Teste Indian Challenger Dark Horse 2021 - Viajante de Longo Curso

Uma genuina moto americana que impressiona pelo seu porte e nível de equipamento

andardemoto.pt @ 16-2-2021 08:44:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Indian Challenger Dark Horse | Moto | Challenger

Nem o tempo nem a pandemia têm sido bons para a prática do motociclismo. O primeiro, porque a meteorologia não tem facilitado, com chuva e frio pouco habituais neste nosso jardim, e a segunda por nos fazer pensar muito a sério nas consequências de um eventual acidente, tendo em conta a situação hospitalar, com riscos agravados como o potencial de infecção, pessoal médico esgotado e, eventualmente até, carência de recursos.

Sob tão fraco auspício, andar de moto passa a ser uma actividade ainda mais perigosa,  sobretudo em estradas mais afastadas que, por menos concorridas, acumulam muita sujidade e se tornam extremamente escorregadias, mais ainda em tempo de aguaceiros.

E isto para não falar nos cada vez mais distraídos e menos experientes automobilistas com que partilhamos as nossas rodovias.


Foi esse o cenário que encontrei quando, num dos dias em que dela pude desfrutar, levei a Indian Challenger Dark Horse, que pode ver nestas fotos, para uma sessão fotográfica em Sintra.

Perfeitamente consciente de que o cenário ideal para esta Bagger teriam sido as nossas belas retas alentejanas, tinha porém uma missão: pôr à prova o pacote electrónico que esta cruiser encerra, num cenário para o qual, por tipologia, ela não foi minimamente concebida.

E foi assim que, mal comecei a subir a velha Estrada da Pena, a caminho da Estrada dos Capuchos e da Lagoa Azul, pude começar a apreciar os predicados do conjunto.

Sem entrar em grandes detalhes técnicos, até porque os interessados podem ficar a conhecer todos os pormenores num artigo anteriormente publicado nestas páginas (basta clicar aqui), tenho que referir que a ficha técnica das Indian Challenger pode perfeitamente confundir-se com a de qualquer supernaked, supermaxitrail, sportstourer grandtourer ou, até mesmo, de algumas superdesportivas, e que a qualidade dos diversos componentes da sua ciclística é completamente irrepreensível, como seria expectável de uma moto com uma etiqueta de preço superior a 30.000 euros.

Obviamente que o romântico e sinuoso traçado da Serra de Sintra, agora praticamente abandonado, era uma prova bastante exigente para qualquer cruiser americana, bagger ou não, mas ainda assim, tendo em conta os 361 kg a seco, os 1668 cm entre eixos e os 178 Nm de binário, a Challenger nem se portou mal a enfrentar a subida e as muitas curvas em gancho. 

Mesmo tendo em conta o acumulado de folhas, cascas e pequenos troncos espalhados por todo o asfalto que, nesse dia de aguaceiros, estava bastante molhado.

O motor revelou-se bastante fácil de dominar, com uma resposta precisa e previsível do acelerador e a embraiagem a mostrar-se bastante leve, a permitir manobrar a baixa velocidade com enorme precisão. O controlo de tracção revelou-se um grande aliado nestas condições, trabalhando em perfeita harmonia com a suavidade de resposta do gigantesco V-Twin.

Chegado ao cimo da serra, já com o piso mais limpo e seco, pude começar a exigir mais à ciclística e ao motor. 


A ciclística revelou-se igual às expectativas, pois as suspensões são muito boas, tanto em termos de conforto como em comportamento dinâmico, já que contam com uma forquilha invertida e um monoamortecedor regulável da Fox, que permitem à direção revelar as suas reações de forma bastante perceptível e manter a trajetória desejada, sem oscilações nem sobressaltos.

Claro que, neste capítulo, os pneus Metzeler Cruisetec também dão uma ajuda, que permite desfrutar sem dificuldade de toda a inclinação lateral permitida pelo conjunto.

Até porque com a ajuda da unidade de medição de inércia de seis eixos e da tecnologia Smart Lean que gere a electrónica, a Indian Challenger permite acelerar e travar com grandes ângulos de inclinação, pelo que os níveis de confiança sobem de tal forma que apenas ficamos com pena de não podermos inclinar ainda mais.

A travagem também convida à euforia, já que as pinças Brembo M4.32 parecem não ceder nunca ao esforço de abrandar tamanha carga sob grandes impulsos, com a manete a proporcionar uma forte mordida inicial e uma excelente dosagem.

Em estrada aberta e bom piso pode mesmo ser vantajoso, para os mais experientes, desligar o controlo de tração para se conseguirem maiores velocidades de passagem em curva e equivalentes níveis de prazer.

Até porque o linear motor PowerPlus de 1768cc, refrigerado por líquido e a debitar 122cv, incita a aproveitar a sua disponibilidade e sonoridade com uma boa resposta desde baixa rotação e uma excelente capacidade de retorna a médios regimes e que, bastante ajudado pela caixa de velocidades, suave, precisa e bem escalonada, proporciona um enorme prazer de condução, potenciado pela nota grave e limpa do escape.

As longas tiradas não serão problema para a Challenger, pois graças à excelente ergonomia não será difícil desfrutar da alargada autonomia prática proporcionada pelos 22 litros de capacidade do depósito de combustível e pelo excelente consumo, que se traduz facilmente em reabastecimentos a cada 350 quilómetros.

Para isso o conforto é um fator importante, e a Indian não se poupou a esforços para dotar a sua “powerbagger” de todas as mordomias, para além das ajudas electrónicas à condução. Para diminuir o cansaço, uma grande cota parte da receita é a proteção aerodinâmica.

Para tal a grande carenagem, fixa ao quadro de alumínio fundido, cria uma verdadeira bolha que envolve condutor e passageiro, protegendo da intempérie, dos detritos e dos insetos, sem causar turbulência ou demasiado ruido no capacete. Além do mais o ecrã pára brisas tem regulação eléctrica, que permite a qualquer momento ajustar a sua altura, de acordo com a situação.

Outro importante fator de conforto é a ergonomia, e nesse aspecto a Indian também realizou um excelente trabalho, conseguindo um triângulo ergonómico (posição entre as mão, pés e assento) perfeito, que ainda goza de uma altura de assento bastante baixa, que confere muita confiança a manobrar a baixa velocidade.

Além do mais, existe bastante espaço para ambos os ocupantes e as vibrações do motor praticamente não se fazem sentir.

As ajudas electrónicas à condução também contemplam praticamente tudo o que se pode exigir numa moto moderna, e vão do controlo automático de velocidade à monitorização da pressão dos pneus, passando pela iluminação potente em LED ou pelo sistema “sem chave”.

Mas a Indian elevou a fasquia com o seu interface de utilizador, que além de recorrer a um monumental painel de instrumentos de 7 polegadas, sensível ao toque (mesmo com luvas) e que inclui GPS programável, utiliza widgets que permitem dispor a instrumentação ao nosso gosto, com as funções principais acessíveis por via de botões colocados ao nível dos polegares.


O painel é também o centro do sistema de infotainment que permite, via bluetooth, o emparelhamento com o smartphone e com os intercomunicadores e que torna a viagem muito mais agradável. Já para não falar no sistema de audio de elevada qualidade, com 100W de potência.

Manobrar é o grande calcanhar de aquiles de qualquer cruiser tourer. O elevado peso e as grandes dimensões obrigam geralmente a um maior esforço e a Indian Challenger não é excepção. Aí a Polaris podia ter subido a parada e, à semelhança de algumas grandes tourers métricas (leia-se europeias e japonesas), podia (devia) ter equipado a Challenger com marcha-atrás.

Outra funcionalidade que também seria bem-vinda era o controlo de paragem em subida, ou hill assist, prático quando num plano inclinado se pretende aceder ao painel de instrumentos, aos bolsos ou às malas laterais, ou ainda quando um passageiro quiser montar ou desmontar da moto.

Ao longo dos últimos anos tenho tido a oportunidade de testar e viajar em praticamente todas as grand tourers, power baggers e cruiser tourers disponíveis no mercado, e por isso posso reconhecer uma vantagem acentuada para a Challenger, que efectivamente redefine o conceito das cruisers americanas, sobretudo no que concerne ao comportamento dinâmico, tanto por culpa do excelente desempenho do seu motor, como pelo nível de segurança proporcionado pelo pacote eletrónico. 

Mas além disso, a melhor proteção aerodinâmica, a suspensão e a travagem muito mais eficazes e o soberbo sistema de infotainment da Challenger tornam-na praticamente imbatível na tarefa de nos levar longe, muito longe! É uma verdadeira viajante de longo curso.

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 16-2-2021 08:44:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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