Teste Scrambler Ducati 1100 Sport Pro - Charme Irresistível

Com um inegável e cativante design italiano, um motor responsivo, uma ciclística irrepreensível e um pacote electrónico muito completo, esta é uma moto para despertar paixões e fazer da estrada um lugar muito mais agradável para se estar.

andardemoto.pt @ 10-11-2020 07:38:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

Inquestionavelmente‌ ‌esta‌ ‌nova‌ ‌Scrambler‌ ‌Ducati‌ ‌1100‌ ‌Sport‌ ‌Pro‌ ‌é‌ ‌um‌ ‌regalo‌ ‌para‌ ‌a‌ ‌vista.‌ ‌Tem‌ ‌linhas‌ ‌impactantes,‌ ‌agressivas‌ ‌mas‌ ‌ao‌ ‌mesmo‌ ‌tempo‌ ‌nostálgicas,‌ ‌dotada‌ ‌de‌ ‌materiais‌ ‌e‌ ‌equipamentos‌ ‌prestigiados,‌ ‌como‌ ‌as‌ ‌suspensões‌ ‌Ohlins‌ ‌e‌ ‌os‌ ‌travões‌ ‌Brembo,‌ ‌e‌ ‌acabamentos‌ ‌cuidados‌ ‌que‌ ‌atestam‌ ‌uma‌ ‌produção‌ ‌de‌ ‌alta‌ ‌qualidade.‌ 

Além‌ ‌disso,‌ ‌faz‌ ‌jus‌ ‌ao‌ ‌mote‌ ‌da‌ ‌marca,‌ ‌“Land‌ ‌of‌ ‌Joy”,‌ ‌que‌ ‌é‌ ‌como‌ ‌quem‌ ‌diz:‌ ‌território‌ ‌de‌ ‌diversão.‌ ‌Efectivamente,‌ ‌logo‌ ‌ao‌ ‌sentar,‌ ‌a‌ ‌posição‌ ‌de‌ ‌condução‌ ‌e‌ ‌dos‌ ‌comandos‌ ‌prometem‌ ‌muita‌ ‌liberdade‌ ‌de‌ ‌movimentos‌ ‌e‌ ‌uma‌ ‌grande‌ ‌visibilidade,‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌guiador‌ ‌amplo‌ ‌a‌ ‌permitir‌ ‌um‌ ‌controlo‌ ‌muito‌ ‌eficaz‌ ‌da‌ ‌direção,‌ ‌sem‌ ‌carregar‌ ‌demasiado‌ ‌peso‌ ‌nos‌ ‌pulsos,‌ ‌as‌ ‌pernas‌ ‌bem‌ ‌direcionadas‌ ‌para‌ ‌trás,‌ ‌para‌ ‌permitir‌ ‌resistir‌ ‌facilmente‌ ‌à‌ ‌aceleração‌ ‌e‌ ‌o‌ ‌depósito‌ ‌de‌ ‌combustível‌ ‌a‌ ‌proporcionar‌ ‌um‌ ‌bom‌ ‌apoio‌ ‌para‌ ‌os‌ ‌joelhos.‌ ‌

O‌ ‌novo‌ ‌assento‌ ‌que‌ ‌agora‌ ‌equipa‌ ‌esta‌ ‌gama‌ ‌revelou-se‌ ‌bastante‌ ‌confortável,‌ incomparavelmente‌ ‌mais‌ ‌do‌ ‌que‌ ‌o‌ ‌das‌ ‌versões‌ ‌anteriores.‌ ‌O‌ ‌painel‌ ‌de‌ ‌instrumentos‌ ‌minimalista‌ ‌mas‌ ‌bastante‌ ‌interessante‌ ‌apresenta‌ ‌todo‌ ‌a‌ ‌informação‌ ‌necessária,‌ ‌sendo‌ ‌bastante‌ ‌legível‌ ‌em‌ ‌qualquer‌ ‌situação.‌ 

Mas é quando arranca que a Scrambler Ducati 1100 Sport Pro se mostra em toda a sua essência. Ao entrar em funcionamento o “pompone”, como antigamente eram denominados em Itália estes motores bicilindricos paralelos, numa alusão onomatopaica do seu característico som de funcionamento,  promete igualmente muita diversão.

A caixa de velocidades, curta e precisa, apesar de ligeiramente rústica no accionamento, ajudada pela embraiagem assistida e deslizante, extremamente leve na manete, incita a potenciar o desempenho do Desmodue, que até agradece relações mais curtas pois apesar de bastante elástico e duma boa resposta a baixa rotação, beneficia de regimes mais elevados.

Pena a Ducati não ter investido num quickshifter, que iria tornar ainda mais irresistível a sonoridade emitida pelo escape. Uma verdadeira sinfonia ainda mais admirável pelo facto de já ter homologação Euro5. 

Em andamento é fácil perceber o manancial de segurança de que se dispõe aos comandos desta Scrambler Ducati 1100 Sport Pro. As pinças monobloco Brembro M 4.32B, que mordem discos de 320mm, garantem uma elevada capacidade de desaceleração.

A substancial forquilha invertida de 48mm de diâmetro, completamente regulável, e o monoamortecedor traseiro regulável em pré-carga e extensão, ambos assinados pela Ohlins, são responsáveis por um comportamento exemplar tanto em termos de estabilidade como de conforto, sobretudo numa perspectiva mais asfáltica.

Ainda assim, os 150mm de curso conseguem digerir com extrema souplesse os maiores buracos e irregularidades do piso. Os pneus, uns Pirelli MT60 R que calçam as jantes de 18 polegadas na frente e 17 polegadas atrás, apesar de específicos para uma condução on/off road, oferecem uma boa aderência ao asfalto, não se fazendo notar (pelo menos em novos, como os pude testar) na agilidade nem em termos de ruído ou vibrações. No entanto o comportamento dinâmico poderia garantidamente beneficiar de umas borrachas mais asfálticas. 


O pacote de ajudas electrónicas à condução, que inclui diversos modos de entrega de potência e controlo de tracção e o ABS são assistidos por uma unidade de medição de inércia, com função “cornering”, uma preciosa ajuda que permite descontrair e conduzir com uma segurança muito elevada, por muito irresponsável que seja o ritmo de andamento, coisa que, diga-se em abono da verdade, é bastante fácil de acontecer quando se tem uma moto destas entre as pernas.

A finalidade do seu conceito é proporcionar um elevado prazer de condução. A Scrambler Ducati 1100 Sport Pro não foi propriamente pensada para longas viagens com carga e passageiro, nem para desafiar a meteorologia ou os recantos mais inacessíveis do planeta. Foi pensada (e eu não estava lá para ver mas é o que sou levado a entender) para dar gozo, para fazer subir a adrenalina, para nos tentar a enrolar um pouco mais o punho, a atrasar um pouco mais a travagem e a desafiar o ângulo de inclinação, para testar a nossa destreza, a nossa coragem e os nossos reflexos.

Claro que não foi concebida para estar ao nível dos motociclistas mais dotados, destemidos ou temerários (para isso há outras) mas chega perfeitamente, e até sobra, para satisfazer os motociclistas comuns, mesmo os mais experientes. E ainda por cima tem estilo! 

Claro que, apesar de ter paletes de atributos, esta roadster musculada sofre de alguns pormenores menos bem conseguidos.

É o caso de a sua homologação não permitir que o ABS seja desligado sob qualquer forma, ainda que apenas na roda traseira; é o caso da pouca proteção aerodinâmica, que poderia ser melhorada sem trair as linhas da silhueta; e é também o caso dos espelhos retrovisores que, apesar de proporcionarem uma boa visibilidade, obrigam a desviar demasiado o olhar da estrada e requerem uma maior atenção no meio do trânsito, já que o guiador largo, só por si, se torna volumoso entre os espelhos retrovisores das outras viaturas. 

Mas lá está, esta Scrambler Ducati 1100 Sport Pro foi concebida para proporcionar um elevado prazer de condução. E ninguém consegue tirar prazer de uma condução no meio do trânsito, a não ser que vá de scooter! Por isso, é numa estrada aberta e sinuosa que devemos apreciá-la. 

Até porque, se tivermos que parar num semáforo, ou rodar a baixa velocidade, num dia quente, vamos sentir toda a frustração do Desmodue sob a forma de ondas de calor que envolvem o ou os ocupantes, quase no limite do insuportável. 


Claro que para uma condução nos Alpes, esse calor poderia até ser agradável, mas no meio do pára-arranca do setembro Lisboeta…  Porém isso não será um defeito, é apenas uma constatação, já que esta Scrambler não é a única e não será seguramente a última moto a apresentar este sintoma.

Mudando o cenário para uma estrada aberta, desfrutando dos 88 Nm de binário do motor, da facilidade com que sobe de rotação e do potencial da ciclística e da electrónica, todos os aspetos menos positivos deixam de ter importância, e é muito fácil rendermo-nos aos encantos desta charmosa italiana de boas famílias que nos brinda ainda com uma solidez do rolamento, isenta de ruídos ou vibrações parasitas, que proporciona uma sensação de qualidade muito elevada, extremamente gratificante.

Manobrar é igualmente fácil. O assento (a 810mm de altura) permite um bom alcance ao piso, pelo menos a quem tiver perto ou mais de metro e oitenta de altura. A brecagem é muito boa e o peso relativamente contido facilita as manobras à mão, não aparentando registar 206 kg em ordem de marcha.



Em termos de consumos a Ducati anuncia valores teóricos de 5.2 l/100km mas, na prática, os 15 litros de capacidade do depósito de combustível apenas proporcionam autonomias a rondar os 200 quilómetros até à entrada na reserva, mesmo sem grandes exageros.

A iluminação integral em LED contribui para um aspecto ainda mais limpo e moderno, e para uma excelente visibilidade à noite, graças a um foco de luz potente e abrangente. O interface humano é bastante lógico e fácil de usar, com comandos bem colocados e navegação fácil de memorizar.

Por isso, se procura uma moto que lhe “encha as medidas” tanto em termos de prestações, como em termos de conforto e estilo, para uma utilização sobretudo de lazer, então esta é uma opção que deve ter em conta. Isto se o preço de quase 16.000 euros não o assustar!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C4 Pro Carbon

Blusão em pele RSW Dennis

Luvas RSW MSL – 008

Botas TCX Rook WP


andardemoto.pt @ 10-11-2020 07:38:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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