Teste Yamaha Tricity 300 - Alargar Horizontes

Sabia que apenas com a carta de carro pode conduzir uma scooter de 300cc? Graças à roda extra, a lei permite que os condutores titulares de carta B possam alargar os seus horizontes.

andardemoto.pt @ 27-10-2020 02:12:27 - Texto: Rogério Carmo

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Yamaha Tricity 300 | Scooter | Scooters

A busca pelo meio de transporte mais eficaz para combater o flagelo do trânsito não pára, e precisamente por isso os veículos de 3 rodas inclináveis têm uma presença cada vez maior nas nossas cidades e estradas.

A principal razão é discutível. Se por um lado estes modelos apresentam uma inegável vantagem em termos de segurança, com uma condução que proporciona os mesmos encantos e vantagens dos veículos de duas rodas, por outro lado também permitem que os titulares de uma simples carta de condução de automóvel possam conduzir modelos bastante mais excitantes e potentes do que as modestas motos de 125cc.

Relativamente à segurança, é inquestionável o significativo aumento relativamente às scooters e demais veículos de duas rodas.

Não que a terceira roda contribua para um equilíbrio estável, ou seja capaz de digerir excessos de confiança, sobretudo em curva, mas no que respeita a pisos mais difíceis, como os empedrados ou aqueles com carris de ferro, ou os esburacados, e sobretudo nos dias de chuva, então os veículos de três rodas excedem todas as expectativas.

A aderência e estabilidade extra proporcionadas pelas duas rodas frontais torna este tipo de moto muito menos intimidante, tanto na condução como em manobra.

Mas não deixa de ser verdade que as prestações dos motores de maior cilindrada que equipam a generalidade dos veículos de 3 rodas inclináveis, são bastante apelativos. 

Num segmento de mercado muito específico, popularizado em 2006 pela Piaggio MP3, alargado pela chegada da Quadro em 2010 e da Peugeot Metropolis em 2014, chega agora a Yamaha Tricity 300.

Não que a Yamaha não tivesse já modelos de 3 rodas inclináveis, pois a Tricity 125 já está no mercado desde 2015, mas em termos de motorização não se inclui neste segmento, tal como a poderosa Niken, lançada em 2018, homologada como motociclo, e que por isso apenas poder ser conduzida por titulares de carta A.

A Yamaha Tricity 300 apresenta-se com argumentos bastante convincentes, com um desempenho dinâmico que em nada fica atrás da concorrência. Pelo contrário, em termos de prestações apresenta um comportamento mais desportivo, com suspensões mais firmes e um motor mais responsivo que lhe conferem um elevado desempenho, condizente com as suas linhas de design.

O Blue Core é um motor monocilindrico, refrigerado por líquido, com uma cilindrada de 292cc, que garante uma potência máxima superior a 26 cavalos. Apresenta uma excelente resposta desde baixa rotação e é capaz de manter facilmente velocidades de cruzeiro bastante maiores que as permitidas por lei, mesmo em auto-estrada.

A transmissão, automática por variador contínuo, apresenta uma resposta rápida que potencia o desempenho do motor e proporciona um elevado prazer de condução.


A  marca anuncia para a Tricity 300 consumos na ordem dos 3,3 l/100 km. Infelizmente na apresentação aos media, proporcionado pela Yamaha Portugal, e que decorreu nos arredores de Sintra, não foi possível aferir esses dados.

De qualquer forma, os ritmos de andamento dos quilómetros que tive oportunidade de fazer aos comandos de uma das unidades disponíveis, foi substancialmente diferente dos definidos nos testes de WLTP. Ainda assim, o depósito com capacidade para 13 litros de combustível proporciona facilmente uma uma autonomia prática superior a 300 quilómetros.

Esse facto confere à Tricity pretensões turísticas, até porque em termos de conforto a bordo ela é perfeitamente capaz de proporcionar bons passeios. A ergonomia é excelente, a proteção aerodinâmica é mais do que suficiente e a capacidade de carga é boa, com espaço para dois capacetes integrais debaixo do assento, e a possibilidade de instalar uma generosa “top case”.

O passageiro goza de um amplo assento bastante confortável, com poisa-pés bem colocados e boas pegas para as mãos, e nem sequer falta uma tomada de 12V no painel frontal para ligar qualquer dispositivo de navegação e/ou comunicação.

Em andamento, a precisão da entrada em curva, a boa capacidade de inclinação lateral e a resposta competente das suspensões, a par com a imbatível capacidade de travagem, incitam a que se aproveite toda a disponibilidade do motor para conseguir momentos de condução extremamente agradáveis e com muita confiança, seja a solo ou com passageiro.

Ao contrário do que se poderia pensar, o facto de ter 2 rodas na dianteira não torna esta scooter mais larga e menos manobrável do que qualquer moto de aventura. Pelo contrário. Obviamente em sucessões de curvas, não é tão ágil como uma moto convencional, mas ainda assim é impressionantemente rápida nas mudanças de direção, revelando-se igualmente bastante estável.

Talvez o aspecto menos conseguido da Tricity 300 seja o dispositivo Tilt Lock de bloqueio de inclinação, desenvolvido pela Yamaha. O sistema, que facilita manter a moto parada sem colocar os pés no chão sem e que tombe para um dos lados é, à semelhança da concorrência, accionado electricamente através de um botão colocado no punho esquerdo.

No entanto a sua utilização não se revela tão instintiva como nos outros modelos também já tive oportunidade de testar.

Mostra-se menos rápido na actuação e, como não acciona os travões nem tranca a suspensão, como acontece noutros modelos da concorrência, não consegue imobilizar completa e instantaneamente a moto, havendo sempre um ligeiro descair da posição em que pretendiamos que tivesse ficado. Requer por isso um pouco mais de habituação.

Por seu lado, quem não se entender com o sistema, pode sempre ignorá-lo e conduzir e manobrar a Tricity 300 como se fosse uma convencional moto de duas rodas.


Será sobretudo uma questão de hábito e de não esquecer que o conjunto, apesar de ser um dos mais leves do segmento, ainda assim revela um peso a rondar os 240 quilos. A Tricity 300 vem equipada com travão de estacionamento, o que aliado ao sistema de bloqueio de inclinação, torna praticamente desnecessário o recurso a qualquer dos descansos e facilita as manobras à mão.

Trata-se de um veículo destinado a automobilistas cansados de perder horas infinitas no trânsito e que, sem carta de condução de moto, necessitam imediatamente conduzir um veículo que, em termos práticos, proporciona as mesmas sensações e vantagens de uma moto, com capacidade para enfrentar longas distâncias, com boas médias horárias, além de oferecer uma segurança acrescida.

E tenho a certeza que até qualquer motociclista “da velha guarda” iria preferir conduzir a Tricity 300 do que estar enlatado numa fila de trânsito.


Para ser compatível com a carta de automóvel, a Tricity 300 conta também com um pedal que aciona em simultâneo e suavemente os travões das 3 rodas e que, ao contrário de alguma concorrência não implica a perda de apoio para o pé direito. Mantém as duas manetes em sistema convencional, com o travão dianteiro accionado pela mão direita, e uma travagem combinada e potente de todas as rodas com a manete esquerda. Um sistema anti-broqueio, ABS, assiste todas as rodas para maximizar a capacidade de travagem.

A roda traseira conta ainda com controlo de tracção, com inegáveis vantagens em pisos mais escorregadios.

Os acabamentos são cuidados e a qualidade de construção é irrepreensível, contando com materiais sólidos e componentes de qualidade. A Iluminação integral em LED, o painel de instrumentos bastante completo e de boa leitura e o sistema “sem chave” são disso um bom exemplo.

Disponível em 3 esquemas cromáticos e com uma gama muito completa de acessórios, a Yamaha Tricity 300 destaca-se pelo seu visual agressivo. Se ficou curioso, procure um concessionário Yamaha e marque um teste-ride.

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C4 Pro Carbon

Blusão em pele RSW Dennis

Luvas RSW MSL – 008

Botas TCX Rook WP

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andardemoto.pt @ 27-10-2020 02:12:27 - Texto: Rogério Carmo


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