfeitamente apaixonar-se por esta nova Ninja. 

Claro que este modelo fica um pouco na sombra da Ninja H2 SX, a sua superiora hierárquica sobrealimentada, que já tinha tido o prazer de testar há cerca de dois anos, moto que tem um preço muito menos convidativo e não se comporta nem de forma tão prática nem tão econômica; o que torna a Ninja 1000 SX numa moto muito mais acessível e igualmente extremamente eficaz.

Nesta remodelação da 1000 SX, a Kawasaki apostou no conforto do condutor e do passageiro, com a aerodinâmica revista e um assento mais almofadado. No entanto a revolução chega sob a forma de ajudas electrónicas à condução.

O recurso à electrónica proporciona, além da homologação Euro5, um gigantesco aumento de segurança, através de ajudas à condução, como cruise-control, controlo de tracção, cornering ABS, modos de condução e quickshifter integral.

Isto para além da ligação via Bluetooth ao Smartphone através da App Kawasaki Rideology, que regista os dados de viagem, transmite mensagens e avisos de chamada para o painel de instrumentos e permite ainda configurar remotamente diversos parâmetros da moto como, por exemplo, o modo de condução pretendido para o próximo percurso..

A leveza a manobrar, a suavidade de funcionamento, a agilidade nas curvas, a precisão da direção, a dosagem minuciosa da travagem, o conforto a bordo e o excelente desempenho geral das ajudas electrónicas à condução, são argumentos impossíveis de rebater, que se traduzem numa extrema confiança e num elevado prazer de condução.

A tudo isto se junta o desempenho do motor. Seja pela forte entrega de binário, logo desde baixa rotação, que permite enrolar punho em 6a velocidade logo acima das 2.500 r.p.m., ou enfrentar uma estrada de curvas, apenas em 4a ou em 5a velocidade, dependendo do ritmo que se pretenda imprimir.

No entanto, o quickshifter (um dos melhores que já tive oportunidade de testar) tenta-nos a infinitas passagens de caixa, só pelo prazer de escutar o som da agora única ponteira de escape e ver como, quase por magia, se consegue dominar a caixa de velocidades sem recurso à embraiagem, mesmo no itinerário mais contorcido e em condução esmerada, tirando partido da grande agilidade do conjunto e dos 140cv de potência que o tetracilíndrico regista às 10.000 r.p.m. 


Neste particular, ainda tenho que referir o excelente desempenho da embraiagem deslizante, que consegue absorver quase como por magia o ímpeto dos 111 Nm de binário nas reduções mais fortes e, claro, a leveza da manete e a boa amplitude do accionamento que tanto se agradece em manobra.

Nos regimes mais altos, junta-se à orquestra o som da admissão e, num dia de sol, numa estrada de curvas com bom asfalto, a Ninja 1000 SX brinda-nos com uma verdadeira e arrebatadora sinfonia inesquecível.

Seja numa utilização relaxada ou já a raiar os limites da pilotagem (ou mesmo até num ocasional Track-Day), a Ninja 1000 SX não desilude, mantendo um comportamento exemplar em qualquer situação.

A suspensão tem um desempenho notável. À conta de uma forquilha invertida, completamente regulável, e de um amortecedor traseiro colocado em posição horizontal com ajuste de pré-carga remoto, proporciona um curso de 120 e 144 milímetros respectivamente, e revela-se extremamente competente tanto a digerir os excessos da mão direita, como os pisos degradados, parecendo que nos leva em cima de um inabalável tapete voador. Há muitas Adventure-Sport a ficarem com inveja.

Os travões não foram deixados ao acaso, destacando-se as pinças monobloco e a bomba radial instalados no eixo dianteiro, que oferecem uma grande potência e uma excelente dosagem da manete. Tal como o da roda traseira, que se revela incansável e extremamente competente em curva. Monitorizados pelo “cornering ABS”, os travões permitem ritmos que, há bem poucos anos, seriam impensáveis mesmo aos comandos de motos desportivas de topo.

Apesar de ter dotado a Ninja 1000 SX com um pacote electrónico muito completo a Kawasaki não exagerou, e consegue fornecer um completo painel de instrumentos de 4,3 polegadas, TFT a cores, extremamente legível e gerido por um interface fácil de memorizar e bastante intuitivo, que tornam a sua utilização fácil e descomplicada. 

A protecção aerodinâmica é boa e o ecrã pára brisas pode ser regulado em 4 posições, mas à mão, numa operação que deve ser feita com a moto parada. Para mim isso não é sequer algo que justifique o custo extra de sistemas eléctricos ou complicados sistemas mecânicos de regulação rápida, que ao cabo de algum tempo acabam por ser uma fonte de ruído.

A iluminação em LED não é referencial, mas ainda assim é do melhor que existe no mercado, contando inclusivamente com luzes de curva que, de acordo com a inclinação da moto, iluminam eficazmente a berma interior.

A escolha dos pneus é sempre importante, e reflete-se sobremaneira na confiança que consegue incutir ao motociclista. Talvez por isso a Kawasaki tenha apostado nos Bridgestone Hypersport S22 que parece terem sido desenhados de propósito para a Ninja 1000 SX, que obviamente beneficia do seu excelente desempenho.

A velocidade máxima da Ninja 1000 SX ronda os 260 km/h, mas o que impressiona é a frequência com que, sem darmos por isso, nos apercebemos que vamos a circular a velocidades muito acima das permitidas por lei, com uma facilidade, uma suavidade e uma confiança realmente assinaláveis.


A versão testada, que pode ver nas fotos, contava com o pack Tourer, composto por ecrã grande, punhos aquecidos, suporte para GPS e protecção de depósito. Inclui ainda as malas laterais, ambas com capacidade de 28 litros, onde cabe perfeitamente um bom capacete, independentemente do tipo ou tamanho, sobrando ainda uns pequenos espaços para guardar outros objectos. A sua montagem e desmontagem é extremamente fácil e as linhas da moto não ficam comprometidas sem elas.

Para mim, esta nova Ninja 1000SX é, provavelmente, a moto que representa melhor a essência de uma estradista actual: rápida, ágil, confortável, suave e segura, com uma capacidade de carga razoável, fácil de manobrar e muito agradável de conduzir.

A sua polivalência é igualmente elevada, já que seja no meio do trânsito ou em auto-estrada, ela está em perfeita sintonia.

E mesmo com passageiro, desde que nenhum dos ocupantes seja de tamanho XXL, o conforto e as prestações dinâmicas praticamente não se alteram. Até os motociclistas mais baixos não vão ter problemas a manobrar, mesmo tendo em conta que o assento está a 835mm do chão.

A Ninja 1000 SX, apesar de pesar 235kg em ordem de marcha, tem uma excelente distribuição de peso e um centro de gravidade muito baixo, pelo que as manobras à mão ou a baixa velocidade fazem-se sem qualquer problema.


Claro que tem alguns pontos negativos, como por exemplo a ausência de tomada eléctrica no painel (existe como acessório mas não vem instalada de fábrica nem na versão Touring - a sério Kawasaki?). Além disso, apenas os espelhos retrovisores podem causar algum constrangimento no trânsito, mas no entanto asseguram uma visibilidade excepcional.

Tendo em conta o preço abaixo dos 15.500 euros, a Ninja 1000 SX vai rivalizar, não com motos do seu depauperado segmento, antes com algumas Adventure-Sport do mesmo preço, que oferecem um desempenho dinâmico, e por vezes até um conforto, muito inferior.

A Kawasaki Ninja 1000 SX está igualmente disponível numa versão Performance Tourer  que conta com uma ponteira de escape Akrapovic. Passe num concessionário Kawasaki ou no seu site oficial, e fique a conhecer as opções de cor e alargada gama de acessórios disponíveis.


Veja a Kawasaki Ninja 1000 SX em pormenor

Equipamento

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