Teste Indian FTR R Carbon - Hooligan americana ao estilo europeu

A segunda geração da FTR R Carbon está muito mais europeia do que os seus genes “made in USA” fazem acreditar. Novas jantes e pneus “pegajosos” garantem que esta Indian está aí para as curvas e o “look” premium da fibra de carbono é irresistível!

andardemoto.pt @ 24-6-2021 07:27:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Indian FTR R Carbon | Moto | FTR

A série FTR da marca americana Indian Motorcycles é uma das mais irreverentes do mercado das duas rodas. A inspiração nas motos de flat track, bastante populares na América mas cada vez mais procuradas pelos motociclistas europeus, confere às Indian FTR – que este ano abandonam a denominação FTR 1200 – uma imagem que as torna verdadeiramente singulares num mar de opções naked demasiado semelhantes.

A versão de competição FTR750, uma moto que conquistou as últimas três edições do famoso campeonato americano AMA Flat Track, lançou as bases para aquelas que hoje em dia são as propostas mais “hooliganescas” dentro da gama Indian, e não só! Mas para este ano a marca americana aposta numa ligeira inversão do conceito FTR.

A adoção de jantes de 17 polegadas em ambos os eixos, cobertas por pneus Metzeler Sportec M9 RR, borrachas que oferecem à partida uma aderência incomparavelmente superior em relação aos pneus mistos usados na primeira geração FTR, e pequenas alterações à ciclística, aproximam esta “hooligan” americana do conceito das naked europeias mais desportivas.


A renovada gama FTR de 2021 é composta por quatro versões que aqui pode ficar a conhecer em detalhe, incluindo os respetivos preços em Portugal. Basicamente a Indian pretende que cada motociclista encontre a FTR que melhor se adapta às suas necessidades e gostos, e embora a FTR base, a FTR S ou a FTR Rally (mantém os pneus mistos e jantes de 19 e 18 polegadas) garantam à marca essa versatilidade de opções, na verdade é a mais exótica FTR R Carbon que mais chama a atenção pelas suas especificações exclusivas.

Produzida em série limitada de apenas 1700 unidades para todo o mundo, a nova Indian FTR R Carbon destaca-se pelos detalhes em fibra de carbono, como as tampas do depósito, o guarda-lamas dianteiro e a moldura do farol. A forquilha dourada Öhlins totalmente ajustável e o amortecedor traseiro com reservatório externo pintado de dourado, o escape Akrapovič preto, a capa do assento de alta qualidade e um emblema numerado na consola completam o nível de exclusividade.

Nesta versão 2021 a FTR R Carbon apresenta ainda outras diferenças em relação à geração precedente, que visam melhorar a dinâmica do conjunto. A geometria do quadro em treliça foi revista, assim como foi modificado o ângulo da coluna de direção que passa a ser de 25 graus e combina com o avanço da roda dianteira que passa a ser ligeiramente menor com apenas 99,9 mm. Também a distância do assento ao solo é 36 mm inferior, enquanto o guiador ProTaper foi encurtado em 40 mm.


Estas modificações ao nível do assento e guiador são a primeira coisa que senti quando ocupei o meu lugar aos comandos da nova FTR R Carbon. Isto, claro, depois de ter passado largos minutos a admirar a qualidade dos diversos componentes em fibra de carbono, que à luz de uma tarde de verão lusitano brilhavam com uma luminosidade bem especial.

O assento redesenhado e coberto por material “premium” com o logótipo FTR em relevo e costuras a vermelho oferece um bom apoio.

Esse apoio extra é algo que se nota particularmente nos momentos de aceleração, quando o grande motor V-twin, de origem na Scout, decide transmitir à roda traseira todos os 120 Nm de binário às 6.000 rpm e os tendões dos braços do condutor alongam enquanto o motor americano empurra rapidamente a FTR R Carbon para velocidades que facilmente nos fazem perder uns quantos pontos na carta de condução.

O triângulo composto pelo assento, poisa-pés ( colocados mais abaixo mas que permitem bons ângulos de inclinação antes de rasparem no asfalto), e um guiador mais estreito, permitem adotar uma postura mais agressiva, mais dominante, mas ao mesmo tempo confortável e sem que as pernas fiquem demasiado fletidas.


O grande dois cilindros em V trabalha como uma verdadeira caldeira que me faz lembrar as dos grandes comboios a vapor, máquinas bestiais, que levam tudo à frente. E a realidade é que a vibração e potência do motor americano de 1203 cc da Indian transporta-me imediatamente para esses comboios.

Poderoso e viciante na forma como entrega a potência em modos de condução Sport e Standard, o motor deixa-se ouvir através das bem integradas ponteiras Akrapovic com acabamento em preto, que emanam um som engraçado sem ser demasiado ruidoso.

A faixa de rotações onde o motor se sente mais pujante é nos médios regimes. Por volta das 3.000 rpm os 123 cv começam a fazer sentir a sua força, mas é à passagem das 4.500 rpm que realmente sentimos a potência a surgir como um vulcão. Nestes momentos e noutras naked mais desportivas, uma entrega tão contundente de binário a médios regimes seria suficiente para imediatamente levantar a roda dianteira.

No caso da FTR R Carbon com os seus 1524 mm entre eixos, uma distância algo longa para uma naked mais “desportiva”, a roda dianteira irá levantar, claro, mas de forma mais controlada. Será necessário espicaçar bastante o motor para que a dianteira levante do asfalto.



A entrega de potência é linear e previsível, sem falhas ao longo de toda a gama de rotações. Para lá das 8.000 rpm começa a notar-se a falta de pulmão, e simultaneamente aumentam as vibrações que passam do motor para o quadro tubular, tipo treliça, bastante rígido.

No esbelto painel de instrumentos TFT a cores com função tátil, ou seja permite  tocar com os dedos para selecionar diversas opções ou percorrer os menus do Ride Command, ficamos a par de todas as informações relevantes sobre a FTR R Carbon. E também dos diversos avisos que teimam em aparecer, por diferentes razões!

Um dos avisos é a indicação de controlo de tração a intervir. É quase uma constante, particularmente se selecionado o modo Rain. Mas também em modo Standard é notória a intervenção desta ajuda eletrónica, embora a forma como “corta” potência seja suave e sempre previsível. Para os que preferem uma condução menos eletrónica e mais pura, o modo Sport será o ideal, embora a sensibilidade do acelerador seja por vezes demasiado agressiva, obrigando a dosear o ímpeto.


Será também no painel colorido que somos avisados que o sistema de desativação do cilindro posterior está ligado.

Sim, nas condições certas, o motor V-twin desliga o cilindro posterior e acende um ícone no painel de instrumentos. A sonoridade do grande motor altera-se imediatamente, mas o melhor é mesmo a ausência de calor que passa para as pernas do condutor. Este sistema revelou-se particularmente útil em cidade, garantindo um conforto térmico assinalável, mas também porque a sua ativação / desativação acontece de forma praticamente impercetível e imediata.

A outra luz é a da reserva. Com um depósito de apenas 13 litros de capacidade, e mesmo com bastante cuidado para não aumentar os consumos, a autonomia da FTR R Carbon é muito reduzida. E se nos sentirmos tentados a experimentar a adrenalina proporcionada pelos 123 cv e 120 Nm de binário, então a autonomia, como seria de esperar, desce drasticamente.


Mas a Indian FTR R Carbon mostra-se particularmente eficaz noutros níveis.

A agilidade é agora maior graças às jantes de 17 polegadas. Quando tive a oportunidade de rodar com a primeira geração deste modelo, então denominada FTR 1200, nunca senti muita confiança para levar o conjunto ao limite.

Mas agora, e ainda por cima cobertas pelos soberbos pneus Metzeler, estas jantes garantem um comportamento melhorado na inserção em curva, com a direção a mostrar-se mais incisiva, mas também na forma como ajudam o conjunto a manter a trajetória de forma estável e maximizam a velocidade de passagem em curva.

A melhoria na agilidade coloca a FTR R Carbon num patamar nunca antes visto numa Indian, marca mais conhecida pelas suas grandes cruiser e customs. Ainda que com 232 kg a cheio, o que obriga as bem afinadas suspensões Öhlins a trabalhos forçados para absorverem as transferências de peso, a FTR R Carbon movimenta-se com alguma facilidade de curva em curva, e apenas se sente a falta de um “quickshift” para garantir trocas de caixa mais rápidas.


Talvez seja o ponto que menos apreciei nesta “hooligan” americana. A caixa de 6 velocidades, bem escalonada e precisa, tem um tato mecânico e algo lento nas trocas de caixa. Numa estrada de curvas em sequência torna-se preferível selecionar uma 3ª ou 4ª relação, deixar aí, e desfrutar das massivas doses de binário em vez de andar a subir e descer de relação de caixa, o que inevitavelmente obrigará a reduzir um pouco o ritmo.

No capítulo da travagem a Indian FTR R Carbon também não está nada mal servida. Pinças Brembo de quatro pistões a morder discos de 320 mm garantem que temos potência suficiente para parar esta “locomotiva” americana.

Para aqueles que procuram mais adrenalina a má notícia desta nova geração Euro5 é a impossibilidade de desligar o ABS, sensível à inclinação. Por outro lado é possível desligar o controlo de tração e deixar uns generosos traços negros no asfalto enquanto o pneu traseiro tenta infrutiferamente agarrar-se ao piso.


Veredicto Indian FTR R Carbon


Alguns anos após a chegada da FTR à gama da Indian, esta segunda geração, e em particular este modelo exótico e de produção limitada FTR R Carbon, apresenta-se como uma proposta bastante mais madura, sem perder o seu lado “hooligan” herdado dos genes de flat track, mas agora muito mais aproximada aos modelos naked de alta cilindrada que os motociclistas europeus tanto apreciam.

Com potência e binário para “dar e vender”, a FTR R Carbon surpreende pela compostura e agilidade de um conjunto que não se atemoriza numa estrada de curvas e que prova que as Indian também sabem curvar.

A qualidade de construção e os componentes em fibra de carbono são irrepreensíveis! O facto da produção desta variante FTR ser limitada a apenas 1700 unidades para todo o mundo é algo que não deve ser descurado, pois a FTR R Carbon acaba por ter sempre um caráter bem especial.

Com um “look” muito bem conseguido (mas gostos são gostos) e que se diferencia de todas as restantes propostas do segmento das mais potentes naked, a nova Indian FTR R Carbon é uma moto que convence pela sua dinâmica, exclusividade e qualidade. Um pacote eletrónico ajustado às necessidades é apenas mais um ponto a seu favor, sendo que a pouca autonomia e a caixa de velocidades relativamente lenta são os pontos a rever no futuro.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção

Capacete – Nexx XG100 Carbon
Blusão – REV’IT! Blake
Calças – REV’IT! Orlando H2O
Luvas – Macna Attila RTX
Botas – TCX X-Blend WP

Galeria de fotos Indian FTR R Carbon

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